Falando sobre Problemas Respiratórios

28/11/2019 0 Por Alana Dizioli

Quando falamos em doenças respiratórias, podemos entender que elas são as que afetam o trato e os órgãos do sistema respiratório. Os factores de risco são tabagismo, a poluição, a exposição profissional a poluentes atmosféricos, as condições alérgicas e doenças do sistema imunitário, entre outros.

No mundo todo, as doenças que acometem o sistema respiratório ocupam o posto de terceira causa de morte. Dentre as mais comuns, estão as broncopatias, as pneumopatias, os transtornos respiratórios e a fístula do trato respiratório. Podemos mencioná-las, tais como:

 

  • Hipersensibilidade respiratória;
  • Infecções respiratórias;
  • Doenças da traqueia;
  • Laringopatias
  • Doenças pleurais;
  • Anormalidades do sistema circular;
  • Neoplasias do trato respiratório

Acometimento dos pulmões

Os pulmões são órgãos que compõem o sistema respiratório, responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e a corrente sanguínea. São dois órgãos de formato piramidal, sendo estes os principais elementos do sistema respiratório dos humanos.

 

No post de hoje, vamos abranger as doenças mais comumente observadas que acometem os pulmões, dentre elas:

 

  • Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);
  • Bronquite crônica;
  • Enfisema pulmonar;
  • Asma;
  • Câncer de pulmão.

 

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

Quando falamos de uma doença crônica, normalmente ela é progressiva e irreversível, no caso da DPOC, ela afeta os pulmões, apresentando como principal característica a destruição de muitos alvéolos pulmonares e o comprometimento dos restantes. É mais comum em indivíduos do sexo masculino com idade avançada, sendo que também é frequente sua observação em indivíduos que já tiveram tuberculose.

 

Como veremos logo à frente, os principais fatores que levam ao aparecimento da DPOC relacionam-se ao tabagismo, vindo em seguida o fumo passivo, exposição à poeira por longos anos, poluição do ambiente e, em certos casos, fatores genéticos.

 

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 80 milhões de pessoas apresentam DPOC moderada a severa, No Brasil, esta afecção acomete em torno de 5,5 milhões de pessoas por ano, segundo o Conselho Brasileiro de DPOC.

 

Normalmente os pacientes com DPOC apresentam sintomatologia tanto da bronquite crônica quanto do enfisema pulmonar. Deste modo, atualmente utiliza-se mais o termo DPOC quando se faz referência a bronquite crônica e enfisema pulmonar, uma vez que, normalmente, as mesmas coexistem naquele paciente apresentando obstrução do fluxo de ar.

Sinais, sintomas e dados desse problema respiratório aqui no Brasil

Como já vimos, a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) caracteriza-se por sinais e sintomas respiratórios associados à obstrução crônica das vias aéreas inferiores, geralmente em decorrência de exposição inalatória prolongada a material particulado ou gases irritantes. 

 

Não adianta, o tabagismo é sua principal causa. O substrato fisiopatológico da DPOC envolve bronquite crônica e enfisema pulmonar, os quais geralmente ocorrem de forma simultânea, com variáveis graus de comprometimento relativo num mesmo indivíduo. 

 

Os principais sinais e sintomas são tosse, dispneia, sibilância e expectoração crônicos. A DPOC está associada a um quadro inflamatório sistêmico, com manifestações como perda de peso e redução da massa muscular nas fases mais avançadas.

 

O Ministério da Saúde publicou uma cartilha de Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas em casos da doença. Lá é mencionado outro dado da OMS: entre as principais causas de morte, é a única que está aumentando, prevendo-se que se torne a terceira em 2020, devido ao aumento do tabagismo nos países em desenvolvimento e ao envelhecimento da população. 

 

Nos últimos 10 anos, DPOC foi a quinta maior causa de internação no Sistema Único de Saúde de pacientes com mais de 40 anos, com cerca de 200.000 hospitalizações e gasto anual aproximado de 72 milhões de reais. 

 

É importante lembrar que a identificação de fatores de risco e da doença em seu estágio inicial, o encaminhamento ágil e adequado para o atendimento especializado e a atenção domiciliar dão à Atenção Básica um caráter essencial para um melhor resultado terapêutico e prognóstico dos casos.

Como funciona o tratamento para DPOC?

