Candidíase

06/07/2020 0 Por Redação CliqueFarma

Você sabe o que é candidíase? O artigo desta segunda-feira irá abordar todos os aspectos desta condição incômoda, seus tipos, causas, sintomas e tratamentos. Confira até o final para ficar por dentro de tudo!

O que é Candidíase?

Candidíase é uma infecção causada pelo fungo Candida, famosa por afetar órgãos genitais femininos, levando à vermelhidão, dor e coceira. Porém, pode aparecer também em órgãos masculinos, pele, unhas, garganta, boca e até na corrente sanguínea.

 

Cerca de 90% dos casos de candidíase são causados pelo fungo do tipo Candida albicans. No entanto, a doença pode ocorrer devido a outras espécies não-albicans (glabrata, tropicalis, krusei, parapsilosis e saccharomyces cerevisae), mesmo que mais incomuns.

Tipos

Candidíase vaginal

A candidíase vaginal é a forma mais comum da candidíase, que acomete mulheres com sistema imunológico fraco ou flora vaginal desequilibrada. Nesses casos, o fungo, que já está presente no organismo, consegue se replicar mais, já que o corpo perde os recursos necessários para contê-lo.

Candidíase masculina (balanopostite)

A candidíase masculina é chamada também de candidíase no pênis, e não é tão comum quanto a candidíase vaginal, porém merece cuidados quando se manifesta. Na maioria dos casos, a vulnerabilidade no organismo causada por problemas de saúde é fator primordial para que o fungo se reproduza em excesso no homem. Diabetes e higiene precária são fatores frequentes para a doença.

Candidíase oral

A candidíase oral é caracterizada por pequenas aftas na boca e dificuldade para engolir. Pode ser diagnosticada em crianças, idosos, diabéticos, em adultos após o contato íntimo desprotegido e pacientes em fase de tratamentos que comprometem o sistema imunológico.

Candidíase de esôfago

A candidíase de esôfago é também chamada de esofagite de causa infecciosa causada pelo fungo Candida albicans. É o mais raro dos tipos de inflamações no esôfago e predominam nos pacientes de baixa imunidade, principalmente em portadores de AIDS e câncer.

 

Tende a ser mais comum em idosos e raramente acomete crianças, exceto quando há comprometimento de imunidade.

Candidíase na pele (Intertrigo)

A candidíase na pele é conhecida como intertrigo candidiásico, sendo uma infecção causada na pele que pode aparecer sem outros fatores associados. Ocorre principalmente pelo atrito entre as peles, criando assim pequenas lesões em que surge um ambiente propício (calor, umidade e alimento) para a proliferação de bactérias e fungos.

 

Geralmente, as partes do corpo que estão mais vulneráveis a essa doença são dobras como:

  • Axilas
  • Virilha
  • Nádegas
  • Barriga
  • Pescoço
  • Sob as mamas
  • Entre os dedos das mãos e dos pés
  • Parte interna das coxas

Candidíase invasiva

A candidíase invasiva é uma infecção que recebe vários nomes, como candidíase disseminada, e ocorre principalmente pessoas com um sistema imunológico enfraquecido. Costuma atingir recém-nascidos de baixo peso e hospedeiros imunocomprometidos, ou seja, acaba sendo uma infecção mais hospitalar.

 

Nesse caso, o fungo atinge a corrente sanguínea, podendo afetar qualquer órgão (como válvulas cardíacas, cérebro, baço, rins e olhos) e causar complicações graves.

Em casos mais graves ela pode evoluir para uma candidemia (candidíase na corrente sanguínea), que pode ser fatal.

Quais as causas?

O principal causador da candidíase vaginal é o fungo Candida albicans. Esse fungo já existe em pequenas quantidades no organismo da mulher e vive em equilíbrio com a flora vaginal.

Desequilíbrio da flora vaginal

É verdade que, alguns fatores podem levar ao seu desequilíbrio no organismo, levando o fungo a se reproduzir e a causar sintomas.

