Quais são as Vacinas para Covid-19 no mundo, seus tipos e como funcionam?

04/01/2021 0 Por Redação CliqueFarma

Chegamos no ano de 2021 e a pandemia do coronavírus continua fazendo suas vítimas. A quarentena, por mais que muitos pensem que está terminada, sabemos que não é bem assim. A vacina já chegou em diversas partes do mundo e está sendo efetuada em larga escala. Aqui no Brasil, também estamos ansiosos pela sua chegada e o Cliquefarma reuniu as atuais informações a respeito do assunto para informar nossos leitores também, até porque, vemos correndo muitas fake news na internet e pela imprensa de maneira geral. 

 

Por isso mesmo, informe-se nos meios confiáveis de divulgação de notícias e não acredite em tudo que você ouve e lê. Acredite em fontes com credibilidade e leia este artigo até o final que vamos te falar quais as vacinas já estão sendo aplicadas ao redor do mundo, quais os tipos de cada uma e como elas funcionam. Confira já! 

 

10 países iniciaram a imunização

Na corrida contra o coronavírus, há 19 vacinas em desenvolvimento no mundo que estão na 3ª fase de testes clínicos. Destas, 8 foram liberadas para uso emergencial em diversos países, e duas obtiveram o registro para o uso definitivo. Os dados são do Rastreador de Vacinas de Coronavírus, desenvolvido pelo jornal The New York Times.

 

Já é possível dizer que a vacina contra a covid-19 é a que foi desenvolvida em menor tempo em toda a história. Antes, o recorde era do imunizante produzido para evitar a caxumba – demorou 4 anos e parou de ser usado nos anos 1970, porque a imunidade tinha curta duração.

 

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), há 61 vacinas sendo testadas em humanos no mundo e 172 em fases pré-clínicas, ou seja, sendo testadas em animais.

 

A vacina desenvolvida pela farmacêutica norte-americana Pfizer, em parceria com o laboratório alemão BioNTech, é a que mais teve autorizações para o uso emergencial. Já foi liberada em 19 países, além da União Europeia, para a imunização de grupos específicos.

 

A Suíça foi a 1ª e única até agora a registrar o imunizante da farmacêutica norte-americana para o uso definitivo. A agência reguladora do país demorou 2 meses para analisar a vacina. A autorização foi divulgada em 19 de dezembro.

Entenda as fases na pesquisa das vacinas:

  • Fase 1 – uma pequena quantidade de pessoas é testada para verificar reações adversas e o nível de resposta imune. Leva até 6 meses;
  • Fase 2 – o indivíduo é exposto à contaminação do vírus para verificar o nível de proteção. O número de cobaias varia por idade, gênero e etnia em várias partes do mundo. A conclusão do processo dura até 1 ano;
  • Fase 3 – testagens em massa com a substância. Pode demorar até 1 ano e meio. A análise dos dados obtidos nessa fase pode levar ao registro e aprovação para uso comercial da substância;
  • Fase 4 – vacina disponibilizada para a população. Nessa fase ainda podem ser detectados efeitos colaterais que não eram conhecidos, mas a vacina já é considerada segura o suficiente para ser aplicada em massa.

China foi 1º país a liberar vacina

A China, onde o novo coronavírus foi descoberto, foi o 1º país a iniciar a vacinação contra a covid-19 de forma emergencial. Desde julho alguns grupos de chineses, como militares e pessoas que viajaram ao exterior, já estão sendo vacinados com imunizante desenvolvido pela Sinopharm (Grupo Nacional de Biotecnologia da China) em parceria com o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim.

 

Não há dados recentes sobre o número de pessoas que já foram imunizadas na China. Porém, em novembro, a Sinopharm informou que quase 1 milhão de pessoas já haviam tomado a vacina no país.

 

Outra vacina que já está sendo aplicada na China é a CoronaVac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, órgão vinculado ao governo do Estado de São Paulo. A imunização é centralizada nos grupos de risco (idosos, gestantes e pessoas com comorbidades) e em equipes médicas.

 

No Brasil, a CoronaVac enfrenta resistência do governo federal. Em 21 de outubro, em ato contrário à vacina da China, o presidente Jair Bolsonaro cancelou um acordo firmado pelo Ministério da Saúde para aquisição de 46 milhões de doses do imunizante. Um novo contrato agora está em negociação.

 

O governo de São Paulo iria apresentar o resultado dos testes clínicos do CoronaVac à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na 4ª feira, 23.dez.2020. No entanto, a divulgação e o envio do estudo à agência foram adiados, assim como o pedido para o uso emergencial e definitivo do imunizante.

