Jejum Intermitente

28/07/2020 0 Por Redação CliqueFarma

Uma prática milenar que vendo sendo cada vez mais disseminada, principalmente em prol do emagrecimento, hoje vamos falar do jejum intermitente. Acompanhe até o final para você saber tudo a respeito desse tipo de dieta! 

O que é o jejum intermitente?

Trata-se de um método de emagrecimento que visa intercalar períodos de jejum com períodos de alimentação. O objetivo é fazer com que o corpo utilize os estoques de gordura e com isso haja uma perda de massa gorda.

 

Normalmente são indicadas entre 10 a 24 horas de jejum, que pode ser feito diariamente ou somente em alguns dias da semana.

 

Os períodos em que a alimentação é permitida são chamados de janelas de alimentação. Fora deles, a pessoa deve ingerir líquidos que não possuam calorias, como água (com ou sem gás) e chás e café sem açúcar.

 

O jejum era muito comum na época paleolítica, em que o ser humano vivia de caça e não tinha acesso a alimentos o tempo todo. O método, no entanto, não é indicado para todas as pessoas e pode trazer problemas quando feito sem a orientação adequada.

Como funciona o jejum intermitente?

Há diferentes formas de seguir essa dieta, mas, em geral, ela consiste em dividir as horas ou os dias da semana entre períodos em que a pessoa se alimenta (como dissemos, chamados de “janelas de alimentação”) e períodos de jejum ou de extrema restrição alimentar. Existem três métodos mais conhecidos de fazer o jejum intermitente:

 

  • Método LeanGains: os homens devem fazer jejum de 16 horas, com janela de alimentação de 8 horas. As mulheres, por sua vez, devem ficar em jejum por 14 horas e se alimentar durante um período de 10 horas. Durante o jejum, é permitido apenas o consumo de água, chá e café sem açúcar.

 

  • Dieta do Guerreiro: consiste em um jejum parcial de 20 horas (incluindo o sono) e uma janela de alimentação de apenas quatro horas, quando é feita uma única refeição bem reforçada. Durante o jejum, é permitido consumir algumas frutas e vegetais crus.

 

  • Comer, Parar, Comer: consiste em fazer 24 horas de jejum uma ou duas vezes por semana, sendo permitido consumir apenas líquidos sem açúcar durante o período de restrição.

 

 

Como você pode imaginar, ficar tantas horas sem comer certamente vai resultar em uma perda de peso, pois o organismo será obrigado a utilizar suas reservas de gordura como combustível para continuar funcionando.

 

Além disso, os adeptos do jejum intermitente – principalmente os criadores dos diferentes métodos dessa dieta – afirmam que a prática reduz o risco de doenças cardiovasculares, diminui os níveis de colesterol, melhora quadro de diabetes e combate inflamações e doenças autoimunes.

 

Quanto às horas de abertura e fechamento das janelas de alimentação, existem diversos protocolos de jejum intermitente que pedem mais ou menos horas. Antes de conhecê-los, no entanto, é importante ressaltar que a escolha da melhor forma de seguir um jejum intermitente deve ser conversada com um especialista (seja endocrinologista, nutrólogo ou nutricionista), que fará exames específicos e saberá dizer o melhor protocolo para sua saúde.

Jejum de 12 horas

Esse é o tipo mais comum, em que você passa metade do dia sem comer (incluindo as oito horas recomendadas de sono).

 

Nele é indicado que você faça três refeições ao longo do dia, ficando, por exemplo, das 20h da noite até às 8h da manhã sem se alimentar.

Sistema Leangains

O método foi desenvolvido pelo sueco Martin Berkhan e propõe que a pessoa fique de jejum por 16 horas, podendo fazer entre duas e três refeições nas oito horas restantes, a chamada janela de alimentação aberta. Você escolhe o melhor momento para criar sua janela de alimentação.

Protocolo Coma – Pare – Coma

Nesse sistema, a pessoa escolhe um ou dois dias da semana em que ficará completamente de jejum. Ou seja, nestes dias, ela fará uma refeição e depois só comerá de novo no mesmo horário no dia seguinte.

 

Este método costuma ter uma adaptação mais difícil e é importante fazer refeições ricas em fibras antes do jejum.

Como fazer jejum intermitente?

De qualquer modo, todo método de jejum intermitente envolve:

 

  • Janelas de alimentação, que podem ser um dia ou horas durante o dia
  • Ingestão de líquidos sem calorias durante o jejum, como água e café e chás sem açúcar
  • Evitar itens que contenham calorias, incluindo alguns suplementos, como o whey protein.

