Tudo sobre Náuseas e Vômitos

03/04/2020 0 Por Alana Dizioli

Náuseas e vômitos – O que são?

O artigo de hoje será para esclarecermos do que se tratam as náuseas e os vômitos, que nada mais são do que sintomas muito comuns que podem ser causados por uma grande variedade de condições. O vômito é um reflexo incontrolável que expele o conteúdo do estômago através da boca. Náusea é o termo usado para descrever a sensação de que você vai vomitar, mas não são os vômitos em si, nem significam que você irá vomitar com certeza.

Tanto um sintoma como o outro são muito comuns e pode ser causados por uma ampla variedade de fatores. O artigo que trouxemos vai abordar o assunto de maneira geral e também em casos específicos, como no começo da gestação e em bebês e crianças.

 

Eles ocorrem em crianças e adultos, embora sejam mais comuns em mulheres grávidas e pacientes submetidos a tratamentos de câncer.

 

Normalmente o vômito é inofensivo, mas pode ser um sinal de uma doença mais grave. Alguns exemplos de doenças graves que podem resultar em náusea ou vômito incluem infarto agudo do miocárdio, contusões, meningite, obstrução intestinal, apendicite e tumores cerebrais.

 

É raro, porém possível que ocorra do vômito vir a rasgar a mucosa do esôfago e causar sangramento, também conhecido como síndrome de Mallory-Weiss. Se o esôfago é rompido e perfurado, isso é chamado de síndrome de Boerhaave, e é uma emergência médica.

Como é o vômito em adultos

A maioria dos adultos raramente vomita. Quando isso ocorre, o vômito é geralmente causado por abuso de álcool ou outras substâncias, uma infecção bacteriana ou viral, ou um tipo de intoxicação alimentar. Em alguns casos, vômitos também podem ser ocasionados por outras doenças, como doenças cardiovasculares, neoplasias e infecções.

Quais as principais causas?

É verdade que certos cheiros trazem a sensação de náusea e esta reação pode estar exacerbada durante o primeiro trimestre da gravidez, embora também possa ocorrer em pessoas que não estão grávidas. A náusea que é induzida pela gravidez geralmente desaparece no segundo trimestre.

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Náuseas e vômitos podem ocorrer separadamente ou em conjunto. As causas mais comuns incluem:

 

  • Quimioterapia
  • Gastroparesia (que é o mau funcionamento dos músculos do estômago)
  • Anestesia geral
  • Enxaqueca
  • Cinetose
  • Abuso ou overdose de álcool, substâncias ilícitas ou substâncias tóxicas
  • Rotavírus
  • Vertigem
  • Gastroenterite viral
  • Intoxicação alimentar

Causas menos comuns

As causas menos comuns de náusea e vômito podem incluir:

 

  • Distúrbios do cérebro ou do sistema nervoso central
  • Enjoo do movimento
  • Alterações metabólicas ou doenças que afetam todo o corpo (sistêmicas)
  • Distúrbios psicológicos
  • Síndrome do vômito cíclico

 

A região que controla o vômito também pode ser ativada por determinados distúrbios do cérebro ou do sistema nervoso central, incluindo infecções (por exemplo, meningite e encefalite), enxaquecas e distúrbios que aumentam a pressão intracraniana (pressão intracraniana). 

 

Distúrbios que aumentam a pressão no crânio incluem tumores cerebrais, hemorragia cerebral e traumatismos cranianos graves.

 

Os órgãos de equilíbrio do ouvido interno (aparelho vestibular) estão conectados ao centro do vômito. Essa conexão explica por que algumas pessoas têm náusea com o movimento de barcos, carros ou aviões, além de explicar certos distúrbios do ouvido interno (por exemplo, a labirintite e a vertigem posicional).

 

A náusea e o vômito também podem ocorrer quando existem alterações metabólicas no organismo como, no início da gravidez ou quando a pessoa tem diabetes muito mal controlado ou insuficiência hepática ou ainda insuficiência renal graves.