O tratamento da doença pulmonar obstrutiva crônica inclui o uso diário de medicamentos, chamado de tratamento de manutenção, mas vai muito além disso, pois exige mudanças no estilo de vida, especialmente no caso de fumantes (que somados aos ex-fumantes, representam 85% de todas as pessoas com DPOC). Então, para quem fuma e foi diagnosticado com DPOC, o primeiro e mais importante passo para o tratamento da DPOC é largar o cigarro de vez.

 

Da mesma forma, as pessoas que desenvolveram a DPOC por conta da exposição a outros gases tóxicos (como fumaça, poluição, etc.) também precisam reavaliar suas funções e seu local de trabalho, com o objetivo de interromper o contato com o agente causador da doença.

 

Normalmente, os medicamentos para o tratamento da DPOC incluem o uso diário de broncodilatadores, que agem nas vias aéreas buscando expandi-las e, dessa forma, facilitam a respiração. Em casos mais graves ou avançados, o tratamento da doença pode incluir oxigenoterapia, que consiste no uso de um cilindro de oxigênio.

 

O tratamento farmacológico da DPOC tem como objetivo aliviar os sintomas da doença, reduzir a frequência e a gravidade das exacerbações; melhorar a condição de saúde do paciente e sua capacidade de manter-se ativo e reduzir a progressão da doença. Óbvio que, para isso, o quanto antes o paciente iniciar o tratamento da DPOC e quanto maior sua adesão, maior qualidade de vida terá.

Bronquite Crônica

A bronquite crônica é caracterizada por uma inflamação dos brônquios. Geralmente, surge depois de 20 a 30 anos de exposição dos mesmos a fatores irritantes, como o tabaco, poluição do ar, entre outras fontes. Sua ocorrência é mais comum em mulheres do que em homens. Esta afecção pode preceder ou acompanhar o enfisema pulmonar.

 

No quadro crônico enquadram-se alguns portadores de asma e indivíduos com a doença pulmonar obstrutiva crônica, a DPOC, fortemente associada ao cigarro. Ela seria a união entre a bronquite e o enfisema pulmonar.

 

Principais sinais e sintomas da bronquite crônica

  • Falta de ar
  • Irritação na garganta
  • Pigarro constante
  • Tosse com secreção
  • Chiado no peito
  • Dor no peito
  • Febre

Quais os fatores de risco?

  • Tabagismo
  • Ambientes poluídos
  • Locais fechados, que favorecem a contaminação por micróbios
  • Ar condicionado, que resseca as vias aéreas
  • Refluxo gastroesofágico
  • Contato com pessoas gripadas ou resfriadas
  • Contato com substâncias que despertam reações alérgicas

Existe prevenção?

Como o tabagismo é um dos principais responsáveis pela bronquite, seja ela aguda ou crônica, largar o cigarro de vez (ou evitar contato com a fumaceira) é condição indispensável para não desenvolver esse problema respiratório.

 

Lavar as mãos com frequência diminui o risco de levar vírus e bactérias para as vias respiratórias, então esse é um hábito que pode ser adotado. 

 

Já os alérgicos, além de manter distância das substâncias que servem de gatilho às complicações respiratórias, aconselha-se a capricharem na hidratação nos meses mais secos. E isso pode ser feito com inalação e soro fisiológico.

 

Qualquer pessoa suscetível deve ficar longe de inseticidas, spray de cabelo e outros itens do tipo, pois isso vai livrar as vias aéreas de outros fatores irritantes. Quem trabalha em ambiente infestado de partículas nocivas, poeira, fumaça e gases não pode abrir mão da máscara de proteção.

 

Tomar a vacina contra gripe fortalece as defesas e, não por acaso, a medida é oferecida todo ano prioritariamente a quem já tem uma doença crônica nos pulmões.

Como funciona o tratamento?

 

A bronquite crônica exige um tratamento de longo prazo. Para começar, o paciente precisa permanecer longe dos fatores irritantes, incluindo a fumaça do cigarro dos outros, porque o fumante passivo também está propenso a encarar a doença.

 

Medicamentos à base de corticoides, alguns sprays nasais como o Avamys, por exemplo,  em doses controladas pelo médico, são receitados para conter a inflamação e dar alívio aos sintomas. E sessões de exercícios respiratórios orientados por um fisioterapeuta são de grande valia para promover a melhora no desempenho do pulmão.

 

Nos estágios mais avançados da bronquite crônica, particularmente na DPOC, pode ser necessário recorrer à oxigenoterapia, o uso de oxigênio em casa.

 

Enfisema Pulmonar

Assim como a bronquite crônica, esta é uma doença daquelas de progressão lenta e longa duração, que muitas vezes levamos por toda a vida. Podem ser silenciosas ou sintomáticas, comprometendo a qualidade de vida. Nos dois casos, representam risco para o paciente. 

