Agosto Dourado – Em prol da Amamentação

03/08/2020 0 Por Redação CliqueFarma

Hoje vamos falar sobre a campanha do Agosto Dourado. Para conscientizar sobre a necessidade da amamentação exclusiva até os 6 meses de idade, foi criado o Agosto Dourado. Assim, as ações de saúde neste mês se voltam para a importância desse alimento para o desenvolvimento sadio de bebês e crianças.

 

A ideia é a mesma do Outubro Rosa e do Novembro Azul, e de vários outros meses que já falamos por aqui no Cliquefarma, ou seja, um movimento para alertar a população sobre um tema de extrema importância, mobilizando, para isso, sociedade, órgãos públicos e privados e instituições de saúde.

 

Quer entender melhor como surgiu essa campanha, seus objetivos e como sua entidade pode participar? Então acompanhe nosso post!

Como surgiu o Agosto Dourado?

A campanha tem origem em um encontro, em Nova York, entre a Organização Mundial da Saúde (OMS) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em 1991. A reunião tinha como meta acompanhar o nascimento da Declaração de Innocenti (documento voltado para a amamentação) e elaborar ações a nível mundial para conscientizar sobre a causa.

 

Inicialmente, pensou-se em um dia para celebrar a data, depois passou a ser uma semana dedicada para o tema — a Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM), que ocorre de 1 a 7 de agosto em vários países.

 

A SMAM é coordenada pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno (WABA), que define um tema a cada ano e promove ações globais mostrando a importância da amamentação para crianças e mães. 

 

Em 2020, a pandemia de Covid-19 muda o formato, mas não o foco. Os eventos de celebração e conscientização vão ocorrer virtualmente, respeitando o distanciamento social necessário.

 

Confira as programações e participe!

Brasil

– Alagoas

– Amazonas

 – Bahia

– Distrito Federal

– Mato Grosso do Sul

 – Minas Gerais

  • 05/08: XVI Jornada Mineira de Atualização em Amamentação – Sociedade Mineira de Pediatria – Convite e Cartaz
  • 06/08: Webinar em comemoração à XXII Semana da Amamentação em Uberlândia – Convite e Cartaz

– Paraíba

  • 20 e 22/07 e 03 a 28/08: Agosto Dourado – Hospital da Polícia Militar General Edson Ramalho (HPMGER)

– Paraná

– Piauí

– Rio de Janeiro

– Rio Grande do Sul

– São Paulo

 

Em parceria com entidades de todo o mundo, a WABA distribui materiais informativos sobre a causa.

 

Segundo a fundação Oswaldo Cruz, neste ano, a #SMAM2020, sob o lema Apoie o Aleitamento Materno por um Planeta Saudável, se concentrará no impacto da alimentação infantil no meio ambiente / mudança climática e no imperativo de proteger, promover e apoiar o aleitamento materno para a saúde do planeta e de seu povo

 

O tema está alinhado com a área temática 3 da SMAM-ODS 2030, o qual alinha as campanhas em torno dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, e que destaca os vínculos entre a amamentação e o meio ambiente / mudança climática.

Por quê da cor dourada?

Por que a cor dourada para esse movimento? Por que o leite materno é considerado um alimento de qualidade ouro para bebês e crianças.

Campanha no Brasil

No Brasil, a Semana de Aleitamento Materno é comemorada desde 1999 com a coordenação do Ministério da Saúde. Em 2017, foi sancionada a Lei nº 13.435, que institui o mês de agosto como o Mês do Aleitamento Materno. A medida estabelece a realização de palestras e encontros na comunidade sobre a causa, além da decoração e iluminação de espaços públicos com a cor dourada.

Quais são os objetivos da campanha?

Talvez você já tenha visto alguma notícia ou relato em redes sociais de mulheres que ficam constrangidas ao amamentar em público. Isso ainda é muito recorrente por preconceito e desinformação de parte da sociedade, que não entende a importância desse alimento e de sua livre demanda, principalmente nos primeiros meses do bebê.

