Diabetes tipo 2 – Sintomas e tratamentos

24/01/2020 0 Por Alana Dizioli

Já escrevemos um artigo bastante abrangente sobre diabetes aqui no blog. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 13 milhões de pessoas vivendo com esta condição, o que representa 6,9% da população nacional. Mas o post de hoje é para falar de um tipo específico da doença, a diabetes tipo 2. Aqui esclarecemos as principais dúvidas a respeito da doença, seus sintomas e formas de tratamento. Acompanhe até o final!

O que é diabetes tipo 2?

O diabetes tipo 2 é uma doença crônica que afeta a forma como o corpo metaboliza a glicose, principal fonte de energia do corpo. Ao contrário do tipo 1, que não produz o hormônio, a pessoa com diabetes tipo 2 pode ter uma resistência aos efeitos da insulina – hormônio que regula a entrada de açúcar nas células – ou não produz insulina suficiente para manter um nível de glicose normal. Quando não tratado, o diabetes pode ser fatal.

 

Quais as causas de diabetes tipo 2?

As pessoas com diabetes tipo 2 produzem insulina. Entretanto, o corpo pode criar uma resistência à insulina – ou seja, ele não responde da forma como deveria à ação da insulina e não a utiliza corretamente. Também pode acontecer de o paciente com diabetes tipo 2 não produzir insulina suficiente para suprir as demandas do seu corpo. Nesse processo, a insulina insuficiente não consegue carregar todo o açúcar para dentro das células, e ele acaba se acumulando no sangue.

 

Na diabetes tipo 2, os adipócitos (células de gordura), os miócitos (células dos músculos) e os hepatócitos (células do fígado) não respondem corretamente à insulina, e por isso o açúcar não entra nessas células, ficando na corrente sanguínea.

 

O adipócito é a nossa célula de estoque de gordura. Quando ele é sensível a insulina, significa que ele reconhece a glicose circulante e ativa mecanismos de “poupar”, ele não retira a gordura de dentro dele para disponibilizá-la ao corpo como forma de energia. 

 

Já quando o adipócito é resistente a ação da insulina, ele não reconhece a glicose circulante e entende que o organismo está com falta de energia, com isso ele libera a gordura que está no seu interior para o sangue, é por isso que o paciente com diabetes além de ter glicose alta pode também ter colesterol alto.

 

Os hepatócitos também funcionam de forma semelhante, isto é, quando são sensíveis à ação da insulina absorvem glicose e a estocam. Quando são resistentes, eles não reconhecem a glicose alta no sangue e entendem que existe falta de glicose, liberando mais glicose para o sangue e piorando o processo.

As células dos músculos também: com a insulina elas absorvem glicose para usar como energia, sem a insulina entendem que está faltando e sinalizam para o corpo a necessidade de queimar gordura para fornecer energia.

Existem fatores de risco?

É verdade que qualquer pessoa pode ter diabetes tipo 2. Mas existem algumas condições que aumentam o risco, podemos destacar:

 

  • Idade acima de 45 anos
  • Obesidade e sobrepeso
  • Diabetes gestacional anterior
  • Histórico familiar de diabetes tipo 2
  • Pré-diabetes
  • Sedentarismo
  • Baixos níveis de colesterol HDL
  • Triglicerídeos elevados
  • Hipertensão
  • Consumo elevado de álcool.

Sintomas de Diabetes tipo 2

Normalmente, as pessoas com diabetes tipo 2 não apresentam sintomas no início, podendo ter a doença assintomática por muito anos.Os primeiros sintomas de diabetes tipo 2 podem ser:

 

  • Infecções frequentes. Alguns exemplos são bexiga, rins, pele e infecções de pele –  Quem tem diabetes fica com o corpo mais exposto às infecções quando a glicemia está acima de 250 mg/dl. Isso acontece porque os nossos mecanismos de defesa contra infecções funcionam com menor eficiência.

 

  • Feridas que demoram para cicatrizar – Essa dificuldade de cicatrização ocorre devido a complicações cardiovasculares, que causam o bloqueio ou a diminuição da circulação sanguínea, e devido ao excesso de glicose (açúcar), que pode prejudicar o funcionamento do sistema imunológico. Ou seja, vasos doentes diminuem o fluxo sanguíneo, especialmente para pernas e pés, prejudicando o processo de cura e altos níveis glicêmicos incapacitam as células de defesa do organismo.

