O que é Glaucoma?

09/01/2020 0 Por Alana Dizioli

Você já ouviu falar de glaucoma? Trata-se de uma doença ocular caracterizada por alteração do nervo óptico que leva a um dano irreversível das fibras nervosas e, consequentemente, perda de campo visual. Essa lesão pode ser causada por um aumento da pressão ocular ou uma alteração do fluxo sanguíneo na cabeça do nervo óptico.

Essa doença é considerada a principal causa de cegueira irreversível no mundo, e isso ocorre por ser um quadro que não apresenta sintomas em grande parte dos casos. O glaucoma pode já estar presente e a pessoa não percebe causando uma piora do quadro e progressivamente uma lesão irreversível do nervo que, por sua vez, afeta o campo de visão.

 

Segundo alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS), são registrados 2,4 milhões de novos casos de glaucoma anualmente, o que totaliza 60 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Glaucoma, a doença atinge 2% dos brasileiros acima dos 40 anos, resultando em cerca de um milhão de pessoas. 

Os tipos de glaucoma

O glaucoma pode ser dividido nos seguintes tipos: 

Glaucoma agudo de ângulo fechado

O glaucoma de ângulo fechado (agudo) ocorre quando a saída do humor aquoso é subitamente bloqueada. Isso origina um aumento rápido, doloroso e grave na pressão intraocular. Casos de glaucoma agudo são emergenciais, bem diferentes do que ocorre com o tipo crônico da doença, em que a pressão ocular desenvolve-se lenta e silenciosamente e, aos poucos, vai danificando a visão.

 

É importante entender que, ângulos estreitos não são comuns em pessoas jovens. Com o envelhecimento, o cristalino continua crescendo. Em algumas pessoas, esse crescimento empurra a íris para a frente, estreitando o ângulo. Os fatores de risco do desenvolvimento de ângulos estreitos incluem história familiar, idade avançada e etnia; o risco é maior entre pessoas de etnia asiática e inuíte e menor entre pessoas de etnia europeia e africana.

 

Em pessoas com ângulos estreitos, a distância entre a íris na pupila e o cristalino também é bem estreita. Ao se dilatar, a íris é puxada centrípeta e posteriormente, causando o aumento do contato iridocristaliniano, que impede o humor aquoso de passar entre o cristalino e a íris, através da pupila, para a câmara anterior (esse mecanismo é denominado bloqueio pupilar). 

 

A pressão decorrente da secreção contínua de humor aquoso para a câmara posterior pelo corpo ciliar empurra a periferia da íris anteriormente (causando um abaulamento chamado íris bombé), fechando o ângulo. Esse fechamento bloqueia a saída de humor aquoso, resultando em elevação rápida (algumas horas) e intensa da PIO (> 40 mmHg).

Por que este nome?

Em razão do início súbito, esta condição é denominada glaucoma primário agudo de ângulo fechado, uma emergência oftálmica que requer tratamento imediato. Mecanismos de bloqueio não pupilares incluem síndrome da íris em platô na qual a câmara anterior central é profunda, mas a câmara anterior periférica torna-se superficial por um corpo ciliar que é deslocado para a frente.

 

O glaucoma de ângulo fechado intermitente ocorre se o episódio de bloqueio pupilar se resolve espontaneamente após algumas horas, geralmente depois de dormir deitado de costas.

 

Já o glaucoma crônico de ângulo fechado ocorre se o fechamento do ângulo se desenvolve de forma lenta, favorecendo a cicatrização entre a íris periférica e a malha trabecular; nesse caso, o aumento da PIO é lento.

 

A dilatação pupilar (midríase) pode empurrar a íris na direção do ângulo e precipitar glaucoma agudo de ângulo fechado em qualquer pessoa com estreitamento de ângulo. Esse desenvolvimento é particularmente preocupante ao aplicar agentes tópicos para dilatar a pupila para o exame (p. ex., ciclopentolato, fenilefrina), para tratamento (p. ex., homatropina) ou com o uso de fármacos sistêmicos com potencial de dilatar a pupila (p. ex., escopolamina, agonistas alfa-adrenérgicos comumente usados para tratar incontinência urinária ou anticolinérgicos).

 

Glaucoma secundário de ângulo fechado

A obstrução mecânica do ângulo se deve a uma condição coexistente, como retinopatia diabética proliferativa (RDP), oclusão isquêmica de veia central, uveíte ou crescimento epitelial. A contração de uma membrana neovascular (p. ex., na RDP) ou cicatriz inflamatória pode puxar a íris em direção ao ângulo.