 

Movimentos como o Agosto Dourado existem para alertar a população de que esse é um ato natural e de muito amor. A mãe está alimentando seu filho, protegendo-o de doenças e também dando carinho. Assim, não deve haver nenhuma censura com essa questão.

 

O objetivo da campanha é, portanto, viabilizar ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. Por isso, é necessário que, a cada ano, mais pessoas e entidades passem a divulgar e apoiar essa causa.

 

O movimento que incentiva o aleitamento materno também é essencial para dar destaque aos bancos de leite. Demonstra a necessidade de mais doações de outras mães para que esses locais fiquem abastecidos e possam ajudar mais bebês, principalmente os prematuros.

Por que é tão importante celebrar essa data?

É fundamental celebrar o Agosto Dourado para proteger as crianças e reduzir os níveis de mortalidade infantil. Isso porque o leite materno é um alimento completo, sendo que o colostro, inclusive, é considerado a primeira vacina do bebê.

 

De acordo com a OMS, o recém-nascido que recebe o leite materno em até uma hora após o nascimento está mais protegido contra infecções. Além disso, nessas situações, há redução das taxas de mortalidade neonatal. Sem contar que esse evento faz com que a amamentação tenha sucesso nas próximas vezes.

O leite materno contém água, gorduras, proteínas, vitaminas e açúcares de que o bebê precisa para se desenvolver bem e crescer de forma saudável. Em sua composição, há ainda anticorpos. É, portanto, um alimento que protege contra infecções, principalmente as gastrointestinais, e contra a desnutrição.

 

Não é à toa que deve ser o alimento exclusivo até os 6 meses de idade, já que é de fácil digestão, está sempre na temperatura certa e, o melhor, não custa nada. Além disso, o ato de sugar ajuda no desenvolvimento da arcada dentária, da fala e da respiração do bebê. 

 

Por isso, é necessário alertar contra os perigos de bicos artificiais, como chupetas e mamadeiras, que podem comprometer a amamentação.

 

Crianças e jovens que foram amamentados quando bebês têm menos chances de apresentarem obesidade, segundo a OMS. Estão também mais protegidos contra problemas respiratórios e alergias.

 

Para as mães, a amamentação, além de aumentar o vínculo com a criança, ajuda a perder peso após o parto e ainda protege contra o câncer de mama e de ovário.

Como as instituições de saúde podem aderir ao movimento?

Uma pesquisa da OMS mostrou que 39% das mães utilizam o leite materno como alimentação exclusiva de seus bebês até os 6 meses no país. É possível aumentar esse número e proteger mais crianças com a adesão de maternidades, hospitais, postos de saúde, clínicas e consultórios ao Agosto Dourado.

 

É essencial que essas entidades realizem eventos durante o mês, como cafés da manhã, palestras e distribuição de materiais informativos. A dica é também decorar os espaços com a cor dourada para que mais pessoas fiquem conhecendo essa campanha.

 

É possível ainda utilizar as redes sociais da própria instituição para divulgar informações e vídeos a respeito da amamentação. Dessa maneira, a população passa a entender melhor o valor do leite materno, orientando inclusive outras famílias e apoiando as mulheres que querem amamentar.

O Agosto Dourado é uma campanha que vem, a cada ano, ganhando força no Brasil. Para que mais pessoas possam se conscientizar sobre a necessidade do aleitamento materno, é necessário que profissionais e entidades de saúde comecem a fazer parte dessa causa, desenvolvendo ações educativas.

 

Como vimos até agora, o mês de agosto é conhecido como Agosto Dourado, porque simboliza a luta pelo incentivo à amamentação. A cor dourada está relacionada ao padrão ouro de qualidade do leite materno. É uma cor toda especial, que já percorre o mundo com o seu laço simbólico. São trinta dias, em que são celebrados a promoção, a proteção e o apoio ao aleitamento.

 

Há cerca de vinte anos, entre os dias 1º e 7 de agosto acontecem ações, no mundo todo, em prol da amamentação. São dias de intensas atividades que buscam promover o aleitamento exclusivo até o sexto mês de vida, se estendendo até os dois anos ou mais. A Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM) faz parte de uma história focada na sobrevivência, proteção e desenvolvimento da criança. Atualmente, é considerada um veículo que promove o aleitamento em 120 países.