 

Segundo Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, o envio dos resultados à Anvisa vai ocorrer somente após a Sinovac analisar os resultados enviados dia 23 de dezembro.

Além da China, outros 9 países já começaram as campanhas de imunização contra o novo coronavírus.

 

O Reino Unido foi o 1º país a vacinar grandes parcelas da população depois de o imunizante passar por todas as etapas da validação científica e conseguir a aprovação emergencial, em 8 de dezembro. A 1ª ser vacinada foi uma idosa de 90 anos.

 

Os Estados Unidos autorizou o uso emergencial das vacinas da da Pfizer/BioNTech e da  Moderna. A vacinação começou no país com a vacina da Pfizer em 14 de dezembro. Uma enfermeira foi a 1ª a ser vacinada.

 

O México iniciou a imunização na 5ª feira, 24.dez.2020, na véspera de Natal.

 

Cinco farmacêuticas divulgaram resultados sobre a eficácia de seus imunizantes depois de análises dos testes clínicos.

 

Covid-19 no mundo

Atualmente, de acordo com o monitor do site Worldometers, o mundo registra mais de 78 milhões de casos de coronavírus. São mais de 1,7 milhões de mortes por causa da doença.

 

A maior preocupação dos países hoje é com o avanço da 2ª onda da pandemia de covid-19. Desde outubro, é identificada a alta constante no número de casos de covid-19. Na Europa, o número de casos disparou. A maioria dos países europeus voltaram a adotar medidas que restringiam a circulação de pessoas.

 

Além disso, uma nova variante do Sars-CoV-2, coronavírus responsável pela covid-19, foi identificada. De acordo com a OMS, há confirmação no Reino Unido, na Dinamarca, Holanda e Austrália.

 

Na Europa, França, Itália, Áustria, Alemanha, Bélgica, Holanda, Irlanda, Luxemburgo, Portugal e Bulgária suspenderam voos procedentes do Reino Unido ou que tenham o país como destino. Países da América Latina também decidiram fechar suas fronteiras para viajantes procedentes do país.

 

Os vários tipos de vacinas contra a COVID-19

Todas as vacinas têm o objetivo de expor o indivíduo a um antígeno. Embora o antígeno exposto não seja capaz de causar doença, provoca resposta imune que pode bloquear ou matar o vírus quando o indivíduo é exposto ao mesmo.

 

Existem pelo menos 11 tipos diferentes de vacinas sendo testadas. O tipo de vacina depende do tipo de vírus ou da parte viral sendo utilizada:

1.Vacina de vírus

  • Inativado
  • Enfraquecido

2.Vacina de Vetor Viral

  • Replicante
  • Não replicante

3.Vacina de Ácido Nucleico

  • DNA
  • RNA

4.Vacina à base de proteínas

  • Subunidade proteica
  • Partículas semelhantes a vírus

Vacina de Vírus

Este tipo de vacina pode utilizar o vírus enfraquecido ou inativado. Nesse sentido, numa vacina de vírus enfraquecido, o vírus passa por processos até que adquira mutações que o façam menos capaz de causar doença. Por outro lado, nas vacinas de vírus inativados, o vírus é modificado com partículas químicas ou calor, de tal forma que se torna incapaz de causar infecção.

 

Pelo menos 7 grupos estão desenvolvendo vacinas que usam o próprio vírus. Como mencionado, estas podem utilizar o vírus enfraquecido ou inativado. Este é um tipo de vacina já existente.

 

Por exemplo, as vacinas contra o sarampo e a poliomielite usam o próprio vírus na sua composição. Contudo, vacinas que utilizam vírus requerem testes de segurança extensivos.

 

Em Pequim, a Sinovac Biotech está testando em humanos uma vacina com o SARS-CoV-2 inativado.

Vacina de Vetores Virais

Nas vacinas que utilizam vetores virais, um vírus como sarampo ou adenovírus é geneticamente modificado para produzir proteínas do coronavírus. 

 

Esses vírus estão enfraquecidos e não podem causar doenças. Existem dois tipos: aqueles que ainda podem se replicar dentro das células e aqueles que não podem porque os genes principais foram desativados.

 

Com a finalidade de desenvolver este tipo de vacina, aproximadamente 25 grupos estão trabalhando com vacinas do tipo vetor viral.

Vacinas de Ácido Nucleico

Neste tipo de vacina, o ácido nucleico é inserido nas células humanas, que produzem cópias de alguma proteína do vírus. Em suma, a maioria dessas vacinas codifica a proteína spike do vírus.