 

Os problemas psicológicos também podem provocar náusea e vômito (conhecido como vômito funcional ou psicogênico). Esse tipo de vômito pode ser intencional. Por exemplo, pessoas que têm bulimia forçam o próprio vômito para perderem peso. Ou pode ser involuntário. Por exemplo, crianças com medo de ir à escola vomitam em resposta a seu estresse psicológico.

 

A síndrome do vômito cíclico é um distúrbio incomum no qual as pessoas apresentam crises graves de vômito (ou, às vezes, apenas náusea) em intervalos variados. As pessoas se sentem normais entre as crises. Embora normalmente tenha início na infância, às vezes, dura até a idade adulta. O vômito cíclico que começa na idade adulta é frequentemente decorrente do uso crônico de maconha.

 

Resumidamente, podemos enumerar as causas menos comuns da seguinte forma:

 

  • Doença de Addison
  • Hepatite alcoólica
  • Anafilaxia
  • Anorexia nervosa
  • Apendicite
  • Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB)
  • Cérebro AVM (malformação arteriovenosa)
  • Hemorragia cerebral
  • AVC
  • Tumor cerebral
  • Bulimia nervosa
  • Doença renal crônica
  • Hiperplasia adrenal congênita
  • Doença de Crohn
  • Síndrome de vômito cíclico
  • Depressão
  • Cetoacidose diabética
  • Tonturas
  • Infecção no ouvido (ouvido médio)
  • Convulsões
  • Cálculos biliares
  • Transtorno de ansiedade generalizada
  • Doença do refluxo gastroesofágico
  • Lesão na cabeça
  • Infarto
  • Insuficiência cardíaca
  • Doença de Hirschsprung
  • Hidrocefalia
  • Hiperparatiroidismo
  • Hipertireoidismo
  • Hipoparatireoidismo
  • Isquemia intestinal
  • Obstrução intestinal
  • Hematoma intracraniano
  • Intussuscepção (em crianças)
  • Síndrome do intestino irritável
  • Câncer de fígado
  • Insuficiência hepática
  • Doença de Ménière
  • Meningite
  • Alergia ao leite (em bebês e crianças)
  • Dor de estômago não ulcerosa
  • Câncer de pâncreas
  • Pancreatite
  • Gastrite
  • Úlcera péptica
  • Porfiria
  • Pseudotumor cerebral
  • Estenose pilórica (em crianças)
  • Radioterapia
  • Fibrose retroperitoneal
  • Transtorno de ansiedade social
  • Epilepsia
  • Traumatismo crânio-encefálico

 

Vale salientarmos que, as causas mostradas aqui são comumente associadas a estes sintomas, no entanto, não quer dizer que você tenha esse problema. Converse com um médico ou profissional para um diagnóstico preciso e orientação sobre cuidados de saúde.

Quando é hora de buscar ajuda médica?

Se você sofre de náuseas ou vômitos você deve procurar atendimento médico. A maioria dos casos de vômitos desaparece ao fim de seis a 24 horas depois do primeiro ataque.

Para menores de 6 anos

O atendimento de emergência deve ser procurado para qualquer criança com menos de seis anos de idade que:

 

  • Apresente vômito e diarreia
  • Mostre sintomas de desidratação, incluindo pele enrugada, irritabilidade, pulso fraco ou consciência reduzida
  • Tem febre de acima de 37,8 ºC
  • Não urinou por mais de seis horas.

Para crianças acima de 6 anos

Já as crianças com mais de seis anos de idade devem receber cuidados médicos de emergência se:

 

  • Vomitou por mais de 24 horas
  • Há sintomas de desidratação
  • A criança não urinou há mais de seis horas
  • A criança tem febre superior a 38ºC.

E para adultos?