Principais sinais e sintomas

A pessoa acometida pode apresentar dor ocular e rubor importantes, diminuição da visão, visão de halos coloridos, cefaleia, náuseas e vômitos. As queixas sistêmicas podem ser tão graves que os pacientes são diagnosticados erroneamente como apresentando um problema neurológico ou gastrintestinal. 

 

O exame tipicamente revela injeção conjuntival, córnea edemaciada, pupila fixa em média-midríase e inflamação da câmara anterior. A visão fica reduzida. A medição da PIO normalmente está entre 40 e 80 mm Hg. O nervo óptico é de difícil visualização em razão do edema de córnea, não sendo possível realizar exame de campo visual devido ao desconforto. Para mecanismos primários de ângulo fechado (p. ex., bloqueio pupilar e íris em platô), o exame do olho contralateral não envolvido pode indicar o diagnóstico.

Glaucoma crônico de ângulo fechado

Esse tipo de glaucoma se manifesta de forma similar ao glaucoma de ângulo aberto. Alguns pacientes apresentam rubor ocular, desconforto, visão borrada ou cefaleia que melhora com o sono (provavelmente devido à miose induzida pelo sono e ao deslocamento posterior do cristalino pela gravidade). 

 

Na gonioscopia, o ângulo é estreito, e sinéquias anteriores periféricas (aderências entre a íris periférica e as estrutura angulares que causam bloqueio da malha trabecular e/ou face de corpo ciliar), também chamado SAP, podem ser vistas. A PIO pode estar normal, mas é normalmente mais alta no olho afetado.

 

Como é feito o diagnóstico

  • Agudo: medida da PIO e achados clínicos
  • Crônico: gonioscopia mostrando sinéquias anteriores periféricas, nervo óptico característico e anormalidades do campo visual

 

O diagnóstico do glaucoma agudo de ângulo fechado é clínico e dado pela medida da PIO. 

 

Gonioscopia pode ser difícil de realizar no olho envolvido, devido à opacificação da córnea com epitélio friável. Entretanto, o exame do olho contralateral revela um ângulo estreito ou oclusível. Se o outro olho tem um ângulo aberto, um diagnóstico diferente de glaucoma primário de ângulo fechado deve ser considerado.

 

Glaucoma congênito

O glaucoma congênito é, como o próprio nome diz, o tipo em que a criança já nasce com a doença, herdada da mãe durante a gravidez. Este tipo da doença, no entanto, é considerado raro e se descoberto, deve-se tratar imediatamente.

 

Tal doença rara afeta a criança desde o nascimento até aos 3 anos de idade, causada pelo aumento da pressão dentro do olho devido ao acúmulo de líquido, podendo afetar o nervo óptico e levar à cegueira quando não tratada.

 

O bebê que nasce com glaucoma congênito apresenta sintomas como córnea turva e inchada e aumento dos olhos. Nos locais em que não há o teste do olhinho só costuma ser detectado por volta dos 6 meses ou até mais tarde, o que vem a dificultar o melhor tratamento e o prognóstico visual da criança.

 

Por esta razão, é importante que o recém-nascido, faça até o fim do primeiro trimestre de vida o teste do olhinho pelo oftalmologista. Em caso de confirmação do Glaucoma Congênito, o oftalmologista pode até prescrever colírios para diminuir a pressão intra-ocular, porém isso é feito para diminuir a pressão antes da cirurgia. O tratamento consiste numa cirurgia através da goniotomia, trabeculotomia ou implantes de próteses de drenagem do líquido intra-ocular.

 

É importante que seja feito o diagnóstico precoce e iniciado o tratamento, pois assim é possível prevenir complicações, como a cegueira.

Sintomas do glaucoma congênito

O glaucoma congênito pode ser identificado através de alguns sintomas como:

 

  • Até 1 ano: A córnea do olho fica inchada, ficando turva, a criança demonstra desconforto à luz e tenta cobrir os olhos na claridade;
  • Entre 1 e 3 anos: A córnea aumenta de tamanho e é comum a criança ser elogiada pelos grandes olhos que possui;
  • Até 3 anos: Mesmos sinais e sintomas. Os olhos só irão crescer pelo aumento da pressão até esta idade.

