O que é AVC (Acidente Vascular Cerebral)?

30/10/2019 0 Por Alana Dizioli

Já ouviu falar em  AVC (acidente vascular cerebral ou derrame cerebral)? Trata-se de uma condição onde temos o entupimento ou rompimento dos vasos que levam sangue ao cérebro, provocando a paralisia da região afetada nele. Também é conhecido como Derrame Cerebral ou Acidente Vascular Encefálico (AVE).

Tipos de AVC

Dependendo da causa do AVC ele pode ser hemorrágico ou isquêmico. Entenda melhor cada tipo:

AVC hemorrágico

O AVC hemorrágico é o derrame com rompimento de um vaso cerebral, ocorrendo um sangramento (hemorragia) em algum ponto do sistema nervoso. A diferença do AVC isquêmico para o AVC hemorrágico é que o segundo decorre do rompimento de um vaso, e não de seu entupimento. 

 

A hemorragia pode acontecer no interior do tecido cerebral (AVC hemorrágico intraparenquimatoso), que é o mais comum e responsável por 15% de todos os casos de AVC. No entanto, o sangramento também pode ocorrer perto da superfície cerebral, entre o cérebro e a meninge, conhecido como AVC hemorrágico subaracnoideo.

 

Apesar do AVC hemorrágico não ser tão comum quanto o isquêmico, pode causar a morte mais frequentemente do que acidentes vasculares cerebrais isquêmicos.

 

As hemorragias causadas por esse tipo de AVC podem ser:

 

  • Hemorragia intracerebral: hemorragia no cérebro
  • Hemorragia subaracnoide: hemorragia do tecido que envolve o cérebro

Principais causas de AVC hemorrágico

Quando falamos em um AVC hemorrágico, a hemorragia pode ser causada por fatores como:

  • Hipertensão arterial;
  • Inflamação nos vasos sanguíneos, que podem se desenvolver a partir de doenças como sífilis, doença de Lyme, vasculite e tuberculose;
  • Distúrbios de coagulação do sangue, como a hemofilia;
  • Ferimentos na cabeça ou no pescoço que resultam em danos aos vasos sanguíneos desses locais;
  • Tratamento com radiação para câncer no pescoço ou cérebro;
  • Angiopatia amiloide cerebral (uma doença degenerativa dos vasos sanguíneos);
  • Aterosclerose;
  • Arritmias cardíacas;
  • Doenças das válvulas cardíacas, como prolapso da válvula mitral ou estenose de uma válvula cardíaca;
  • Endocardite;
  • Forame oval patente, que é um defeito cardíaco congênito;
  • Distúrbios de coagulação do sangue;
  • Vasculite (inflamação dos vasos sanguíneos);
  • Insuficiência cardíaca;
  • Infarto agudo do miocárdio.

AVC isquêmico

O AVC isquêmico trata-se do derrame com obstrução da artéria, impedindo a passagem de oxigênio para as células cerebrais, que morrem – essa condição é chamada de isquemia cardíaca.

 

A obstrução da artéria pode acontecer por um trombo, que é um coágulo de sangue que se forma na parede do vaso sanguíneo; ou por um êmbolo, que nada mais é do que um trombo que se desloca pela corrente sanguínea até ficar preso em um vaso sanguíneo menor que sua extensão.

Tipos

Existem cinco tipos de AVC isquêmico:

 

AVC isquêmico lacunar: esse tipo de AVC ocorre quando um trombo é formado em um pequeno vaso, devido a uma inflamação chamada lipo-hialinose. É comum em pessoas que têm fatores de risco vasculares, como hipertensão.

 

AVC isquêmico aterotrombótico: a principal causa desse AVC isquêmico é a aterosclerose, doença que causa a formação de placas nos vasos sanguíneos maiores, levando à oclusão do vaso ou à formação de êmbolos. É ocasionado, assim como no lacunar, pela presença de fatores de risco vasculares.