 

  • Alteração visual (visão embaçada) – A quantidade excessiva de glicose no sangue causa um inchaço do cristalino (lente do olho), o que faz mudar a sua forma e flexibilidade, diminuindo a capacidade de foco. Por isso, a visão embaçada. Quando o diabetes está controlado, a visão volta ao normal.

 

  • Formigamento nos pés e mãos e furúnculos – o formigamento é um sintoma da doença que pode indicar um dano nos vasos sanguíneos ou nervos.
  • Vontade de urinar diversas vezes – A poliúria, que é a urina em excesso ou em maiores frequências ocorre porque os rins não conseguem reabsorver toda a glicose filtrada, que é eliminada junto a uma grande quantidade de água. Assim, ocorre uma sensação de desidratação, que faz que o paciente ingira mais líquidos. Isso cria um círculo vicioso. Nesse caso, a urina é muito límpida e clara, devido às altas quantidades de água que são ingeridas por dia.

 

  • Fome frequente – Essa polifagia é consequência da baixa quantidade de glicose que consegue ser absorvida e utilizada pelas células, que enviam mensagens de que o corpo precisa de mais fonte de energia. O cérebro entende que o problema está na baixa ingestão de alimentos e estimula a fome. Mas, na verdade, comer só vai aumentar ainda mais os níveis de açúcar no sangue e, consequentemente, os outros sintomas da diabetes. Junto à poliúria e à polidipsia, a polifagia compõe o chamado “3 P”, que são os principais sinais dessa doença.

 

  • Sede constante – Pessoas diabéticas tem muita sede, o que é chamado de polidipsia. Apesar de tomar diversos copos de água por dia, a necessidade de ingerir líquidos não cessa e está completamente interligada ao próximo sintoma.

 

  • Perda de peso sem razão aparente – Mesmo comendo muito, uma pessoa diabética apresenta um emagrecimento contínuo e inexplicável. Mais comum na diabetes tipo I, ela também pode aparecer no tipo II e esse sintoma é resultado da queima de gordura e massa muscular para obtenção de energia, pois as células não conseguem utilizar a glicose.

 

Na presença desses sintomas, principalmente associado aos fatores de risco, é importante visitar um médico e fazer uma investigação para o diabetes tipo 2.

 

Como ocorre o diagnóstico?

O diagnóstico de diabetes tipo 2 normalmente é feito usando três exames:

Glicemia em jejum

A glicemia em jejum é um exame que mede o nível de açúcar no seu sangue naquele momento, servindo para monitorização do tratamento do diabetes. Os valores de referência ficam entre 65 a 99 miligramas de glicose por decilitro de sangue (mg/dL). Acima disso, costumam significar resultados anormais, veja:

 

  • Valores acima de 100 mg/dL são indicativos para prosseguir a investigação com a curva glicêmica e hemoglobina glicada;
  • Duas glicemias em jejum acima de 126 mg/dL são diagnósticas para diabetes tipo 2;
  • Valores acima de 200 mg/dL associados aos sintomas da doença, também são considerados diagnósticos para diabetes tipo 2.

Hemoglobina glicada

Hemoglobina glicada (HbA1c) é a fração da hemoglobina (proteína dentro do glóbulo vermelho) que se liga a glicose. Durante o período de vida da hemácia – 90 dias em média – a hemoglobina vai incorporando glicose, em função da concentração deste açúcar no sangue. 

 

Se as taxas de glicose estiverem altas durante todo esse período ou sofrer aumentos ocasionais, haverá necessariamente um aumento nos níveis de hemoglobina glicada. Dessa forma, o exame de hemoglobina glicada consegue mostrar uma média das concentrações de hemoglobina em nosso sangue nos últimos meses. 

 

Os valores da hemoglobina glicada irão indicar se você está ou não com hiperglicemia, iniciando uma investigação para o diabetes tipo 2. Valores normais da hemoglobina glicada:

 

  • Para as pessoas sadias: entre 4,5% e 5,7%
  • Meta para pacientes já diagnosticados com diabetes: abaixo de 7%
  • Anormal próximo do limite: 5,8% e 6,4%
  • Consistente para diabetes: maior ou igual a 6,5%.