Áreas quentes e úmidas são mais propícias para o fungo se propagar. Por isso que as partes íntimas, zonas de dobra de pele e garganta e boca são mais propícias ao aparecimento do problema.

 

Além disso, o desequilíbrio da concentração desse fungo pode aparecer com mais facilidade em adultos ou crianças que possuem o sistema imunológico debilitado, já que são as defesas do nosso organismo que ajudam a conter seu crescimento exagerado.

Candidíase na gravidez

Na gestação ocorrem mudanças no genital, que apresenta maior vascularização local, aumento na produção de lactobacilos e mudança do PH da vagina que fica mais ácida e isso pode favorecer a proliferação de fungos e a ocorrência de candidíase.

Candidíase e sexo

A candidíase não é considerada uma Infecção sexualmente transmissível (IST). Por isso mesmo, mulheres e homens que nunca tiveram relações sexuais podem sim ter candidíase.

No entanto, pessoas com uma fauna genital e sistema imunológico mais prejudicado podem acabar pegando a candidíase através do sexo. Por isso, indica-se que a pessoa em tratamento para candidíase tenha uma abstinência sexual.

Sintomas de candidíase

Sintomas da candidíase vaginal

  • Coceira na área vaginal
  • Dor e vermelhidão na área vaginal
  • Corrimento vaginal branco e agrupado, parecido com queijo cottage
  • Relações sexuais dolorosas

Sintomas da candidíase peniana

  • Coceira, ardência e inchaço na ponta do pênis
  • Relações sexuais dolorosas
  • Ardência ao urinar
  • Feridas (rachaduras) na pele do pênis
  • Corrimento branco e agrupado
  • Odor forte

Sintomas da candidíase oral

  • Vermelhidão, ardência e desconforto na boca
  • Dor e dificuldade para engolir
  • Manchas brancas dentro da boca e na língua
  • Rachaduras no canto da boca

Sintomas da candidíase de esôfago

  • Dor ao engolir
  • Dor no peito
  • Náuseas e vômito
  • Dor abdominal
  • Perda do apetite

Sintomas da candidíase na pele

  • Vermelhidão na região das dobras
  • Escurecimento da pele nesta região, com formação de erosão e crostas
  • Descamação
  • Coceira e queimação na região das dobras
  • Saída de líquidos nas lesões

Sintomas da candidíase invasiva

  • Febre
  • Emissão de urina turva
  • Dor de cabeça
  • Vômitos
  • Articulações inflamadas

Quais os fatores de risco?

Diversos hábitos podem aumentar o risco do fungo Candida albicans se espalhar pelo organismo, causando a candidíase vaginal. Veja alguns deles:

Uso de antibióticos

A microbiota vaginal é formada por diversas bactérias. Algumas delas são aliadas do organismo e ajudam a conter as bactérias e fungos que podem ser nocivos.

 

No entanto, antibióticos de largo espectro – aqueles que são eficazes contra uma ampla gama de bactérias – podem matar essas bactérias saudáveis na sua vagina, o que pode levar ao crescimento de leveduras, como o fungo da candidíase vaginal.

Aumento dos níveis de estrogênio

Infecções fúngicas parecem ocorrer mais frequentemente em mulheres com aumento dos níveis de estrogênio – por exemplo, em mulheres que estão grávidas, que tomam altas doses de pílulas de estrogênio ou que fazem terapia hormonal de estrógeno.

Consumo excessivo de doces e carboidratos em geral

Os carboidratos propiciam o crescimento do fungo da candidíase vaginal de duas formas. A primeira é através da alteração do pH, que se torna mais ácido, logo é um ambiente muito mais propício para que a Candida se prolifere.

 

Além disso, a glicose também serve como alimento para esse fungo, portanto quando ela está em excesso no sangue, pode ajudar no aparecimento da candidíase vaginal.

Por isso, pessoas com diabetes também podem apresentar mais crises recorrentes de candidíase vaginal (além dos outros tipos).

