Alopecia – O que é? Quais os tipos, as causas e os sintomas?

16/01/2020 0 Por cliquefarma

A alopecia ou alopécia é uma doença que se caracteriza pela rápida e repentina perda de cabelos do couro cabeludo ou de qualquer outra região do corpo. Nesta doença, o cabelo cai em grandes quantidades em determinadas áreas, causando a visualização do couro cabeludo ou da pele que antes era coberta por cabelos ou pêlos corporais.

 

O tratamento para a alopecia é feito de acordo com a causa, embora a queda de cabelo possa ser tratada com o uso de medicamentos aplicados diretamente no couro cabeludo e que devem ser recomendados pelo dermatologista.

Tipos de Alopecia

Alopecia Areata

A Alopecia Areata, conhecida popularmente como “pelada”, é uma condição caracterizada por perda de cabelo ou de pelos em áreas arredondadas ou ovais do couro cabeludo ou em outras partes do corpo (cílios, sobrancelhas, barba, por exemplo). Ela acomete de 1% a 2% da população, afeta ambos os sexos e todas as etnias. O distúrbio pode surgir em qualquer idade, embora em 60% dos casos seus portadores tenham menos de 20 anos.

 

A Alopecia Areata em alguns casos, causa a perda do cabelo depois de um evento importante, como uma doença, uma gravidez ou um traumatismo. Este tipo de alopecia manifesta-se por uma perda de cabelo em zonas concretas, fundamentalmente no couro cabeludo, mas que também pode surgir noutras partes do corpo. 

 

Vamos ver agora à frente quais as principais causas da doença, que vão desde a genética até ao stress, passando por determinadas condições e fatores de tipo ambiental.

 

Como mencionamos, é frequente a alopecia areata começar a manifestar-se através de sintomas como uma ou duas áreas de perda de cabelo, muito frequentemente no couro cabeludo. Mas também pode verificar-se na barba, nas sobrancelhas, e nos braços ou pernas.

Causas

A causa da alopecia areata não é totalmente conhecida, mas trata-se de uma condição autoimune, em que o sistema imunológico ataca e destrói tecido corporal sadio por engano. 

Nesse caso, o alvo do ataque são as estruturas que formarão o pelo.

E quais os principais fatores de risco?

É importante saber que cerca de uma em cada cinco pessoas com alopecia areata apresenta histórico familiar da doença. Ela costuma acontecer com qualquer pessoa, independentemente do gênero e da idade, e parece estar diretamente relacionada a algum evento importante, como trauma, doença ou gravidez. 

 

Uma alta carga de estresse no dia a dia também podem favorecer a ocorrência desse tipo de alopecia. É uma das doenças de pele mais relacionadas com aspectos psicológicos do paciente.

Sinais e sintomas

Obviamente será observada a perda de cabelo, mas você sabia que este é apenas um sintoma da alopecia areata? Algumas pessoas também podem sentir uma sensação de queimação ou coceira na região em que houve a queda. 

 

É possível que a alopecia areata seja mais frequentemente observada no couro cabeludo, mas também pode ocorrer na barba, sobrancelhas, braços e pernas, como visto anteriormente.

 

Os pontos onde houve a queda de cabelo são lisos e arredondados. Pode haver uma coloração rósea também na região, mas isso não é regra.

 

Pode haver também alterações nas unhas: pequenas alterações no relevo da superfície da unha, com aspecto de “furinhos”, chamados depitting. Há também a possibilidade de associação com outras doenças auto-imunes, como lúpus, vitiligo e tireoidite.

Quando buscar ajuda médica

O especialista que você deve procurar, caso suspeite que está com alopecia areata é o dermatologista, mas outros especialistas podem tratar os pacientes com a doença em conjunto: endocrinologista (nos casos de doenças da tireoide associadas) e psicólogo e psiquiatra (nos quadros com alteração emocional).

 

Não se esqueça de que estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Por isso, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

 

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que você apresente e medicamentos ou suplementos que tome com regularidade
  • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.

