O papel da geriatria

15/06/2016 0 Por cliquefarma

O geriatra é um médico que utiliza uma abordagem ampla para a avaliação clínica, incluindo aspectos psicossociais, escalas e testes; por isso, a consulta geriátrica é, em geral, mais demorada.

Além de lidar com doenças como as demências, a hipertensão arterial, o diabetes e a osteoporose, o geriatra também trata de problemas com múltiplas causas, como tonturas, incontinência urinária e tendência a quedas. Ele também fornece cuidados paliativos aos pacientes portadores de doenças sem possibilidade de cura.

Frequentemente, atua em conjunto com equipe multidisciplinar, como na avaliação de tratamentos adequados e daqueles que trazem riscos e/ou interações indesejadas.

A Medicina Geriátrica é uma ciência que avança a cada dia, propiciando longevidade com melhor qualidade de vida para a população idosa.

Doenças relacionadas ao envelhecimento

  • Os distúrbios de memória (e as doenças relacionadas, como o Alzheimer);
  • A incontinência urinária;
  • As quedas, os distúrbios de equilíbrio e tonturas – esse é um dos temas de abordagem mais difícil em toda a medicina que envolve um grande conhecimento dos mais diversos sistemas do corpo humano;
  • A polifarmácia (uso de muitos remédios para diferentes doenças e suas conseqüências) – a cada vez que se inventa um remédio se inventam uma ou mais doenças. Na terceira idade, as mínimas coisas afloram e os efeitos colaterais de medicamentos são freqüentes causas das queixas dos pacientes. O conhecimento profundo de farmacologia é necessário;
  • A imobilidade (conseqüências da limitação física devido a doenças) – as conseqüências sofridas por um paciente com sequela de AVC e que está restrito ao leito, por exemplo;

O geriatra é também um clínico geral preparado para atender adultos com o acréscimo de possuir uma formação que vai além da Clínica Médica pura, pois está habituado com as particularidades da história clínica e do exame do idoso. Nesse sentido, a Geriatria atua nos seguintes âmbitos:

Promoção de saúde

É o estímulo entre os idosos e os adultos em fase de envelhecimento para que cultivem hábitos saudáveis que previnem diversas doenças.

Prevenção de acidentes

Visa diminuir a chance de que situações evitáveis prejudiquem a saúde.

Tratamento e controle de doenças já estabelecidas

O geriatra avalia o paciente com uma visão holística. Não é raro que os idosos façam acompanhamento com diversos especialistas que focam seu tratamento unicamente na dimensão de determinados sistemas do corpo, sem que haja diálogo entre eles. O geriatra, por sua vez, está apto para acompanhar a maioria das doenças que atingem essa faixa etária e também para administrar os acompanhamentos especializados que em determinados casos são necessários.

Funcionalidade

Faz parte da visão holística da geriatria, avaliar o grau de funcionalidade dos idosos, isto é, a capacidade que esses indivíduos possuem, naquele momento, de se cuidarem sozinhos e de administrarem a própria vida.

Os idosos são uma população muito diversificada. A idade cronológica pouco diz sobre a situação de uma pessoa: conhecemos anciãos que aos 90 anos trabalham e iniciam novos projetos e conhecemos pessoas que ainda não completaram 65 anos e que estão acamadas.

Ou seja, é preciso olhar cada paciente idoso com suas particularidades e avaliar, assim o grau de independência (física) e autonomia (moral) individualmente. O geriatra, com essa visão capacitada, busca, então, propor metas para ganho de funcionalidade, de acordo com as possibilidades de cada um.

Reabilitação

Com o intuito de melhor a funcionalidade, o geriatra em conjunto com uma equipe multiprofissional formada por fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, nutricionista, odontólogo, psicólogo e outros profissionais, propõem um plano de reabilitação para aqueles idosos que necessitarem.

Cuidados paliativos

Da prática da Medicina antiga, em que os médicos eram conscientes de que poderiam proporcionar a cura das doenças em poucas vezes, nasceu o seguinte aforismo: “Medicus quando que sanat, saepe lenit et semper solatium est” que podemos traduzir livremente como “Curar algumas vezes, aliviar frequentemente, consolar sempre”.

O geriatra, preparado para acompanhar seus pacientes até o derradeiro momento, é responsável também por ministrar os cuidados paliativos, ou seja, os cuidados que aliviam os sintomas daquelas doenças incuráveis que se encontram em fase avançada e que ameaçam constantemente a vida. É uma posição ativa e contrária à atitude que diz “não há mais nada para fazer”.

Aspecto importante dos cuidados paliativos é a atenção integral, que leva em conta os aspectos físicos, emocionais, sociais e espirituais do doente e sua família.

Integração familiar

Especialmente nos casos de idosos com debilidades importantes, o papel da família é primordial. É por isso que o geriatra conta muito com a família e também procura ajudá-la e orientá-la nas situações mais complicadas relacionadas ao cuidado do paciente.

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