 

No enfisema ocorre destruição gradativa dos tecidos pulmonares, passando estes a ficarem hiperinsuflados. Normalmente sua etiologia reside na exposição prolongada ao tabaco ou produtos químicos tóxicos. 

 

O enfisema pulmonar é uma doença respiratória grave. A doença leva à diminuição da elasticidade dos pulmões e à destruição dos alvéolos pulmonares, causando sintomas como respiração rápida, tosse ou dificuldade para respirar.

 

O enfisema pulmonar não tem cura, mas os seus sintomas podem ser aliviados, e até evitados, com o uso de alguns medicamentos e alteração de alguns hábitos de vida, que devem ser indicados pelo pneumologista. 

Sintomas de enfisema pulmonar

Os sinais e sintomas mais comuns do enfisema pulmonar incluem:

 

  • Dificuldade para respirar;
  • Respiração ofegante;
  • Tosse;
  • Sensação de falta de ar, com o agravamento da doença.

 

Geralmente, o diagnóstico da doença será baseado nos sintomas apresentados e no histórico de vida do paciente. Um exame será pedido para avaliar a inflamação do pulmão e a ausculta pulmonar será realizada para verificar os sons produzidos pelo pulmão no momento da respiração. 

 

Além disso, deverá ser feito um teste para avaliar as capacidades pulmonares, chamado de espirometria, que mede o volume de ar inspirado para verificar se são satisfatórios ou não além de raio-x e do exame de sangue gasometria arterial. 

Como acontece o enfisema?

O enfisema é caracterizado pela destruição de um grande número de alvéolos que são pequenas estruturas dentro do pulmão, os responsáveis pelas trocas gasosas e entrada de oxigênio na corrente sanguínea. Além disso, existe um comprometimento na capacidade do pulmão se expandir. 

 

Por isso, o oxigênio não consegue entrar de forma adequada no corpo e o sintoma de falta de ar aparece, porque os pulmões se enchem de ar, mas não esvaziam completamente, para permitir a entrada de um novo ar. 

Qual a principal causa?

Cerca de 80% dos casos de enfisema acontecem em pessoas fumantes, porque a fumaça do cigarro afeta os alvéolos pulmonares, diminuindo a entrada de ar. Porém, o enfisema também pode ser causado por uma deficiência da enzima alfa-1 antitripsina ou por outras doenças como bronquite crônica, asma ou fibrose cística, por exemplo.

Como é feito o tratamento?

O tratamento para enfisema pulmonar deve ser sempre orientado por um pneumologista, uma vez que é necessário adaptá-lo aos sintomas apresentados e ao grau de desenvolvimento da doença. 

 

No entanto, em todos os casos é importante evitar o uso de cigarro e não permanecer em locais com muita poluição ou fumaça. Além disso, podem ser ainda receitados remédios para dilatar as estruturas do pulmão e ajudar a entrada de ar, como Salbutamol ou Salmeterol. Mas, no caso de sintomas mais intensos, também pode ser necessário usar corticoides, como Beclometasona ou Budesonida, para aliviar a inflamação das vias respiratórias e reduzir a dificuldade para respirar.

 

O médico pode ainda recomendar sessões de fisioterapia respiratória, que utiliza exercícios que ajudam a expandir o pulmão e aumentam os níveis de oxigênio no organismo. 

Como prevenir o enfisema pulmonar 

Apesar da melhor forma de prevenção do enfisema continuar sendo não fumar, não permanecer em locais onde há fumaça de cigarro também é importante. Outras formas incluem tratar o quanto antes qualquer infecção respiratória, como gripe, resfriado, bronquite e pneumonia. Outras dicas são: 

 

  • Evitar poluentes do ar, ambientadores dentro de casa, cloro e outros produtos com cheiro forte;
  • Evitar emoções fortes como raiva, agressividade, ansiedade e estresse;
  • Evitar permanecer nos extremos de temperatura, tanto num local muito quente, como nos muito frios;
  • Evitar permanecer próximo a fogueiras ou churrasqueiras por causa da fumaça;
  • Evitar permanecer em locais com nevoeiro, porque a qualidade do ar é inferior;
  • Tomar a vacina da gripe todos os anos.