Curva glicêmica

O exame de curva glicêmica simplificada mede a velocidade com que seu corpo absorve a glicose após a ingestão. O paciente ingere 75g de glicose e é feita a medida das quantidades da substância em seu sangue após duas horas da ingestão. No Brasil é usado para o diagnóstico o exame da curva glicêmica simplificada, que mede no tempo zero e após 120 minutos. Os valores de referência são:

 

  • Em jejum: abaixo de 100mg/dl
  • Após 2 horas: 140mg/dl

 

Curva glicêmica maior que 200 mg/dl após duas horas da ingestão de 75g de glicose é diagnóstico para diabetes.

 

A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda como critério de diagnóstico de diabetes tipo 2 as seguintes condições:

 

  • Hemoglobina glicada maior que 6,5% confirmada em outra ocasião (dois testes alterados);
  • Uma dosagem de hemoglobina glicada associada a glicemia de jejum maior que 200 mg/dl na presença de sintomas de diabetes;
  • Sintomas de urina e sede intensas, perda de peso apesar de ingestão alimentar, com glicemia fora do jejum maior que 200mg/dl;
  • Glicemia de jejum maior ou igual a 126 mg/dl em pelo menos duas amostras em dias diferentes;
  • Glicemia maior que 200 mg/dl duas horas após ingestão de 75g de glicose.

É preciso ressaltar que é importante fazer esses exames regularmente, junto com o seu check-up médico. Isso porque o diabetes tipo 2 pode demorar para apresentar sintomas.

Tratamentos e cuidados de diabetes tipo 2

O objetivo do tratamento para diabetes tipo 2 é baixar os níveis de glicose no sangue do paciente e cuidar para que ele não sofra nenhum tipo de complicação. Podemos destacar os principais cuidados para tratar o diabetes tipo 2. Veja só:

Exercícios físicos

A atividade física é essencial no tratamento do diabetes tipo 2. Isso porque ela ajuda a manter os níveis de açúcar no sangue controlados e o peso em dia. A prática de exercícios deve ser realizada pelo menos três vezes na semana. Caso o diabetes tipo 2 esteja descontrolado, com glicemia muito elevada, o exercício pode causar a liberação de hormônios contrarreguladores, aumentando mais ainda a glicemia – por isso, é importante visitar o seu médico e sempre fazer a medição da glicemia antes de iniciar uma atividade física. 

 

Também podemos ressaltar a importância do paciente com diabetes tipo 2 sempre combinar com seus médicos quais são as melhores opções de atividade física e frequência. Lembrando que o ideal é privilegiar exercícios leves, pois quando o gasto calórico é maior do que a reposição de nutrientes após o treino, pode haver a hipoglicemia.

Controle da dieta

Talvez a alimentação seja o fator mais importante no controle de diabetes tipo 2. Pessoas diabéticas devem limitar os açúcares presentes nos doces e carboidratos simples, como massas e pães, pois eles possuem um índice glicêmico muito alto. Quando um alimento tem o índice glicêmico baixo, ele retarda a absorção da glicose, que não se concentra no sangue. Mas, quando o índice é alto, esta absorção é rápida e acelera o aumento das taxas de glicose no sangue, gerando uma hiperglicemia

 

Os carboidratos devem constituir de 50 a 60% das calorias totais ingeridas pela pessoa com diabetes, preferindo-se os carboidratos complexos (castanhas, nozes, grãos integrais) que serão absorvidos mais lentamente. Também é importante que a dieta do portador de diabetes tipo 2 seja balanceada, cortando os excessos de gordura e priorizando o consumo de frutas e vegetais.

 

Como dito anteriormente, antes de praticar exercícios é importante verificar o controle glicêmico no momento anterior ao início da atividade, para então escolher o melhor alimento – se a glicemia está muito baixa, é aconselhável dar preferência aos carboidratos, assim como deve-se evitá-los se estiver alta. 

 

A escolha do alimento depende também do tipo de exercício: exercícios aeróbicos de grande duração (como corrida e natação) tendem a baixar a glicemia, sendo necessária uma ingestão maior de alimentos.

Verificar a glicemia

Alguns portadores de diabetes tipo 2 precisam fazer as medições regulares de insulina, alguns diariamente. Para fazer essa medida é necessário ter em casa um glicosímetro, dispositivo capaz de medir a concentração exata de glicose no sangue. Existem diferentes tipos de aparelhos. Normalmente, a pessoa fura o dedo com uma agulha pequena chamada lanceta. Uma pequena gota de sangue aparece na ponta do dedo. Coloca-se o sangue em uma tira reagente que é inserida no aparelho. Os resultados aparecem em cerca de 5 segundos.

