Gripe Espanhola – Saiba tudo sobre esta pandemia

11/11/2020 0 Por Redação CliqueFarma

O artigo que o Cliquefarma traz hoje para você também é sobre pandemia, mas não o coronavírus, que já estamos tão acostumados a abordar este ano, mas a Gripe Espanhola. Acompanhe até o final para saber tudo do assunto e entenda mais a respeito do assunto agora mesmo!

Gripe Espanhola – O início

A gripe espanhola foi uma pandemia que ocorreu em 1918. Calcula-se que tenham morrido cerca de 50 a 75 milhões de pessoas ou o equivalente a 5% da população do planeta. No Brasil, o número de vítimas fatais foi de 35.000 pessoas.

 

Atingindo todos os continentes e deixando um saldo de, no mínimo, 50 milhões de mortos. Não se sabe o local de origem dela, mas sabe-se que ela se iniciou de uma mutação do vírus Influenza. Os primeiros casos foram registrados nos Estados Unidos.

 

A gripe espanhola espalhou-se pelo mundo, principalmente, por conta da movimentação de tropas no período da Primeira Guerra Mundial, tendo um impacto direto nos países que participavam desse conflito. 

Onde surgiu?

Os primeiros casos de gripe espanhola foram registrados entre militares nos Estados Unidos.

 

Uma série de estudos foram conduzidos ao longo dos séculos XX e XXI sobre a gripe espanhola, e a origem da doença permanece um mistério. Existem duas teorias que sugerem que ela pode ter surgido na China ou nos Estados Unidos, mas não há provas que possam confirmar em qual dos dois lugares ela tenha de fato aparecido pela primeira vez.

 

O que se sabe é que, provavelmente, a gripe espanhola foi uma mutação do vírus Influenza que passou de aves para os seres humanos. Além disso, sabemos que os primeiros casos que se tem conhecimento aconteceram nos Estados Unidos e foram registrados no Fort Riley, uma instalação militar localizada no estado do Kansas.

 

O primeiro paciente foi o soldado Albert Gitchell, o qual foi internado, com sintomas de gripe, na enfermaria de Fort Riley, em 11 de março de 1918. Nas semanas seguintes, mais de 1.100 outros soldados desse local foram internados com os mesmos sintomas. Acredita-se que por meio das tropas norte-americanas que participavam da Primeira Guerra Mundial é que a doença espalhou-se pelo mundo.

Por que é chamada de gripe espanhola?

Se a gripe espanhola surgiu ou nos Estados Unidos ou na China, por que a chamamos de gripe espanhola? O termo “espanhola” não faz referência à suposta origem da doença, mas sim ao fato de que a imprensa espanhola ficou conhecida por divulgar as notícias dela pelo mundo. A explicação para isso tem relação direta com a Primeira Guerra Mundial.

 

A gripe espanhola afetou todos os continentes do mundo e teve um impacto muito grande nos países que lutavam na Primeira Guerra Mundial. Por conta desse conflito, era necessário que as informações da doença fossem escondidas de forma a não prejudicar o moral dos soldados, não criar pânico na população e nem passar imagem de fraqueza para o adversário.

 

Assim, as notícias dessa gripe letal eram censuradas em grande parte dos países europeus. A Espanha, no entanto, não participava da guerra, e sua imprensa tinha liberdade para falar da doença. Isso fez com que a cobertura espanhola ficasse conhecida no mundo, e a pandemia passou a ser nomeada como “gripe espanhola”.

Difusão da doença

A gripe espanhola alastrou-se pelo mundo em três ondas:

 

  • Primeira onda: iniciada em março de 1918;
  • Segunda onda: iniciada em agosto de 1918;
  • Terceira onda: iniciada em janeiro de 1919.

 

Entre essas três ondas, a segunda ficou conhecida por ser a mais contagiosa e por possuir os maiores índices de mortalidade. A tese aceita é a de que a doença inicialmente se espalhou pelo mundo por meio das tropas norte-americanas enviadas para a Europa para participarem da Primeira Guerra Mundial.