Sexo sem proteção

Embora a candidíase não seja considerada uma IST, ela pode ser transmitida por meio do contato sexual, principalmente para as genitálias e boca.

Locais e roupas úmidos

O fungo a candidíase prefere locais úmidos, por isso a vagina é um local tão comum para essa infecção. Frequentar piscinas, ficar muito tempo com roupas de banho molhadas ou mesmo não secar corretamente a região genital pode propiciar uma candidíase vaginal.

Outros fatores que interferem no sistema imunológico

  • Noites mal-dormidas
  • Ingestão insuficiente de vitaminas e minerais, consequência de uma dieta pouco equilibrada
  • Alto nível de estresse
  • Gripes fortes
  • Diabetes
  • Imunossupressão por medicamentos
  • Uso de drogas

Quando é o momento de procurar ajuda médica?

Caso você apresente coceira, dor e vermelhidão na área genital, aliadas ou não de corrimento vaginal branco e espesso, procure um ginecologista ou urologista imediatamente.

 

Se apresentar sintomas de outros tipos de candidíase, é aconselhado procurar um clínico geral ou até mesmo dermatologista (para candidíase em unhas e pele).

 

Especialistas que podem diagnosticar uma candidíase vaginal são:

 

  • Ginecologista
  • Urologista
  • Clínico geral
  • Dermatologista

Não é preciso ter vergonha de conversar com o(a) médico(a) a respeito dos sintomas, principalmente se a candidíase aparecer em regiões genitais. Lembre-se que se trata de profissional formado(a) e especializado(a) para te atender da melhor maneira para a cura da doença.

 

Antes de ir ao médico, anote em um papel algumas informações relevantes, como data da última relação sexual e menstruação e nomes dos medicamentos e suplementos que você toma.

Como é feito o diagnóstico de candidíase?

A candidíase tem sintomas muito semelhantes a outros problemas de saúde, por isso o único jeito de confirmar é fazer um exame de cultura da região afetada, para verificar se a infecção é causada por fungo e que fungo é esse. Veja a seguir o diagnóstico específico de cada tipo:

Diagnóstico da candidíase vaginal

O diagnóstico da candidíase vaginal começa a ser feito com o histórico do paciente, como infecções vaginais passadas e também se a paciente já teve alguma IST.

 

O próximo passo é um exame físico. O ginecologista usa um espéculo para segurar as paredes vaginais para visualizar melhor a vagina e o colo do útero. Ele também pode colher amostras de corrimento para análise laboratorial.

 

O outro passo é justamente essa análise do corrimento vaginal. Se as infecções por candidíase vaginal forem recorrentes, o médico pode inclusive pedir uma análise mais detalhada.

Diagnóstico da candidíase peniana

O diagnóstico da candidíase peniana começa a ser feito com o histórico do paciente, como infecções passadas e também se o paciente já teve alguma IST. Depois são feitos os exames para observar as condições do pênis.

Diagnóstico da candidíase oral ou esofágica

É preciso fazer um exame de cultura de escarro e da boca para verificar a ocorrência do problema.

Diagnóstico do intertrigo

O diagnóstico do intertrigo é feito com base na observação dos sintomas da doença e através de exames como:

  • Raspagem da pele e exame KOH (hidróxido de potássio) para eliminar uma infecção por fungo
  • Lâmpada de Wood (luz negra) para eliminar uma infecção bacteriana chamada eritrasma
  • Biopsia da pele, que pode ser necessária em casos mais raros para confirmar o diagnóstico

 

Também é indicada a realização de exame de sangue para o diagnóstico mais preciso, principalmente, para verificar se o indivíduo não está com diabetes. O intertrigo pode ser um dos sintomas iniciais da diabetes.

Diagnóstico da candidíase invasiva

Nesses casos os exames de cultura de escarro, boca, vagina, urina, fezes, ou pele não significa necessariamente infecção invasiva e progressiva. É preciso realizar exames de cultura do fungo no sangue, fluido pericárdico ou mesmo amostras de tecidos retiradas em biópsias para confirmar o diagnóstico.