 

Além disso, deve-se ter uma alimentação saudável e equilibrada, preferindo legumes, frutas, cereais integrais e hortaliças, diminuindo cada vez mais o consumo de alimentos industrializados, processados e ricos em sal. Tomar chá de gengibre regularmente é uma boa estratégia de prevenção porque ele é antioxidante e anti-inflamatório, sendo útil para manter as células saudáveis. 

Asma

A asma, também conhecida como asma brônquica ou bronquite asmática, é uma afecção pulmonar caracterizada pela inflamação das vias aéreas, que leva à diminuição ou até mesmo obstrução do fluxo de ar. Sua fisiopatologia está ligada a fatores genéticos e ambientais, manifestando-se por meio de crises de falta de ar.

Podemos dizer que asma é o estreitamento dos brônquios (canais que levam ar aos pulmões) que dificulta a passagem do ar provocando contrações ou broncoespasmos. As crises comprometem a respiração, tornando-a difícil.

 

Quando os bronquíolos inflamam, segregam mais muco o que aumenta o problema respiratório. Na asma, expirar é mais difícil do que inspirar, uma vez que o ar viciado permanece nos pulmões provocando sensação de sufoco.

 

A asma pode acometer pessoas de qualquer idade. A maioria dos casos, contudo, é diagnosticada na infância e é comum manifestar-se em pessoas de uma mesma família.

 

Sintomas de asma

 

Os sintomas mais frequentes são:

  • Falta de ar;
  • Tosse seca;
  • Chiado;
  • Opressão no peito.

 

Gripes e resfriados costumam agravá-los.

 

O que fazer para prevenir?

 

  • Não fume. Numa família de asmáticos ninguém deve fumar. Evite o máximo possível contato com fumaça e com fumantes;
  • Todos os membros de uma família de asmáticos precisam ser orientados a respeito das características da doença e das crises. A informação correta ajuda a reduzir os mitos que cercam a doença e os doentes;
  • Identifique os sintomas iniciais das crises e tome as medidas necessárias para que não se tornem graves;
  • Procure por testes de pele para identificar possíveis alergias a alguma substância específica;
  • Evite os resfriados e gripes;
  • Fumaças, gases, cheiros de tinta, de produtos de limpeza ou de higiene pessoal e perfumes podem ser prejudiciais aos asmáticos. Fuja deles;
  • Evite mudanças abruptas de temperatura;
  • Exercite-se moderadamente todos os dias. Não cometa excessos. A asma não deve limitar a vida ou a atividade física de ninguém. Caminhar, nadar e pedalar são atividades muito saudáveis; 
  • Tome muito líquido. Recomenda-se ingerir de cinco a oito copos por dia. Isso ajuda a diluir a secreção brônquica e facilita a expectoração;
  • Pratique exercícios respiratórios. Ioga pode ser uma boa sugestão; 
  • Não tome medicamentos indutores do sono, que usualmente tornam a respiração mais lenta;
  • Se café, chá ou outro produto qualquer mantêm você desperto, não os tome no fim da tarde ou à noite;
  • Se tosse ou outros sintomas não o deixam dormir, eleve a cabeceira da cama com calços ou utilize travesseiros extras;
  • Use broncodilatadores ou outros medicamentos prescritos por seu médico. Evite a chamada medicação caseira. Inaladores orais podem ser muito eficientes;
  • Combata a azia, que predispõe as pessoas a crises de asma;
  • Evite o pânico nos momentos de crise;
  • Observe corretamente as orientações do seu médico. Mantenha-o informado sobre todo tratamento caseiro que eventualmente você adote;
  • A asma não controlada pode causar sérias complicações. Consulte o médico na ocorrência de qualquer febre durante as crises, tosse persistente, respiração difícil, falta de ar e dor no peito.

 

Fatores de risco e desencadeadores (gatilhos) de crises de asma

 

Os fatores de risco são vários. Entre adultos destacam-se o fumo e a exposição a produtos irritantes. Pais fumantes provocam aumento considerável da susceptibilidade nas crianças.

 

Pólen, mofo, ácaros, fumaça de cigarro, poluentes do ar, gases químicos, inseticidas, poeiras e até determinados alimentos, como o leite e os ovos, podem desencadear as crises.

 

Além disso, resfriados e gripes, o estresse emocional e a prática de exercícios vigorosos podem agravar os sintomas. Instalada a crise, pacientes adultos (e, se crianças, seus pais) podem entrar em pânico, o que agrava o problema.

 

Nos Estados Unidos, essa doença leva ao óbito aproximadamente 5% dos adultos. Tanto os internamentos quanto os óbitos relacionados à asma tem aumentado. No Brasil, dentro do SUS, a asma representa a terceira causa de internamentos, sendo que no ano de 2007 foram registradas 273.205 internações por essa doença no Brasil (2,41% das internações totais).