Comer apenas quando sente fome

Outro protocolo comum é orientar que a pessoa coma apenas quando sente fome de verdade. Nesses casos, só é possível fazer jejum quando são consumidos alimentos com grande poder de saciedade, como proteínas, verduras, legumes e carboidratos ricos em fibras, o que é muito bom para controle de compulsão alimentar, por exemplo.

 

Esse método, no entanto, não funciona bem com pessoas que seguem dietas ricas em carboidratos simples ou não sabem diferenciar a fome real da vontade de comer devido a ansiedade ou fatores emocionais, por exemplo.

Alimentos indicados nas janelas de alimentação

Nos períodos em que a alimentação é permitida, é importante consumir alimentos que aumentem a saciedade e reponham os nutrientes.

 

Prefira: proteínas, legumes, verduras, frutas com casca, cereais integrais (como arroz integral), tubérculos (inhame, cará, mandioca, batata doce).

 

Evite: cereais refinados (arroz branco, pão branco, massas), doces, alimentos muito industrializados.

 

Faça refeições do tamanho que você faria se não estivesse de jejum, não tente compensar o tempo que você ficou sem comer até então.

Mudanças entre homens e mulheres

Normalmente mulheres aguentam períodos de jejum menores do que os homens. Isso ocorre porque eles possuem mais massa muscular, portanto tem reservas maiores de glicogênio, outra fonte de energia do corpo que é armazenada justamente nos músculos e muito usada durante o jejum. O ideal é que elas iniciem os jejuns com até 12 horas, enquanto os homens podem chegar a até 14 horas no início.

Como quebrar o jejum intermitente?

Sempre que se faz um jejum prolongado, a insulina, que é um hormônio que leva a energia ingerida para as células e assim gera potência para o trabalho, está baixa.

 

Por essa razão, não é aconselhado para nenhuma pessoa ingerir altas doses de carboidratos simples ou até mesmo grandes volumes de comida (mesmo que seja alimento que julgamos saudável).

O melhor é que se inicie o pós-jejum com poucos alimentos e que sejam de baixo índice glicêmico, se possível associados à uma porção pequena de proteínas com rápida absorção. 

O que é índice glicêmico?

Índice glicêmico mede o tempo que o carboidrato de um alimento demora para ser absorvido pelo intestino. Quanto mais rápida essa absorção, maior a capacidade desse alimento de gerar picos de insulina no organismo.

 

A insulina é o hormônio que coloca a glicose (produto dos carboidratos) para dentro das células, onde elas participam dos processos de produção de energia. No entanto, quando esse hormônio está em quantidades muito altas no corpo, pode causar problemas como:

 

  • Depósito de gordura abdominal: afinal a glicose que não é utilizada pelas células imediatamente será armazenada como depósito de energia, ou seja, como tecido adiposo.

 

  • Pré-diabetes: quanto mais insulina o corpo produz, mais os órgãos começam a se tornar resistentes a ela, ou seja, solicitam que mais desse hormônio seja utilizado para colocar a glicose dentro de suas células. Esse quadro se chama resistência à insulina, e conforme vai se agravando, resulta na diabetes tipo 2, quanto o hormônio produzido pelo corpo não é suficiente mais para absorver todo o açúcar no sangue.

 

Portanto, alimentos de baixo índice glicêmico podem ser interessantes tanto para quem tem diabetes ou pré-diabetes, quanto para quem busca emagrecimento.

Medidas do índice glicêmico

O índice glicêmico é medido em comparação com algum alimento, normalmente o pão. O cálculo é feito em laboratório: os cientistas dão um pão a um paciente e observam quanto tempo ele demora para absorver esses carboidratos. A partir dessa medida padrão, o tempo de absorção de outros alimentos é medido e sua gradação é dada conforme a referência do pão.

 

O índice glicêmico pode ser classificado como baixo, médio e alto. Essa medida pode aparecer na tabela com números. Normalmente eles indicam:

 

  • IG baixo: menor do que 50
  • IG médio: entre 50 e 70
  • IG alto: acima de 70

 

Quanto maior o índice glicêmico de um alimento, em menor quantidade ele deve ser consumido, justamente para evitar picos de insulina.

