Fevereiro laranja – Mês de combate à leucemia

03/02/2020 0 Por Alana Dizioli

O artigo de hoje será para falarmos da campanha do Fevereiro laranja, dedicada ao combate à leucemia, doença maligna originada na medula óssea – local em que as células de sangue são formadas. 

 

O que é leucemia?

 

Esse tipo de câncer acomete os leucócitos, também conhecidos como glóbulos brancos, os quais começam a se reproduzir de maneira descontrolada, dando início aos primeiros sinais da leucemia. 

 

Qual a causa?

Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), a medula óssea é o local de fabricação das células sanguíneas e ocupa a cavidade dos ossos, sendo popularmente conhecida por tutano. Nela são encontradas as células que dão origem aos glóbulos brancos (leucócitos), aos glóbulos vermelhos (hemácias ou eritrócitos) e às plaquetas.

 

Na leucemia, uma célula sanguínea que ainda não atingiu a maturidade sofre uma mutação genética que a transforma em uma célula cancerosa. Essa célula anormal não funciona de forma adequada, multiplica-se mais rápido e morre menos do que as células normais. Dessa forma, as células sanguíneas saudáveis da medula óssea vão sendo substituídas por células anormais cancerosas.

 

Existem mais de 12 tipos de leucemia, sendo que os quatro primários são leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia mieloide crônica (LMC), leucemia linfocítica aguda (LLA) e leucemia linfocítica crônica (CLL).

 

Tipos de Leucemia

As leucemias podem ser agrupadas com base na velocidade em que a doença evolui e torna-se grave. Por conta disso, a doença pode ser do tipo crônica (que geralmente agrava-se lentamente) ou aguda (que costuma  piorar de maneira rápida):

 

  • Crônica: no início, as células leucêmicas ainda conseguem fazer algum trabalho dos glóbulos brancos normais. Os médicos geralmente descobrem a doença durante exame de sangue de rotina. Lentamente, a leucemia crônica se agrava. À medida que o número de células leucêmicas aumenta, aparecem inchaço nos linfonodos (ínguas) ou infecções. Quando surgem, os sintomas são brandos, agravando-se gradualmente.
  • Aguda: as células leucêmicas não podem fazer nenhum trabalho das células sanguíneas normais. O número de células leucêmicas cresce de maneira rápida e a doença agrava-se num curto intervalo de tempo.

 

As leucemias também podem ser agrupadas baseando-se nos tipos de glóbulos brancos que elas afetam: linfoides ou mieloides. As que afetam as células linfoides são chamadas de linfoide, linfocítica ou linfoblástica. A leucemia que afeta as células mieloides são chamadas mieloide ou mieloblástica.

 

Combinando as duas classificações, existem quatro tipos mais comuns de leucemia:

 

  • Leucemia linfoide crônica: afeta células linfoides e se desenvolve de forma lenta. A maioria das pessoas diagnosticadas com esse tipo da doença tem mais de 55 anos. Raramente afeta crianças. 
  • Leucemia mieloide crônica: afeta células mieloides e se desenvolve vagarosamente, a princípio. Acomete principalmente adultos. 
  • Leucemia linfoide aguda: afeta células linfoides e agrava-se de maneira rápida. É o tipo mais comum em crianças pequenas, mas também ocorre em adultos. 
  • Leucemia mieloide aguda: afeta as células mieloides e avança rapidamente. Ocorre tanto em adultos como em crianças, mas a incidência aumenta com o aumento da idade.

Fatores de risco para leucemia

Ainda de acordo com o INCA, muitos estudos examinaram o papel dos fatores de risco em leucemia mieloide aguda e leucemia linfocítica aguda. A radiação ionizante e o benzeno são os fatores ambientais que até agora foram comprovadamente associados à leucemia aguda. Porém, há também outros fatores ambientais menos ligados à leucemia aguda.