 

AVC isquêmico cardioembólico: esse tipo ocorre quando o êmbolo causador do derrame parte do coração, no geral decorrente de doenças cardiovasculares, como citaremos abaixo.

 

AVC isquêmico de outra etiologia: esse é mais comum em indivíduos jovens, podendo estar relacionado a distúrbio de coagulação do sangue, doença que deixa o sangue mais espesso, a inflamação dentro do vaso sanguíneo (vasculite) e a fragilidade da parede dos vasos que levam sangue ao cérebro (dissecção).

 

AVC isquêmico criptogênico: quando a causa do AVC isquêmico não foi determinada, mesmo após uma investigação extensa.

Causas de AVC isquêmico

Uma isquemia causadora de um AVC pode ocorrer por fatores como:

 

  • Aterosclerose: condição vascular onde ocorre o acúmulo de lipídios (como o colesterol e triglicérides), plaquetas e outras substâncias no interior dos vasos sanguíneos, levando a um espessamento gradual de suas paredes e gerando sua obstrução.
  • Formação de trombos: pequenos grumos sanguíneos coagulados, de diversos tamanhos, que quando em circulação, encontram um vaso menor que seu diâmetro causando sua obstrução.
  • Inflamações: respostas locais que o nosso corpo produz para combater alguma situação indesejável. No AVC, as inflamações mais comuns são as causadas por anticorpos (doenças autoimunes) e as infecções que acometem o interior das artérias.

Fatores de risco mais relevantes

Os fatores de risco mais conhecidos para um AVC, seja qual for o tipo, são:

 

  • Hipertensão;
  • Diabetes tipo 2;
  • Colesterol alto;
  • Sobrepeso e obesidade;
  • Tabagismo;
  • Uso excessivo de álcool;
  • Idade avançada;
  • Sedentarismo;
  • Histórico familiar (parente próximo, como pai, mãe ou irmão, teve um AVC);
  • Ser do sexo masculino.

 

Além do mais, doenças cardiovasculares que influenciam no fluxo sanguíneo podem aumentar o risco de AVCs isquêmicos, como:

 

  • Arritmias cardíacas, a fibrilação atrial, por exemplo;
  • Doenças das válvulas cardíacas, como prolapso da válvula mitral ou estenose de válvula cardíaca;
  • Endocardite, que é a infecção das válvulas do coração;
  • Forame oval patente, que é um defeito cardíaco congênito;
  • Insuficiência cardíaca;
  • Infarto agudo do miocárdio;

Atente-se aos sintomas de AVC

Os principais sintomas de AVC são:

 

  • Diminuição ou perda súbita da força na face, braço ou perna de um lado do corpo;
  • Alteração súbita da sensibilidade com sensação de formigamento na face, braço ou perna de um lado do corpo;
  • Perda súbita de visão num olho ou nos dois olhos;
  • Alteração aguda da fala, incluindo dificuldade para articular, expressar ou para compreender a linguagem;
  • Dor de cabeça súbita e intensa sem causa aparente;
  • Instabilidade, vertigem súbita intensa e desequilíbrio associado a náuseas ou vômitos.

Você sabe diferenciar um AVC hemorrágico do isquêmico?

Em alguns casos, o AVC hemorrágico pode ter os sintomas agravados rapidamente (como o rebaixamento de consciência progressivo e a deterioração súbita dos reflexos neurológicos). Ademais, se a pessoa apresenta sintomas mais impactantes e graves logo de início, como o desmaio, convulsão e etc., é mais provável também que seja um AVC hemorrágico. Porém, saiba que não há uma maneira clínica definitiva para constatação desta separação. A melhor alternativa é a realização rápida de exame de imagem.

É importante entender que o AVC se manifesta como uma perda neurológica súbita, ou seja, mudanças em seus movimentos, fala, visão ou qualquer outra coisa que funcionava de uma determinada maneira e parou de repente ou então você começou a fazer de outra maneira. 

