Disenteria – Hábitos saudáveis fazem a diferença!

16/02/2021 0 Por cliquefarma

O assunto do blog do Cliquefarma de hoje é Disenteria. Vamos aprender o que é, qual a causa, os sintomas, como tratar e principalmente o que fazer para evitar ao máximo. Confira tudo na íntegra para tirar suas dúvidas e se inteirar do assunto você também!

O que é disenteria?

A disenteria não é uma doença, mas um sintoma de uma doença potencialmente letal. O termo refere-se a qualquer caso de diarreia sanguinolenta infecciosa, um flagelo que mata centenas de milhares de pessoas em todo o mundo a cada ano. A maioria das vítimas vive em áreas em desenvolvimento com falta de saneamento, mas casos esporádicos podem surgir em qualquer parte do mundo.

Quais as causas?

Disenteria é a gastroenterite como resposta do corpo a um visitante indesejado no sistema digestivo. Os possíveis culpados incluem uma ameba parasítica chamada Entamoeba histolytica ou um número de bactérias, incluindo salmonella e shigella. Uma infecção de E. histolytica é chamada de amebíase, e qualquer diarreia sanguinolenta resultante é chamada de disenteria amébica. Infecções da bactéria Shigella, chamada shigelose, podem levar à disenteria bacteriana.

 Enquanto os casos de disenteria amebiana tendem a ser isolados e esporádicos, as epidemias de disenteria bacteriana podem varrer aldeias, cidades ou regiões inteiras. Todos os anos, a disenteria bacteriana mata cerca de seis vezes mais pessoas do que a disenteria amébica.

Salmoneloses, causada pela Salmonella typhi e Salmonella paratyphi; shigeloses do tipo A, B, C e D, causadas pela Shigella dysenteriae, Shigella flexneri, Shigella boydii e Shigella sonnei, respectivamente; infecções por Escherichia coli enteropatogênicas, enterotoxigênicas, enteroinvasivas e entero-hemorrágicas, e pelo Vibrio cholerae; enterites causadas por bactérias do gênero Campylobacter e por Yersinia enterocolitica; enterocolite por Clostridium difficile e intoxicações alimentares estafilocócicas e as causadas em virtude da presença de Clostridium perfringens, Vibrio parahaemolyticus e Bacillus cereus, são alguns exemplos de disenterias causadas por este tipo de organismo.

A disenteria bacteriana ocorre quando a pessoa acidentalmente engole a bactéria Shigella. Entre outras causas menos comuns estão a exposição a alguns produtos químicos, outros tipos de bactérias, outros tipos de protozoários ou vermes parasitas.  A doença é contagiosa de pessoa para pessoa. 

Isso pode ocorrer nas seguintes situações:

  • Se você tocar em sua boca caso não tenha lavado bem as mãos após o contato com a bactéria. Este contato pode ter ocorrido, por exemplo, após a troca de fraldas de um bebê com disenteria bacteriana;
  • Caso a pessoa coma alimentos contaminados. As pessoas infectadas que manuseiam alimentos podem transmitir a bactéria para as pessoas que comem a comida. Os alimentos também podem ser contaminados se ele cresce em um local que contém esgoto;
  • Caso a pessoa beba água contaminada. A água pode ser contaminada pelo esgoto ou por alguém que tenha a doença e nade no mesmo local que você.

Fatores de risco

Os fatores de risco da disenteria bacteriana são:

  • Ser uma criança com idade entre dois e quatro anos
  • Viver em alojamentos ou em grupo
  • Viajar ou viver em áreas que necessitam de saneamento
  • Prática de sexo anal.

O mecanismo subjacente consiste na inflamação do intestino, sobretudo na região do cólon.

Dados da disenteria pelo mundo

Todos os anos a Shigella é responsável por cerca de 165 milhões de casos de diarreia e 1,1 milhões de mortes, ocorrendo quase todos os casos nos países em vias de desenvolvimento. Nos casos com más condições de higiene e saneamento, praticamente metade dos casos de diarreia são causados por Entamoeba histolytica.  A Entamoeba histolytica afeta milhões de pessoas e é responsável por mais de 55.000 mortes por ano. 

É mais comum nas áreas menos desenvolvidas da América Central e do Sul, África e Ásia. A disenteria tem sido descrita desde pelo menos o tempo de Hipócrates.

Como as pessoas contraem disenteria?