 

Uma vez estabelecida no continente europeu, a doença foi levada para o restante do mundo pelo deslocamento de pessoas por meio de viagens ou do sistema de transporte internacional de mercadorias. Aqui no Brasil, por exemplo, ela chegou, em setembro de 1918, por uma embarcação que veio da Inglaterra e passou por Lisboa, Recife, Salvador e Rio de Janeiro.

 

Todos os continentes habitados foram afetados pela gripe espanhola, e o historiador J. N. Hays alega que pouquíssimos locais, como áreas do norte da Islândia e algumas ilhas da Samoa Americana, não foram afetadas. Isso significa que somente locais remotos conseguiram escapar da gripe espanhola.

Como era feito o tratamento?

O uso de máscaras foi comum em alguns locais dos Estados Unidos como forma de diminuir o contágio da gripe espanhola.

 

À medida que a gripe espanhola ganhou espaço, o efeito era o mesmo em diferentes locais: o sistema de saúde entrou em colapso devido à grande quantidade de pessoas doentes. A princípio muitos cientistas acreditavam que o causador da doença tinha sido uma bactéria conhecida na época como bacilo de Pfeiffer, mas atualmente sabemos que essa teoria não estava correta.

 

Os médicos da época não sabiam como tratar adequadamente a doença, primeiro, por ela ser nova, e segundo, porque a medicina até então não tinha conhecimento suficiente para tal ação. Uma série de medicamentos começaram a ser administrados nos pacientes como tentativa de combatê-la, mas mostraram-se ineficazes.

 

Os tratamentos dedicaram-se, dessa forma, a aliviar o sofrimento dos pacientes, e, assim, o papel das enfermeiras foi essencial, pois elas mantinham os cuidados diários com aqueles que adoeciam. No entanto, como mencionado, o colapso dos sistemas de saúde ocorreu em diferentes locais onde a doença chegou, e nem todos tiveram acesso ao tratamento devido.

 

Isso forçou a tomada de medidas emergenciais, como a improvisação de hospitais e de leitos para atender as pessoas que adoeciam. Outro ponto é que os pacientes mais graves e que desenvolviam infecções sofriam consideravelmente, pois, naquela época, não existiam antibióticos para realizar o tratamento deles.

 

Como se identificou que a doença era contagiosa, muitos locais adotaram medidas de isolamento social. Assim, foram decretados o fechamento de escolas, igrejas, comércio e repartições públicas em diferentes locais, inclusive no Brasil. Em alguns deles, como nos Estados Unidos, adotou-se o uso de máscaras para reduzir-se o contágio. Muitos locais incentivaram a população a entrar em quarentena.

 

N. Hays afirma que a quarentena em alguns lugares, como na Austrália, teve grande sucesso, uma vez que o país foi atingido pela primeira onda da gripe, mas não foi afetado pela segunda. O combate contra a gripe espanhola presenciado em locais como a Europa e a América do Norte não o foi em locais como a Ásia e a África, em grande parte ainda colonizados pelos europeus, o que fez com que milhões de pessoas morressem neles.

 

Isso fez com que surgissem algumas teorias que tentaram explicar a mortalidade da doença pela classe social. Em alguns locais, como a Índia, ela pode ser aplicada (em outros, não); entre os milhões de mortos de gripe espanhola no país (fala-se que entre 18 e 20 milhões de pessoas morreram só na Índia), a maioria pertencia às castas mais baixas. Outra questão que permanece sem explicação é o porquê da doença ser mais mortal em jovens de 20 a 30 anos.

Consequências

A gripe espanhola foi uma das piores pandemias da história da humanidade. Mostrou-se como uma doença com grande capacidade de contágio e altamente letal. Os especialistas do assunto falam que 25% de toda a população norte-americana foram afetados pela doença, o que corresponde de 25 a 30 milhões de pessoas.

 

No caso do Brasil, por exemplo, a cidade de São Paulo foi uma das mais afetadas, e, embora tenham sido notificados 116.777 casos nela (22,32% da população), acredita-se que o total de pessoas infectadas pela gripe espanhola tenha sido de 350 mil, o que corresponde a cerca de 2/3 da sua população naquele período.

 

Ao todo, os especialistas do assunto apontam que a quantidade mínima de pessoas que morreram de gripe espanhola, entre 1918 e 1919, tenha sido de 50 milhões, mas algumas estatísticas elevam esse total para até 100 milhões de pessoas. Um dos locais mais afetados, como mencionado, foi a Índia, que registrou, no mínimo, 18 milhões de mortos.