Os adultos devem procurar assistência médica de emergência se apresentarem algum dos seguintes sintomas:

 

  • Dor de cabeça severa
  • Torcicolo
  • Letargia
  • Confusão
  • Sangue no vômito
  • Pulso rápido
  • Respiração rápida
  • Febre de mais de 38°C
  • Diminuição da capacidade de resposta
  • Vômito acompanhado de diarreia
  • Dor abdominal grave
  • Náusea e vômitos sem causa aparente (possibilidade de infarto agudo do miocárdio)

O que vai ocorrer na consulta?

Especialistas que podem diagnosticar a causa de náuseas e vômitos são:

 

  • Clínico geral
  • Pediatra
  • Gastroenterologista

 

Lembre-se que estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

 

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade.

 

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, por exemplo:

 

  • Há quanto tempo os sintomas começaram?
  • O que parece melhorar os sintomas?
  • O que parece piorar os sintomas?
  • Você ou seu filho comeu alguma coisa diferente nos últimos dias?
  • Há suspeita de gravidez?
  • Quais outros sintomas existem, além da náusea e do vômito?

Principais cuidados

Independente da idade do paciente e da causa da náusea e dos vômitos, o tratamento consiste em:

 

  • Beber maiores quantidades de água gradualmente
  • Evitar alimentos sólidos até que o episódio de vômito passe
  • Temporariamente tomar cuidado com todas as medicações orais que podem irritar o estômago e piorar os vômitos. Todavia, não interromper qualquer medicação antes de verificar com seu médico
  • Se os vômitos e diarreia durarem mais de 24 horas, uma solução de reidratação oral, tal como bebidas isotônicas, deve ser utilizada para prevenir e tratar a desidratação.

 

Vômitos associados à tratamentos de câncer muitas vezes podem ser tratados com um outro tipo de terapia medicamentosa. Há também medicamentos que podem ser utilizados para controlar os vômitos associados com gravidez, cinetose e algumas formas de tonturas. No entanto, gostamos sempre de alertar nossos leitores a consultarem um médico antes de usar estes tratamentos.

Principais medicamentos para náusea e vômitos

Como vimos desde o início deste artigo, as náuseas e vômitos podem ter diversas causas, dessa forma, o tratamento varia de acordo com o diagnóstico estabelecido pelo médico. Por isso, somente um especialista capacitado pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, e também a dosagem correta, assim como a duração do tratamento. Os medicamentos mais comuns no tratamento de náuseas e vômitos são:

 

  • Amplictil
  • Bromoprida
  • Buscopan
  • Buscopan Composto
  • Cinarizina
  • Clonazepam
  • Digesan
  • Domperidona
  • Dramin
  • Dramin B6
  • Dramin B6 DL
  • Digestil (comprimidos)
  • Digestil (gotas)
  • Engov
  • Epocler
  • Fenergan
  • Haldol
  • Haloperidol
  • Hixizine
  • Meclin
  • Metoclopramida
  • Motilium
  • Rivotril

 

Sempre lembrando de seguir à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedicar. Não inicie, nem interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes.

E qual o prognóstico? Pode haver complicações?

Vômitos persistentes são capazes de causar desidratação, desnutrição e afetar o esmalte dos dentes.

 

É verdade que os adultos têm um menor risco de desidratação, quando comparados aos extremos de idade. Por exemplo, as crianças têm um maior risco de desidratação, especialmente se elas também estiverem com diarreia.

 

Adultos que cuidam de crianças doentes precisam estar cientes destes sinais visíveis de desidratação:

 

  • Lábios e boca secos
  • Olhos encovados
  • Respiração rápida
  • Pulso rápido

 

Em lactentes, também é importante prestar atenção para diminuição da urina e fontanelas afundadas (topo da cabeça do bebê).

E a prevenção?

Quando você começa a se sentir enjoado, é possível evitar o vômito com algumas atitudes:

 

  • Beba pequenas quantidades de líquidos claros
  • Descanse na posição sentada. Excesso de atividade pode piorar a náusea e levar a vômitos
  • Evite ler ou usar tablets e smartphones em viagens, especialmente para aqueles que sofrem de cinetose.