A ameba de E. histolytica e a bactéria shigella frequentemente se desenvolvem em alimentos e água contaminados por fezes humanas. Grandes surtos de disenteria bacteriana ocorreram em comunidades onde o esgoto se mistura com água potável. Frutas e vegetais cultivados com água contaminada são outra fonte comum de doença. 

As infecções também podem se espalhar pelas casas quando as pessoas não lavam as mãos depois de usar o banheiro, depois de trocar fraldas ou antes de manusear alimentos. As infecções por Shigella, principalmente tendem a ser especialmente contagiosas.

Diferença entre disenteria e diarreia

Não há mãe que não se preocupe com a saúde de seu filho. Afinal, mesmo para aquelas que não são mães de primeira viagem, é comum surgirem dúvidas com relação ao aparecimento de alguns sintomas nos pequenos. Por exemplo, quando a criança apresenta fezes um pouco mais amolecidas. Nesse cenário, como saber se a criança está com diarreia ou com disenteria? Qual tratamento adotar?

Primeiramente, tanto na diarreia como na disenteria ocorre uma perda de água e eletrólitos. É isso que resulta no aumento do número de evacuações. Ou seja, “em ambas as doenças, a criança apresenta a diminuição da consistência das fezes”, descreve a gerente médica da unidade Medicamento Isento de Prescrição (MIP) do Aché Laboratórios, Dra. Talita Poli Biason.

A diferença básica entre diarreia e disenteria

O que diferencia uma da outra é, em especial, o aparecimento de sangue nas fezes. “Chamamos de disenteria quando, além da alteração na frequência e consistência, há presença de sangue e muco nas fezes”, esclarece a médica. “A disenteria é resultado de um processo inflamatório intestinal intenso. Isto provoca, geralmente, lesão das células intestinais e o consequente aparecimento de sangue nas fezes”, acrescenta. 

Os episódios de evacuações podem ter duração que variam entre poucos ou até 14 dias.

Por outro lado, a causa da diarreia aguda em crianças, em grande parte dos casos, é a infecção por vírus, bactérias ou outros parasitas. “Os vírus são os principais agentes causadores da diarreia, de forma geral, na população pediátrica. Já a disenteria é, comumente, causada por bactérias específicas, como alguns tipos de Escherichia Coli e Shiguella”, como já mencionada, informa a médica.

Sintomas de Disenteria

Os sintomas normalmente ocorrem três dias após entrar em contato com a bactéria Shigella, mas em algumas situações podem demorar uma semana para ocorrer. Os principais sintomas são:

  • Diarreia, muitas vezes acompanhada de sangue ou muco
  • Cólicas abdominais
  • Febre.

As pessoas que sofrem de disenteria amebiana frequentemente sofrem diarreia profusa e sanguinolenta, além de febre, dor intensa no estômago e rápida perda de peso. A disenteria bacteriana causa fezes pequenas e frequentes, misturadas com sangue e muco. Cãibras são comuns, e um paciente pode ocasionalmente se esforçar dolorosamente, sem sucesso, para evacuar os intestinos.

Quando buscar ajuda médica?

Entre em contato com seu médico se mantiver a diarreia por mais de três dias, especialmente se não conseguir manter alimentos ou bebidas que ingere. Se desenvolver diarreia sanguinolenta também é importante buscar ajuda médica. Em casos de diarreia associada à febre alta e em situações de convulsões devido à febre é essencial entrar em contato com o médico imediatamente.

O que vem a seguir?

Especialistas que podem diagnosticar uma disenteria bacteriana são:

  • Clínico geral
  • Gastroenterologista
  • Infectologista.

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quais são os sintomas que você tem?
  • Quando seus sintomas começaram?
  • Você tem febre?
  • Você sabe se foi exposto de alguma maneira a bactéria Shigella?.

Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar.

Como se dá o diagnóstico?

A diarreia pode ocorrer devido a uma série de doenças. Assim, para diagnosticar a disenteria bacteriana ou amébica, é necessário fazer um exame das fezes que será um teste para a presença de bactéria ou ameba.

Como a disenteria é tratada? 

Nos casos de disenteria bacteriana leve, apenas se manter hidratado, bebendo muita água, já é o suficiente. Não é aconselhado o uso de medicamentos para aliviar a diarreia. O tratamento pode incluir antibióticos caso a disenteria bacteriana seja grave. Soros encontrados em farmácias podem ser orientados, especialmente para crianças. Em casos de desidratação severa, a internação para o recebimento de soro intravenoso pode ser orientada.