 

Pelo menos 20 equipes estão trabalhando no desenvolvimento de vacinas que utilizam informação genética de DNA ou RNA viral.

 

São vacinas fáceis de desenvolver, pois envolvem apenas o material genético, e não o vírus. Porém, esta é uma tecnologia que nunca foi usada em alguma vacina atualmente licenciada, então ainda não possui eficácia comprovada.

Vacinas à base de proteína

Neste tipo de vacina, proteínas do coronavírus são injetadas diretamente no corpo. Da mesma forma, fragmentos ou invólucros de proteínas que imitam a estrutura do vírus também podem ser usados.

 

Pelo menos 28 equipes estão trabalhando usando vacinas que utilizam subunidades proteicas.

 

A maioria delas foca na proteína spike, já que esta desenvolve papel chave no processo de entrada do vírus na célula, por meio da ligação com o receptor ACE2. Esse tipo de vacina requer adjuvantes para estimular o sistema imune, bem como múltiplas doses.

 

Outra forma consiste em utilizar partículas semelhantes a vírus, que consistem em uma “casca” contendo a estrutura externa viral, porém sem o conteúdo interior. Estas partículas não são capazes de causar infecção pois não possuem material genético do vírus. Tem capacidade de gerar resposta imune forte, mas são difíceis de serem produzidas.

 

Cinco equipes estão trabalhando no desenvolvimento deste tipo de vacina.

Vacinas para COVID-19 em testes no Brasil

Vamos fazer um breve resumo sobre as 5 principais vacinas. O critério que escolhemos foi vacinas em fase III (de acordo com tabela divulgada pela OMS). Todas elas, com exceção da vacina da Moderna, terão voluntários participantes do Brasil.

Fase III

Antes de iniciarmos, uma pequena explicação sobre a fase III. Nessa fase, a vacina é testada em grande número de pessoas (na casa dos milhares), e espera-se para ver o número de voluntários vacinados que serão infectados, comparando-os com voluntários que receberam placebo.

 

É nesta fase que determina se a vacina de fato promove proteção contra o coronavírus, podendo ser então aprovada. E quanto de proteção? A Food and Drug Administration (FDA) afirmou que pelo menos 50% dos vacinados precisam ser protegidos para que a vacina seja considerada efetiva.

 

Então vamos conhecer melhor quais candidatas à vacina estão próximas de atingirem a tão esperada aprovação.

A vacina de Oxford contra COVID-19

A vacina de Oxford, criada e desenvolvida em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, está entre as mais promissoras. A vacina utiliza adenovírus de chimpanzé como vetor viral para carregar informação genética que codifica a proteína Spike do Coronavírus.

 

Os estudos em macacos mostraram proteção. Os resultados preliminares das fases I/II foram divulgados na revista Lancet, sendo bastante animadores, na época.

A vacina encontra-se atualmente nas Fases II/III na Inglaterra, bem como na fase III aqui no Brasil, e na África do Sul. Segundo a AstraZeneca, a capacidade total de produção, em caso de aprovação da vacina, seria de 2 milhões de doses.

 

A vacina teve seus testes suspensos após reação inflamatória de um voluntário, que desenvolveu mielite transversa. Porém, após revisão dos dados, os testes aqui no Brasil e na Inglaterra retornaram, mas permanecem ainda suspensos em alguns países.

 

Segundo o site de notícias do grupo Globo, o G1, o Reino Unido começou, nesta segunda-feira (4), a vacinar pessoas de grupos de risco contra a Covid-19 com a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. O país, o primeiro do mundo a aprovar a vacina, também é o primeiro a começar a aplicá-la.

 

Segundo o serviço público de saúde britânico (NHS, na sigla em inglês), 520 mil doses estão prontas para serem distribuídas. A vacina é aplicada em duas doses.

A vacina chinesa CoronaVac

A empresa chinesa Sinovac desenvolveu uma vacina inativada chamada CoronaVac. Os resultados das fases I/II divulgados em junho mostraram que, dentre os 743 voluntários que receberam a vacina, não houve efeitos adversos graves e os participantes desenvolveram resposta imune.

 

A fase III da vacina foi lançada no mês de Julho, aqui no Brasil. A companhia estava trabalhando para ser capaz de produzir até 100 milhões de doses anualmente e já contava com 9 mil voluntários profissionais de saúde. Durante entrevista coletiva, o Governador João Doria divulgou dados de eficácia e segurança da vacina, baseados em mais de 50.000 voluntários vacinados na China.