Vômitos na gravidez

Sabemos que, durante a gravidez podem ocorrer vômitos em decorrência das alterações hormonais. Por outro lado, vômitos recorrentes podem estar associados a uma condição chamada hiperêmese gravídica, em que a mãe pode desenvolver desequilíbrios de fluidos e minerais, que colocam em perigo a sua vida ou a do feto.

 

Até 80% das gestantes têm náuseas e vômitos em algum nível. Isso é até comentado num manual técnico elaborado pelo Ministério da Saúde sobre gestação de alto risco. Náuseas e vômitos são mais comuns e mais graves durante o primeiro trimestre. Embora comumente chamados de enjoo matinal, esses sintomas podem ocorrer em qualquer momento do dia. Os sintomas variam de leves a graves.

 

A hiperêmese gravídica é uma forma grave e persistente de vômitos relacionados com a gravidez. Mulheres com esta condição vomitam tanto que perdem peso e ficam desidratadas. É possível que elas não estejam consumindo uma quantidade de alimentos suficiente para fornecer energia ao corpo. Então, o corpo quebra as gorduras, resultando em um acúmulo de resíduos de produtos (cetonas) chamado cetose. 

 

A cetose pode causar fadiga, mau hálito, tontura e outros sintomas. Mulheres com hiperêmese gravídica muitas vezes ficam tão desidratadas que o equilíbrio eletrolítico necessário para manter o funcionamento normal do organismo fica prejudicado.

 

Se a mulher vomitar ocasionalmente, mas ganhar peso e não apresentar desidratação, isso significa que ela não está com hiperêmese gravídica. Tanto o enjoo matinal quanto a hiperêmese gravídica tendem a diminuir e até sumir por completo durante o 2º trimestre.

Quais as causas?

Geralmente, náuseas e vômitos durante a gestação estão relacionados com a gravidez. No entanto, às vezes, eles resultam de um distúrbio não relacionado com a gravidez.

 

Causas comuns

As causas mais comuns de náuseas e vômitos durante a gravidez são:

 

  • Enjoo matinal (mais comum)
  • Hiperêmese gravídica
  • Gastroenterite (infecção do trato digestivo)

 

Não é claro por que o enjoo matinal e a hiperêmese gravídica ocorrem durante a gestação. No entanto, esses sintomas talvez ocorram porque a concentração de dois hormônios aumenta durante a gestação: a gonadotrofina coriônica humana (hCG), que é produzida pela placenta no início da gestação e o estrogênio, que ajuda a manter a gravidez. 

 

Os níveis de estrogênio são especialmente elevados em mulheres com hiperêmese gravídica. Além disso, hormônios como a progesterona (produzida continuamente durante a gestação) podem fazer com que o movimento do conteúdo estomacal fique lento, possivelmente contribuindo para náuseas e vômitos. Não se pode descartar que fatores psicológicos também possam estar envolvidos.

Causas menos comuns

Ocasionalmente, vitaminas pré-natais com ferro causam náuseas. Raramente, vômitos graves e persistentes dão origem a uma mola hidatiforme (o crescimento excessivo de tecido da placenta).

 

Causas não relacionadas com a gravidez incluem:

 

  • Distúrbios do abdômen, como apendicite, bloqueio intestinal (obstrução intestinal) ou inflamação da vesícula biliar (colecistite)
  • Distúrbios cerebrais, como enxaqueca, sangramento cerebral (hemorragia intracraniana) e aumento da pressão no interior do cérebro (aumento da pressão intracraniana)

 

No entanto, esses distúrbios geralmente causam outros sintomas que são mais proeminentes, como dor abdominal ou dor de cabeça.

O que esperar?