 

É extremamente essencial saber reconhecer o AVC o mais rápido possível, pois o tratamento precoce fará toda a diferente no futuro desse paciente. Por isso, esteja sempre atento àqueles sinais e sintomas mencionados acima!

Algumas outras dicas essenciais para procurar socorro médico

Não espere o pior passar

Uma mania muito perigosa – principalmente quando o assunto é derrame cerebral – é esperar a dor passar para, só então, procurar um médico. No geral, pensamos que é melhor deixar a pessoa se estabilizar, para evitar qualquer sofrimento em uma viagem ao hospital ou socorro. 

 

Não obstante, na suspeita de um AVC, o ideal é encaminhar essa pessoa para o hospital o mais rápido possível. Isto porque uma característica fundamental do AVC é a sua instalação súbita, e cada minuto perdido poderá fazer diferença lá na frente, na hora da recuperação, uma vez que quanto maior é o dano cerebral, maiores são as sequelas. 

 

Os danos de um AVC são consideravelmente maiores quando o atendimento demora mais de três horas para ser iniciado. Inclusive, no caso de AVC isquêmico, o médico pode dar ao paciente um medicamento anti-trombótico chamado alteplase, que deve ser aplicado em até quatro horas e meia após o início dos sintomas. Esse medicamento diminui em 30% o risco de sequelas do AVC isquêmico e em 18% a mortalidade.

Não dê ou tome AAS

É bastante comentado também sobre ministrar uma pílula de AAS (ácido acetilsalicílico) quando uma pessoa está sofrendo um AVC, já que ela afinaria o sangue e impediria um novo êmbolo. Apesar de ser um raciocínio correto, ele só traria algum benefício para pessoas que sofreram um AVC isquêmico – e ainda sim não é nada que faça muita diferença. 

 

Nos casos de AVC hemorrágico, o AAS pode piorar ainda mais o sangramento, agravando o quadro geral do paciente.

 

E como não é possível saber qual tipo de derrame cerebral a pessoa está tendo sem avaliação médica, o conselho é não dar qualquer medicamento e encaminhá-la para o hospital.

Não dê ou tome remédio para pressão

Aqui a lógica é a mesma do ácido acetilsalicílico: nenhum medicamento deve ser ministrado sem avaliação médica, ainda que o paciente seja hipertenso. Novamente, é impossível saber que tipo de AVC a pessoa está sofrendo e se o medicamento irá beneficiar ou não aquele quadro.

 

“Vale lembrar que nos casos em que o paciente tem hipertensão, a atenção com o rápido atendimento deve ser redobrada, e o controle do nível de pressão vai depender do tipo de AVC, do tratamento proposto e da história prévia da pessoa”, explicam os neurologistas.

Se a pessoa tiver diabetes, verifique a glicemia

Em pacientes do diabetes, a glicose muito alta ou muito baixa pode imitar os sintomas de AVC. É por isso que, a verificação da glicemia ajuda a distinguir um problema de outro. Dessa forma, é importante fazer medição e, caso não seja o caso de uma alteração na glicemia, correr para receber o atendimento adequado.

Chamar a emergência ou correr para o hospital?

 

Tudo vai depender se você estiver perto de um hospital ou pronto socorro de confiança e tem condições de ir ou levar o paciente para lá com rapidez, se esse for o caso, não há porque esperar a ambulância. Todavia, se você está longe de um pronto atendimento, não tem carro, a viagem até lá seria muito difícil ou você não está em condições de ir sozinho, não hesite em chamar a emergência, pois o tratamento pode ser iniciado na ambulância. 

 

Além disso, sempre dê preferência a hospitais que sabidamente tem um serviço dedicado ao tratamento agudo do AVC, que são aqueles capazes de realizar procedimentos neurológicos, como exames e cirurgias.

É necessário procedimento cirúrgico?

Existem dois tipos de cirurgia que podem ser indicadas para o tratamento do AVC. Se o paciente tiver obstrução significativa das artérias carótidas no pescoço (caso de AVC isquêmico), pode precisar de uma endarterectomia de carótida. 