 

Outros sintomas como secreção excessiva de lágrimas e olhos vermelhos também podem estar presentes no glaucoma congênito.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico precoce do glaucoma é complicado, pois os sintomas são considerados inespecíficos e podem variar de acordo com a idade do aparecimento dos sintomas e o grau de malformações. No entanto, o glaucoma congênito pode ser identificado por meio de exame oftalmológico completo que inclui medição da pressão dentro do olho e exame de todas as partes do olho como córnea e nervo ótico, por exemplo. 

 

Geralmente, o glaucoma é causado pelo aumento da pressão nos olhos, conhecida por pressão intra-ocular. O aumento da pressão ocorre porque no olho é produzido um líquido denominado humor aquoso, como citado anteriormente e, como o olho é fechado, este líquido precisa ser escoado naturalmente. Quando o sistema de drenagem não funciona corretamente, o líquido não pode ser drenado para fora do olho e assim a pressão dentro do olho aumenta.

 

Vale ressaltar que, apesar do aumento da pressão ser a causa mais comum, existem casos em que não se apresenta pressão intra-ocular elevada e, nestes casos a doença é causada por mau funcionamento dos vasos sanguíneos do nervo óptico, por exemplo.

 

Glaucoma de ângulo aberto (crônico)

O glaucoma de ângulo aberto (crônico) é o tipo mais comum da doença e tende a ser hereditário, mas sua causa é desconhecida. Nele, um aumento na pressão ocular desenvolve-se lentamente com o passar do tempo, e a pressão elevada causa um dano permanente no nervo óptico, causando perda do campo visual.

O glaucoma primário de ângulo aberto é uma síndrome de lesão do nervo óptico associada a ângulo aberto da câmara anterior e pressão intraocular elevada ou limítrofe. 

 

Os sintomas são resultado da perda do campo visual. 

 

O diagnóstico é feito por oftalmoscopia, gonioscopia, exame de campo visual e medição da espessura corneana central e PIO. 

 

Tratamento é feito com fármacos de uso tópico (p. ex., análogos da prostaglandina e betabloqueadores) e, algumas vezes, requer cirurgia a laser ou incisional para aumentar a drenagem do humor aquoso.

Glaucoma secundário

Por último, o glaucoma secundário costuma ser causado principalmente pelo uso de medicamentos, como corticosteroides, pelos traumas e por outras doenças oculares e sistêmicas.

 

Ele refere-se a qualquer caso de glaucoma em que outra doença causa ou contribui para aumento da pressão intraocular, resultando em dano do nervo óptico e perda de visão. É por isso que, pode ocorrer como resultado de trauma ocular, inflamação, tumor, uso de medicamentos oculares ou sistêmicos, ou em casos avançados de catarata ou diabetes. Os medicamentos oculares mais frequentemente associados são os colírios com corticoides.

 

Principais causas para glaucoma

Existem razões que a medicina ainda não compreende totalmente. Elas fazem aumentar a pressão dentro do olho (pressão intraocular) e é geralmente, mas nem sempre, associada à lesão do nervo óptico, que caracteriza o glaucoma. Esta pressão acontece devido ao aumento do líquido chamado humor aquoso, que é produzido na parte anterior do olho ou por uma deficiência de sua drenagem através de seu canal.

 

Quando há um bloqueio desse fluido do olho, este provoca o aumento da pressão ocular. Na maioria dos casos de glaucoma, essa pressão está elevada e provoca danos no nervo óptico.

 

Como vimos no caso do glaucoma congênito, a doença também pode acometer crianças, embora elas não manifestem nenhum tipo de sintoma. Crianças podem vir a apresentar glaucoma congênito de evolução tardia que acontece nos primeiros anos de vida ou glaucoma juvenil que surge geralmente aos quatro ou cinco anos de idade. Mesmo não havendo sintomas, elas também podem sofrer danos no nervo óptico.

E quais os fatores de risco?

É muito importante ficar alerta para alguns fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de glaucoma e que até mesmo pode levar à cegueira, se não tratados. Confira:

 

  • Pressão intraocular elevada;
  • Idade acima dos 60 anos ou acima dos 40 anos, para o caso de glaucoma agudo;
  • Afro americanos são mais propensos a desenvolver glaucoma do que pessoas caucasianas, principalmente os acima dos 40 anos de idade;
  • Histórico familiar de glaucoma pode elevar as chances de um indivíduo desenvolver a doença também;
  • Doenças no olho, como alguns tumores, descolamento de retina e inflamações, aumentam o risco de glaucoma;
  • Fazer uso por muito tempo de medicamentos à base de corticosteroides.