Tratamento de Candidíase

O tratamento da candidíase, seja onde for sua localização, normalmente consiste no uso de pomadas antifúngicas ou medicamentos antimicóticos de uso local. No entanto, existem situações de candidíase recorrente, em que é necessária a mudança da terapia e do estilo de vida.

Tratamento para candidíase recorrente

Vale a pena conversar e ser examinado pelo seu médico para determinar se existem fatores de risco (ex.: uso de corticoides, infecção pelo HIV, diabetes etc).

 

Também pode-se investigar qual é a espécie de Candida responsável. Muitas vezes os tratamentos comuns para candidíase não matam outros tipos do fungo, e a pessoa passa a ter recorrência. A cultura do local infectado pode auxiliar na detecção do fungo e terapia direcionada.

 

Em casos de candidíase vaginal recorrente, o médico pode indicar medicamentos orais para que o quadro não retorne. Além disso, mudanças na alimentação pode ajudar esses casos.

Como tratar a candidíase na gravidez

Os antifúngicos orais presentes no mercado estão contraindicados para as gestantes. Portanto, o ideal é que use-se pomadas locais. Por isso, na gravidez é comum episódios recorrentes de candidíase, já que muitas vezes o fungo torna-se resistente aos tratamentos tópicos com cremes.

Tratamento para candidíase invasiva

No caso específico deste tipo de candidíase mais grave, o manejo do tratamento é feito no hospital, com suspensão de medicamentos imunossupressores e administração de medicamentos mais fortes.

 

Remédios caseiros para candidíase

É importante entender que as famosas soluções caseiras que se disseminam rapidamente no conhecimento popular podem aliviar os sintomas, porém não tratam a doença. No tratamento caseiro, alguns tipos de substâncias podem aliviar os sintomas externos:

 

  • Banhos de assento com chá de camomila (bem forte e morno)
  • Bicarbonato de sódio (1 colher de sopa em 1 litro de água morna)
  • Algumas substâncias encontradas em farmácias – Flogo Rosa e Lucretin (1 envelope em 1 litro de água morna)

 

A violeta genciana a 1%, se aplicada pelo médico localmente na vagina, pode também melhorar os sintomas.

 

Mas atenção: você deve procurar um ginecologista para verificar se você realmente está com candidíase e qual a melhor forma de tratar o seu caso.

Medicamentos para Candidíase

 

Lembrando sempre aos leitores que, somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, assim como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique.

Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Candidíase tem cura?

De acordo com o ginecologista Fabiano Sakae Kuteken, a candidíase possui cura sim, mas os testes de cura só estão indicados após tratamento de infecções persistentes não-albicans, tendo pelo menos duas culturas negativas com uma semana após o tratamento e intervalo de pelo menos uma semana entre as duas tomadas.

 

Lembrando que existem pacientes que têm o fungo Candida na flora vaginal, mas são assintomáticos (não apresentam sintomas).

Qual é o prognóstico?

Uma vez que você for diagnosticado com candidíase, é importante manter alguns cuidados, como:

 

  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas
  • Não fumar
  • Manter-se sempre hidratado
  • Evitar relações sexuais durante a fase inicial do tratamento
  • Usar preservativo em todas as relações sexuais
  • Evitar alimentos ricos em açúcar e gordura
  • Usar roupas íntimas de algodão
  • Evitar roupas quentes, apertadas ou molhadas
  • Usar o medicamento pelo tempo necessário definido pelo médico, pois o tratamento incompleto pode gerar a candidíase recorrente

Alimentos que podem piorar o quadro

Um dos fatores que desencadeiam os sintomas de candidíase é a alimentação. “O fungo precisa de um ambiente ácido para se reproduzir, e alimentos ricos em carboidratos simples, gorduras e proteínas animais contribuem para essa acidez”, explica o nutrólogo Roberto Navarro.