 

As causas da leucemia ainda não estão bem definidas, mas, suspeita-se da associação entre determinados fatores com o risco aumentado de desenvolver alguns tipos específicos da doença:

 

  • Tabagismo: leucemia mieloide aguda.
  • Benzeno (encontrado na gasolina e largamente usado na indústria química): leucemia mieloide aguda e crônica, leucemia linfoide aguda.
  • Radiação ionizante (raios X e gama) proveniente de procedimentos médicos (radioterapia). O grau de risco depende da idade, da dose de radiação e da exposição: leucemia mieloide aguda e crônica e leucemia linfoide aguda;
  • Quimioterapia (algumas classes de medicamentos usados no tratamento do câncer e doenças auto-imunes): leucemia mieloide aguda e leucemia linfoide aguda;
  • Formaldeído: exposição ocupacional em indústrias (química, têxtil, entre outras), área biomédica/saúde (hospitais e laboratórios: antisséptico, desinfetante, fixador histológico e solvente), além do uso não autorizado pela Anvisa desta substância em alguns salões de beleza (procedimento de alisamento capilar);
  • Produção de borracha: leucemias;
  • Síndrome de Down e outras doenças hereditárias: leucemia mieloide aguda;
  • Síndrome mielodisplásica e outras desordens sanguíneas: leucemia mieloide aguda;
  • História familiar: Leucemia mieloide aguda e leucemia linfoide crônica.
  • Idade: quanto maior a idade maior o risco de desenvolver leucemia. Exceto a leucemia linfoide aguda, que é mais comum em crianças. Todas as outras formas são mais comuns em idosos.
  • Exposição a agrotóxicos, solventes, diesel, poeiras, infecção por vírus de hepatite B e C: leucemias.

 

Principais sinais e sintomas

Os principais sintomas decorrem do acúmulo de células defeituosas na medula óssea, prejudicando ou impedindo a produção das células sanguíneas normais. A diminuição dos glóbulos vermelhos ocasiona anemia, cujos sintomas incluem: fadiga, falta de ar, palpitação, dor de cabeça, entre outros. A redução dos glóbulos brancos provoca baixa da imunidade, deixando o organismo mais sujeito a infecções muitas vezes graves ou recorrentes. 

 

Já a diminuição das plaquetas irá ocasionar sangramentos, sendo os mais comuns das gengivas e pelo nariz e manchas roxas (equimoses) e/ou pontos roxos (petéquias) na pele.

 

O paciente pode apresentar também gânglios linfáticos inchados, mas sem dor, principalmente na região do pescoço e das axilas; febre ou suores noturnos; perda de peso sem motivo aparente; desconforto abdominal (provocado pelo inchaço do baço ou fígado); dores nos ossos e nas articulações. 

 

É importante destacar também que, caso a doença afete o Sistema Nervoso Central (SNC), podem surgir dores de cabeça, náuseas, vômitos, visão dupla e desorientação.

 

Depois de estabelecida, a doença progride rapidamente, exigindo que o tratamento seja iniciado logo após o diagnóstico e a classificação da leucemia.

 

Como é feito o diagnóstico?

É bem importante ressaltar que, diante da suspeita de um quadro de leucemia, o paciente deverá realizar exames de sangue e deverá ser referenciado para um hematologista, para avaliação médica específica.

O principal exame de sangue para confirmação da suspeita de leucemia é o hemograma. Em caso positivo, o hemograma estará alterado, mostrando na maioria das vezes um aumento do número de leucócitos (na minoria das vezes o número estará diminuído), associado ou não à diminuição das hemácias e plaquetas.  Outras análises laboratoriais devem ser realizadas, como exames de bioquímica e da coagulação, e poderão estar alteradas.

 

A confirmação diagnóstica é feita com o exame da medula óssea (mielograma). Nesse exame, retira-se uma pequena quantidade de sangue, proveniente do material esponjoso de dentro do osso, para análise citológica (avaliação da forma das células), citogenética (avaliação dos cromossomos das células), molecular (avaliação de mutações genéticas) e imunofenotípica (avaliação do fenótipo das células).

 

Algumas vezes pode ser necessária a realização da biópsia da medula óssea. Nesse caso, um pequeno pedaço do osso da bacia é enviado para análise por um patologista.

 

Por que é importante detectar logo a doença?

Sabemos que a detecção precoce de qualquer tipo de câncer é uma estratégia para encontrar um tumor em fase inicial e, assim, possibilitar maior chance de tratamento.

