Máscaras de proteção

14/09/2020 0 Por Redação CliqueFarma

O tema de do artigo de hoje abrange um assunto que está bastante em pauta atualmente. Com a pandemia do coronavírus, já virou via de regra utilizarmos as máscaras de proteção. E você sabe quais os tipos que existem? Para que servem e quais as principais diferenças entres elas? Nós te contamos tudo e ainda mostramos onde você pode comprar!

Cartilha da ANVISA sobre máscaras de proteção 

A ANVISA criou um manual com orientações gerais – máscaras faciais de uso não profissional que reúne informações sobre o tipo de tecido que pode ser usado, os procedimentos para produção das máscaras, os cuidados e a forma adequada de uso. Além disso, ele também faz advertências sobre o manejo e as dicas de limpeza e descarte, bem como outras medidas preventivas contra o novo coronavírus. 

Afinal, para que servem as máscaras de proteção?

Existem vários tipos de máscaras para diferentes finalidades. Algumas delas são utilizadas para proteção respiratória do trabalhador diante de possíveis contaminações que podem provocar danos à saúde, como os respiradores para trabalhadores na construção civil e os respiradores do tipo N95, que são utilizados por profissionais de saúde. 

 

Outras máscaras têm como função principal proteger o paciente ou manter o ambiente estéril (livre de microrganismos ou no qual eles não podem se reproduzir), como as máscaras cirúrgicas e outros respiradores. Cada atividade exige um tipo apropriado de máscara.

Quais tipos de máscaras têm sido utilizadas pela população e pelos profissionais de saúde?  

Diversas espécies de máscaras estão sendo usadas nesse momento de pandemia. Para melhor compreensão, podemos dividi-las em três: máscaras de proteção de uso não profissional, máscaras cirúrgicas e equipamentos de proteção respiratória (também chamados de respiradores). 

O que são as máscaras de proteção de uso não profissional? 

São aquelas confeccionadas artesanalmente com tecidos como algodão, tricoline, entre outros, e utilizadas para cobrir o nariz e a boca em espaços públicos durante a pandemia. Essas máscaras atuam como barreiras físicas, reduzindo a propagação do vírus e, consequentemente, a exposição e o risco de infecções. 

 

Diferentemente das máscaras de uso profissional, essas máscaras comuns não possuem um “elemento filtrante”, mas a sua utilização é uma importante medida de saúde pública que as pessoas devem adotar no combate à Covid-19, além do distanciamento social e da limpeza frequente das mãos. As máscaras de proteção de uso não profissional se destinam à população em geral. Em caso de dúvidas sobre confecção, contraindicação, tipos de tecido, forma de uso, acesse o documento que citamos logo acima, Orientações gerais – Máscaras faciais de uso não profissional, elaborado pela Anvisa. É importante ressaltar que as máscaras cirúrgicas e os respiradores N-95 devem ser reservados aos profissionais de saúde. 

Quais as principais recomendações com relação ao uso das máscaras caseiras ou artesanais? 

É importante lembrar que a máscara é de uso individual e, portanto, não deve ser compartilhada. Além disso, ela deve ser usada por um período de poucas horas, quando, de fato, houver necessidade de sair de casa, e sempre respeitando-se a distância entre as pessoas. Também não devem ser manipuladas enquanto a pessoa estiver na rua e, antes de serem retiradas, é preciso lavar as mãos. 

 

É importante lembrar que o novo coronavírus é disseminado por gotículas suspensas no ar quando as pessoas infectadas conversam, tossem ou espirram. As máscaras não profissionais diminuem o risco de contaminação. 

O que são as máscaras cirúrgicas? 

São máscaras faciais confeccionadas em não tecido de uso médico-hospitalar, que devem possuir uma manta filtrante que assegure a sua eficácia em filtrar microrganismos e reter gotículas, devendo ser testadas e aprovadas conforme a norma ABNT NBR 15052. De acordo com a Nota Técnica 4/2020 da Anvisa, a máscara cirúrgica deve ser usada apenas por pacientes com sintomas de infecção respiratória (como febre, tosse, dificuldade para respirar) e por profissionais de saúde e de apoio que prestam assistência a menos de um metro do paciente suspeito ou caso confirmado. 

O que são os equipamentos de proteção respiratória ou respiradores? 

Os respiradores são equipamentos de proteção individual (EPIs) que cobrem o nariz e a boca, proporcionando uma vedação adequada sobre a face do usuário. Possuem um filtro eficiente para reduzir a exposição respiratória a contaminantes químicos ou biológicos a que o profissional é submetido em seu trabalho. 