 

De acordo com Doria, 94,7% dos participantes não experimentaram efeitos colaterais. Os aproximadamente 5% restantes experimentaram efeitos colaterais considerados de baixo grau, que incluíam principalmente dor no local de aplicação, fadiga e febre moderada.

 

Além dos dados de segurança, a eficácia da vacina foi vista em 98% de eficiência em produzir imunidade dos voluntários testados. Estes dados serão ainda atualizados e divulgados após conclusão dos testes no Brasil.

 

Alguns dos brasileiros já vacinados ainda aguardam a administração da segunda dose, e a conclusão da fase III aqui deve ser expandida para 13 mil voluntários, incluindo grupos de risco (idosos e crianças).

 

O primeiro lote, de 5 milhões de doses da vacina CoronaVac, chegou ao Instituto Butantan em Outubro, mas a vacinação da população paulista iniciará apenas após conclusão dos testes e aprovação pela Anvisa.

A vacina da Sinopharm também será testada no Brasil

A empresa estatal chinesa Sinopharm também trabalha com vacina inativada, e os resultados divulgados mostraram segurança e produção de resposta imune. A vacina encontra-se na fase III, sendo testada nos Emirados Árabes Unidos.

 

O ministro da saúde de Abu Dhabi foi o primeiro a receber a vacina. Um total de 15.000 voluntários foram esperados, e a previsão era de que a vacina estivesse pronta até o final de 2020. O Paraná firmou acordo com a empresa e os testes também estão acontecendo aqui no Brasil.

 

Segundo o G1, a China aprovou nesta quinta-feira (31) a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinopharm em parceria com o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim para uso geral na população, de acordo com agências de notícias.

A farmacêutica Sinopharm anunciou  que sua vacina tem 79,3% de eficácia.

 

Como vimos, a China já está vacinando a população contra a Covid-19 em caráter emergencial, mas esta é a primeira vacina que o país aprova para uso geral. O governo chinês espera vacinar cerca de 50 milhões de pessoas até fevereiro de 2021 com imunizantes desenvolvidos pela Sinopharm, Sinovac e CanSino Biologics Inc.

A vacina do NIH

A empresa Moderna, em parceria com o National Institutes of Health (NIH), desenvolve uma vacina que utiliza tecnologia baseada em RNA mensageiro (mRNA), para produzir proteínas virais no corpo.

 

A vacina foi capaz de proteger macacos contra a infecção pelo novo coronavírus, e resultados preliminares em humanos foram promissores.

 

Agora, a vacina encontra-se na fase III, que será testada em 89 locais nos EUA, em 30.000 participantes saudáveis. O dinheiro investido pelo governo americano nessa vacina se aproxima de 1 bilhão de dólares.

 

O imunizante da Moderna, desenvolvido em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA, se assemelha à vacina da Pfizer-Biontech, que já está sendo aplicada em milhões de profissionais de saúde e pessoas em casas de repousos, e que deu início à maior campanha de vacinação da história do país. 

 

Segundo o diretor do NIH, Francis Collins, as duas vacinas funcionam “melhor do que nós quase ousávamos esperar”. “A ciência está funcionando, a ciência criou algo incrível”, exaltou.

 

Depois de largar atrás de outros países na aprovação da vacina desenvolvida pela farmacêutica Pfizer em parceria com a alemã Biontech, os EUA são os primeiros a aprovar o imunizante da Moderna.

Resultados iniciais de estudos bastante amplos, mas ainda não concluídos, indicam que ambos os imunizantes são seguros e capazes de fornecer uma forte proteção. Entretanto, o manuseio da vacina da Moderna é mais simples, uma vez que não precisa ser armazenado em temperaturas extremamente baixas, como no caso do produto da Pfizer-Biontech.

A vacina da Pfizer

A empresa Pfizer, juntamente com a empresa alemã BioNTech e a farmacêutica chinesa Fosun Pharma, trabalharam juntas também no desenvolvimento de vacinas do tipo mRNA. As fases I/II, que aconteceram na Alemanha e nos EUA, tiveram resultados positivos.

 

Os voluntários produziram tanto resposta humoral como celular contra o SARS-CoV-2. Isto é, a vacina foi capaz de desencadear produção de anticorpos bem como de células T contra o vírus.

 

Alguns dos efeitos colaterais experimentados pelos participantes incluíram distúrbios do sono e dor no membro superior. A fase II/III foi anunciada e aconteceu, além dos países já mencionados, na Argentina e aqui no Brasil.