Qualquer pessoa com diarreia com sangue precisa de ajuda médica imediata. O tratamento geralmente começa com uma solução de reidratação oral – água misturada com sal e carboidratos – para evitar a desidratação. (Os serviços de socorro de emergência geralmente distribuem pacotes baratos de açúcares e sais minerais que podem ser misturados com água limpa e usados ​​para restaurar fluidos que salvam vidas em crianças desidratadas gravemente doentes devido à disenteria).

 

Se houver suspeita de Shigella e não for muito grave, o médico pode recomendar que ele siga seu curso – geralmente menos de uma semana. O paciente será aconselhado a repor os fluidos perdidos pela diarreia. Se a Shigella for grave, o médico pode prescrever antibióticos, como ciprofloxacina ou TMP-SMX (Bactrim). Infelizmente, muitas cepas de Shigella estão se tornando resistentes aos antibióticos comuns, e medicamentos eficazes são frequentemente escassos nos países em desenvolvimento. Se necessário, um médico pode ter que reservar antibióticos para aqueles com maior risco de morte, incluindo crianças pequenas, pessoas com mais de 50 anos e qualquer pessoa que sofra de desidratação ou desnutrição.

 

A disenteria amébica geralmente exige um ataque em duas frentes. O tratamento deve começar com um ciclo de 10 dias do medicamento antimicrobiano metronidazol (Flagyl). Para acabar com o parasita, o médico às vezes prescreverá um ciclo de furoato de diloxanida, paromomicina ou iodoquinol.

Medicamentos para disenteria bacteriana

Os medicamentos mais usados para o tratamento de disenteria bacteriana são:

  • Cefalotina
  • Ciprofloxacino
  • Doxiciclina

Lembrando aos leitores do blog que, somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Por isso, é de extrema importância que você siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Também, nunca, em hipótese alguma interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Qual o prognóstico?

Durante o período em que tiver a disenteria bacteriana é importante manter-se hidratado.

Possíveis complicações

A disenteria bacteriana normalmente não leva a complicações. Contudo, as complicações podem ser:

  • Desidratação, sendo que os sintomas da desidratação incluem vertigens, tonturas, falta de lágrimas, olhos encovados e no caso de bebês, fraldas secas
  • Convulsões
  • Prolapso retal
  • Síndrome hemolítico-urêmica
  • Artrite reativa
  • Megacólon tóxico.

Prevenção

O próprio Ministério da Saúde mostra atitudes que podem ajudar a prevenir a disenteria, confira quais são elas:

  • Lavar as mãos com frequência e cuidadosamente
  • Supervisionar as crianças pequenas quando lavam as mãos
  • Eliminar a fralda suja adequadamente
  • Desinfetar a área onde estava a fralda suja
  • Manter a criança com diarreia em casa
  • Não preparar comidas para outros se tiver diarreias
  • Evitar engolir água de lagoas, lagos ou piscinas não tratadas.

Resumindo, podemos concluir que boa higiene e um pouco de bom senso são as chaves para evitar a disenteria. Se você estiver visitando ou morando em uma área com saneamento precário, tenha cuidado com a água. Basta escovar os dentes com água da torneira ou jogar um par de cubos de gelo em uma bebida que já será o suficiente para deixá-lo doente. 

Em muitas áreas, as únicas bebidas seguras são a água fervida, refrigerantes enlatados ou engarrafados, cerveja, vinho, chá e café (feitos com água fervida). Se não for possível ferver a água, trate-a com desinfetantes químicos, como iodo ou cloro. Para uma proteção extra, coe a água através de um filtro “absoluto de 1 mícron” (disponível em lojas de materiais de camping) antes de adicionar o desinfetante.

 

Em muitos lugares, a comida pode ser tão arriscada quanto a água. Você deve suspeitar especialmente de saladas, guarnições, frutas e vegetais crus, leite não pasteurizado, carne crua, mariscos e qualquer alimento vendido por vendedores ambulantes. Em geral, as frutas que você descasca e as refeições quentes são escolhas mais seguras.

No caso de intoxicações alimentares, devem ser evitados alimentos cuja procedência é duvidosa. Em restaurantes, não ingerir saladas nem carnes cruas (nem malpassadas), ovos e tampouco maionese.

 

Se você tiver a infecção, você pode proteger os outros ao seu redor lavando as mãos regularmente com água e sabão, especialmente depois de usar o banheiro, depois de trocar fraldas e antes de preparar a comida.

Você já teve, conhece alguém que passou por uma disenteria ou ainda ficou com qualquer dúvida a respeito do assunto? Compartilhe conosco no box abaixo suas experiências. Sua opinião é importante para nós!