Alimentos com baixo índice glicêmico

Alimentos com baixo índice glicêmico não são sempre aqueles que têm baixa quantidade de carboidratos. Muitas vezes um alimento pode ter uma quantidade considerável desse macronutriente, mas tem outros elementos que fazem com que sua absorção seja mais lenta:

 

  • Alta quantidade de proteínas e gorduras: Os macronutrientes competem entre si para serem absorvidos no intestino, portanto se um alimento é rico em carboidratos, mas tem bastante proteína ou gordura, demorará mais tempo para ser absorvido completamente. Um bom exemplo é o leite, que apesar de ter lactose, suas altas quantidades de gordura e proteína o tornam um alimento com índice glicêmico baixo.
  • Boa quantidade de fibras: As fibras solúveis têm uma característica muito importante, ela cria uma barreira no bolo alimentar, que torna a liberação da glicose na corrente sanguínea muito mais lenta: é mais difícil para essa glicose passar por essa barreira e ser absorvida pelo organismo.

 

Entre os alimentos com baixo índice glicêmico estão as verduras, as oleaginosas, o leite e seus derivados e algumas frutas, principalmente quando consumidas com casca.

Alimentos de alto índice glicêmico

Já os alimentos com alto índice glicêmico costumam ser pobres em fibras e ter a maior parte de sua constituição formada por carboidratos. Um exemplo são o arroz refinado, os derivados da farinha de trigo e o açúcar refinado. Esse tipo de alimento, ao chegar no intestino, tem a glicose quebrada e absorvida muito rapidamente.

 

Veja outros alimentos com alto índice glicêmico:

 

  • Tapioca: Ela é feita apenas com o amido da mandioca, portanto é rica em carboidratos e precisa ser consumida junto com uma proteína ou uma fibra.
  • Sucos: Principalmente quando coados, eles se tornam pura frutose, que também é um carboidrato. Além disso, o suco é feito com uma quantidade de frutas maior e é tomado com mais facilidade em maiores quantidades.

Como reduzir o índice glicêmico de um alimento?

Mais importante do que o índice glicêmico de um alimento é levar em conta o índice glicêmico da sua refeição inteira. Portanto, se você quer comer um carboidrato na refeição, considere as seguintes mudanças:

 

Prefira os tipos integrais: Eles têm muito mais fibras em sua composição, portanto, o índice glicêmico tende a ser menor.

 

Escolha alimentos fibrosos: Uma salada de folhas ou uma aveia em cima da fruta podem alterar bastante o índice glicêmico da sua refeição. Isso porque esses alimentos são ricos em fibras e pobres em carboidratos. Durante a digestão, as fibras dele também retardam a absorção dos outros carboidratos em seu prato. A dupla arroz com feijão é um exemplo disso: a alta quantidade de fibras e de proteínas deste alimento ajuda a compensar o índice glicêmico alto do arroz.

Índice glicêmico x Carga glicêmica

É claro que, é preciso ressaltar que o índice glicêmico mede apenas a qualidade do carboidrato, ou seja, se ele é de rápida ou lenta absorção. Uma outra medida, chamada carga glicêmica, é importante para o cálculo de quanto carboidrato cada alimento traz em cada porção consumida. E quando um alimento tem uma carga glicêmica alta, ele vai demandar ainda mais insulina para que essa glicose seja utilizada, o que pode ser ruim mesmo que ela seja liberada de forma mais lenta.

 

As duas medidas são importantes para quem não pode consumir muitos carboidratos. Afinal, um alimento com índice glicêmico alto, mas que possui carga glicêmica baixa, é menos nocivo à saúde. Um exemplo é a melancia, que tem um índice glicêmico médio, mas por ter poucos carboidratos, não traz picos muito altos de glicose.

 

Para pessoas com diabetes, as duas medidas devem ser levadas em conta na hora de se alimentar, para conseguir alimentos com o melhor perfil glicêmico.

Quem precisa conhecer o índice glicêmico?

Diabéticos: O índice glicêmico é muito utilizado por pessoas que têm diabetes. Nesse quadro, a insulina produzida pelo pâncreas não dá conta de colocar toda a glicose na corrente sanguínea para dentro das células, o que resulta em uma quantidade alta de glicose circulando no sangue. 

 

Para pessoas com essa condição, quanto mais rápida a liberação de açúcar de um alimento, maior a chance de a insulina produzida pelo pâncreas não dar conta de sua utilização. Além disso, o órgão acaba sendo superestimulado.