 

O diagnóstico pode ser feito por meio da investigação com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames periódicos em pessoas sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior chance de ter a doença.

 

Não há evidência científica de que o rastreamento das leucemias traga mais benefícios do que riscos e, portanto, até o momento, ele não é recomendado.

 

Já a detecção precoce desse tipo de câncer possibilita melhores resultados em seu tratamento e deve ser buscado com a investigação de sinais e sintomas como:

 

  • Palidez, cansaço e febre.
  • Aumento de gânglios.
  • Infecções persistentes ou recorrentes.
  • Hematomas, petéquias e sangramentos inexplicados.
  • Aumento do baço e do fígado.

 

Na maior parte das vezes esses sintomas não são causados por câncer, mas é importante que sejam investigados por um médico.

 

Se detectada e medicada logo, a leucemia tem chances altas de cura, principalmente quando acomete os mais novos. Em adolescentes e adultos jovens, esse índice chega a 80%. Em idosos, fica em torno de 20%.

 

Estatísticas sobre a leucemia no Brasil

 

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimava que para cada ano do biênio 2018/2019, seriam diagnosticados 5.940 casos novos de leucemia em homens e 4.860 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 5,75 casos novos a cada 100 mil homens e 4,56 casos novos para cada 100 mil mulheres.

 

O risco de desenvolver leucemia linfoide aguda é maior em crianças de até 5 anos. Após essa idade, o risco declina lentamente até a faixa dos 20 anos, começando a aumentar lentamente após os 50 anos. Cerca de 40% dos casos de leucemia linfoide aguda acontecem em adultos.

 

O risco de uma pessoa desenvolver leucemia linfoide aguda é inferior a 0,1%. Esse risco é ligeiramente maior em homens do que em mulheres e maior em pessoas caucasianas do que negras.

 

A maioria dos casos de leucemia linfoide aguda ocorre em crianças, mas, a maioria das mortes pela doença ocorre em adultos. Isso acontece devido às diferenças da própria doença nas distintas faixas etárias, assim como do tipo de tratamento, visto que o organismo das crianças, muitas vezes, pode lidar melhor do que o dos adultos com um tratamento mais agressivo, ou mesmo devido a alguma combinação terapêutica diferente.

 

Como funciona o tratamento?

O tratamento visa destruir as células leucêmicas para que a medula óssea volte a produzir células normais.

 

Nas leucemias agudas, o processo de tratamento envolve quimioterapia (combinações de quimioterápicos), controle das complicações infecciosas e hemorrágicas e prevenção ou combate da doença no Sistema Nervoso Central (cérebro e medula espinhal). Para alguns casos, é indicado o transplante de medula óssea.

 

O tratamento é feito em etapas. A primeira tem a finalidade de obter a remissão completa, ou seja, um estado de aparente normalidade após a poliquimioterapia. Esse resultado é alcançado em torno de um mês após o início do tratamento (fase de indução de remissão), quando os exames (de sangue e da medula óssea) não mais evidenciam células anormais.

 

Mas vale ressaltar que, pesquisas comprovam que ainda restam no organismo muitas células leucêmicas (doença residual), o que obriga a continuação do tratamento para não haver recaída. Nas etapas seguintes, o tratamento varia de acordo com o tipo de célula afetada pela leucemia. Nas linfoides, pode durar mais de dois anos, e nas mieloides, menos de um ano, exceto nos casos de leucemia promielocítica aguda, que também dura mais de 2 anos.

 

Na leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), o tratamento é composto de três fases: Indução de remissão, consolidação (tratamento intensivo com quimioterápicos não empregadas anteriormente); e manutenção (o tratamento é mais brando e contínuo por vários meses). Durante todo o tratamento, pode ser necessária a internação do paciente por infecção decorrente da queda dos glóbulos brancos normais e por outras complicações do próprio tratamento.

 

Na Leucemia Mieloide Aguda (LMA), a etapa de manutenção só é necessária para os casos de Leucemia promielocítica aguda – subtipo especial de LMA, muito relacionado com hemorragias graves no diagnóstico. Nesses casos, existe uma mutação genética específica que pode ser detectada nos exames da medula óssea e o tratamento com uma combinação de quimioterapia com um comprimido oral (tretinoina) possibilita taxas de cura bastante elevadas.