Mas como ela acabou, afinal?

Para entender o final dessa história, no entanto, é preciso compreender os meios que levaram a esse caminho. Esse é um dos assuntos estudados pelas historiadoras espanholas Laura e María Lara Martínez, que além de analisarem os dois últimos anos da doença, também fizeram um paralelo entre a Covid-19 e a pandemia do século passado.

 

“Parece uma máquina do tempo, tudo o que investigamos está se tornando realidade dia após dia”, disseram as irmãs em entrevista. Segundo contam, em 1918, as pessoas também disseram que tudo não passava de um “resfriadinho”, porém, assim como acontece atualmente, esse pensamento só serviu para que os sistemas de saúde sobrecarregassem rapidamente.

Medidas

Por outro lado, medidas de isolamento social também foram adotadas há mais de um século, assim como o fechamento de teatros, escolas e fronteiras. O cuidado sanitário também passou a ser muito importante, com espaços públicos sendo desinfetados com regularidade. Segundo as historiadoras, as pessoas que não usavam máscaras poderiam ser multadas em até 100 dólares nos Estados Unidos.

 

Em 1918, as pessoas rapidamente assimilaram que as multidões poderiam causar transmissões. “Os bloqueios foram implementados e houve progresso na aplicação de medidas preventivas que historicamente se mostraram eficazes”, complementa o historiador Jaume Claret Miranda.

 

Porém, sem a perspectiva de uma vacina, o vírus continuou se espalhando. A segunda onda da epidemia, por exemplo, foi mais mortal que a primeira. Na Espanha, essa data coincidiu com as colheitas e celebrações em setembro, bem como o relaxamento das medidas de isolamento.

 

Os surtos também ocorreram durante o inverno, explica Jaume, que acrescenta que, em algumas regiões, houve inclusive o início de uma terceira onda na década de 1920. “O fim da pandemia dependia de cada país: das informações e treinamento de seus especialistas e dos interesses de sua classe política”.

 

Apesar de existir um conhecimento limitado dos historiadores em relação a pandemia no mundo ocidental, os acadêmicos concordam que o fim da pandemia ocorreu em 1920, quando a sociedade acabou desenvolvendo uma imunidade coletiva ao vírus — embora ele nunca tenha desaparecido completamente.

“Traços do mesmo vírus foram encontrados em outros vírus da gripe”, explica Benito Almirante, chefe de doenças infecciosas do hospital Vall d’Hebron, em Barcelona. “A gripe espanhola continuou a aparecer, transformando e adquirindo material genético de outros vírus”.

 

A “gripe A” (H1N1), de 2009, por exemplo, tinha elementos genéticos de vírus anteriores, portanto, os indivíduos mais velhos estavam melhores protegidos que os jovens, por já possuírem anticorpos. Isso também ocorreu com a Gripe Espanhola, com pessoas com mais de 30 anos sendo mais propensas a sobreviverem devido a terem adquirido anticorpos da chamada Gripe Russa, de 1889 e 1890.

E como acaba uma pandemia?

Segundo Benito Almirante, esse marco se dá quando há uma transmissão comunitária controlada e os casos de contaminação estão em um nível muito baixo. “Na Europa, essa situação está chegando [com o coronavírus] porque os casos são facilmente identificados e podem ser rastreados. Se a situação continuar nas próximas semanas, a pandemia pode ser considerada controlada”.

 

Durante a pandemia de Gripe Espanhola, o medo social variou de acordo com o grau de informação que as pessoas tinham a disposição, outro fator foi como esses países foram afetados pela guerra, explica Claret.

 

“A memória das pessoas é curta”, argumenta. “No entanto, [a Gripe Espanhola] deixou um certo legado no nível científico e entre especialistas, confirmando e agregando conhecimento sobre como essas epidemias devem ser tratadas”. “A principal lição do passado”, diz Claret, é que “qualquer medida” anterior à pandemia descrita como “exagerada é posteriormente considerada insuficiente”.