Câncer de Pulmão

O câncer de pulmão é um dos tumores malignos mais comuns, sendo que sua incidência no mundo todo vem aumentando 2% a cada ano. A mortalidade por esse tipo de neoplasia é muito elevada e o prognóstico está relacionado à fase em que é diagnosticado.

 

O principal fator de risco para o aparecimento desta neoplasia é o tabagismo. Atualmente, este último corresponde a 90% dos casos desse tumor. É mais comumente observado em homens do que em mulheres; no entanto, o número de casos em mulheres está aumentando, enquanto que o número de casos em homens está diminuindo.

 

Dados sobre o câncer de pulmão

 

O câncer de pulmão é um dos tumores malignos mais recorrentes e possui sintomas como tosse, dispneia (falta de ar), dor torácica, perda de peso, cansaço e presença de sangue no escarro. É o primeiro em todo o mundo desde 1985, tanto em incidência quanto em mortalidade. Cerca de 13% de todos os casos novos de câncer são de pulmão.

 

A última estimativa mundial apontou incidência de 1,8 milhão de casos novos, sendo 1,24 milhão em homens e 583 mil em mulheres. A taxa de incidência vem diminuindo desde meados da década de 1980 entre homens e desde meados dos anos 2000 entre as mulheres. Essa diferença deve-se aos padrões de adesão e cessação do tabagismo constatados nos diferentes sexos.

 

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que para cada ano do biênio 2018/2019, sejam diagnosticados 31.270 novos casos de câncer de pulmão, traqueia e brônquio, sendo 18.740 em homens e 12.530 em mulheres. A estimativa é de 18,16 novos casos a cada 100 mil homens, sendo o segundo tumor mais frequente. Nas mulheres, 11,81 para cada 100 mil, ocupando a quarta posição.

 

Câncer de pulmão é um dos tumores malignos mais comuns. A doença pode ser de dois tipos diferentes: o de pequenas células e o de não pequenas células (o tipo mais frequente).

 

O tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de pulmão e é responsável por 90% dos casos. O câncer pulmonar primário é raro em não fumantes. Entretanto, entre os outros fatores que devem ser considerados, estão a exposição a certos agentes químicos (asbesto, arsênico), a metais pesados (níquel, cromo), os fatores genéticos, a presença de doença obstrutiva crônica, como enfisema pulmonar e bronquite, e história familiar de câncer de pulmão.

 

Sintomas

Os sintomas geralmente não ocorrem até que o câncer esteja avançado, mas algumas pessoas com câncer de pulmão em estágio inicial apresentam sintomas. Os mais comuns são:

 

  • Tosse persistente
  • Escarro com sangue
  • Dor no peito
  • Rouquidão
  • Piora da falta de ar
  • Perda de peso e de apetite
  • Pneumonia recorrente ou bronquite
  • Sentir-se cansado ou fraco
  • Nos fumantes, o ritmo habitual da tosse é alterado e aparecem crises em horários incomuns

 

Se você procurar um médico quando perceber algum desses sintomas pela primeira vez e estiver com câncer de pulmão, a doença pode ser diagnosticada em estágio inicial, quando é mais provável que o tratamento seja efetivo.

 

Já os sintomas que geralmente surgem quando o câncer está em estágio avançado e incluem:

  • Tosse ou mudança no padrão da tosse do fumante;
  • Dispneia (falta de ar);
  • Dor torácica;
  • Perda de peso;
  • Cansaço;
  • Presença de sangue no escarro.

  

Como acontece o diagnóstico

Inicialmente,  o médico fará o levantamento da história do paciente e os resultados do exame de raios-X de tórax. Se for constatada a presença de lesão no pulmão, para confirmar o diagnóstico, devem ser solicitados exames complementares, como ressonância magnética, tomografia computadorizada, broncoscopia e biópsia da lesão.

 

A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar um tumor em fase inicial e, assim, possibilitar maior chance de tratamento. Ela pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames periódicos em pessoas sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior chance de ter a doença.

 

Não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de pulmão na população geral traga mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado. Estudos recentes mostraram a possibilidade de que a realização de uma tomografia de baixa dose de radiação em grandes fumantes (um maço por dia por 30 anos), com mais de 55 anos de idade, possa reduzir a mortalidade por esse câncer. Entretanto, há riscos ligados à investigação que se segue nos casos positivos. Por isso, a decisão de fazer ou não esse exame deve ser discutida entre o paciente e o médico.