 

O médico ou outro profissional que trabalhe com diabetes ajudará a definir um cronograma de testes feitos em casa. O médico o ajudará a definir as metas relativas às taxas de glicose do paciente, que deve se basear nos resultados dos testes para alterar as refeições, suas atividades ou os medicamentos e, assim, manter os níveis de glicose normalizados. Este procedimento pode ajudar a identificar as altas e as baixas taxas de glicose no sangue antes que causem problemas.

Diminua o consumo de bebidas alcoólicas

O consumo de álcool não é proibido para quem tem diabetes tipo 2, mas deve ser moderado e sempre acompanhado de um alimento, pois o consumo isolado pode causar hipoglicemia. O que pode resultar em enjoo, tremores pelo corpo, fome excessiva, irritação e dores de cabeça. Também é importante fazer o monitoramento de glicemia antes e depois de consumir bebidas alcoólicas.

Evite saunas e escalda pés

A doença também afeta a microcirculação, lesionando as pequenas artérias (arteríolas) que nutrem os tecidos, que atingem especialmente as pernas e os pés. Em função desta alteração circulatória, os riscos de exposição às altas temperaturas e aos choques térmicos podem agravar ou desencadear quadros de angiopatias e outros problemas cardíacos. Além disso, o diabetes afeta a sensibilidade dos pés, e a pessoa pode não perceber a água muito quente ao fazer escalda pés.

Cuide muito bem da sua vista

As células da retina do paciente com diabetes tipo 2 pode apresentar diferenças que não se encontram na maioria daqueles que não tem diabetes.

Evite o stress

Pessoas com diabetes têm maiores chances de ter ansiedade e depressão. Os pacientes podem sentir uma sensação de ansiedade em relação ao controle da hipoglicemia, da aplicação de insulina, ou com o ganho de peso. Por isso, evite o máximo que conseguir situações estressantes que possam tirá-lo do sério.

Elimine o tabagismo

Diabetes e cigarro multiplicam em até cinco vezes o risco de infarto. As substâncias presentes no cigarro ajudam a criar acúmulos de gordura nas artérias, bloqueando a circulação. Consequentemente, o fluxo sanguíneo fica mais e mais lento, até o momento em que a artéria entope. Além disso, fumar também contribui para a hipertensão no paciente com diabetes tipo 2.

Cuide da saúde bucal

A higiene bucal após cada refeição para o paciente com diabetes é fundamental. Isso porque o sangue dos portadores de diabetes, com alta concentração de glicose, é mais propício ao desenvolvimento de bactérias. Por ser uma via de entrada de alimentos, a boca acaba também por receber diversos corpos estranhos que, somados ao acúmulo de restos de comida, favorecem a proliferação de bactérias. Realizar uma boa escovação e ir ao dentista uma vez a cada seis meses é essencial.

Existem outras comorbidades? Cuide delas!

É verdade que geralmente, o diabetes tipo 2 vem acompanhados de outros problemas, como obesidade e sobrepeso, sedentarismo, triglicerídeos elevados e hipertensão. Dessa forma, é importante consultar seu médico e cuidar também dessas outras doenças e problemas que podem aparecer junto com o diabetes tipo 2. Dessa forma, você garante a sua saúde e consegue controlar todas as doenças com mais segurança.

Medicamentos

Entre os medicamentos que podem ser usados para controlar o diabetes tipo 2 estão:

 

  • Inibidores da alfaglicosidase: retardam a digestão e absorção de carboidratos no intestino. Os carboidratos vão determinar o aumento da glicose no sangue, então ao bloquear a absorção pretende-se evitar que o carboidrato que foi ingerido cause aumento da glicemia. Seu principal uso é no controle do aumento da glicose após as refeições. 

 

  • Biguanidas: a principal representante dessa classe é a metformina, via oral. A metformina reduz a produção hepática de glicose e combate a resistência à insulina e não causa hipoglicemia. Pelo seu efeito de agir diretamente na causa do diabetes tipo 2, que é a resistência insulínica, é o primeiro medicamento a ser pensado para começar o tratamento do diabetes tipo 2. Pode causar intolerância gastrointestinal e existem opções de comprimidos com liberação lenta que podem ser utilizados naqueles pacientes que apresentam intolerância gastrointestinal.

 

  • Sulfonilureias: estimulam a produção pancreática de insulina pelas células beta do pâncreas, mas podem causar hipoglicemia. 