 

O tratamento da Leucemia Mieloide Crônica (LMC) não é feito com quimioterapia. Essa leucemia decorre do surgimento de um gene específico (gene BCR-ABL) capaz de aumentar a multiplicação celular através de uma proteína  tirosina quinase. O tratamento é feito com um medicamento oral da classe dos inibidores de tirosina quinase, que inibe especificamente essa proteína anormal, que é a causa da LMC.  

 

É um tratamento considerado “alvo específico”, porque o medicamento inibe a multiplicação das células cancerosas, mas não das células normais do organismo. Alguns casos de resistência ou falha ao tratamento inicial podem necessitar de quimioterapia e transplante de medula óssea.

 

Na leucemia Linfocítica Crônica (LLC) agentes quimioterápicos, imunológicos (anticorpos monoclonais) e agentes orais podem ser utilizados no tratamento. A escolha dependerá de aspectos clínicos do paciente (como idade, presença de outras doenças, capacidade de tolerar quimioterapia) e da doença.

 

Transplante de medula óssea – O que é e para que é indicado?

O que é transplante de medula óssea?

O transplante de medula óssea é um tipo de tratamento proposto para algumas doenças que afetam as células do sangue, como as leucemias e os linfomas. Ele consiste na substituição de uma medula óssea doente ou deficitária por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma medula saudável. 

 

O transplante pode ser autogênico, quando a medula vem do próprio paciente, ou alogênico, quando a medula vem de um doador. É possível também, ele ser feito a partir de células precursoras de medula óssea, obtidas do sangue circulante de um doador ou do sangue de cordão umbilical e da placenta.

 

Etapas passo a passo para o transplante de medula

 

Existem cinco etapas importantes para a realização do Transplante.

 

1- Fase Pré -TMO

A fase antes do transplante consiste em reuniões com médicos (oncologistas, hematologistas e pediatras), enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas, para discussão do caso.

 

Em um segundo momentos são realizadas reuniões com os pacientes e familiares para esclarecer os procedimentos que serão realizados, além da apresentação da equipe multidisciplinar. A família irá receber orientações sobre como lidar nos períodos de internação do paciente e sobre a importância da colaboração e auxílio nas atividades diárias.

 

Após o esclarecimento, o paciente ou o responsável legal assina o termo de Consentimento Informado, e então, acontece o agendamento do transplante. Para iniciar o tratamento, o paciente necessitará de um cateter venoso para viabilizar o recebimento de quimioterapia, transfusões, antibióticos, medicamentos e principalmente o transplante da medula.

 

Na fase pré-transplante acontece o chamado condicionamento, que é quando o paciente prepara o seu corpo para receber as células sadias da medula óssea por meio do transplante. O condicionamento é realizado com altas doses de quimioterapia e em alguns casos radioterapia, com a finalidade de destruir todas as células imunes para o recebimento de uma nova medula óssea.

 

Durante o período de quimioterapia e/ou radioterapia, o paciente poderá apresentar alguns efeitos colaterais ou não apresentar nenhum. Podemos citar os efeitos mais comuns e algumas dicas para diminuir o mal estar causado pelos sintomas:

 

Náuseas, vômitos e perda de apetite

Quando ocorrer, é importante que o paciente siga as seguintes recomendações:

 

  • Se alimentar de três em três horas, priorizando alimentos pouco temperados;
  • Comunicar sempre a equipe médica para que possa ser medicado;
  • Manter uma boa alimentação, pois seu organismo necessitará de forças para se recuperar;
  • A falta de apetite ou a não sensibilidade para sentir o sabor dos alimentos é um efeito temporário.

Mucosite

São feridas que podem ocorrer em todo trato gastrointestinal, da boca até o ânus. As recomendações que citaremos são para ajudar a evitar a ocorrência de mucosite na boca e garganta, que são os locais mais freqüentes:

 

  • Escovar os dentes de forma delicada ao se levantar, após a ingestão de qualquer alimento e antes de dormir;
  • Realizar os bochechos e gargarejos nos horários e com as soluções fornecidas pelo hospital;
  • Manter a boca hidratada. Para isso é necessário a ingestão de no mínimo dois litros de água por dia.