 

Como já mencionado, a história da Semana Mundial de Aleitamento Materno teve início nos anos 90, num encontro da Organização Mundial de Saúde com a UNICEF, momento em que foi gerado um documento conhecido como “Declaração de Innocenti”. Para cumprir os compromissos assumidos pelos países após a assinatura deste documento, em 1991 foi fundada a Aliança Mundial de Ação pró-Amamentação (WABA). Em 1992, a WABA criou a Semana Mundial de Aleitamento Materno E, todos os anos, define o tema a ser explorado e lança materiais que são traduzidos em 14 idiomas.

A relação da amamentação com o desenvolvimento sustentável

 

No Brasil, o Ministério da Saúde coordena a Semana Mundial de Aleitamento Materno desde 1999,sendo responsável pela adaptação do tema para o nosso país e pela elaboração e distribuição de cartazes e folders.

 

Este ano, o logotipo da Semana Mundial de Aleitamento Materno representa uma “tríade” de dois adultos e uma criança, o que reforça a importância do apoio social à amamentação.

 

E o tema deste ano traz um assunto amplo, que vem de encontro a uma situação atual do mundo: “A amamentação como chave para o desenvolvimento sustentável”. Este assunto exige uma reflexão que ultrapassa os limites da questão ecológica do aleitamento, já que amamentar reduz morbidades, mortalidade, desigualdades, violência e danos ambientais.

 

Já não há dúvidas de que o leite materno é o padrão ouro da alimentação para os lactentes. Também é inquestionável que o aleitamento é fundamental, desde a sala de parto, exclusivo e em livre demanda até o 6º mês e estendido até 2 anos ou mais. São indiscutíveis os benefícios fisiológicos, psicológicos e sócio-econômico-culturais da prática do aleitamento materno para a díade mãe/bebê.

 

Em nosso país, somente cerca de 9% das crianças beneficiam-se do aleitamento materno exclusivo. E a média, geralmente, é de apenas 54 dias de amamentação por criança. Estes números são as evidências das quais precisamos para entender a urgência da necessidade de participação e colaboração de todos em prol do aleitamento materno.

Benefícios da amamentação para mães e bebês

Quando se fala em amamentação, o foco é sempre a saúde do bebê, mas é preciso dizer que a mãe também recebe diversos benefícios. Vamos ver agora quais os benefícios para ambos quando os bebês são amamentados de forma exclusiva até os 6 meses de idade.

 

O aleitamento materno reduz em 13% a mortalidade até os cinco anos, evita diarreia e infecções respiratórias, diminui o risco de alergias, diabetes, colesterol alto e hipertensão, leva a uma melhor nutrição e reduz a chance de obesidade. Além disso, o ato contribui para o desenvolvimento da cavidade bucal do pequeno e promove o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê.

 

“Os benefícios de amamentar até os seis meses são muitos, tanto para a criança quanto para a mãe. E estamos descobrindo ganhos ainda mais duradouros que se refletem ao longo de toda a vida”, aponta Fernanda Monteiro, coordenadora das Ações de Aleitamento Materno do Ministério da Saúde. “Por meio do leite, a mãe passa ao bebê vários anticorpos que são extremamente importantes para a saúde dele”, completa.

 

“Muitos estudos mostram que o bebê que é amamentado acaba apresentando maior escolaridade, o que impacta diretamente no desenvolvimento do país. O leite materno também garante à criança que ela cresça com menos riscos de hipertensão, diabetes e colesterol alto, por exemplo, trazendo uma evolução para a saúde pública como um todo”, explica a coordenadora. Amamentar até os seis meses diminui o risco de câncer de mama na mulher e ajuda no pós-parto, já que o útero se contrai e volta ao tamanho normal mais rapidamente”, finaliza Fernanda Monteiro.

Salas de Apoio à Amamentação

Outro passo importante foi o aumento do número de implantações, por empresas privadas e públicas, de Salas de Apoio à Amamentação. Atualmente, o país possui 200 salas certificadas pelo Ministério da Saúde, com capacidade de beneficiar até 140 mil mulheres. 