 

Além disso, entre os principais fatores de risco estão diabetes, problemas cardíacos, hipertensão e hipertireoidismo. Estes também podem levar à doença. Um estudo realizado pela Universidade de Michigan e publicado na revista americana Ophthalmology, faz um alerta quanto a relação de hipertensão e diabetes a um maior risco de glaucoma.

 

De acordo com os pesquisadores, o diagnóstico de diabetes tipo 2 aumenta o risco de glaucoma em 35%. E quando há hipertensão arterial a chance é maior em 17%. Mas, quando ambas condições estão presentes, a probabilidade de desenvolver glaucoma é de 48%. Vale lembrar que a relação das doenças com o glaucoma ainda está sendo estudada.

Sintomas

Os sintomas de glaucoma costumam variar de acordo com o tipo da doença. Confira:

 

Glaucoma de ângulo aberto

  • Muitas pessoas NÃO apresentam sintomas até o início da perda da visão
  • Perda gradual da visão periférica lateral, também denominada visão tubular.

 

Glaucoma de ângulo fechado

  • Os sintomas podem ser intermitentes no início ou piorarem prontamente
  • Dor grave e súbita em um olho
  • Visão diminuída ou embaçada
  • Náusea e vômito
  • Olhos vermelhos
  • Olhos de aparência inchada.

 

Glaucoma congênito

  • Os sintomas costumam ser notados quando a criança tem alguns meses de vida
  • Nebulosidade na parte frontal do olho
  • Aumento de um olho ou de ambos os olhos
  • Olho vermelho
  • Sensibilidade à luz
  • Lacrimação.

 

Quando devo procurar um médico?

Se houver suspeita de glaucoma, não espere por sinais visíveis de problemas nos olhos. Glaucoma de ângulo aberto dá poucos sinais em seu estágio inicial e, quando a pessoa finalmente resolver procurar um médico, a doença já poderá ter causado danos permanentes ao olho. 

 

Exames oftalmológicos regulares são a principal forma para a detecção de glaucoma. O diagnóstico precoce pode evitar a progressão da doença e complicações mais graves.

 

Se você notar qualquer sintoma de glaucoma, procure ajuda médica imediatamente.

Como será feito o diagnóstico? E os exames?

Especialistas que podem diagnosticar o glaucoma são: 

 

  • Oftalmologista
  • Clínico geral.

 

Lembre-se que, estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dito isso, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

 

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

 

Esteja preparado para algumas perguntas que o médico poderá fazer, por exemplo:

 

  • Você já teve algum desconforto ocular ou problemas de visão?
  • Você tem outros sinais ou sintomas do tipo?
  • Você tem algum histórico familiar de glaucoma ou outros problemas oculares?
  • Que exames de triagem ocular você fez e quando?
  • Você já foi diagnosticado com alguma outra condição médica?
  • Você está usando colírios?
  • Você está usando vitaminas ou suplementos?

 

Você também deverá levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar. Para esclarecer dúvidas sobre o glaucoma, algumas perguntas básicas que você pode fazer incluem:

 

  • Eu tenho sinais de glaucoma?
  • Quais testes eu preciso fazer para confirmar o diagnóstico?
  • Qual o tratamento indicado?
  • Preciso seguir alguma restrição nas minhas atividade?
  • Com que frequência preciso retornar ao médico?
  • Tenho outras condições de saúde, como posso administrá-los melhor juntos?

 

Não hesite em fazer outras perguntas, caso elas ocorram no momento da consulta.

Diagnóstico de Glaucoma

Um exame ocular pode ser usado para identificar o glaucoma. O médico precisará examinar o interior do olho, observando através da pupila, que geralmente é dilatada. O especialista geralmente realiza um exame completo do olho para confirmar o diagnóstico.

 

Somente a averiguação da pressão intraocular (por meio da tonometria) não é suficiente para diagnosticar o glaucoma, pois a pressão ocular costuma mudar. Por isso, outros exames deverão ser feitos para que o médico possa diagnosticar o paciente com glaucoma ou não.

Exames Essenciais

Os exames mais realizados para diagnosticar o glaucoma são:

 

  • Acuidade visual
  • Avaliação do nervo óptico
  • Campimetria
  • Exame com lâmpada de fenda
  • Gonioscopia (uso de lentes especiais para verificar os canais de circulação do ângulo)
  • Imagens do nervo óptico
  • Resposta do reflexo da pupila
  • Tonometria para medir a pressão ocular.

Tratamento e Cuidados

O tratamento vai girar em torno de reduzir a pressão ocular. Dependendo do tipo de glaucoma, isso pode ser feito por meio de medicamentos ou até mesmo cirurgia.