 

Durante esta operação, o cirurgião remove a formação de placas nas artérias carótidas para reduzir o risco de ataque isquêmico transitório (TIA) ou AVC. Os benefícios e os riscos desta cirurgia devem ser cuidadosamente avaliados, pois a cirurgia em si pode causar um AVC. 

 

Já para o AVC hemorrágico, o tratamento cirúrgico visa retirar o sangue de dentro do cérebro. Em alguns casos, coloca-se um cateter para avaliar a pressão dentro do crânio, que aumenta por conta do inchaço do cérebro após o sangramento. 

 

O tratamento cirúrgico para o caso de AVC hemorrágico pode não ser realizado logo na entrada do paciente no hospital, principalmente porque alguns têm um novo sangramento poucas horas depois do primeiro. 

 

Vale ressaltar que nem todo o paciente precisará desses procedimentos cirúrgicos para se recuperar de um derrame cerebral. A indicação cirúrgica também depende da gravidade do quadro e da condição clínica do paciente, isso vai ser avaliado caso a caso.

Como é feito o diagnóstico de AVC

Primeiros socorros

Se você desconfia que uma pessoa está tendo um AVC, a escala pré-hospitalar de AVC deverá ser aplicada para reconhecer os sinais mais frequentes, caso o paciente não apresente um quadro claro. Dos três itens avaliados, um sinal positivo (com início súbito) é suficiente para suspeitar de um AVC hemorrágico:

 

  • Face: o socorrista pedirá para o paciente dar um sorriso, para verificar se há desvio da boca.
  • Força: ele pedirá ao paciente para levantar os dois braços e verá se um deles cai por falta de força.
  • Fala: será solicitado ao paciente dizer uma frase qualquer, como “o céu é azul”, para verificar se não há qualquer alteração.

Diagnóstico e tratamento de emergência

Assim que o paciente chega ao hospital, entre os cuidados clínicos de emergência estarão:

 

  • Verificar os sinais vitais, como pressão arterial e temperatura axilar.
  • Posicionar a cabeceira da cama a 0°, exceto se houver vômitos (nesse caso manter a 30 graus).
  • Colocar acesso venoso periférico em membro superior não-paralisado.
  • Administrar oxigênio por cateter nasal ou máscara, caso o paciente precise.
  • Checar a glicemia capilar.
  • Determinar o horário de início dos sintomas por meio de questionário ao paciente ou acompanhante.

 

Quais exames costumam ser feitos?

Alguns exames podem ser feitos, durante a internação, para ajudar no diagnóstico do tipo de AVC (isquêmico ou hemorrágico), da mesma maneira que o que o ocasionou:

 

  • Tomografia computadorizada
  • Ressonância magnética
  • Angiografia
  • Ultrassonografia
  • Ecocardiograma

Tratamento emergencial no hospital

Quando o paciente com AVC chega ao hospital e é determinado o tipo de AVC que ele tem, são executados os tratamentos de emergência.

 

Então é analisado se o tempo de aparecimento dos sintomas foi inferior a quatro horas, sem presença de hemorragia intracraniana, nesse caso, pode-se tentar a desobstrução das artérias através de uma medicação endovenosa, o rt-PA. Este procedimento é conhecido como trombólise endovenosa e poderá ser realizado caso o paciente esteja incluído nos critérios de eleição para o procedimento e não apresente nenhuma contra-indicação.

 

É claro que estes critérios de inclusão e exclusão são determinados por protocolos institucionais que devem obedecer as mais modernas recomendações internacionais da área. Se no exame de imagem for observada a presença de um trombo nas artérias cerebrais, a preferência é a retirada mecânica ou dissolução local do mesmo. Este procedimento é realizado pela equipe de Neurorradiologia, que deve ser acionada imediatamente.