 

O imunizante demonstrou ter eficácia de 95% e já vem sendo aplicada no Reino Unido, na União Europeia, no Canadá e nos EUA.

 

O imunizante da Pfizer/BioNTech ainda não faz parte do programa de vacinação do governo Brasileiro, que negocia a compra de 8 milhões de doses do produto. Até agora, a principal vacina do programa federal é a Oxford/AstraZeneca, com a qual o governo tem um acordo de produção e distribuição fechado para adquirir 100,4 milhões de doses, que devem ser processadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

 

Até agora, nenhum pedido de uso emergencial ou de registro de imunizante contra a Covid-19 foi apresentado à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), de acordo com tabela atualizada na última quarta (30). A agência já está analisando resultados dos ensaios clínicos, mas a Pfizer afirmou que só vai solicitar o uso emergencial da vacina no Brasil quando fechar o contrato com o governo.

 

No caso da vacina Oxford-AstraZeneca, a Fiocruz deve fazer em janeiro o pedido de uso emergencial (que só pode ser usado em um público-alvo definido, como os profissionais de saúde ou idosos, e não em toda a população, e aplicadas pelo SUS).

 

O governo brasileiro também encomendou 46 milhões da Coronavac – a aquisição de mais doses está sendo negociada.

 

Vacinas contra a Covid-19 são seguras, mesmo criadas em tempo recorde

A aprovação de uma vacina não é um processo simples. Começa com os testes pré-clínicos, que são feitos em laboratório, com células e/ou animais (in vitro e/ou in vivo). Muitas das tentativas nem passam dessa etapa, pois a solução pode não se mostrar segura ou capaz de gerar proteção contra o micro-organismo que se quer combater. As que avançam chegam aos testes clínicos, ou seja, quando são testadas em humanos. Esses testes ocorrem em três fases, que dizem se o imunizante é seguro e eficaz nas pessoas (veja na seleção abaixo). Se tudo ocorrer como previsto, a vacina deverá, então, ser aprovada pelos sistemas reguladores de cada país, que, no Brasil, é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

Todo esse cuidado, aliado à dificuldade técnica natural de uma empreitada desse tipo, faz com que uma vacina precise de anos ou até mesmo décadas para ficar pronta. Como, então, em cerca de um ano, foi possível chegar a mais de uma fórmula contra a covid-19? 

 

“A ciência responde quando se investe nela. O que estamos vendo, essa resposta rápida e heróica, é o que acontece quando há investimento”, destaca Mellanie Fontes-Dutra, doutora em neurociência e coordenadora da Rede Análise Covid-19.

 

A médica epidemiologista Denise Garrett concorda, e assegura que a rapidez na criação de vacinas contra o novo coronavírus não trouxe prejuízos para a segurança das pessoas. “Todas as fases estão sendo cumpridas. Uma vez que a vacina seguiu todos os critérios científicos, não há por que ter medo. As fases pré-clínicas estão sendo encurtadas, mas a fase três está sendo seguida a risca”, afirma. Garret, que é vice-presidente do Instituto Sabin de Vacina, acrescenta que o país onde um imunizante foi produzido pouco importa. 

 

Segundo ela, dúvidas sobre a segurança e eficácia de uma vacina produzida na China, por exemplo, não fazem sentido. “O mesmo processo científico tem de ser seguido por todas (as vacinas). A China tem tradição em produzir vacinas e, desde que seja com transparência e a gente possa acompanhar os dados, não há motivo para receio”, destaca.

 

Identificação do genoma

  • Em laboratório, é preciso identificar o genoma do vírus
  • Esse processo, que em alguns casos levou até quatro anos, permite a produção do vírus atenuado ou o isolamento do RNA
  • No caso do Sars-Cov-2, a China compartilhou o código genético apenas 10 dias depois do alerta à OMS

Testes pré-clínicos

  • Depois que a potencial vacina é produzida com as informações genéticas do vírus, é iniciada a fase de testes in vitro e em animais
  • Essa fase costuma durar de um a dois anos e serve para indicar potenciais eficácia e segurança
  • Estudos bem sucedidos nessa fase têm aproximadamente 15% de chance de ser bem-sucedidos

 

Testes clínicos

FASE I

  • Busca saber se a vacina é segura (não causa reações graves) e se parece funcionar
  • Número pequeno de voluntários sadios; entre 20 e 100 pessoas.