 

Diarreia

Pode ser considerado, quando ocorrem episódios de fezes líquidas ou aumento de freqüência das evacuações durante o dia. O paciente pode:

 

  • Primeiramente comunicar a enfermagem da ocorrência da diarreia e quaisquer outras alterações, como sangue ou muco nas fezes;
  • Utilizar comadre / papagaio em caso de fezes líquidas, para que possam ser avaliadas pela enfermagem;
  • Após evacuar, não usar papel higiênico. Realize sua higiene no chuveiro ou utilize compressa macia umedecida (não reutilize-a). Isso tem a finalidade de impedir que fiquem resíduos de fezes na região do ânus, o que poderia resultar em infecção, evitando também assaduras e feridas na pele e mucosa, que já fica sensível por causa da ação da quimioterapia ou radioterapia.

 

Constipação Intestinal (Mau funcionamento do intestino)

É importante que o paciente comunique diariamente o número de vezes que evacua e a consistência das fezes para acontecer o acompanhamento do seu hábito intestinal. Só assim poderão ser tomadas as medidas preventivas para obstipação.

 

É de suma importância que evite a ocorrência de constipação, pois as fezes endurecidas podem provocar feridas no ânus, levando a sangramento e infecção, além de tornarem a evacuação bastante dolorosa.

 

Evite ficar deitado por muito tempo, procure beber bastante líquido e andar pelo quarto, isso ajuda no funcionamento do intestino.

 

Alopecia (Perda dos Cabelos)

A perda de cabelos pode ocorrer no corpo inteiro ou ficar restrita a uma área. É um problema estético que não pode ser evitado, porém não deve ser supervalorizado, pois é temporário e não representa risco para o paciente

 

O cabelo do paciente certamente cairá durante o transplante, pois trata-se de um efeito colateral do tratamento. Pode causar desconforto, além do risco de propiciar infecções devido aos fios que entram em contato com o cateter. Torna-se imprescindível que o paciente raspe o cabelo e corte as unhas, antes do início do tratamento.

2 – O Dia Do Transplante: Infusão da Medula Óssea (D Zero)

Após o paciente condicionar sua medula, ele receberá uma nova medula sadia, como se fosse uma transfusão de sangue por meio do cateter. O dia da transfusão é feito no Dia “zero”, um novo dia de aniversário para o paciente. As células-mãe transfundidas são levadas pela corrente sanguínea e se encaminham até a medula óssea, local em que irão se instalar e começar o processo de recuperação.

 

A medula óssea após a coleta é acondicionada e transportada em bolsa como as bolsas de sangue. Nela, além da medula, há um líquido conservante que poderá causar alguns sintomas, como: náuseas, vômitos, sensação de calor, desconforto na garganta, tosse seca, formigamento, entre outros. 

 

Ainda pode acontecer alteração da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, para tanto, é necessário que o paciente seja monitorado.

O transplante é um procedimento rápido que dura em média 2h, “semelhante à uma transfusão de sangue”. Se as células transplantadas forem de cordão umbilical, o procedimento é realizado em 20 minutos. O paciente pode escolher algum familiar para estar presente no momento do transplante.

 

Após o TMO, o paciente fica muito frágil, portanto ele deve ser mantido internado no hospital para receber os cuidados e monitoramento necessários.

Alguns cuidados especiais são realizados neste período:

  • Controle dos sinais vitais, como temperatura, pulsos, respiração e pressão arterial.
  • Controle de líquidos recebidos e eliminados. O paciente deverá anotar todo líquido que beber e reservar a urina em um recipiente. Este procedimento é importante para a equipe médica avaliar a função renal.
  • Controle de peso para avaliar diariamente as condições nutricionais evitando a desidratação e desnutrição do paciente.

 

O paciente precisa colaborar, pois condutas médicas serão tomadas com base nessas informações. 