 

Há inúmeros tipos de respiradores, de acordo com o risco e a atividade. Os respiradores descartáveis apresentam vida útil relativamente curta e são conhecidos pela sigla PFF, de Peça Semifacial Filtrante. Os respiradores de baixa manutenção são reutilizáveis, têm filtros especiais para reposição e costumam ser mais duráveis.  

 

Os respiradores, além de reter gotículas, protegem contra aerossóis contendo vírus, bactérias e fungos, a depender de sua classificação. Em ambiente hospitalar, para proteção contra aerossóis contendo agentes biológicos, o respirador deve ter um filtro com aprovação mínima PFF2/P2 ou N95. Respiradores com classificação PFF2 seguem as normas brasileiras ABNT/NBR 13698:2011 e ABNT/NBR 13697:2010 e a europeia e apresentam eficiência mínima de filtração de 94%. Já os respiradores N95 seguem a norma americana e apresentam eficiência mínima de filtração de 95%. 

 

Há equipamentos de proteção respiratória que, apesar de não serem de uso comum por profissionais de saúde, atendem os requisitos de desempenho, como os equipamentos de proteção facial inteira

 

Em lojas de material de construção civil é possível encontrar alguns respiradores PFF1 que, apesar de não serem adequados para uso por parte dos profissionais de saúde, podem ser úteis para a população em geral, uma vez que limitam a propagação de gotículas. Para saber mais sobre o tema, acesse a Cartilha de Proteção Respiratória contra Agentes Biológicos para Trabalhadores de Saúde.  

Qual a diferença entre gotículas e aerossóis? 

As gotículas têm tamanho maior que 5 µm (micrômetros). Cada micrômetro equivale à milionésima parte do metro. Elas podem atingir a via respiratória alta, ou seja, a mucosa das fossas nasais e a mucosa da cavidade bucal. 

 

Nos aerossóis, as partículas são menores e permanecem suspensas no ar por longos períodos. Quando inaladas, podem penetrar mais profundamente no trato respiratório. Existem doenças de transmissão respiratória por gotículas e por aerossóis que requerem modos diferentes de proteção. 

O que distingue, basicamente, a máscara de proteção de uso não profissional das demais?  

A máscara de proteção de uso não profissional é um protetor que pode ser confeccionado artesanalmente, em tecido comum, mas que não possui um elemento filtrante. Deve ser utilizada por pessoas comuns durante a pandemia, para reduzir a disseminação da Covid-19. Entretanto, não deve ser utilizada por profissionais de saúde durante a realização de procedimentos. 

 

As máscaras cirúrgicas e os respiradores utilizados por profissionais de saúde são considerados produtos para a saúde, devendo atender normas técnicas e sanitárias em relação aos processos de fabricação, distribuição, comercialização e uso. 

Quais as principais diferenças entre a máscara cirúrgica e o respirador N95/com filtro PFF2/P2? 

A finalidade principal da máscara cirúrgica é impedir ou dificultar a propagação de gotículas e o contágio por meio de microrganismos, tanto do profissional de saúde para o paciente, quanto do paciente para o profissional de saúde. A máscara cirúrgica é indicada para proteger o trabalhador da saúde de infecções por gotículas transmitidas a curta distância e pela projeção de sangue ou outros fluidos corpóreos que possam atingir suas vias respiratórias. 

O respirador N95/com filtro PFF2/P2 retém gotículas e é feito para proteger o trabalhador contra aerossóis contendo vírus, bactérias e fungos. Embora tanto a máscara cirúrgica quanto o respirador contenham um elemento filtrante, a máscara cirúrgica não protege adequadamente o profissional de microrganismos transmitidos por aerossóis porque não mantém uma vedação adequada.  

Como diferenciar um respirador descartável de um respirador reutilizável? 

O respirador descartável (peça semifacial filtrante) trata-se de uma peça única, em que o filtro está embutido. Esse tipo de respirador apresenta vida útil relativamente curta. Já o respirador reutilizável, ou de baixa manutenção, tem filtro especial que deve ser descartado e substituído. Sua estrutura é fabricada para ser reutilizada. 

Os respiradores descartáveis podem ser reaproveitados? 

A Agência orientou, por meio da Nota Técnica 2/2020, que as indústrias de medicamentos, insumos farmacêuticos, produtos para a saúde, cosméticos e saneantes façam uso racional de respiradores descartáveis para, quando possível, doar as unidades excedentes aos serviços de saúde. O documento se refere aos respiradores do tipo PFF2 ou superiores. A medida faz parte das ações de enfrentamento à pandemia. 