FASE II

  • Busca as mesmas respostas, mas em um número maior de voluntários
  • É testada em centenas de voluntários, mas menos de mil

FASE III

  • Milhares de voluntários são testados
  • Alguns recebem, de fato, a vacina
  • Outros recebem um placebo
  • É o verdadeiro teste de eficácia
  • Aprovação
  • Cada país tem sua agência de controle. No Brasil, é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para conseguir o registro de uma vacina, é necessário que a fabricante apresente os resultados completos dos testes clínicos. Geralmente, a Anvisa exige que o imunizante apresente eficácia de no mínimo 70% e tenha sido testada em pelo menos 3 mil pessoas. Alguns países permitem a vacinação emergencial, caso da China, mas, no Brasil, essa não é uma possibilidade.

Pesquisas interrompidas e retomadas

O fato de algumas pesquisas terem sido interrompidas para que se verificassem possíveis efeitos colaterais preocupantes em alguns voluntários não deve gerar preocupação, mas ser visto como mais um sinal de que a segurança está sendo devidamente checada. Isso ocorreu, por exemplo, com as vacinas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e da Jhonson & Jhonson. “Você está testando milhares de pessoas e o estudo tem de ser interrompido por qualquer evento adverso grave até que se avalie se tem ou não relação com a vacina. Se ficar comprovado que a vacina causou o evento, o estudo é suspenso e a vacina é jogada no lixo”, explica Denise Garrett.

 

Nos dois casos acima, verificou-se que os eventos não tinham relação com os imunizantes e os estudos foram retomados. Recentemente, os testes da Coronavac, desenvolvida em parceira pela empresa chinesa Sinovac e o Instituto Butantã, de São Paulo, também foram paralisados pela Anvisa e retomados após verificar que a morte de um voluntário havia sido suicídio e não tinha relação com a vacina. “No caso da CoronaVac, ela foi extremamente politizada e isso pode fazer com que as pessoas fiquem inseguras de participar. O estrago pode ser muito grande”, lamenta a infectologista Natália Pasternack.

 

Os primeiros resultados divulgados pela Sinovac indicam que somente 35% dos voluntários apresentaram algum tipo de reação, sempre leve. De acordo com Mellanie Fontes-Dutra, todas as vacinas em teste têm demonstrado resultados promissores. “Todas elas na fase 1 e 2 se mostraram super-seguras e, na fase três, está se verificando se são eficazes. Estamos buscando possíveis efeitos adversos, se eles existem ou não. Nos três casos, não tinha relação”, enfatiza.

 

Genoma decodificado

A união de pesquisadores e centros de estudo e os investimentos grandiosos foram, sem dúvida, os principais responsáveis por um desenvolvimento tão rápido. Mas outros fatores colaboraram para que o tempo de produção de algumas das vacinas fosse tão curto. O primeiro deles foi a capacidade de a China decodificar o genoma do vírus Sars-Cov-2 em tempo recorde. Esse processo, em muitos casos, demora anos.

 

Além disso, como a família dos coronavírus já era conhecida, havia muitos estudos em andamento que adiantaram o processo e puderam ser aproveitados. “As empresas já tinham plataformas desenvolvidas. Além disso, elas estão fazendo grandes apostas, começando a produção antes de terminar as pesquisas, o que facilitará a disponibilidade depois de aprovadas”, destaca Melissa Palmieri, especialista em medicina preventiva e membro da Doctoralia.

 

A distribuição mais rápida, por sinal, tem sido outra preocupação das autoridades. Em abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou uma iniciativa nesse sentido. No caso do Brasil, o governo anunciou que a vacina será disponibilizada pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) gratuitamente.

Ameaça das fake news

Todo esse processo, porém, enfrenta ainda outro poderoso inimigo que ameaça o sucesso da empreitada: as fake news. “Chip na vacina”, “vacina vai mudar o DNA” e “a vacina é feita com células de bebês abortados” são algumas das mentiras espalhadas nas redes sociais e grupos de WhatsApp e que deixam os cientistas preocupados, pois levam parte da população a temer a vacina. “Nós vamos precisar de uma grande cobertura vacinal e, para isso, precisamos do engajamento das pessoas em se vacinar”, destaca Mellanie.

Nós aqui do Cliquefarma estamos ansiosos para que a ANVISA aprove o quanto antes o uso dessa vacina em território nacional e os grupos comecem a ser vacinados! E você gostou deste artigo? Ainda tem alguma dúvida a respeito da vacina contra o coronavírus? Deixe seu comentário no box abaixo que tentaremos lhe ajudar com o maior prazer!