 

3 – Período Pós-Transplante

Esta fase é conhecida como aplasia medular, caracterizada pela queda do número de todas as células do sangue (hemácias, leucócitos e plaquetas). A quimioterapia provoca a queda da produção de todas as células do sangue, das doentes e das sadias. O baixo número de leucócitos, principalmente os neutrófilos (um tipo de leucócitos), deixa sujeito às infecções bacterianas, fúngicas, virais e protozoários. Neste período, o paciente fica incapaz de se defender das infecções, recebendo, assim, inúmeros antibióticos.

 

É comum que o paciente apresente febre, tremores e calafrios. Nos picos de febre, são colhidas amostras de sangue para identificação do agente causador da infecção. Esse procedimento auxilia no combate da infecção com a medicação específica.

 

Durante o período em que as células transplantadas ainda não são capazes de produzir as células sanguíneas em quantidade suficiente, o paciente recebe suporte por meio de transfusões das hemácias e plaquetas, além de receber medicamentos que estimulam a produção dos leucócitos, importantes para defesa contra infecções. Esta fase é delicada, pois o paciente se encontra sujeito a infecções e sangramentos, por isso os cuidados a seguir são de extrema importância:

 

  • Reforço dos cuidados com a higiene;
  • Usar máscara quando for necessário se ausentar da unidade de transplante (TMO);
  • Limitar o número e frequência de visitas;
  • Evitar contato direto com outras pessoas (beijos, abraços, proximidade ao falar, etc);
  • Usar roupas e toalhas limpas;
  • Lavar sempre as mãos, principalmente após ir ao banheiro e antes das refeições;
  • Manter-se ativo, evitando ficar deitado por muito tempo, assim estará prevenindo a infecção pulmonar;
  • Não se coçar e não espremer espinhas.

 

Para evitar sangramentos, é preciso que tome alguns cuidados:

 

  • Evite movimentos bruscos, para assim evitar a ocorrência de quedas e ferimentos;
  • Não utilize de lâminas para se barbear ou depilar;
  • Não retire cutículas e não corte as unhas rentes;
  • Mantenha-se ocupados com atividades seguras (leitura, crochê, jogos);
  • Escove delicadamente os dentes e não utilize fio dental;
  • Não retire peles soltas ou crostas de feridas;
  • Comunique caso ocorra a menstruação, outros sangramentos ou hematomas;
  • Secreções, dores, feridas, cansaço, tonturas, tremores e calafrios, devem ser comunicados à enfermeira.

 

4 –  “Pega Medular” ou recuperação da medula óssea e prevenção da rejeição

‘Pega Medular’ é o momento após a transfusão das células da medula, quando a medula já consegue produzir as células do sangue em quantidades suficientes. A ‘pega’ da medula acontece quando a taxa de plaquetas alcança 20.000/mm³, sem necessidade de transfusão por dois dias seguidos e quando os leucócitos ficam acima de 500/mm³, por dois dias também.

 

É importante saber que o tempo de recuperação é variável, cada caso é um caso. Dependendo do tipo de transplante e da fonte de célula, o prazo para recuperação pode ser modificado. Existem também medulas mais ‘preguiçosas’ e outras mais precoces. O paciente deve ter paciência, fazer a sua parte e acompanhar, perguntando ao médico como sua medula está trabalhando.

 

Após a recuperação da medula (‘pega’), pode ser que sejam necessárias transfusões e uso de medicamentos na veia, assim o paciente recebe a medicação no hospital durante o dia e pode voltar para casa.

 

5 –  Cuidados Após Alta

A alta hospitalar é muito desejada, mas também pode gerar muito medo e inseguranças. O paciente será preparado para se cuidar em casa.