O médico primeiramente tenta determinar se as náuseas e vômitos são causados ​​por um distúrbio grave. O enjoo matinal e a hiperêmese gravídica são diagnosticados apenas depois que outras causas foram descartadas.

Sinais de alerta

Os seguintes sintomas são motivo de preocupação em gestantes que estejam vomitando:

 

  • Dor abdominal
  • Sinais de desidratação, como diminuição da urina, diminuição da sudorese, aumento da sede, boca seca, coração acelerado e tontura ao levantar-se
  • Febre
  • Vômito com sangue, preto (parecido com borra de café) ou verde
  • Nenhum movimento do feto, se o feto tiver mais de 24 semanas
  • Confusão, fraqueza ou dormência de um lado do corpo, problemas da fala ou visão ou lentidão ― sintomas que sugerem sangramento intracraniano
  • Vômitos persistentes ou que estão piorando

Quando buscar ajuda médica?

Tanto as mulheres com sinais de alerta como as que estão tendo vômitos particularmente graves ou que estão piorando devem consultar o médico imediatamente.

 

As mulheres sem sinais de alerta devem conversar com o médico. O médico pode ajudá-las a decidir se elas precisam ser observadas ou não e como isso deve ser feito, tomando por base na natureza e gravidade dos sintomas. A mulher que tiver náusea e vômito leve a moderado, não tiver perdido peso e conseguir beber um pouco de líquido sem vomitar talvez não precise consultar um médico, a menos que os sintomas piorem.

O que o médico irá fazer?

O médico provavelmente irá perguntar a respeito dos sintomas e o histórico clínico. Em seguida, ele fará um exame físico. O que ele identifica durante a anamnese e o exame físico geralmente sugere uma causa para a dor e os exames que talvez sejam necessários.

Esteja preparada para responder às seguintes perguntas sobre o vômito:

 

  • Quando começou?
  • Quanto tempo dura?
  • Quantas vezes por dia ocorre?
  • Algo alivia o vômito ou o torna pior?
  • Com que o vômito se parece?
  • Qual a quantidade?

 

A mulher é questionada se tem outros sintomas, sobretudo dor abdominal, diarreia e constipação, e como seus sintomas afetaram sua família e ela própria, se ela pode trabalhar e cuidar de seus filhos. Também é perguntado à mulher se ela teve vômitos em gestações anteriores, alguma cirurgia abdominal prévia e se tomou algum medicamento que possa contribuir para o vômito.

 

Durante o exame físico, o médico primeiro procura por sinais de distúrbios graves, como pressão arterial muito baixa ou muito alta, febre, confusão e falta de energia. Um exame pélvico é feito para verificar se há evidências de uma mola hidatiforme e outras anomalias.

 

É essa informação que vai ajudar o médico a determinar se os vômitos são causados pela gravidez ou por outro distúrbio relacionado. Por exemplo, vômitos provavelmente são causados pela gravidez se:

 

  • Começaram durante o 1º trimestre
  • Duram ou se repetem ao longo de vários dias ou semanas
  • Não são acompanhados de dor abdominal

 

Vômitos provavelmente resultam de outro distúrbio se:

 

  • Começaram depois do 1º trimestre
  • São acompanhados de dor abdominal, diarreia, ou ambos

Quais exames serão pedidos?

Os médicos costumam usar um aparelho de ultrassonografia com Doppler portátil, colocado no abdômen da mulher para verificar se há batimentos cardíacos no feto. Caso batimentos cardíacos não estejam presentes até um determinado momento (aproximadamente na 11ª semana), é possível que exista uma mola hidatiforme. Se a mulher estiver vomitando ou muitas vezes aparece desidratada ou se uma mola hidatiforme for possível, os exames devem ser realizados. Quais exames são feitos depende da causa de qual o médico suspeita:

 

  • Hiperêmese gravídica: Os exames de urina (para medir os níveis de cetona) e, possivelmente, exames de sangue (para medir os níveis de eletrólitos e outras substâncias)
  • Uma mola hidatiforme: Ultrassonografia da pelve
  • Um distúrbio não relacionado com a gravidez: Exames específicos para esse distúrbio

Como funciona o tratamento?

