Vacina para meningite: o que está disponível no SUS e na rede privada

Meningite: imagem de Freepik.

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O que é a meningite

A meningite, especialmente em sua forma bacteriana causada por Neisseria meningitidis, continua sendo uma das principais preocupações de saúde pública. A doença apresenta alta mortalidade e risco de sequelas graves, como surdez, convulsões e déficit neurológico. A transmissão ocorre por secreções respiratórias, e a prevenção por meio da vacinação é a estratégia mais eficaz.

Entre 2010 e 2025, o Brasil registrou mais de 21 mil casos de doença meningocócica. A introdução da vacina meningocócica C (MenC) no PNI em 2010 levou a uma redução significativa. No entanto, observou-se uma mudança no perfil epidemiológico, com aumento dos sorogrupos W e, mais recentemente, do B — responsável por surtos recentes com alta letalidade. Esse cenário reforça a importância da ampliação das estratégias vacinais no SUS e na rede privada.

O que o SUS oferece:

1.    Vacina MenC: duas doses aos 3 e 5 meses de idade, para as crianças que nunca foram vacinadas com essa vacina.

2.    Vacina MenACWY:

  • Aos 12 meses a partir de julho de 2025 — a MenACWY substitui a MenC nessa dose, ampliando a proteção para os sorogrupos A, C, W e Y. Para crianças não vacinadas ou que perderam o reforço, ainda é possível tomar MenACWY até os 4 anos, 11 meses e 29 dias.
  • Adolescentes (11–14 anos) também recebem MenACWY gratuitamente, conforme histórico vacinal.

Vale destacar que pessoas com algumas condições crônicas e comorbidades podem ser vacinadas com MenC ou MenACWY nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE), conforme orientação do manual de imunização e encaminhamento do seu médico de referência.

O que está disponível apenas na rede privada:

A Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm) recomenda um calendário mais abrangente:

  1. MenACWY no lugar da MenC sempre que possível: 3 e 5 meses e com reforços nos 12–15 meses; entre 5 e 6 anos e aos 11–14 anos.
  2. Vacina contra meningite B (MenB) especialmente indicada para crianças menores de 2 anos:
    1. Bexsero®: esquema primário (2 doses aos 3 e 5 meses) + reforço aos 12–15 meses. Adolescentes não vacinados recebem duas doses com 1 mês de intervalo
    2. Trumenba®: duas doses para adolescentes (a partir de 10 anos) com intervalo de 6 meses.

Vacinas que ajudam a prevenir outras formas de meningite:

  1. BCG: oferece proteção contra formas graves de tuberculose, como meningite tuberculosa; aplicada no recém-nascido e está disponível no SUS e na rede privada.
  2. Pentavalente (DTP/HB/Hib): protege, entre outras doenças, contra Haemophilus influenzae tipo b — causadora de meningite e está disponível no SUS.
  3. Pneumocócicas (10, 13, 15 e 23-valente): ajudam a prevenir meningite causada por Streptococcus pneumoniae, além de outras infecções respiratórias. No SUS está disponível aos 2,4 e 6 meses a Pneumo10.

Comparativo prático: SUS x rede privada

Faixa Etária SUS (gratuito) Rede Privada (SBIm recomendação)
Recém-nascidos BCG Mesma vacina BCG  disponível.
2 meses Pentavalente (inclui Hib), Pneumocócica 10 Pentavalente, Pneumocócica 10, 13 ou 15.
3 meses MenC: 3 e 5 meses + reforço MenACWY aos 12 meses. ●     MenACWY: 3 e 5 meses + reforços aos 12–15 meses, 5–6 anos, 11–14 anos

●     MenB: 3 e 5 meses + reforço aos 12–15 meses.

Adolescentes (11–14 anos) 1 dose de MenACWY de acordo com a avaliação vacinal. Mesmas doses + MenB se indicadas

É importante apontar que o sistema público ampliou significativamente a proteção infantil contra meningite com a introdução da MenACWY como reforço aos 12 meses. O SUS continua oferecendo um esquema robusto com vacinas que cobrem diversos agentes etiológicos.

No entanto, há lacunas — como a ausência da vacina MenB — que atualmente só podem ser preenchidas via rede privada. Recomenda-se que pais conversem com o pediatra para avaliar o melhor plano vacinal individual, especialmente em crianças com risco elevado.

Além disso, a inclusão desta vacina na rede pública ainda está em discussão e é possível que ela também entre no calendário vacinal do SUS até 2030, por isso, fique atento às mudanças do calendário vacinal, tanto na rede pública, quanto na rede privada e proteja sua família.

Mariana Marins: Enfermeira, especialista em Saúde da Família e mestre em Ensino na Saúde pela Universidade Federal Fluminense.