 

Resumidamente, a recomendação é que os respiradores sejam reutilizados pelo mesmo funcionário desde que mantenham sua integridade estrutural e funcional e que o filtro não esteja sujo ou danificado. Esta orientação, no entanto, não é válida para os profissionais de saúde que estão sujeitos a risco biológico em instituições de saúde. De forma a racionalizar o uso, a Nota Técnica 4/2020 recomenda o uso estendido do EPI.  

A racionalização dos respiradores descartáveis não vai comprometer a saúde dos trabalhadores das indústrias? 

Não, desde que as recomendações sejam cumpridas à risca. Ou seja, o respirador deve ser usado pelo mesmo funcionário e, ao menor sinal de que a peça não conserva mais sua integridade ou apresenta problemas no filtro, deve ser descartada. Essa racionalização inteligente nas fábricas não representará danos aos trabalhadores ou aos produtos fabricados.  

Qual é a orientação para maior aproveitamento das máscaras N95 ou equivalentes pelos profissionais de saúde? 

A orientação é que os profissionais de saúde utilizem as máscaras N95 ou equivalentes por um período maior que o indicado pelos fabricantes, desde que estejam íntegras, limpas e secas.  A Anvisa, no entanto, não recomenda o uso de máscaras vencidas, mas indica o uso além do prazo de validade designado pelo fabricante. Isso porque muitos desses produtos têm sinalização de descarte a cada uso. 

 

A indicação, definida juntamente com representantes de associações de profissionais da área de controle de infecções e do Ministério da Saúde, é necessária devido aos estoques baixos em todo o país

 

Outras informações podem ser encontradas na Nota Técnica 4/2020. É importante ressaltar a necessidade do uso racional de EPI nos serviços de saúde, pois trata-se de um recurso finito e imprescindível para oferecer segurança aos profissionais durante a assistência à saúde. 

 

Como vimos até agora, no que diz respeito à área da saúde, as máscaras são importantes para garantir, principalmente, a proteção dos trabalhadores que estão sujeitos ao contato com agentes etiológicos eliminados pelo doente pela fala, espirro ou tosse e também para evitar que o indivíduo doente disperse esses agentes.

 

Esses agentes podem ser eliminados por gotículas ou aerossóis (partículas pequenas que ficam em suspensão). Algumas doenças são transmitidas por gotículas, como a coqueluche e a caxumba, e outras são transmitidas por aerossóis, como é o caso do sarampo e da tuberculose.

 

Compreender a forma de transmissão de uma doença é essencial para adotar medidas de proteção eficientes, como a identificação do melhor tipo de máscara a ser utilizado. Para doenças transmitidas por gotículas, pode ser utilizada a máscara cirúrgica no paciente e no profissional que entrará em contato com o doente. 

 

A máscara cirúrgica protege também contra a projeção de sangue e outros fluídos corporais que possam atingir as vias respiratórias do profissional. Vale salientar que as máscaras cirúrgicas não conseguem proteger de maneira adequada contra os aerossóis, pois elas não garantem, por exemplo, uma vedação adequada no rosto.

 

Para se proteger de aerossóis, o profissional deve usar Equipamento de Proteção Respiratória (EPR), que é um EPI (Equipamento de Proteção Individual) que garante a proteção contra a inalação de agentes que causam danos à saúde. Um desses EPRs é a Peça Semifacial Filtrante, como já vimos, chamada de PFF, que é capaz de reter aerossóis, bem como gotículas e, em alguns casos, fluídos corporais.

 

Existem diferentes PFFs, os quais são classificados em PFF1, PFF2 e PFF3 e variam em sua eficiência de filtração, sendo a PFF3 a que apresenta maior proteção. A PFF2, que equivale à máscara conhecida com N-95 nos Estados Unidos, garante proteção contra certos aerossóis, sendo eficiente, por exemplo, na proteção contra tuberculose, e também contra partículas não biológicas, tais como poeira.

COVID-19 e o uso de máscaras

O uso de máscaras pela população durante a pandemia de COVID-19 aumentou consideravelmente. Muitos utilizam essas máscaras a fim de garantir proteção contra a doença que se tornou uma pandemia em 2020, entretanto não há um consenso entre pesquisadores sobre a eficiência desse uso.