 

  • Tiazolidinedionas: agem dentro do núcleo celular, em um receptor chamado ppar-gama. Os efeitos dessa ativação incluem a redução da resistência insulínica, principalmente no músculo e tecido adiposo, agindo então na causa do diabetes tipo 2. 

 

  • Inibidores enzima DPP-4: o nosso intestino libera um peptídeo chamado GLP-1 imediatamente após a alimentação. A função do GLP-1 é estimular a liberação de insulina, diminuir a produção da glicose no fígado e aumentar a sensibilidade à insulina, dentre outras funções. O GLP-1 é rapidamente degradado pela enzima DPP-4, então esses medicamentos bloqueiam a DPP-4 e aumentam a ação do GLP-1. Por estimular a secreção de insulina, o GLP-1 é chamado de “incretina”.

 

  • Inibidores do SGLT-2: atuam através de uma maior excreção de glicose pela urina.

 

  • Glinidas: age também estimulando a produção de insulina pelo pâncreas, mas diferentemente das sulfonilureias, seu efeito é mais rápido. Além disso, o efeito das glinidas é dependente da glicose, logo o efeito será maior quanto maior for a glicose. A redução da hemoglobina glicada é de 0,5 a 1,5%.

 

  • Injetáveis: para o tratamento do diabetes tipo 2 existe uma classe de medicamentos chamada análogos do GLP-1, que é injetável. O exenatide é um análogo sintético do GLP-1, o hormônio que estimula o pâncreas a produzir insulina. Foi o primeiro análogo a ser comercializado e quando adicionado ao tratamento dos pacientes que já utilizavam metformina e sulfonilureias, levou à uma redução adicional de 1,1% da hemoglobina glicada. O liraglutide é um análogo de GLP-1, aplicado uma vez ao dia e quando usado no tratamento de pacientes com diabetes apresentou melhora do controle glicêmico e redução do peso corporal.

 

Os medicamentos mais usados para o tratamento de diabetes do tipo 2 são:

 

 

Sempre deixando claro aqui nos nossos artigos que somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, assim como a dosagem correta e a duração do tratamento. Por isso é importante seguir sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedicar. 

 

Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

 

Cirurgia Metabólica

Uma variante da cirurgia bariátrica, a cirurgia metabólica é focada no tratamento do diabetes tipo 2 e em condições de saúde que acompanham a doença, como hipertensão, colesterol e triglicérides elevados. O objetivo da cirurgia metabólica é promover mudanças no estômago e/ou no percurso do alimento no intestino, que provocam alterações em hormônios que controlam o metabolismo, a secreção de insulina, a saciedade e o gasto de energia.

 

A perda de peso, junto com as alterações dos hormônios intestinais e a diminuição da ingestão de alimentos facilitam a ação da insulina, diminuindo a resistência do organismo, caracterizada pela diabetes tipo 2.

 

Diferentes técnicas cirúrgicas podem ser utilizadas, mas o método mais comum é o Bypass Gástrico, o mesmo usado no tratamento da obesidade mórbida. Os procedimentos normalmente são feitos por videolaparoscopia, com pequenas incisões, e são bastante seguros. Cerca de 2/3 de diabéticos submetidos a essa cirurgia passam a apresentar níveis normais de açúcar e hemoglobina glicada, mesmo sem tomar remédios ou insulina. 

 

Complicações de diabetes tipo 2

Retinopatia diabética

São lesões que aparecem na retina do olho, podendo causar pequenos sangramentos e, como consequência, a perda da acuidade visual.

Arteriosclerose

Endurecimento e espessamento da parede das artérias, complicação que favorece o aparecimento de doenças cardiovasculares sérias como infarto e AVC.

Nefropatia diabética

Alterações nos vasos sanguíneos dos rins que fazem com que ocorra uma perda de proteína pela urina. O órgão pode reduzir a sua função lentamente, mas de forma progressiva até a sua paralisação total.

Neuropatia diabética

Os nervos sofrem alterações, provocando sintomas, como formigamento, dormência ou queimação das pernas, pés e mãos, dores locais e desequilíbrio, enfraquecimento muscular, pressão baixa, distúrbios digestivos, excesso de transpiração e impotência.

Pé diabético

Ocorre quando uma área machucada ou infeccionada nos pés de quem tem diabetes tipo 2 desenvolve uma úlcera (ferida). Seu aparecimento pode ocorrer quando a circulação sanguínea é deficiente e os níveis de glicemia são mal controlados. Qualquer ferimento nos pés deve ser tratado rapidamente para evitar complicações que podem levar à amputação do membro afetado.