 

Pessoas que querem emagrecer: O índice glicêmico é um aliado de quem quer emagrecer, já que ele ajuda a pessoa a calcular o carboidrato que ela conseguirá gastar. Quando carboidratos de alto índice glicêmico são consumidos, o açúcar é liberado muito rapidamente no sangue e as células não conseguem usar toda essa quantidade. A glicose não utilizada é estocada em forma de gordura, tudo o que uma pessoa que busca emagrecer não quer.

 

Atletas: Quem tem picos de alto gasto de energia, como os atletas, é importante conhecer quais são os alimentos de alto índice glicêmico, já que consumi-los antes de uma competição ou exercício extenuante ajuda a ter a energia necessária para esse esforço. Afinal, quando uma pessoa se expõe a uma atividade que requer grande quantidade de energia, o organismo precisa que a glicose chegue mais rapidamente às células, já que ela será usada muito mais vezes.

 

Pessoas com hipoglicemia reativa: Nesse quadro a pessoa utiliza a glicose mais rápido do que o normal. Ou seja, mesmo depois de consumir uma quantidade grande de carboidratos, ela pode ter uma queda na quantidade de açúcar no sangue de 30 minutos até três horas após a refeição.

Jejum intermitente emagrece?

Para saber como essa dieta funciona, é preciso entender melhor as fases pelas quais o corpo passa ao longo do dia: quando está alimentado e o intervalo entre as refeições, ou seja, o jejum.

 

Quando você acaba de se alimentar, o organismo começa a dar um destino para a energia absorvida em forma de glicose. Para tanto ele ativa o hormônio insulina, responsável por colocar esse açúcar para dentro das células. A energia que não será utilizada pelas células é armazenada pela insulina em forma de tecido adiposo, ou seja, gordura.

 

Depois de um tempo essa energia se esgota e o corpo é obrigado a usar essas reservas. Ele recorre tanto ao glicogênio, uma forma de energia armazenada nos músculos, quanto ao tecido adiposo, e neste momento ativa hormônios que atuam na quebra de gordura (lipólise), como o glucagon.

 

Ao seguir um método de jejum intermitente, o glucagon e outros hormônios que quebram gorduras ficam mais tempo atuando no organismo, o que facilita a perda de peso. Além disso, o jejum evita grandes picos de insulina o que pode prevenir a resistência à insulina, mas para isso é preciso tomar cuidado para não exagerar nos carboidratos ao retomar a alimentação.

Vantagens do jejum intermitente

O jejum intermitente quando bem indicado e bem feito, pode trazer algumas vantagens, como:

 

  • Mais disposição
  • Clareza mental
  • Controle da glicemia e insulina.

 

Alguns estudos preliminares apontam que o jejum pode ajudar na saúde do coração. Isso porque o corpo em jejum utiliza uma substância chamada betahidroxibutirato como fonte de energia, que é utilizada mais facilmente pelo organismo. Isso faz com que o coração poupe energia e se estresse menos. No entanto, é muito importante segui-los apenas com indicação médica.

Conselhos para o jejum intermitente funcionar para você

1. Procure um profissional

Sim, para orientá-lo. Embora ainda não exista grande embasamento científico, muitas pessoas conseguem emagrecer com essa modalidade de dieta. É óbvio que o especialista precisa sempre avaliar se não há contraindicação de jejuar por muitas horas. É comum encontrarmos casos de diabetes ou resistência à insulina em pacientes com excesso de peso, e essa é uma condição a qual você não deve seguir jejum prolongado. Então, faça um check up antes de começar.

2. Deixe os alimentos prontos

Quando você cumprir suas horas de jejum, é provável que vá enlouquecido em busca de alimentos e, com isso, vai acabar ingerindo opções que você e seu profissional não programaram. Então, deixe ovos cozidos , frutas picadas e castanhas separadas para petiscar assim que a janela abrir, por exemplo.

3. Se organize para ir com rotina ao mercado

Programe-se para não faltar alimentos no meio do tratamento. É comum ouvirmos que o paciente não tinha nada pra comer e, por isso, ele acabou comendo x, y ou z. A maneira mais simples de se evitar isso é você programar o que vai comer e programar com qual frequência vai comprá-lo. Nutricionistas sempre sugerem que os pacientes façam seu cardápio em cima do que eles prescrevem, dessa maneira a dieta não fica difícil de seguir.