Glaucoma de ângulo aberto

Visto que, a maioria das pessoas com o glaucoma de ângulo aberto pode ser submetida a um tratamento bem-sucedido com colírios, muitos dos colírios usados atualmente possui poucos efeitos colaterais em comparação aos do passado. 

 

Alguns casos pode exigir o uso de mais de um tipo de colírio e alguns pacientes podem ser tratados, ainda, com pílulas que agem para baixar a pressão ocular. Novas pílulas e colírios vêm sendo desenvolvidos para proteger o nervo óptico dos danos do glaucoma.

 

Alguns pacientes podem precisar de outras formas de tratamento, como a cirurgia a laser, para auxiliar na desobstrução da circulação do humor aquoso. Esse procedimento é geralmente indolor. Outros pacientes podem precisar de cirurgia tradicional para abrir um novo canal para o fluxo normal de humor aquoso.

Glaucoma de ângulo fechado

Glaucoma agudo de ângulo fechado é uma emergência médica, podendo levar inclusive à cegueira após alguns dias sem tratamento. Colírios, pílulas e medicamento intravenoso são utilizados para baixar a pressão nesses casos. Alguns pacientes ainda precisam ser submetidos a uma operação de emergência, chamada de iridotomia. Este procedimento usa um laser para abrir um novo canal na íris, que alivia a pressão e previne uma nova crise.

Glaucoma congênito

Essa forma de glaucoma é sempre tratada com cirurgia para desobstruir as câmaras do ângulo. Isso é feito com o paciente completamente anestesiado.

Glaucoma secundário

O tratamento é basicamente composto pelo uso de colírios que diminuem a pressão intraocular e em grande parte dos casos contém a progressão da doença, mas não reverte o dano estabelecido. 

 

Alguns casos são tratados com laser ou nos casos mais avançados a cirurgia é indicada.

 

Como são as cirurgias para glaucoma?

Atualmente, existem três tipos de cirurgia indicados para glaucoma:

Trabeculoplastia a laser

Nesta cirurgia é utilizada uma combinação de frequências de laser que permite o tratamento com pouca energia. Este procedimento trata células específicas danificadas, deixando outras porções intactas. Este método pode ser repetido para alcançar o resultado.

Iridectomia a laser

A outra cirurgia que pode ser prescrita é a iridectomia a laser, destinada ao tratamento e prevenção de ângulo fechado. Uma pequena abertura periférica é criada na íris para que a camada aquosa passe livremente da câmara posterior para a câmara anterior do olho, desta forma irá romper o bloqueio pupilar.

Trabeculectomia

Por último, a trabeculectomia tradicional é indicada para controlar o glaucoma em casos em que o tratamento clínico não surte efeito e quando os exames complementares como o de Campimetria, mapeamento de retina e gonioscopia mostram que o quadro clínico continua piorando. O procedimento consiste em fazer uma fístula de drenagem de líquido do humor aquoso da câmara anterior do olho.

 

Medicamentos para Glaucoma

Os medicamentos mais usados para o tratamento de glaucoma consistem em:

 

  • Bimatoprosta
  • Brimonidina
  • Cloridrato de Dorzolamida + Maleato de Timolol
  • Diamox
  • Dolantina
  • Meticorten

 

Em contrapartida, os medicamentos contraindicados para glaucoma são:

 

  • Cloridrato de ciclobenzaprina
  • Rivotril.

 

Como sempre gostamos de deixar claro em nossos artigos aqui do blog, lembre-se que somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, também qual a dosagem correta e a duração do tratamento. 

 

Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Também não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Perguntas frequentes sobre glaucoma

Quem tem glaucoma pode usar lentes de contato?

Sim, é possível que quem tenha glaucoma possa fazer uso de lentes de contato. Isso se deve porque o glaucoma é uma doença que na maior parte das vezes é tratada com um ou mais colírios. O que os especialistas sugerem que seja evitado é a utilização dos colírios com a lente de contato nos olhos.

Quem tem glaucoma precisa usar óculos?

Não, necessariamente. O glaucoma é o aumento da pressão dos olhos que leva a dano do nervo óptico e perda da visão. A necessidade dos óculos é para a correção do grau de curvatura da córnea, portanto são coisas independentes.

Glaucoma pode cegar?

Sim. Essa doença é uma das maiores causas de cegueira irreversível (junto com a retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada com a idade – DMRI), pois os sintomas são silenciosos e a pessoa só percebe algo de errado quando já está com a perda grave inconvertível da visão. 