 

Já o diagnóstico precoce do câncer de pulmão é possível em apenas parte dos casos, pois a maioria dos pacientes só apresenta sinais e sintomas em fases mais avançadas da doença. Na maior parte das vezes esses sintomas não são causados por câncer, mas é importante que eles sejam investigados por um médico, principalmente se não melhorarem em poucos dias.

 

O Oncoguia ainda destaca um problema sério: Grande parte dos profissionais de saúde não estão preparados para diagnosticar o câncer de pulmão. “O problema é que nós não temos um profissional treinado na ponta do sistema. Menos de 20% das nossas faculdades de Medicina possuem a cancerologia na grade de ensino. 

 

O paciente vai no Pronto Socorro, faz uma radiografia de tórax e mostra que ele tem um nódulo do pulmão. Depois ele faz uma tomografia e vai peregrinando até chegar numa instituição que esteja preparada para receber esse paciente. Em um mês ou dois meses, foi tirada 50% da sobrevida do paciente porque o tumor vai crescendo.

Como funciona o tratamento?

 

O tratamento inclui cirurgia, quimioterapia e/ou radioterapia. Geralmente, demanda a combinação de cirurgia com quimioterapia ou radioterapia. Em alguns casos, pode ser utilizada a fototerapia dinâmica a laser, que consiste em injetar medicações que posteriormente serão ativadas com laser.

 

Câncer de células não-pequenas

 

A cirurgia, quando possível, é o tratamento de escolha por permitir melhores resultados, porém em cerca de 90 % dos casos não é possível cirurgia na ocasião do diagnóstico ou pela grande extensão da doença. Há também a possibilidade que o tumor esteja próximo a estrutura nobres (como o coração) ou porque o paciente não suportaria uma perda de parte do pulmão.

 

Câncer de Pequenas Células

O tratamento quimioterápico é o tratamento de escolha para esse tipo de tumor podendo ser seguida da radioterapia ou não. Normalmente não se indica tratamento cirúrgico para o carcinoma e pequenas células.  

 

Qualquer tratamento do câncer de pulmão requer a participação de um grupo multidisciplinar, formado por oncologista, cirurgião torácico, pneumologista, radioterapeuta, radiologista intervencionista, médico nuclear, enfermeiro, fisioterapeuta, nutricionista e assistente social.

 

Para o adequado planejamento do tratamento, é necessário fazer o diagnóstico histológico e o estadiamento para definir se a doença está localizada no pulmão ou se existem focos em outros órgãos. 

 

Para os pacientes com doença localizada, e, particularmente, sem linfonodo (gânglio) aumentado (íngua) no mediastino (região entre os dois pulmões), o tratamento é cirúrgico, seguido ou não de quimioterapia e/ou radioterapia.

 

Para aqueles com doença localizada no pulmão e nos linfonodos, o tratamento é feito com radioterapia e quimioterapia ao mesmo tempo. 

 

Em pacientes que apresentam metástases à distância, o tratamento é com quimioterapia ou, em casos selecionados, com medicação baseada em terapia-alvo. Portanto, o tratamento do câncer de pulmão depende do tipo histológico e do estágio da doença, podendo ser tratado com cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, e/ou modalidades combinadas.

 

Recomendações para prevenção

Realmente, o primeiro passo para evitar o câncer de pulmão ainda é parar de fumar. Além disso, é importante que fumantes ativos ou passivos façam regularmente exames médicos para detectar qualquer anomalia. 

 

“O foco no diagnóstico precoce é orientar que a pessoa pare de fumar e orientar os jovens para que não comecem a fumar, porque quando o câncer de pulmão apresenta os primeiros sintomas ele já invadiu alguma estrutura mais nobre do tórax. O câncer de pulmão mata mais do que a AIDS, câncer de colo, câncer de próstata e câncer de mama juntos”, alerta um médico oncologista.

Por isso, tome as seguintes medidas:

 

  • Abandone o cigarro; o tabagismo é responsável pela imensa maioria dos casos de câncer de pulmão;
  • Se você fuma ou fumou por mais de 10 anos, deve fazer raios-X de pulmão ou uma tomografia a cada um ou 2 anos;
  • Evite a exposição a agentes químicos, ou metais pesados, como asbesto, arsênico, entre outros.

 

E você já passou por alguma experiência com problemas respiratórios? Comente conosco sua experiência abaixo, sua opinião é importante para nós!