 

Em 2014, eram 16 salas de apoio à amamentação. As Salas de Apoio à Amamentação são locais simples e de baixo custo para as empresas, onde a mulher pode retirar o leite durante a jornada de trabalho e armazená-lo corretamente para que, ao final do expediente, possa levá-lo para casa e oferecê-lo ao bebê.

Bancos de leite humano  

Os Bancos de Leite Humano (BLH) são uma das principais iniciativas do Ministério da Saúde para a redução da mortalidade infantil. Atualmente, o Brasil conta com 221 bancos de leite e 188 postos de coleta, além da coleta domiciliar. Todos os estados brasileiros possuem, pelo menos, um BLH. Desde 2011, mais de oito milhões de mulheres receberam algum tipo de assistência dentro da rede de bancos de leite humano.

 

A Rede Brasileira de Banco de Leite Humano é considerada a maior e mais complexa do mundo pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O Banco de Leite Humano (BLH) é responsável pela promoção do aleitamento materno e execução das atividades de coleta, processamento e controle de qualidade do leite produzido nos primeiros dias após o parto (o colostro), leite de transição e leite humano maduro, para posterior distribuição sob prescrição do médico ou nutricionista.

 

O BLH do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) é referência da Rede, tendo uma área de assistência responsável pela coleta, processamento e estocagem do leite materno. Além disso, a qualidade do material é avaliada pelo Laboratório de Controle de Qualidade do Leite Humano Ordenhado e administrada pelo Núcleo de Gestão da Rede Brasileira de BLH.

 

O modelo brasileiro é reconhecido mundialmente pelo desenvolvimento tecnológico inédito, que alia baixo custo à alta qualidade, além de distribuir o leite humano conforme as necessidades específicas de cada bebê, aumentando a eficácia da iniciativa para a redução da mortalidade neonatal. Em 2001, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a rBLH como uma das ações que mais contribuíram para redução da mortalidade infantil no mundo, na década de 1990. De 1990 a 2012, a taxa de mortalidade infantil no Brasil reduziu 70,5%.

A importância da pega correta na amamentação

Atualmente, muitos profissionais têm na voz o seu principal instrumento de trabalho. É o caso dos operadores de telemarketing, professores, cantores e advogados, entre outros.

 

A voz, além de ser considerado o principal instrumento de trabalho, é um meio de transmissão de sentimentos e conhecimentos. É produzida na laringe através da vibração das pregas vocais (conhecidas popularmente como cordas vocais) provocada pelo fluxo de ar vindo dos pulmões durante a expiração. Quando produzida em intensidade adequada, a voz proporciona um bom desempenho vocal para esses profissionais.

 

Vários fatores, no entanto, podem levar esses profissionais a cometerem abusos vocais como esforço ao falar, gritar, pigarrear e fumar. Tudo isso provoca alterações na voz.

 

As queixas vocais mais frequentes desses profissionais são rouquidão, fadiga vocal, pigarro, tosse, dor de garganta, ardor e garganta seca.

 

O tratamento e a reabilitação do paciente serão realizados através de um acompanhamento médico otorrinolaringológico, mas antes disso, é importante saber se lá atrás, foi feita na época da amamentação, a pega correta.

 

A pega correta do peito é importante para a produção do leite, para a sucção correta (evitando que sua mama fique com mastite – inflamação da glândula mamária), para o desenvolvimento do bebê e para que você não fique com rachaduras.

 

O RN (recém-nascido) terá um pouco mais de dificuldade já que a boquinha é pequena, mas as coisas se acertam.

Dicas:

  1. Esteja calma, relaxada num lugar confortável, numa posição confortável;
  2. Se sua mama estiver muito cheia, esvazie um pouco fazendo a ordenha manual;
  3. Aproxime o bebê, cole o corpinho dele no seu, de preferência barriga com barriga;
  4. Apoie a aréola com seus dedos polegar e indicador em forma de “C”;
  5. Deixe-o procurar sua mama;
  6. Ele vai abocanhar seu mamilo, certifique que ele não pegou só o bico, se ele fez isso, coloque o dedo mínimo no canto da boquinha dele, espere ele soltar seu bico e deixe-o abocanhar de novo;
  7. O lábio superior não pode estar “para dentro”,
  8. Peça pra alguém ver se o lábio inferior está voltado para fora;
  9. Deixe-o mamar o tempo que quiser (um RN mama em média 40 min, mas o seu pode querer mais).
  10. Quando sua mama esvaziar, ofereça a outra (você vai saber que esvaziou quando ela ficar flácida – mole).