É possível observar que através de avançados procedimentos endovasculares (como o cateterismo), pode-se retirar o trombo ou infundir no próprio local medicações que desfaçam a obstrução (incluindo o rt-PA). Isto possibilita a desobstrução imediata da artéria tamponada. Este procedimento é indicado para pacientes com até 8 horas-evento.

 

Se os sintomas tiverem começado num período superior a 4 horas, sem evidências da presença de trombo nas artérias intra-cerebrais detectada pelas imagens, resta apenas o tratamento clínico e o suporte para diminuição de danos e prevenção de novos eventos.

 

Depois da emergência o paciente é conduzido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde será observado e monitorado de perto, além de dar continuidade aos exames de investigação diagnóstica e prevenção de novos eventos. Nessa fase, todos os controles do pacientes devem ser estabilizados (pressão arterial, glicemia, equilíbrio metabólico e hidroeletrolítico).

Como funciona o tratamento clínico após a recuperação do paciente

O tratamento e a reabilitação da pessoa que sofreu um AVC dependerá sempre das particularidades que envolvam cada caso. Há recursos terapêuticos que podem auxiliar na restauração das funções afetadas.

 

Para que o paciente possa ter uma melhor recuperação e qualidade de vida, é fundamental que ele seja analisado e tratado por uma equipe multidisciplinar de profissionais da saúde, fisioterapeutas, médicos, psicólogos e demais profissionais.

 

Seja qual for o tipo do acidente, as consequências são bastante danosas e é preciso que o paciente esteja ciente disso. Além de estar entre as principais causas de morte mundiais, o AVC é uma das patologias que mais incapacitam para a realização das atividades cotidianas.

Alguns tipos de reabilitação

Durante a reabilitação, é importante que o paciente seja acompanhado por profissionais:

 

  • Fisioterapeutas;
  • Terapeutas ocupacionais;
  • Fonoaudiólogos.

Toda recuperação funciona da mesma forma?

Não, o prognóstico do paciente após um AVC pode variar muito. Tudo depende de fatores como extensão do AVC, local do cérebro onde ele aconteceu, demora no tratamento, idade, tipo de derrame, doenças relacionadas, entre outros fatores… Não existe uma regra. Cada caso evolui de um jeito. Contudo, quanto mais precoce e mais especializado o atendimento em geral, os resultados serão melhores.

 

Medicamentos para AVC

Os medicamentos usados no tratamento do AVC são geralmente indicados para evitar futuras complicações, a exemplo de doenças cardiovasculares. Para casos como esse, a sinvastatina costuma ser o remédio mais prescritos por especialistas.

 

Outros medicamentos usados para prevenir complicações e tratar efeitos do AVC são:

 

Lembrando que esses medicamentos também podem ser prescritos por médicos para prevenir a ocorrência de acidentes vasculares cerebrais.

 

Tendo sempre em mente que somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. 

 

Orientamos os leitores do blog a seguir sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedicarem.

 

Também não se deve interromper o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, seguir as instruções na bula.

Possíveis complicações

Quando se trata de um derrame, é importante ter em mente que a recuperação do paciente tem um limite, nunca será 100% – mas é possível estimulá-lo para que fique cada vez mais próximo da normalidade. 

 

Veja a seguir as principais sequelas de um AVC, tanto isquêmico quanto hemorrágico e as formas de amenizá-las que se mostram mais eficazes:

Déficit motor

Ocorre quando a área afetada pelo AVC é aquela responsável pelos movimentos do nosso corpo, sendo o lado esquerdo do cérebro responsável pelos movimentos do lado direito e vice-versa.

É importante a realização de fisioterapia e terapia ocupacional precoce, a fim de reinserir a pessoa nas atividades do dia a dia.

Como amenizar essa sequela

É essencial que o paciente não passe todo o tempo deitado, mesmo em sua estadia no hospital. Durante a internação, é preciso ter cuidado com as posturas do paciente, com a orientação de um fisioterapeuta, e cuidar para que ele se movimente. Quando o paciente não correr mais risco de vida e receber alta no hospital, é essencial reinseri-lo em atividades que eram próprias de seu cotidiano, a fim de que ele possa trabalhar suas habilidades motoras com algo que seja familiar. 