Se o vômito for decorrente de um distúrbio, esse distúrbio deve ser tratado. Se o vômito estiver relacionado à gravidez, algumas mudanças na dieta ou hábitos alimentares talvez ajudem:

  • Beber ou comer pequenas quantidades com maior frequência (cinco ou seis pequenas refeições por dia)
  • Comer antes de ficar com fome
  • Comer somente alimentos leves, tais como bananas, arroz, compota de maçã e torradas (conhecida como dieta BRAT)
  • Manter os biscoitos ao lado da cama e comer um ou dois antes de se levantar
  • Beber bebidas com gás (refrigerantes)

 

Se o vômito causar desidratação, é possível que a mulher receba hidratação intravenosa. Se o vômito persistir, ela talvez seja internada no hospital. Talvez ela receba açúcar (glicose), eletrólitos e, ocasionalmente, vitaminas por via intravenosa juntamente com a hidratação. Após o vômito ter diminuído, ela recebe líquido por via oral. Se ela conseguir não vomitar esse líquido, ela pode começar a comer porções pequenas e frequentes de comidas leves. O tamanho das porções é aumentado à medida que a mulher conseguir tolerar mais comida.

 

Se necessário, os medicamentos para aliviar náuseas (antieméticos) são administrados. O médico escolhe medicamentos que parecem ser seguros no início da gestação. A vitamina B6 é utilizada em primeiro lugar. Se for ineficaz, outro medicamento também é administrado, como doxilamina, metoclopramida, ondansetrona ou prometazina.

 

Gengibre (na forma de cápsulas ou pirulitos), acupuntura, pulseiras contra enjoo e hipnose talvez ajudem, também trocar as vitaminas pré-natais para vitaminas infantis mastigáveis ​​com ácido fólico.

 

Raramente, a perda de peso continua e os sintomas persistem apesar do tratamento. Em seguida, a mulher é alimentada através de um tubo passado através do nariz e da garganta para o intestino delgado. A mulher continua a receber alimentação por sonda pelo tempo necessário.

Vômitos em bebês e crianças

As causas mais comuns de vômitos em crianças são as infecções virais e intoxicação alimentar. No entanto, o vômito também pode ser causado por cinetose, tosse e comer demais.

 

Em crianças muito jovens, bloqueios no intestino também podem causar vômitos persistentes. Os intestinos podem ser bloqueados por uma hérnia, cálculos biliares ou tumores. Isso é raro, mas deve ser investigado.

 

Nos bebês, o vômito pode ser distinguido da regurgitação. Os bebês com frequência regurgitam pequenas quantidades quando são alimentados ou logo depois, normalmente enquanto se tenta fazê-los arrotar. A regurgitação pode acontecer, porque os bebês se alimentam rapidamente, engolem ar ou são alimentados demais, mas ela pode ocorrer sem razão aparente. 

 

Os vômitos são normalmente causados por um distúrbio. Pais experientes, em geral conseguem distinguir a regurgitação do vômito, mas pais de primeira viagem podem precisar conversar com um médico ou enfermeiro.

 

Vômitos podem causar desidratação, porque há perda de líquidos. Às vezes, as crianças não conseguem beber o suficiente para compensar os líquidos perdidos, seja porque continuam a vomitar, seja porque não querem beber líquidos. Crianças que estão vomitando normalmente não querem comer, mas essa falta de apetite raramente causa um problema.

Quais as causas?

O vômito pode ser benéfico ao eliminar substâncias tóxicas que foram engolidas. No entanto, ele é mais frequentemente causado por um distúrbio. Em geral, é algo relativamente inofensivo, mas ocasionalmente o vômito é um sinal de um problema grave, tal como bloqueio do estômago ou do intestino ou elevação da pressão dentro do crânio (pressão intracraniana).