 

A Revista Crescer, do grupo Globo, deu algumas dicas práticas para as mães de primeira viagem que podem ajudar nos primeiros dias com o recém-nascido. Acompanhe:

 

Amamentar não é automático, nem mágico, como muitas vezes acreditamos antes de ter um bebê nos braços. Mas é possível, já que o corpo da mulher é programado para isso. Se você vai amamentar ou começou agora e ainda tem dúvidas, procurar informações confiáveis é fundamental. CRESCER conversou com duas especialistas no assunto e reuniu dicas precisas e atualizadas sobre posições para amamentar e a pega correta, dois fatores importantes para obter sucesso no aleitamento.

 

Se você estiver com dificuldade, não deixe passar muito tempo: peça ajuda. Além de bancos de leite e hospitais que receberam o selo de “Hospital Amigo da Criança” (concedido pelo Ministério da Saúde), é possível, no âmbito particular, contar com uma consultora de amamentação, que faz visitas em casa. 

 

Em alguns casos, a maternidade em que ocorreu o parto disponibiliza um telefone de SOS. Informe-se também sobre encontros gratuitos de tira-dúvida, como os oferecidos semanalmente pela Casa Curumim, em São Paulo. A ajuda virtual existe e pode ser bem-vinda, desde que você se certifique de buscar fontes confiáveis. Na internet, há grupos de promoção do aleitamento em que as próprias participantes aconselham e fortalecem as mães em dúvida. 

 

“O recém-nascido, ao contrário de um bebê maior, não tem como se movimentar. Se ele quiser ficar dois milímetros mais para lá ou para cá, não consegue fazer isso sozinho”, aponta Nídia de Castro Bastos, pediatra neonatologista da Casa Moara. Parece óbvio, mas ter isso em mente ajuda a entender porque o momento inicial da amamentação é importante: é neste primeiro mês do puerpério que a mãe vai encontrar o acerto ideal entre bebê, mama, aréola, mãos, braços, travesseiros e poltrona (ou cama, ou sofá…). 

 

“Acertando a pega, entre 15 dias e um mês, a rotina deve se estabelecer. O bebê vai aprender a sugar e ajustar a intensidade da sucção e a mãe já vai conhecê-lo melhor”, tranquiliza a pediatra.

 

“A pega e a posição corretas estão diretamente ligadas a um ponto crucial para o sucesso da amamentação: garantir a produção de leite, pois esvaziar a mama corretamente é o sinal de que o corpo precisa para produzir leite para a próxima mamada”, explica Fabíola Cassab, membro do IBFAN (Rede Internacional do Direito de Amamentar – International Baby Food Action Network) e uma das fundadoras do grupo virtual Matrice – Ação de Apoio à Amamentação. Isso quer dizer que é preciso que o bebê mame para que mais leite seja produzido.

Para ter sucesso com a pega

 

  • O bebê deve abocanhar a aréola, e não o mamilo. Isso é importante para evitar machucados.
  • O rosto do bebê deve estar virado para a mama, com a boca o mais aberta possível.
  • Os lábios dele devem estar virados para fora e o queixo, encostando na mama (isso indica que o bebê está conseguindo movimentar a língua de forma a fazer a extração correta do leite).
  • Parece fofo, mas é erro: covinha na bochecha e barulho ao mamar indicam ingestão de ar.
  • Um sinal claro de erro: o bebê vai chorar se não estiver bom para ele.
  • A dor no mamilo é um sinal de alerta. A sensação de pressão (o recém-nascido suga muito forte) é normal nos primeiros dias. Uma dor que começa a incomodar além da conta indica que a pega precisa de correção (use o dedo mindinho para descolar o cantinho da boca do bebê do mamilo). A mama já está machucada? É sinal de pega errada e não é considerado normal acontecer. Procure ajuda. 