 

Veja alguns alimentos que podem atrapalhar a recuperação da candidíase:

 

  • Carboidratos simples
  • Frutas e vegetais ricos em açúcar e amido
  • Proteínas animais
  • Carnes processadas
  • Amendoim e outras oleaginosas
  • Bebidas alcoólicas

Possíveis complicações

Quando a candidíase vaginal não é tratada corretamente, ela pode se tornar um quadro persistente, tendo quadros de repetição em intervalos cada vez menores de tempo.

 

Em casos mais sérios, em que existe depressão do sistema imunológico, a candidíase é capaz de atingir órgãos vitais, e inclusive, gerar complicações nos rins, pulmões e levar a óbito.

Maneiras de prevenção

A maioria dos casos de candidíase, incluindo a vaginal, pode ser evitada mantendo a pele limpa e seca, utilizando antibiótico apenas com orientação médica, e seguindo um estilo de vida saudável, incluindo alimentação adequada.

 

Segundo o Ministério da Saúde, cuidados diários podem evitar evolução da doença.

 

Pessoas com diabetes devem tentar manter o açúcar no sangue sob controle. Se você tem HIV ou outra doença que favoreça episódios recorrentes de candidíase, o uso contínuo de drogas antifúngicas pode ajudar a minimizar crises.

 

Fazer a higiene íntima regularmente, preferir roupas com tecidos de algodão e evitar peças justas, além de evitar o uso contínuo de absorventes internos, também ajudam a evitar a candidíase vaginal. Usar camisinha em todas as relações sexuais também é uma ótima recomendação.

Principais dúvidas sobre a candidíase

Candidíase atrapalha a ovulação?

A candidíase vaginal não tem repercussão hormonal, portanto, não interfere no ciclo menstrual nem na ovulação. Diferente de outras infecções vaginais como as causadas pela Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorreae que podem causar prejuízo nas trompas levando a infertilidade, a Candidíase não causa estes danos, portanto, não causa infertilidade feminina.

A candidíase recorrente pode provocar mioma?

A candidíase não provoca mioma. Pode complicar com dor vulvar e vaginal, presença de fissuras vulvares (cortes), dor para ter relação sexual e ardor para urinar (a uretra pode também ficar irritada na candidíase).

Como posso ter certeza que é candidíase?

Como vimos, a candidíase é uma doença que atinge tanto homens como mulheres, podendo aparecer em várias regiões do corpo, mas a mais comum, e também a mais conhecida é a candidíase vaginal. No entanto, os sintomas da candidíase vaginal assemelham-se aos de outras doenças também relacionadas a essa região.

 

De acordo com a ginecologista Mayara Fecundo da UNIFESP, “nem tudo que coça é candidíase”. Devido à maioria das mulheres não conhecer todas as doenças que envolvem o corpo feminino, é muito comum tirarem suas próprias conclusões e se automedicarem.

 

Os medicamentos para o tratamento da candidíase não necessitam de receita para serem vendidos e muitas vezes estão disponíveis nas prateleiras das farmácias. O grande mal nisso é que pode não ser candidíase de fato e a automedicação pode piorar a situação ou até mesmo causar problemas mais graves, como a infertilidade, por exemplo.

 

Por isso, é importante conhecer as outras doenças relacionadas à vagina, das quais algumas possuem sintomas idênticos aos da candidíase:

 

Vaginose bacteriana (Gardnerella) – Causada pela bactéria Gardnerella Vaginallis, que também está presente na flora vaginal, tem como características cheiro forte (cheiro de peixe), corrimento espesso (cinza, verde ou amarelado), não causa dor e deve ser tratado com medicamentos para não facilitar o contágio.

Tricomoníase – Contraída através do protozoário Trichomonas vaginalis na relação sexual, também causa cheiro forte, coceira, irritação, vermelhidão e dor abdominal durante a relação sexual. Se não for tratada pode chegar ao útero causando ainda mais dor, desconforto e até mesmo infertilidade.