 

A melhor maneira de lidar com esta doença é a prevenção, portanto, é de extrema importância realizar acompanhamento com seu oftalmologista pelo menos uma vez por ano.

Glaucoma tem cura?

Existe tratamento. A expectativa deste, assim como a recuperação do glaucoma varia de acordo com o tipo da doença e das medidas tomadas por paciente e médico durante todo o período de tratamento.

 

Com os cuidados certos, a maioria dos pacientes do glaucoma de ângulo aberto pode controlar a doença e não perder a visão, mas a doença não pode ser curada. É importante ter sempre acompanhamento médico nesses casos.

 

Diagnóstico e tratamento imediatos à crise são essenciais para salvar a visão. Busque o atendimento de emergência caso haja sintomas de ataque de glaucoma do ângulo fechado. Antever o problema e entrar com tratamento precoce são medidas essenciais. Se a cirurgia for realizada cedo, muitos pacientes não sofrerão problemas futuros.

Quais as possíveis complicações?

Se não for tratado, o glaucoma pode causar perda de visão progressiva irreversível. A doença vai causar primeiramente alguns pontos cegos na visão periférica, avançando em seguida para a visão de túnel e, por último, levando a pessoa à cegueira total.

E o prognóstico?

Se você tiver sido diagnosticado com glaucoma, siga estas dicas, mude seu estilo de vida e acelere a recuperação. Veja:

Tenha uma dieta saudável

Comer de maneira equilibrada vai ajudar a manter a sua saúde, mas não vai impedir o agravamento dos sintomas do glaucoma se não houver o tratamento necessário. Várias vitaminas e nutrientes podem ajudar a melhorar sua visão.

Exercite-se de maneira segura

O exercício regular pode reduzir a pressão ocular em casos de glaucoma de ângulo aberto. Converse com seu médico e com seu personal trainer sobre um programa de exercícios adequado.

Diminua a ingestão de cafeína

Beber grandes quantidades de cafeína pode aumentar a sua pressão ocular.

Mantenha-se hidratado

Beba líquidos com frequência, mas sem exageros. Grandes quantidades de líquidos ingeridos pode aumentar temporariamente a pressão intraocular.

É possível prevenir?

Não há como prevenir um glaucoma de ângulo aberto, mas pode-se evitar a perda da visão. Diagnóstico precoce e cuidados meticulosos com a doença são chaves para a prevenção da cegueira.

 

É muito importante fazer consultas frequentes ao oftalmologista e realizar sempre alguns exames de prevenção para evitar os sustos causados pelo glaucoma.

 

É claro que existem também alternativas de autocuidado que podem ajudá-lo a detectar a doença precocemente, limitar a perda de visão ou retardar seu progresso. Alguns exemplos são:

 

  • Receber cuidados oculares regularmente: Realizar exames oftalmológicos completos e de forma regular podem ajudar a detectar o glaucoma em seus estágios iniciais, antes que ocorram danos irreversíveis. Como regra geral, faça exames oftalmológicos abrangentes a cada quatro anos, a partir dos 40 anos e a cada dois anos, a partir dos 65 anos. Você pode precisar de exames mais frequentes se estiver sob alto risco de glaucoma. Pergunte ao seu médico para recomendar o cronograma de triagem correto para você.

 

  • Conhecer o histórico de saúde ocular da sua família: O glaucoma tende a caminhar entre famílias. Se você está em risco aumentado, pode precisar de triagem mais frequente.

 

  • Exercitar-se com segurança: Exercícios moderados e regulares podem ajudar a prevenir o glaucoma, reduzindo a pressão ocular. Converse com seu médico sobre um programa de exercícios apropriado.

 

  • Usar os colírios prescritos regularmente: Os colírios contra o glaucoma podem reduzir significativamente o risco de que a pressão ocular alta progrida para a doença. Para ser eficaz, os colírios receitados pelo seu médico precisam ser usados regularmente, mesmo que você não tenha sintomas.

 

  • Usar proteção para os olhos:  Lesões oculares graves podem levar ao glaucoma. Use proteção para os olhos ao usar ferramentas elétricas ou pratique esportes de raquete de alta velocidade em quadras fechadas.

 

O Ministério da Saúde tem um protocolo clínico e diretrizes terapêuticas específicas para o glaucoma em sua página oficial. Se tiver interesse, acesse agora mesmo para tirar suas principais dúvidas a esse respeito.

 

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