Infarto do miocárdio e AVC

A diabetes tipo dois pode ocasionar essas doenças quando os grandes vasos sanguíneos são afetados, o que leva à obstrução (arteriosclerose) de órgãos vitais como o coração e o cérebro. O bom controle da glicose, a atividade física e os medicamentos que possam combater a pressão alta, o aumento do colesterol e a suspensão do tabagismo são medidas imprescindíveis de segurança. A incidência desse problema é de duas a quatro vezes maior em pessoas com diabetes, tanto o tipo 1 quanto o diabetes tipo 2.

Infecções

O excesso de glicose pode causar danos ao sistema imunológico, aumentando o risco da pessoa com diabetes contrair algum tipo de infecção. Isso ocorre porque os glóbulos brancos (responsáveis pelo combate a vírus, bactérias etc.) ficam menos eficazes com a hiperglicemia. O alto índice de açúcar no sangue é propício para que fungos e bactérias se proliferem em áreas como boca e gengiva, pulmões, pele, pés, genitais e local de incisão cirúrgica.

Hipertensão

Como mencionamos algumas vezes neste artigo, existem alguns fatores de risco em comum entre diabetes do tipo 2 e a hipertensão arterial, como obesidade, sedentarismo e má alimentação. Também precisa-se considerar que o paciente com diabetes tem maior propensão a desenvolver problemas renais, e isso compromete a eliminação de substâncias pela urina, como o sal e a água. O aumento de sal e água na circulação está relacionado com o aumento da pressão arterial.

 

Outro problema recorrente em pacientes com diabetes tipo 2 é a oxidação dos vasos sanguíneos com mais rapidez do que o normal, devido ao excesso de açúcar no sangue. Com isso, as artérias podem se entupir, aumentando a pressão arterial.

 

Prognóstico

Pacientes com diabetes podem ser orientados a:

  • Realizar exame diário dos pés para evitar o aparecimento de lesões
  • Manter uma alimentação saudável
  • Utilizar os medicamentos prescritos
  • Praticar atividades físicas
  • Manter um bom controle da glicemia, seguindo corretamente as orientações médicas.

 

E de que maneiras posso prevenir?

Se você tem história familiar de diabetes tipo 2 ou fatores de risco que possam levá-lo a desenvolver a doença, é importante fazer o seguinte:

 

  • Mantenha o peso normal
  • Não fume
  • Controle a pressão arterial
  • Evite medicamentos que potencialmente possam agredir o pâncreas
  • Pratique atividade física regular.

 

Algumas perguntas frequentes sobre diabetes tipo 2

Meu exame de glicemia está acima dos 100 mg/dl. Estou com diabetes?

Pode ser que não. O exame de glicemia em jejum é o primeiro passo para investigar o diabetes e acompanhar a doença. Os valores normais da glicemia em jejum ficam entre 75 e 99 mg/dL (miligramas de glicose por decilitro de sangue). 

 

Estar um pouco acima desses valores indica apenas que o indivíduo está com uma glicemia em jejum alterada. Isso funciona como um alerta e o médico deve seguir com a investigação solicitando um exame chamado curva glicêmica, que define se o paciente possui intolerância à glicose, diabetes ou então apenas um resultado alterado.

Diabetes é contagioso?

Não, o diabetes não passa de pessoa para pessoa. O que acontece é que, em especial no tipo 1, há uma propensão genética para se ter a doença e não uma transmissão comum. Já o diabetes tipo 2 geralmente é uma consequência de maus hábitos, como sedentarismo e obesidade.

Posso consumir mel, açúcar mascavo e caldo de cana?

Se você teve qualquer tipo de alteração nos seus exames, é importante lembrar que apesar de naturais, esses alimentos tem açúcar do tipo sacarose, que interfere na diabetes. Hoje, os padrões internacionais já liberam que 10% dos carboidratos ingeridos podem ser sacarose, mas sem o controle e a compensação, os níveis de glicose podem subir e desencadear uma crise. O paciente até pode consumir, mas ele deve ter noção de que não pode abusar e compensar com equilíbrio na dieta.

Insulina causa dependência química?

A aplicação de insulina não promove qualquer tipo de dependência química ou psíquica. O hormônio é importante para permitir a entrada de glicose na célula, tornando-se fonte de energia. Não se trata de dependência química e sim de necessidade vital. O paciente com diabetes precisa da insulina para sobreviver, mas não é dependente químico da substância.


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