Vaginose citolítica – É causada por protozoários existentes na vagina que, quando proliferam em excesso, aumentam o pH vaginal. É mais comum em mulheres diabéticas ou que usam muito sabonete íntimo e pode surgir no período menstrual, devido à alteração do pH. Os sintomas são idênticos ao da candidíase e o tratamento pode ser feito de forma natural com banhos de assento com bicarbonato de sódio para regular o pH vaginal.

Mitos e verdades sobre a candidíase

Como aprendemos até agora, embora a candidíase seja mais comum em mulheres, é importante lembrar que o fungo que dá origem a ela está presente tanto no homem quanto na mulher e desempenha uma função de regular não só a flora intestinal. Porém, quando ocorre o desequilíbrio em nosso organismo, esse fungo se desenvolve e causa os problemas citados anteriormente. Por isso, é importante cuidar da alimentação, ter um estilo de vida saudável e bons hábitos de higiene.

 

Vimos também que, a candidíase pode ser transmitida durante o sexo e deve ser tratada com medicamentos, embora possa ser tratada de forma natural, dependendo do caso.

 

Além disso, é importante lembrar que ela sempre volta quando as causas originais não são tratadas adequadamente. Por isso é importante investigar as causas do problema.

 

Se você já teve candidíase ou sofre com ela sempre, verifique se o problema não está em algum alimento que você ingere em excesso ou em algum hábito frequente que apesar de “inofensivo”, pode estar prejudicando o funcionamento do seu corpo. Cuide-se!

1º Mito: Cândida só afeta pessoas com sistema imunológico enfraquecido

Quase 100% dos médicos tradicionais irão dizer que a candidíase só pode acontecer em paciente imunocomprometidos, o que significa que são pessoas com imunidade baixa, portanto, as outras pessoas não tem porque se preocupar. Será?

 

Isso não é totalmente verdade! Vamos primeiro examinar de onde esse mal-entendido vem e, em seguida, explicar porque a Candida ainda pode afetar pessoas com sistemas imunológicos relativamente saudáveis.

 

Existem muitos estudos que analisaram as infecções patógenas de Candida Albicans. Mas muitos desses estudos acontecem dentro de um ambiente hospitalar e analisam especificamente uma condição de risco de vida chamada de candidemia. Isso ocorre quando o fungo da Candida entra na corrente sanguínea e se espalha rapidamente em seu corpo.

 

A candidemia é uma condição muito séria, mas também é muito rara. Isso acontece em pacientes cujo sistema imunológico está gravemente comprometido. Isso pode ser um paciente com câncer submetido a quimioterapia, ou alguém com HIV, por exemplo.

Mas, a Candida pode sim se infestar em uma pessoa que não esteja imunocomprometida, mas esteja experimentando algum desequilíbrio em sua flora intestinal.

2º mito: infecções por fungo só acontecem na pele

Quando as pessoas falam sobre infecções fúngicas, na maioria das vezes estão se referindo a infecções vaginais por fungo ou candidíase vaginal. Mas a verdade é que o crescimento excessivo da Candida pode afetar tanto homens quanto mulheres sem causar sintomas externos.

 

Na verdade, a candidíase no intestino é mais recorrente do que as infecções fúngicas na pele. A Candida albicans é um agente patogênico que se aproveita do desequilíbrio dos micro-organismos no intestino.

 

Este equilíbrio da “flora intestinal” é extremamente importante para o fortalecimento do seu sistema imunológico e da sua saúde digestiva, mas pode ser facilmente desestabilizado em momentos de estresse ou após ingerir antibióticos.

Quando entra em desequilíbrio, as colônias de Candida Albicans podem se expandir rapidamente até infestar uma grande parte do seu intestino. Cerca de 80% das pessoas tem Candida Albicans no corpo, mas isso geralmente não é um problema!

 

Trata-se de um organismo incrivelmente resiliente, e eliminá-lo completamente é quase impossível. Geralmente, só se torna um problema quando ele se transforma na sua forma patogênica de fungo.