 

Esteja também preparado para uma série de perguntas que possivelmente o médico fará para você, tais como:

 

  • Quando você notou a queda de cabelos?
  • Você sente outros sintomas? Quais?
  • Você passou por algum estresse muito grande recentemente?
  • Você foi diagnosticado com alguma outra condição de saúde recentemente? Qual? Está fazendo tratamento?.

Obtendo o diagnóstico de Alopecia areata

O diagnóstico pode ser feito pela simples aparência das áreas em que houve queda de cabelo, associado a um exame rápido e indolor chamado tricoscopia, realizado por dermatologistas, que facilita muito o diagnóstico. Em certos casos há necessidade de fazer biópsia da pele afetada para descartar outras possíveis causas.

 

É possível que o cabelo cresça novamente dentro de alguns meses, sem tratamento se a sua perda não for total. No entanto, o tratamento é recomendado em quase sempre todos os casos, pois geralmente a região em que ocorre queda não costuma mais nascer cabelo.

 

Claro que o tratamento não é obrigatório, porque não previne as recidivas, uma vez que a condição é benigna e tende a regredir espontaneamente, mas costuma ser indicado, porque a alopecia pode causar distúrbios psicológicos importantes.

 

Adultos com menos de 50% de envolvimento do couro cabeludo podem beneficiar-se com a aplicação de injeções locais de derivados da cortisona. A aplicação local de cremes contendo corticosteroides, de soluções de Minoxidil, de creme de antralina, de sensibilizadores de contato como o DNCB e o SADBE são outras opções de tratamento para estimular o crescimento do fio de cabelo.

 

Vale ressaltar que, mesmo no caso de perda de cabelos mais intensa, não está claro o quanto o tratamento pode ajudar a mudar o curso da situação.

 

Os tratamentos mais comuns que estão disponíveis incluem:

 

  • Injeção de esteroides sob a superfície da pele
  • Medicamentos aplicados à pele
  • Terapia com luz ultravioleta
  • Medicação administradas por via oral (pela boca).

 

Medicamentos para Alopecia areata

Os medicamentos mais usados são:

 

Convivendo com o prognóstico

Enquanto o ainda estiver em tratamento, o paciente pode optar por disfarçar o problema usando uma peruca ou um chapéu.

 

Alopecia areata tem cura?

Tudo vai depender da condição do paciente, mas embora levando algum tempo, a recuperação total dos cabelos costuma ser comum. Lembrando que, algumas pessoas também podem ter um resultado ruim, principalmente quando a pessoa afetada for jovem ou apresentar dermatite atópica e perda total de cabelos do couro cabeludo ou de pelos do corpo.

 

Além disso, se o tratamento não surtir efeito ao longo de muito tempo, pode ser ainda mais difícil para a recuperação.

Existe algum tipo de prevenção?

Parece ser bem importante evitar o estresse do dia a dia para evitar o aparecimento da alopecia areata, embora não se saiba exatamente até que ponto isso possa estar relacionado à sua ocorrência.

Principais recomendações

  • Procure o dermatologista se surgirem áreas circunscritas com perda de cabelos ou de pelos em algumas partes do corpo. Diagnóstico e tratamento precoces são importantes para reverter os quadros de alopecia areata;
  • Esteja atento. Os episódios de queda, seguidos de recuperação parcial ou total do cabelo perdido podem manifestar-se várias vezes na vida. Com ou sem tratamento, o crescimento parcial ou completo deve ser esperado dentro de um ano. Infelizmente, há casos de perda irreversível;
  • Não estranhe. Geralmente, quando volta a crescer, o cabelo é branco e fino, mas depois adquire cor e consistência normais;
  • Aceite ajuda psicológica, se a alopecia areata estiver prejudicando sua autoestima e qualidade de vida.

Alopecia Androgenética

Alopecia androgenética, ou calvície, é uma forma de queda de cabelos geneticamente determinada. É relativamente frequente na população. Homens e mulheres podem ser acometidos pelo problema, que apesar de se iniciar na adolescência, só é aparente após algum tempo, por volta dos 40 ou 50 anos. 

 

É bom saber que, apesar do termo “andro” se referir ao hormônio masculino, na maioria das vezes os níveis hormonais se mostram normais nos exames de sangue. A doença se desenvolve desde a adolescência, quando o estímulo hormonal aparece e faz com que, em cada ciclo do cabelo, os fios venham progressivamente mais finos.