Após a alta, é importante que se tome certos cuidados em casa. Listamos os mais importantes:

 

  • Tomar os medicamentos rigorosamente como foram prescritos pelo médico. Quando sair de casa, o paciente deve levar os medicamentos junto para que possa tomá-los nos horários corretos; 
  • Se encontrar dificuldades em tomar os medicamentos, não pare de tomar, mas é importante que o paciente comunique a equipe médica.
  • É de extrema importância que a casa esteja limpa antes da chegada do paciente;
  • Nos três primeiros meses, o paciente, de preferência, precisa ter um banheiro individual limpo;
  • Usar protetor solar FPS 30 ou 50 em todas as partes que serão expostas ao sol, quando sair de casa, mesmo se for permanecer na sombra;
  • Ao caminhar, evitar horários de sol forte;
  • Reduzir ao máximo o número e a frequência de visitas em casa, pelo menos nos dois primeiros meses após o TMO;
  • Evitar locais com fluxo grande de pessoas, como por exemplo, shoppings, shows, casas noturnas, restaurantes cheios, entre outros. Pelo menos nos primeiros dias após o transplante;

 

É muito importante que o paciente siga as orientações de seu médico!

  • Evitar o contato com crianças pequenas, pois elas podem transmitir algumas doenças, como catapora, sarampo, caxumba;
  • Não entrar em contato com pessoas que receberam em menos de um mês vacinas contra sarampo, rubéola e Sabin (poliomielite). Pois estas vacinas utilizam o vírus atenuado, o que poderá provocar doença;
  •  Não manter contato com animais;
  • Evitar ficar deitado, acamado. Procurar atividades que lhe dêem prazer e que sejam seguras, como leitura, jogos, tricô, atividades no computador, entre outros.
  • Não entrar em contato com pessoas gripadas ou com febre ou tosse;
  • Como já dito, não retirar cutículas nem fazer depilação ou se barbear enquanto o número de plaquetas estiver menor que 50.000 (Esta informação será dada pelo seu médico);
  • Não usar absorvente interno;
  • Retomar atividade sexual apenas quando a contagem de leucócitos e plaquetas estiver normalizada (Esta informação também será dada pelo seu médico);

 

É importante avisar seu médico, caso:

  • A temperatura corporal estiver maior que 37,8 C;
  • Tremores e calafrios, mesmo sem febre;
  • Tosse, catarro e falta de ar;
  • Diarreia;
  • Enjoos e vômitos freqüentes;
  • Presença de sangramento (nasal, nas fezes, urina ou boca);
  • Presença de pontos vermelhos pelo corpo;
  • Presença de secreção, vermelhidão, coceira ou dor no local do cateter;
  • Ocorrência de acidentes domésticos;
  • Ocorrência de tonturas, fadiga, palpitações, dores persistentes ou ardor para urinar ou evacuar;
  • Aparecimento de alterações na pele (vermelhidão, descamação, coceira, bolhas e feridas).
  • O paciente deve se lembrar que seu sistema de defesa é totalmente novo, ainda não está preparado para exercer uma defesa eficiente. Considere-se frágil como um bebê. No decorrer do primeiro ano sua defesa estará se recuperando e só depois, é que você vai receber as vacinas para aprimorar suas defesas.

 

É muito importante que você faça a sua parte! O sucesso do seu tratamento também depende de você!

 

Existem complicações?

As complicações após o transplante são frequentes e esperadas. O acompanhamento cuidadoso permite que muitas destas alterações sejam detectadas precocemente e tratadas de forma adequada. A reintegração do transplantado à sociedade deve ser considerada tão importante quanto o acompanhamento da doença. O apoio dos familiares e dos grupos multidisciplinares se torna fundamental para a recuperação do indivíduo e para a melhoria da qualidade de vida dele.

 

De onde surgiu a campanha do Fevereiro Laranja?

Originária de um projeto do deputado Thiago Auricchio (PL) de São Paulo, a campanha tem o objetivo de conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento da leucemia. “É muito importante conscientizar a população do Estado sobre o valor da realização dos exames. A leucemia é um câncer que atinge a medula óssea e quando se tem um diagnóstico antecipado, com certeza, as chances do sucesso do tratamento são muito maiores”, explicou o deputado.

 

Como já vimos, a leucemia é uma doença que tem aumentado muito e nós vemos, infelizmente, o alto índice da mesma em crianças. Um mês dedicado à prevenção e ao combate da leucemia, é de suma importância.

Faça parte dessa campanha você também e seja um doador de medula! Comente abaixo sua opinião sobre o assunto que a gente quer saber e interagir com você!