Déficit sensitivo

Diversas áreas do cérebro estão relacionadas à sensibilidade. Quando há lesão de uma delas, a pessoa deixa de sentir um lado do corpo. 

 

Para amenizar essa complicação, o próprio Ministério da Saúde em seu Manual de rotinas para atenção ao AVC de 2013, dá algumas dicas de como fazer. Uma atividade que pode ajudar na recuperação da sensibilidade é expor a área afetada a diferentes materiais, como esponjas, papéis, madeira, lixas ásperas e etc.

Afasia

Quando o derrame cerebral ocorre na área do cérebro correspondente à linguagem (broca e wernicke), é comum o paciente sofrer com a afasia. Para tratar isso, é fundamental o trabalho do fonoaudiólogo.

 

A afasia pode ser dividida basicamente em dois grandes grupos: afasia de expressão (quando o paciente entende o que você fala, mas é incapaz de se expressar pela linguagem falada) e de compreensão (quando ele consegue se expressar de todas as formas, mas não entende o que lhe é dito). 

 

Com o devido acompanhamento fonoaudiológico, é possível até mesmo que uma pessoa que não conseguia dizer nada, reaprenda algumas palavras. Durante esse processo, enquanto o paciente ainda não consegue se comunicar pela fala ou escrita, podem ser combinados códigos, como mímicas ou acenos de cabeça.

 

Apraxia

O paciente de AVC com apraxia perde a capacidade de se expressar por gestos e mímicas e de realizar tarefas motoras em sequências. Ou seja, ele perde a capacidade de fazer gestos que tenham um significado pré-definido, como o sinal de silêncio, acenar para dar oi ou levantar o polegar em sinal positivo.

 

Nesses casos o paciente precisa reaprender a fazer esses processos. É necessário ensinar novamente essa sequência de movimentos, que deve ser lembrada e exercitada. É preciso tornar consciente um conjunto de movimentos que antes eram automáticos.

Negligência

Essa sequela diz respeito ao paciente que negligencia uma parte ou um lado se seu corpo – a intensidade do problema dependerá do tamanho da lesão. Apesar de bem grave, ela geralmente desaparece depois de 3 meses. 

 

Podemos classificar os quadros de negligência em três tipos: motor, visual e sensitivo. Ou seja, a pessoa consegue se movimentar, enxergar ou sentir as coisas, mas o cérebro não processa essas possibilidades. A negligência acaba sendo muito trabalhada na terapia ocupacional, no sentido de tentar dar uma função a um membro que está negligenciado, fazer atividades que chamem a atenção para o lado afetado.

Agnosia visual

Quando falamos em agnosia visual, podemos entender que se trata da incapacidade da pessoa de reconhecer objetos e pessoas através da visão, apesar de essa não ter sido comprometida. Dependendo do grau da lesão, a pessoa pode inclusive não reconhecer mais rostos. Essa é uma lesão que também tende a melhorar com o tempo, não sendo possível fazer muito para acelerar o processo. Porém, algo que pode ser importante é exercitar esse lado do paciente, apresentando-o para novos objetos, sempre com muita paciência – uma tática usada é começar por objetos que faziam parte do cotidiano do paciente antes do AVC.

Déficit de memória

A perda de memória, normalmente é um déficit secundário, inserido dentro de um contexto de outras perdas. O sintoma de déficit de memória dependerá da área do cérebro afetada, mas no geral a pessoa perde a capacidade de lembrar eventos recentes, recordando apenas episódios passados.

 

Em busca da ajuda da recuperação da memória do paciente, recursos como jogos de memória são muito utilizados, procurando sempre inserir elementos comuns de seu cotidiano. Um cozinheiro pode participar de um jogo com panelas e outros utensílios de cozinha, por exemplo.