 

Causas comuns

As causas prováveis do vômito dependem da idade da criança. Em recém-nascidos e bebês, as causas mais comuns dos vômitos incluem:

 

  • Gastroenterite (infecção do trato digestivo), decorrente de um vírus
  • Refluxo gastroesofágico

 

Em crianças mais velhas, a causa mais comum é:

 

  • Gastroenterite devida a um vírus

Causas menos comuns

Em recém-nascidos e bebês, algumas causas, ainda que menos comuns, são importantes porque podem representar ameaça à vida, entre elas, podemos citar:

 

  • Estreitamento ou bloqueio da passagem para fora do estômago (estenose pilórica) em bebês com três a seis semanas de idade
  • Bloqueio do intestino causado por defeitos congênitos, tais como torção (vólvulo) ou estreitamento (estenose) do intestino
  • Deslizamento de um segmento do intestino para dentro de outro (intussuscepção) em bebês com três a 36 meses de idade

 

Vale a pena lembrar que intolerância alimentar, alergia à proteína do leite de vaca e determinadas distúrbios metabólicos hereditários incomuns também podem causar vômitos em recém-nascidos e bebês.

 

Em crianças mais velhas e adolescentes, as causas raras incluem infecções graves (por exemplo, infecção renal ou meningite), apendicite aguda ou distúrbio que eleve a pressão dentro do crânio (por exemplo, tumor cerebral ou traumatismo craniano grave). 

 

Nos adolescentes, as causas também incluem doença do refluxo gastroesofágico ou doença da úlcera péptica, alergias alimentares, vômitos cíclicos, lentidão no esvaziamento do estômago (gastroparesia), gravidez, transtornos alimentares e ingestão de substância tóxica (como grandes quantidades de paracetamol, ferro ou álcool).

No que deve-se atentar?

Para os médicos, primeiramente é preciso determinar se as crianças estão desidratadas e se os vômitos são causados por um distúrbio que represente risco à vida.

Sinais de alerta

Os sintomas e características a seguir são causa de preocupação:

 

  • Letargia e apatia
  • Nos bebês, impossibilidade de consolar a criança ou irritabilidade e formação de saliências nas partes moles (fontanelas) entre os ossos cranianos
  • Em crianças mais velhas, dor de cabeça intensa, rigidez do pescoço que torna difícil encostar o queixo no pescoço, sensibilidade à luz e febre
  • Dores abdominais, inchaço ou ambas as coisas
  • Vômitos persistentes em bebês que não vêm crescendo ou se desenvolvendo como esperado
  • Fezes com sangue

 

Quando buscar ajuda médica?

Crianças com sinais de alerta devem ser imediatamente avaliadas por um médico, assim como todos os recém-nascidos; as crianças cujo vômito tiver sangue, se parecer com café moído ou verde-claro e as crianças com traumatismo craniano recente (até uma semana antes). 

 

Nem todas as dores de barriga são dores abdominais (um sinal de alerta). No entanto, caso as crianças pareçam desconfortáveis mesmo quando não estão vomitando, e caso seu desconforto dure mais do que algumas horas, elas deverão provavelmente ser examinadas por um médico.

 

No caso das outras crianças, sinais de desidratação, especialmente redução da urina, e a quantidade de líquidos que elas estão bebendo ajudam a determinar com qual rapidez elas devem ser examinadas. A urgência varia um pouco de acordo com a idade porque os bebês e as crianças pequenas podem ficar desidratadas mais rapidamente do que crianças mais velhas. 

 

Geralmente, os bebês e as crianças pequenas que passam mais de oito horas sem urinar ou que não querem beber líquidos por mais de oito horas devem ser avaliadas por um médico.

 

O médico deverá ser chamado, caso as crianças tenham mais de seis a oito episódios de vômitos, caso os vômitos continuem por mais de 24 a 48 horas ou caso outros sintomas (tais como tosse, febre ou erupções cutâneas) estejam presentes.