Para prestar atenção

 

  • Tenha água por perto, sempre. “Estar hidratada é importantíssimo para a produção de leite”, avisa Fabíola.
  • A mão do bebê não pode estar entre a boca e a mama; observe. “O recém-nascido saudável tem uma tendência natural a juntar as mãozinhas na frente do corpo. É preciso abrir os bracinhos dele”, ensina Nídia.
  • “Sufocar o bebê é uma fantasia”, afirma a pediatra. “Em nenhuma posição a cabeça do bebê é pressionada contra a mama. Em todo caso, o bebê consegue liberar a narina, tem reflexo para isso”. Se a mãe estiver acordada, um sufocamento não vai acontecer, garante.
  • Nunca amamente o bebê enrolado na manta, pois quanto mais pano houver entre o corpo dele e o da mãe, mais longe ele fica dela – e 1 cm faz diferença para a pega. Se estiver frio, posicione o bebê desenrolado e só então coloque a manta em cima dele.
  • Lembre-se firmemente de que leite fraco não existe. E avise quem duvidar de você. “Neste momento tão delicado, não se pode diminuir a autoconfiança da mulher”, diz Nídia.

O conforto da mãe

 

Amamentar em intervalos curtos de tempo, como é comum no início, cansa muito. Se você estiver com a postura torta, sustentando os músculos do braço com o pescoço ou os ombros, vai ser ainda mais cansativo. “A tendência é a de levantar os ombros e isso pode tirar o peito da boca do bebê, ou tirar o bico da posição certa, levando a machucados”, explica Fabíola. 

 

Aplique a regra: o bebê deve ir até a mãe, e não o contrário. Travesseiros e almofadas (de amamentação ou não) na altura certa vão dar o apoio necessário para braços e costas quando você estiver sentada. Arrume tudo primeiro e só então comece.

Auxílio é necessário

“Não dá para deixar sozinha uma mãe que acabou de parir. É difícil decifrar um bebê novinho. Além do trabalho físico, a mãe tem um trabalho psíquico que lhe exige muito esforço, de tentar se colocar no lugar do bebê, como se fizesse uma regressão, para saber o que ele sente. Tem de ter alguém olhando essa pessoa, que está de resguardo e precisa de cuidados”, aconselha Nídia. 

 

“O ideal é ser alguém com quem ela tenha intimidade. Alguém que leve água, comida, uma mantinha, a raquete para espantar mosquitos; alguém que troque o bebê para que ela durma um pouco. Tudo isso contribui para o sucesso da amamentação”, completa.

Posições para amamentar

Antes de começar a ler, um recado importante: “É preciso ficar claro que estas são sugestões de posições e não uma cartilha. A posição mais legal é: se a mãe e o bebê estão bem, a gente não interfere”, diz a neonatologista.

 

Tradicional

  • Aquela que você vê em quase 100% das fotos de mulheres amamentando e provavelmente a primeira a ser ensinada à mãe. É possível ficar sentada ou recostada ao amamentar assim.
  • O corpo do bebê deve ficar na altura da mama, de frente para a mãe, deitado.
  • O umbigo do bebê deve estar encostado no corpo da mãe. “Parece um detalhe sem importância, mas, se não estiver assim, atrapalha muito a mamada”, explica Fabíola.
  • O braço de baixo do bebê vai abraçar a mãe.
  • A coluna do bebê deve estar alinhada: se o pescoço estiver dobrado/torto, pode saber que ele está desconfortável.
  • A cabeça do bebê fica apoiada no antebraço da mãe: confira se a posição do bebê é alterada ao apoiar a cabeça dele mais perto do seu punho ou mais perto do cotovelo. “Noto que o ideal é apoiar até, no máximo, a metade do antebraço (e não perto do cotovelo)”, diz Fabíola.
  • As almofadas de amamentação ajudam a alcançar a altura correta, mas é possível fazer uma pilha de travesseiros ou almofadas comuns para elevar o bebê.
  • A posição DIAGONAL é uma variação da posição tradicional, mas é ideal para bebês maiores, que, assim, conseguem alcançar a mama: seguindo as mesmas orientações acima, o bumbum do bebê é apoiado na perna da mãe, de modo que ele fica em diagonal em relação ao corpo da mãe.