Lesões no tronco cerebral

No tronco cerebral estão localizados centros responsáveis por atividades vitais, como a respiração. Lesões nesta região podem deixar sequelas graves e até mesmo levar à morte. Infelizmente, o tronco cerebral é uma parte do encéfalo que pode ser acometida em pacientes com AVC. 

 

Pacientes com esse tipo de sequela podem apresentar também paralisia nos dois lados do corpo, estrabismo e dificuldades para engolir. Para tratar cada ponto, é necessário que cada um deles seja analisado por sua especialidade específica.

Alterações comportamentais

Ocasionadas por uma lesão na parte frontal do cérebro, as alterações comportamentais são comuns em vítimas de AVC. É possível que o paciente passe por quadros de agitação e apatia, depois evolua para sintomas como perda de iniciativa e talvez até explosões de raiva sem uma causa aparente.

 

Os cuidadores devem buscar orientação médica, pois em alguns casos pode ser necessário que o paciente seja medicado.

Depressão, estresse e TEPT (Transtorno de Estresse pós-traumático)

Normalmente os sintomas iniciam logo após o AVC e são iguais aos da depressão comum – tristeza, apatia, sono inadequado, transtornos alimentares, entre outros – e pede um tratamento especializado com um psicólogo e com um neurologista ou psiquiatra.

 

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) também é comum em pessoas que sofreram a doença, como aponta uma pesquisa feita pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. O trabalho mostrou que quase um para cada quatro pacientes de AVC sofrem de estresse pós-traumático, e um em cada nove pacientes desenvolvem TEPT crônico mais de um ano depois. Sintomas que ajudam a identificar o problema são pesadelos persistentes e tendência do paciente a evitar lembranças do evento, frequência cardíaca e pressão arterial elevadas também podem ser sinais da condição. Em casos assim, procure sempre assistência médica.

 

O objetivo do tratamento depois de um AVC envolve, além de tratar as sequelas que surgem, evitar possíveis eventos futuros. Por isso, mudanças no estilo de vida são uma parte importante do acompanhamento do AVC isquêmico.

Existem maneiras de evitar um AVC?

Como vimos mais acima neste artigo, diversos fatores de risco contribuem para o aparecimento de um AVC isquêmico. Alguns desses fatores não podem ser modificados, como a idade, a raça, o histórico familiar e o sexo.

 

Outros fatores,no entanto, podem ser diagnosticados e tratados, tais como a hipertensão arterial (pressão alta), a diabetes mellitus, as doenças cardíacas, a enxaqueca, o uso de anticoncepcionais hormonais, a ingestão de bebidas alcoólicas, o fumo, o sedentarismo (falta de atividades físicas) e a obesidade.

 

Por isso que, a adequação dos hábitos de vida diária é primordial para a prevenção do AVC.

Veja algumas maneiras que podem ajudar a impedir um derrame ou a ocorrência de um novo quando já se foi vítima:

 

  • Não fumar ou não permitir que outros fumem perto de você.
  • Manter o peso saudável.
  • Praticar pelo menos 30 minutos de exercícios, na maioria dos dias da semana (caminhada é uma boa escolha).
  • Manter uma dieta equilibrada, com menos colesterol, gorduras saturadas, açúcar e sal, conforme orientação profissional.
  • Controlar a pressão (se você for hipertenso).
  • Controlar a glicemia (se você tiver diabetes).
  • Seguir tomando as medicações prescritas pelo médico. 
  • Após o AVC isquêmico a grande maioria dos pacientes terão que tomar um antiagregante, medicação que afina o sangue, como a aspirina (AAS).

 

Viu quantas informações úteis e válidas a respeito de AVC (Acidente vascular cerebral) estão disponibilizadas aqui neste artigo para você? Restou alguma dúvida? Entre em contato conosco através do nosso quadro de comentários abaixo que teremos prazer em interagir com você!