Cirurgia Bariátrica

06/07/2016 0 Por cliquefarma

No Brasil, o índice de obesos entre as pessoas acima de 18 anos está na casa dos 18%, o que corresponde a mais de 37 milhões de brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde. Outra estatística que cresce é a dos indivíduos que procuram a cirurgia bariátrica: somente entre 2003 e 2010, o número de operações subiu de 16 mil para 60 mil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, incluindo os atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS). Mas a cirurgia de redução do estômago ainda levanta muitas dúvidas e desconfianças sobre quem pode ou deve recorrer a esse tipo de procedimento, quais são os riscos envolvidos e a possibilidade de voltar a engordar após um tempo.

Gastroplastia, também chamada de Cirurgia Bariátrica, Cirurgia da Obesidade ou ainda de Cirurgia de redução do estomago, é, como o próprio nome diz, uma plástica no estômago (gastro = estômago, plastia = plástica), que tem como o objetivo reduzir o peso de pessoas com o IMC muito elevado.

Esse tipo de cirurgia está indicado, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) para  pacientes com IMC acima de 35 Kg/m², que tenham complicações como apneia do sono, hipertensão arterial, diabetes, aumento de gorduras no sangue, problemas articulares, ou pacientes com IMC maior que 40 Kg/m², que não tenham obtido sucesso na perda de peso com outros tratamentos.

Existem três tipos básicos de cirurgias bariátricas. As cirurgias que apenas diminuem o tamanho do estômago são chamadas do tipo restritivo (Banda Gástrica Ajustável, Gastroplastia vertical com bandagem ou cirurgia de Mason e a gastroplastia vertical em “sleeve”).

A perda de peso se faz pela redução da ingestão de alimentos. Existem, também, as cirurgias mistas, nas quais  há a redução do tamanho estomago e também um desvio do trânsito intestinal, havendo desta forma, além da redução da ingestão, diminuição da absorção dos alimentos. As cirurgias mistas podem ser predominantemente restritivas (derivação Gástrica com e sem anel) e predominantemente disabsortivas (derivações bileopancreáticas).

Apesar de cada caso precisar ser avaliado individualmente, a todos aqueles irão realizar a cirurgia devem ser submetidos a  uma avaliação clínico-laboratorial a qual inclui além da aferição da pressão arterial, dosagens da glicemia, lipídeos sanguíneos, e outros exames sanguíneos, avaliação das funções hepática, cardíaca e pulmonar.

A endoscopia digestiva e a ecografia abdominal são importantes procedimentos pré-operatórios. A avaliação psicológica também faz parte dos procedimentos pré-operatórios.  Pacientes com instabilidade psicológica grave, portador de transtornos alimentares (como, por exemplo, bulimia), devem ser tratados antes da cirurgia.

Vantagens da cirurgia bariátrica

Além da perda significativa de peso, a cirurgia bariátrica também traz benefícios relacionados às doenças associadas à obesidade, como melhoria e cura de doenças como:

  • Hipertensão arterial;
  • Insuficiência cardíaca;
  • Insuficiência respiratória;
  • Asma;
  • Diabetes;
  • Colesterol alto.

Essa operação também traz vantagens sociais e psicológicas, como diminuição da depressão e aumento da autoestima, da interação social e da mobilidade física.

Como se preparar para a cirurgia

Antes da cirurgia é necessário passar por consultas com o cirurgião, o cardiologista, o clínico geral, o psicólogo e o nutricionista, e os exames feitos são:

  • Exame de sangue;
  • Exame de urina;
  • Exames para verificar a presença de HIV e hepatite B e C;
  • Exame de gravidez para mulheres em idade fértil;
  • Eletrocardiograma;
  • Raio-X de tórax;
  • Ultrassom abdominal;
  • Endoscopia pra verificar a presença da bactéria H. pylori no estômago.

Além disso, é necessário que o paciente tenha consciência das opções de técnicas cirúrgicas, dos riscos e dos benefícios desse procedimento.

Possíveis complicações

Os riscos da cirurgia bariátrica estão ligados principalmente à quantidade e gravidade de doenças associadas à obesidade, sendo as principais complicações:

  • Embolia pulmonar, que é o entupimento de um vaso sanguíneo do pulmão, causando dor intensa e dificuldade para respirar;
  • Sangramento interno no local da operação;
  • Fístulas, que são pequenas bolsas que se formam nos pontos internos da região operada;
  • Vômitos, diarreia e fezes com sangue.

Normalmente essas complicações surgem ainda durante o período de internamento hospitalar, e são rapidamente resolvidas pela equipe médica. No entanto, dependendo da gravidade dos sintomas, pode ser necessário fazer uma nova operação para corrigir o problema.

Além disso, é comum que após a cirurgia bariátrica os pacientes apresentem complicações nutricionais como anemia, deficiência de ácido fólico, cálcio e vitamina B12, podendo ocorrer também desnutrição nos casos mais graves.

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