Desvantagens do jejum intermitente

O jejum intermitente tem algumas desvantagens:

 

Dificuldade de adaptação: Algumas pessoas têm dificuldades em se adaptar a ficar longos períodos sem comer, principalmente as que têm uma dieta rica em carboidratos simples ou que sempre comem de três em três horas.

 

Riscos quando feito sem acompanhamento: Pessoas que fazem os jejuns sem acompanhamento, ficam muito tempo sem comer e não se alimentam direito nas janelas podem ter desnutrição, desidratação, hipoglicemia, fraqueza muscular, dificuldades de concentração, entre outros.

 

Tendência a compulsão: Por ficar muito tempo sem comer, algumas pessoas podem acabar descontando na próxima refeição, consumindo uma alta quantidade de calorias e desequilibrando a dieta e o organismo.

 

Se não houver uma boa orientação, o paciente pode querer compensar o tempo que ficou sem comer e ingerir alimentos mais calóricos, pode haver hipoglicemia, fraqueza, anorexia, irritabilidade, dificuldade de concentração e dores de cabeça.

Jejum intermitente e resistência à insulina

Como nos períodos em jejum o corpo não produz insulina, já que não há glicose para ser metabolizada, o jejum intermitente pode ser um aliado para evitar a resistência à insulina.

 

Esse quadro, que pode evoluir para uma pré-diabetes, ocorre quando o corpo é exposto a picos de glicose e, por consequência, a picos de insulina.

 

Com o tempo, alguns tecidos do corpo passam a se tornar resistentes a este hormônio e é preciso que ele seja produzido em quantidades cada vez maiores para executar as mesmas funções. Isso leva a sobrecarga do pâncreas. Portanto, se a pessoa segue uma alimentação com períodos mais longos de jejum, ela não terá produção de insulina nesses períodos, o que tecnicamente ajuda a evitar a resistência à insulina.

 

Vale lembrar que ter uma alimentação rica em alimentos de baixa carga glicêmica traz efeito semelhante, já que ela evita picos de glicemia.

 

O jejum pode ser indicado inclusive para pessoas com resistência à insulina que queiram controlar o quadro. No entanto, isso deve ser feito com o acompanhamento de um endocrinologista, pois nem todas as pessoas respondem bem a períodos prolongados de jejum.

 

Além disso, se você toma algum remédio para a resistência à insulina, pode ter hipoglicemia se ficar muito tempo sem se alimentar, o que pode levar a fraqueza, desmaios e outros problemas.

O que é resistência à insulina?

A resistência insulínica é uma situação onde há um desequilíbrio entre a quantidade de insulina produzida pelo pâncreas e o funcionamento desta quantidade de insulina. 

 

Para simplificar, em uma pessoa sem resistência insulínica, é como se uma molécula de insulina tivesse a capacidade de colocar uma molécula de glicose dentro da célula, porém, na pessoa com resistência, fosse necessário duas ou mais moléculas de insulina para realizar o mesmo trabalho. No organismo, a conta não é bem esta, mas a perda de funcionamento de insulina ocorre de forma bem semelhante quando esta resistência aparece.

 

Quais as causas para isso?

A principal causa da resistência insulínica é o ganho de peso. Com o ganho de peso e o aumento do tecido adiposo, há maior necessidade do pâncreas produzir insulina e, com isso, o ciclo da resistência insulínica se inicia. Quanto mais insulina é produzida, mais as células tendem a se proteger do excesso dela, e mais aumenta a resistência insulínica. Em determinado momento o pâncreas não consegue produzir mais insulina, e é neste ponto que os níveis de açúcar no sangue começam a ficar elevados e o diabetes tipo 2 surge.

 

Outras condições como gestação, síndrome metabólica, hipertensão arterial, colesterol elevado, síndrome do ovário policístico, esteato-hepatite não alcoólica (esteatose hepática, mais conhecida como gordura no fígado) também podem levar à resistência insulínica ou serem consequência dela.

E os fatores de risco?

O maior fator de risco para resistência insulínica é a obesidade. Com o ganho de peso há o aumento do tecido adiposo, o que faz com que o pâncreas tenha necessidade de produzir insulina e, com isso, o ciclo da resistência insulínica se inicie.