 

Para manter a Candida sob controle você só precisa evitar que ele mude para sua forma fúngica. Para isso basta manter seu sistema imunológico em dia e isso só é possível com uma dieta equilibrada e saudável baixa em açúcares e tomando probióticos e antifúngicos que irão manter o equilíbrio da sua flora intestinal.

 

Se você tem uma infecção por fungo externa ou candidíase vaginal, lembre-se de que eles estão frequentemente relacionados a um crescimento excessivo da Cândida dentro do seu intestino.

3º mito: Cândida precisa de um pH ácido para sobreviver

Algumas pessoas falam que as dietas alcalinas podem melhorar a sua saúde, e muito disso faz sentido. A maioria de nós consome muitos alimentos acidificantes na dieta. Portanto, comer mais alimentos alcalinos (como vegetais e frutas com baixo teor de açúcar) é uma ótima maneira de melhorar sua saúde. No entanto, quando se fala em candidíase você deve pensar melhor sobre isso.

 

Este organismo patogênico é incrivelmente adaptável e, de fato, pode sobreviver em ambientes ácidos e alcalinos. Em ambientes ácidos, é um fermento que cresce de forma lenta. Já em ambientes alcalinos, ele se transforma em fungo e é aí que mora o perigo. É na forma de fungo que ele desenvolve longos filamentos, conhecidos como hifas (biofilmes), que se espalham rapidamente pelo intestino e enfraquecem suas paredes intestinais.

 

Em outras palavras, um ambiente alcalino em seu intestino é ruim para você. Tornar seu intestino mais alcalino pode contribuir para o desenvolvimento da Candida fúngica. É por isso que alguns remédios para candidíase, como por exemplo bebidas com bicarbonato de sódio, são péssimas ideias.

 

Essa confusão se dá pelo fato de que diferentes partes do seu corpo têm diferentes níveis de pH. Uma pessoa saudável terá um ambiente ácido no estômago e nos intestinos e um pH ligeiramente alcalino no sangue (7,4). Os tecidos do corpo também serão ligeiramente alcalinos.

 

Isso significa que você deve consumir com moderação carnes vermelhas, pois produzem amônia alcalina quando são digeridas no intestino. Fique longe de comidas processadas e coma muitos vegetais! Ao longo do tempo, uma dieta saudável e equilibrada ajudará a restaurar o pH correto em todas as áreas do seu corpo.

4º mito: Você precisa eliminar Candida Albicans para se sentir melhor

A Candida albicans já existe no intestino quer você queira ou não e não há nada que você possa fazer sobre isso. Podemos até ter vários outros tipos de bactérias e fungos lá também.

 

Não é preciso pânico, porque não tem nada demais nisso, aliás é completamente normal isso acontecer. O que não é normal é permitir que ocorra algum desequilíbrio no seu corpo, alterando o pH e fazendo com que esses micro-organismos se tornem patógenos e cresçam deliberadamente no seu intestino.

 

Por isso que é uma ideia utópica acreditar que você irá eliminar todas as células de Candida do seu sistema. Até porque seria um tratamento muito traumático, restritivo e que iria levar a prejuízos na sua flora intestinal. Por isso que, ter uma pequena população da bactéria no intestino não é necessariamente uma coisa ruim.

 

Quando a Candida começa a sair do controle, é porque mudou para sua forma de fungo. Portanto, um dos principais objetivos de um plano de tratamento de candidíase é reverter isso. Isso significa limitar a quantidade de açúcar disponível para as colônias de Candida e manter um ambiente saudável e ácido em seus intestinos.

 

Outra estratégia realmente importante é fortalecer seu sistema imunológico. Adicionar bactérias probióticas no seu intestino pode ajudar nisso. Ao restaurar o equilíbrio de micro-organismos e regular o nível de pH, você pode ajudar seu sistema imunológico a manter a Candida sob controle. Além disso, a alimentação tem tudo a ver com esse processo de controlar os níveis de células da Candida no seu corpo.

 

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