 

Crianças que tiveram somente alguns episódios de vômito (com ou sem diarreia), que estão bebendo pelo menos um pouco de líquido e que de resto não estão com aparência muito doente raramente precisam ser examinadas por um médico.

O que o médico irá fazer?

Esteja preparado para algumas perguntas sobre os sintomas e histórico clínico, tais como:

 

  • Quando o vômito começou?
  • Com que frequência ela acontece?
  • Qual é a aparência dele (incluindo a cor)?
  • Se ele é eliminado com força (vômito projetado)?
  • Qual é a quantidade de vômito?

 

Determinar se há um padrão (ocorrência a certas horas do dia ou após se comer certos alimentos), pode ajudar os médicos a identificarem possíveis causas. 

 

Não se esqueça de informar o médico sobre outros sintomas (tais como febre e dores abdominais), evacuações (frequência e consistência) e micção, pois elas também podem ajudá-los a identificar a causa.

Os médicos também podem perguntar sobre viagens e lesões recentes e, no caso de garotas adolescentes sexualmente ativas, o uso de métodos anticoncepcionais.

 

Um exame físico é realizado para se verificar sinais de possíveis causas. Os médicos observam se as crianças estão crescendo e se desenvolvendo como esperado.

Quais exames eles podem pedir?

A maioria das crianças não necessita de exames. Todavia, em caso de suspeita de anomalias no abdômen, exames por imagens são normalmente feitos. Em caso de suspeita de distúrbio metabólico hereditário, exames de sangue específicos para esse distúrbio são feitos.

 

Em caso de suspeita de desidratação, exames de sangue para medir os eletrólitos (minerais necessários para manter o equilíbrio dos líquidos corporais) são ocasionalmente feitos.

Como funciona o tratamento?

Se um distúrbio específico for a causa, ele é tratado. O vômito causado pela gastroenterite em geral desaparece por si mesmo.

Líquidos

É importante que os pais se certifiquem de que a criança esteja bem hidratada. Geralmente, são administrados líquidos por via oral. Soluções de reidratação oral que contêm o equilíbrio correto de eletrólitos são as mais usadas. Bebidas esportivas, refrigerantes, sucos e bebidas similares contêm pouquíssimo sódio e carboidratos demais e não devem ser consumidas.

 

Até mesmo crianças que estão vomitando muito podem tolerar pequenas quantidades de solução dada com frequência. Normalmente, uma colher de chá (cinco mililitros) é administrada a cada cinco minutos. Caso as crianças consigam processar essa quantidade, a quantidade é gradualmente aumentada. 

 

Com paciência e motivação, a maioria das crianças consegue tomar líquidos suficientes por via oral para evitar a necessidade de administrar líquidos pela veia (hidratação intravenosa). Contudo, crianças com desidratação grave e aquelas que não ingerem uma quantidade suficiente de líquidos por via oral podem precisar de hidratação intravenosa.

Medicamentos para redução dos vômitos

Medicamentos frequentemente usados em adultos para reduzir a náusea e os vômitos são usados com menor frequência em crianças porque sua utilidade não foi comprovada. Além disso, esses medicamentos podem ter efeitos colaterais. Porém, se a náusea ou vômitos forem graves ou não desaparecerem, é possível que o médico administre bromoprida, prometazina, proclorperazina, metoclopramida ou ondansetrona a crianças com mais de dois anos de idade.

Dieta

Assim que as crianças receberem líquidos suficientes e não estiverem mais vomitando, elas devem receber uma dieta apropriada para a idade. Os bebês podem receber leite materno ou fórmula láctea.

Viu como o assunto é abrangente e deve ser bem esclarecido? Se você ainda tiver qualquer dúvida ou quer nos deixar sua opinião, é só fazer um comentário no quadro abaixo que o Cliquefarma terá o maior prazer em interagir com você!