Recomendações

“No ponto de vista médico, dependendo do perfil do paciente (se ele estiver acima do peso, tem um estilo de vida em que consegue ficar sem comer e é mais sedentário, ou seja, não precisa de energia para praticar atividade física) propor jejum de 12 a 14 horas não é tão difícil e não vejo problemas, salvo as exceções que já foram citadas. Só é importante ver o perfil físico e psicológico do paciente e ter critério durante as janelas de alimentação”, nutrólogo Roberto Navarro, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

Rodrigo Polesso, especialista em nutrição otimizada, dá dicas essenciais para quem quer aderir à prática de forma eficaz. Veja só:

Corrija a alimentação

O primeiro passo para começar o jejum intermitente, segundo Rodrigo, é mudar a alimentação, caso ela não seja correta. “Se iniciarmos a prática com uma alimentação de má qualidade – rica em carboidratos processados, refinados e açúcares – temos maiores chances de sentirmos mais fome e fraqueza”, explica.

 

O especialista usa o termo alimentação forte para falar de um estilo de vida alimentar baseado no consumo de alimentos reais e nutritivos. “O primeiro passo é retirar o máximo possível da sua dieta alimentar o consumo de refinados, processados e açucarados como pães, massas, bebidas adoçadas em geral e sobremesas. Você deve aumentar o consumo de gorduras boas, proteínas de qualidade e carboidratos inteligentes.” 

 

Alguns exemplos de alimentos que se encaixam nesses grupos citados pelo especialista são carnes de procedência, peixes, azeite de oliva, óleo de coco, folhas, legumes no geral, nozes/castanhas, abacate, entre outros. “Com esse tipo de alimentação, a prática acontecerá de forma muito mais saudável, fácil e natural.”

 

Rodrigo explica que é normal sentir fome no início. “Ao começar a fazer o jejum intermitente corretamente, saiba que a sensação de fome pode ocorrer naturalmente, porém, essa sensação tenderá a vir como uma onda leve que vem e vai. Uma sensação de fome normal jamais deixará você irritado e nervoso ou fará você sofrer. Se isso acontecer, provavelmente a alimentação ainda não está em ordem.

Jejum intermitente possui contraindicações?

Sim. O jejum intermitente é contraindicado a alguns grupos de pessoas, veja quais:

Gestantes e lactantes

Mulheres grávidas ou que estão amamentando precisam de um aporte maior de nutrientes. Durante a gravidez, as necessidades do bebê são constantes. Por isso que, o jejum intermitente na gestação pode levar à desmaios, hipoglicemia e a até o baixo peso do bebê. 

 

Já as lactantes precisam de muitos nutrientes, para que possam inseri-los também no leite e garantir que o bebê consiga crescer saudável.

Crianças e adolescentes

Crianças e adolescentes ainda estão em fase de desenvolvimento, portanto precisam de ingestão constante e certa de nutrientes para crescerem e se desenvolverem de forma adequada.

 

Pessoas com doenças crônicas

Medicamentos para doenças crônicas como como diabetes e hipertensão, causam mudanças no metabolismo, o que pode levar a hipoglicemias. Por isso, quem segue esse tipo de tratamento precisa conversar com o médico, ver se esse tipo de dieta é válida e, caso ela possa ser feita, é preciso antes ajustar a medicação.

 

Além disso, há um risco maior para os adolescentes: essa fase, devido a questões emocionais e problemas de aceitação, muitos acreditam que um padrão de beleza é a magreza excessiva e podem ser drásticos para chegarem a este objetivo. Seguir um protocolo de jejum pode levá-los ao desenvolvimento de transtornos alimentares graves, como a anorexia.

Riscos do jejum intermitente

O jejum intermitente, quando mal feito ou seguido sem orientação de um profissional de saúde, pode levar a problemas graves, como desnutrição, desidratação, hipoglicemia, fraqueza muscular, dificuldades de concentração, entre outros… Isso ocorre principalmente quando o jejum é feito sem o acompanhamento de um profissional de saúde ou por pessoas contraindicadas a este tipo de dieta.

O Cliquefarma apoia também é a favor disso, afinal, o que hoje sabemos com toda a certeza é que o controle do peso é comprovadamente benéfico para a saúde e ele deve ser sempre perseguido. Jejum intermitente pode ser ótimo para você, mas nem tanto para mim e vice-versa. 

 

A individualização do tratamento é o que realmente funciona. Só uma avaliação profissional criteriosa e por quem conhece o assunto pode trazer benefícios reais para você. Por isso, aconselhamos nossos leitores: não deixem de consultar um nutricionista ou um endocrinologista antes de começar o jejum intermitente!

 

Você tem experiências fazendo esse tipo de dieta? Conte pra gente nos comentários, será um prazer interagir com você!