Semelhanças entre a Covid-19 e a Gripe Espanhola

Em uma revista fluminense do início do século 20, médicos deram dicas para se proteger da pandemia. Qualquer semelhança não é mera coincidência. 

 

Como vimos até agora, a atual crise de proliferação do coronavírus no mundo não foi a primeira e nem a pior pandemia que o mundo já vivenciou. Um dos episódios mais caóticos foi a Gripe Espanhola, uma influenza viral que tomou o globo em 1918, sendo responsável pela morte de 100 milhões de pessoas, completando 5% da população. Porém, assim como nos atuais, foram divulgadas dicas de proteção contra a doença na contenção da pandemia, em que médicos e sanitaristas eram consultados na medida em que o quadro se agravava. 

 

No Brasil, não foi diferente: recomendações eram divulgadas em grandes mídias na tentativa de educar a população.

 

Um dos exemplos dessa prática foi a Revista O Malho, edição de número 841, de 1918, apresentou “conselhos para evitar o ataque da gripe ou influenza”, que eram, praticamente, muito próximos ao que hoje se recomenda contra o coronavírus. Observe:

“EVITAR o uso e, com maior razão, o abuso de bebidas alcoólicas.”

“LAVAR a boca e gargarejar com uma solução de sal de cozinha, na seguinte proporção: uma colher de sopa para um litro de água fervida.”

“FAZER diariamente uso de uma solução de essência de canela, conforme as seguintes doses: uma colherinha das de café em meio copo de água açucarada de duas em duas horas, até desaparecer a febre, depois tomar uma colherinha em meio copo de água três vezes ao dia.”

“EVITAR aglomerações, principalmente à noite.”

“NÃO fazer visitas”.

“TOMAR cuidados higiênicos com o nariz e a garganta: inalações de vaselina mentolada com água iodada, com ácido cítrico, tanino e infusões contendo tanino, como folhas de goiabeira ou outras”.

“TOMAR, como preventivo, internamente qualquer sal de quinino […]”.

“EVITAR toda a fadiga ou excessos físicos”.

“O DOENTE, aos primeiros sintomas, deve ir para a cama, pois o repouso auxilia a cura e afasta as complicações e contágio. Não deve receber, absolutamente, nenhuma visita”.

“EVITAR as causas de resfriamento, é de necessidade tanto para os sãos, como para os doente e os convalescentes”.

“AS PESSOAS IDOSAS devem aplicar-se com mais rigor todos esses cuidados”.

 

O texto é seguido de um pronunciamento do Cardeal Arcoverde com um apelo pelo seguimento das recomendações médicas e a confiança da população nos profissionais da saúde.

 

Além das receitas de produtos e remédios caseiros, as soluções de práticas cotidianas são muito próximas das atuais. A forte advertência contra aglomerações, os pedidos de reclusão e o destaque para a proteção dos idosos são tão próximos aos apelos da atual pandemia que chegam a coincidir.

 

Esse fato é decorrente da semelhança entre os dois agentes patológicos: ambos vírus, eles agem de formas parecidas. O coronavírus (gênero de vírus) causador da atual pandemia de COVID-19 é, especificamente, o SARS-CoV-2, gerador de uma crise respiratória aguda grave, enquanto a Gripe Espanhola foi causada por uma influenza de uma estirpe do vírus H1N1. 

 

Ambos se reproduzem rapidamente, com alta taxa de mutação, e são disseminados por fluidos das mucosas, ou seja, são transmissíveis pela respiração.

 

É importante compreender que as recomendações médicas são de suma relevância na contenção de uma pandemia como a do COVID, e elas serão a base para que a disseminação dessa doença não chegue aos níveis alarmantes que chegaram a influenza de 1918. A tragédia pode ser evitada com a confiança nos profissionais, na academia e na ciência.

 

Peste bubônica, Tifo, Influenza A, Gripe Aviária, Cólera, H2N2… muitas foram as pandemias mundiais que foram geradas não apenas por agentes biológicos, mas principalmente pelo descaso (somado à ignorância e à falta de preocupação) que tem origem social. Longe de ser culpa unicamente da fonte originária das patologias (Influenza nos EUA e Coronavírus na China), é necessário um esforço global em nome da saúde pública e da responsabilidade governamental.

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