 

A Organização Mundial de Saúde recomenda a utilização de máscaras cirúrgicas apenas para pessoas com sintomas respiratórios, profissionais de saúde e pessoas que terão contato com pessoas com sintomas respiratórios ou suspeitos de ter a doença. Pessoas sem sintomas, portanto, até então não necessitavam fazer uso da máscara. 

 

Outros órgãos de saúde, no entanto, chamaram a atenção para o fato de que pessoas assintomáticas poderiam transmitir a doença sem que soubessem e, portanto, o uso de máscara por toda a população poderia reduzir essa transmissão.

 

Um fato preocupante, no entanto, é a escassez de máscaras no mercado, o que preocupa a OMS. De acordo com a Organização, o uso das máscaras é essencial para as pessoas que estão na linha de frente de combate ao vírus, portanto, o uso por toda a população poderia deixar esses profissionais desprotegidos pela falta do produto. 

 

O Ministério da Saúde sugeriu, para minimizar esse problema, que a população em geral faça uso de máscaras caseiras e deixem as máscaras cirúrgicas e as chamadas N-95 para uso exclusivo dos profissionais da saúde.

 

Outra preocupação com a recomendação do uso da máscara por todos é que as pessoas, ao utilizarem a máscara, descuidem-se e parem de adotar outras medidas de proteção, como a higienização das mãos e o distanciamento social. De acordo com a OMS, só o uso de máscaras não seria capaz de barrar a infecção. Sendo assim, as outras medidas nunca devem ser esquecidas.

O uso de máscaras de pano pela população é eficiente?

Por causa da pandemia de COVID-19, em 2020, muito se ouve falar sobre o uso de máscaras de pano pela população. Como já falado anteriormente, de acordo com o Ministério da Saúde, essas máscaras podem funcionar como uma barreira física contra o vírus. Para que funcione adequadamente, no entanto, recomenda-se que ela seja feita com pelo menos duas camadas de pano, que pode ser algodão, tricoline, TNT ou outros tecidos.

 

Essas máscaras de pano são de uso individual, não devendo ser compartilhadas nem mesmo por pessoas da mesma família. Seu uso deve ser feito por cerca de duas horas, sendo necessário trocar após esse período ou quando estiver úmida. A lavagem da máscara deve ser feita com água sanitária, sendo necessário deixar a máscara de molho por cerca de 30 minutos.

 

Como utilizar máscaras caseiras corretamente?

  1. Antes de utilizá-las, lave as mãos ou passe álcool em gel.
  2. A máscara deve ser colocada no rosto cobrindo o nariz e a boca.
  3. Ela deve ser usada por até 2 horas, depois é preciso trocar.
  4. Não encoste na frente da máscara enquanto a utiliza. Não fique tirando ela para falar.
  5. Não deixe ela pendurada no pescoço, pois pode contaminar essa área.
  6. Para fazer a retirada, nunca coloque a mão na frente da máscara, pegue nas tiras ou no elástico.
  7. Se você precisar trocar de máscara na rua, guarde a usada em um saquinho plástico.
  8. Chegando em casa, deixe-a de molho por cerca de 20 a 30 minutos no sabão e água sanitária antes de lavá-la.

Como utilizar máscaras descartáveis?

As máscaras descartáveis são importantes para pessoas doentes e também para pessoas que cuidam de pessoas que estão com doenças transmissíveis por secreções respiratórias, como é o caso da COVID-19. Para utilizar essas máscaras, alguns cuidados devem ser tomados. Veja a seguir:

 

  1. Antes de utilizar a máscara, faça a adequada higienização das mãos, lavando bem com água e sabão ou utilizando álcool 70%.
  2. Verifique se a máscara está em perfeitas condições para uso, não contendo regiões rasgadas, por exemplo.
  3. Verifique o lado que deve ficar voltado para fora e identifique o lado que deve ficar para cima.
  4. Coloque a máscara no seu rosto e aperte a região da tira de metal ou borda mais rígida para que ela se adapte ao formato do nariz.
  5. Ajuste a máscara para que ela cubra a boca e o nariz e de modo a deixar o mínimo de espaço possível entre o rosto e a máscara. A parte inferior deve cobrir a boca e o queixo.
  6. Durante o uso, não toque na região da frente da máscara.
  7. Para fazer a remoção, utilize as tiras laterais e evite que a máscara entre em contato com seu corpo ou outros objetos.
  8. Descarte imediatamente a máscara em uma lixeira fechada após seu uso.
  9. Após retirar a máscara, faça a higienização das mãos.
  10. Nunca faça a reutilização de máscaras descartáveis.

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