Invertida

Boa posição para gemelares, pois é possível amamentar os dois bebês ao mesmo tempo. “A vantagem é para a mãe, que assim pode descansar mais”, diz Nídia.

 

  • Primeiro deve-se montar uma pilha de mantas ou travesseiros (de um lado só, ou dos dois lados no caso de gêmeos), de modo que o bebê alcance a altura do peito da mulher.
  • O bebê fica debaixo do braço da mãe e o corpo dele corre pela lateral do tronco.
  • A barriga do bebê deve estar voltada para o tronco da mãe.
  • O pescoço do bebê deve estar alinhado – se estiver torto, é sinal de que ele está desconfortável.
  • Mão e braço da mãe servem de apoio para o bebê.
  • Observe se a cadeira comporta essa posição – o bebê precisa de espaço para além das suas costas. O sofá é ideal, assim você tem um encosto confortável.
  • No caso de gêmeos, você vai precisar de ajuda com os recém-nascidos. Alguém vai ter que trazer os dois até você e ajudar a ajustar a posição.
  • Ainda para gêmeos: um pode estar na invertida e outro na tradicional. É preciso que todos estejam bem apoiados.

Cavalinho (à cavaleiro)

Boa opção para prematuros, pois conseguem mamar com mais eficiência: nesta posição, fica mais fácil para o bebê abocanhar a parte de baixo da aréola, essencial para o sucesso da pega. “No geral, a posição é um pouco mais desconfortável porque a mãe deve segurar a cabeça e o bumbum do bebê durante toda a mamada; ou a cabeça do bebê e a própria mama, no caso de elas serem grandes”, ensina Nídia. “Para quem está com dor ou fissura, geralmente alivia”, completa.

 

  • O bebê fica sentado, apoiado em uma das pernas da mãe, com as perninhas abertas, e de frente para ela.
  • A mãe deve sustentar o peso da cabeça do bebê, pois ele ainda não tem estrutura para sustentar sozinho a própria cabeça, que é até maior do que o corpo proporcionalmente.
  • O ideal é segurar pela nuca, apoiando nos dedos polegar e médio o ossinho que fica embaixo das orelhas do bebê, fazendo uma resistência de baixo para cima: a ideia é sustentar. “Essa não é uma manobra instintiva, porém é a mais indicada para deixar a pega mais fácil para o bebê”, diz Nídia.
  • Se a mama for grande, pode ser necessário sustentá-la também. Nesse caso, convém pedir ajuda, assim a mãe sustenta a cabeça e a mama, ajustando a pega do bebê, enquanto uma terceira pessoa deixa a mão espalmada e levemente pressionada nas costas do bebê, fazendo as vezes de encosto. Dessa forma, o bebê não curva a coluna – pois ele também não a sustenta ainda.

Deitada

Durante a madrugada, é uma posição mais confortável para a mãe, que não precisa se levantar. “É uma questão controversa a da cama compartilhada. Esta é uma decisão dos pais. O que se deve avaliar: o tamanho da cama, o conforto de todos e, em primeiro lugar, se há algum risco, como o de o bebê ser coberto pelo lençol, por exemplo”, indica Nídia. 

 

O moisés lateral, acoplado à cama ao lado da mulher, é uma boa solução: pode-se amamentar deitada e depois colocar o bebê ao lado. “Amamentar deitada é uma coisa; dormindo, é outra. Recém-nascido se amamenta acordada”, alerta a médica.

 

  • A mãe se deita de lado e o bebê também, de frente para ela.
  • É preciso ajustar a cabeça do bebê para fazer a pega correta, levando-o à mama.
  • Pode ser totalmente na horizontal, sem medo de otite, garantem as especialistas.

Apoie você também a campanha do Agosto Dourado em prol do aleitamento materno e comente abaixo suas considerações sobre essa campanha também!