E as causas?

A Dra Roberta Bibas, dermatologista da Clínica Bibas no Rio de Janeiro afirma que a alopecia androgenética é causada por uma hipersensibilidade de receptores hormonais no couro cabeludo, levando ao afinamento progressivo do fio de cabelo até completa obstrução do folículo piloso (local onde nascem os fios). Ela explica que apesar de ser mais como em homens, trata-se de uma condição que atinge 5% das mulheres.

 

Sinais e sintomas

A queixa mais frequente na alopecia androgenética é a de afinamento dos fios. Os cabelos ficam ralos e, progressivamente, o couro cabeludo mais aberto. Nas mulheres, a região central é mais acometida, pode haver associação com irregularidade menstrual, acne, obesidade e aumento de pelos no corpo. Porém, em geral, são sintomas discretos. Nos homens, as áreas mais abertas são a coroa e a região frontal (entradas).

 

Como identificar a alopecia androgenética?

A fim de identificar a doença, é preciso que você preste atenção na saúde do seu cabelo. Os primeiros sinais envolvem uma perda mais difusa do cabelo, com raleamento visível dos fios no topo da cabeça. A risca do cabelo vai se ‘alargando’ e mostrando cada vez mais o couro cabeludo.

 

Vale lembrar que ao mesmo tempo, não necessariamente essa queda pode implicar um quadro de alopecia. Por isso é tão importante passar sempre pela avaliação de um profissional, já que cada caso é um caso. Vamos falar um pouco mais sobre um problema que pode ser confundido com a alopecia mais à frente.

 

Muitas vezes, a queda e fraqueza dos fios pode estar associada a outros fatores importantes, como a produção hormonal do seu organismo. 

 

Um outro ponto importante é que a doença não está diretamente ligada a quedas volumosas de cabelo (quando você passa a mão na cabeça e vem uma quantidade considerável de fios junto). O fio vai afinando gradualmente até que o folículo fica entupido e ele não cresce mais. Porém, você pode, sim, ter um caso de alopecia ligado a outro de queda significativa.

 

Como funcionam os tratamentos?

Assim como na alopecia areata, os tratamentos baseiam-se em estimulantes do crescimento dos fios como o minoxidil e em bloqueadores hormonais. O objetivo do tratamento é estacionar o processo e recuperar parte da perda. 

 

Os bloqueadores hormonais são medicamentos via oral; nos homens, a finasterida é a mais usada. Nas mulheres, anticoncepcionais, espironolactona, ciproterona e a própria finasterida podem ser receitados. Nos casos mais extensos, um transplante capilar pode melhorar o aspecto estético.

E a prevenção?

A alopecia androgenética é uma doença genética, mas alguns fatores podem piorar o problema, como, por exemplo, a menopausa e o uso de suplementação de hormônios masculinos. Exames genéticos podem identificar os pacientes com maior risco de desenvolver a doença. Entretanto, não há como evitar totalmente o desenvolvimento da doença sem o tratamento adequado.

 

Cabelo caindo demais pode ser Eflúvio Telógeno

Perceber que o seu cabelo está caindo mais do que o normal pode ser bastante assustador. Alguns casos, como a queda de cabelo pós parto, são razoavelmente frequentes e não causam tanto espanto. Mas muita gente simplesmente acorda um belo dia e observa que os fios estão ficando mais ralos, ou percebe mais cabelo caindo no travesseiro, nas roupas, saindo no pente ou durante o banho.

 

Apesar de comumente confundido com alopecia, o problema pode ter várias causas, mas todas recebem o mesmo nome. O eflúvio telógeno faz com que os fios comecem a entrar prematuramente na fase final do seu ciclo de vida, e é o diagnóstico mais frequente para queda difusa dos cabelos.

Como assim?

O cabelo de todo mundo passa por três fases distintas durante o seu ciclo de vida, chamadas de anágena, catágena e telógena. A grande maioria dos fios costuma se encontrar na fase anágena, que é quando o folículo capilar está ativo e o cabelo está crescendo. As demais fases são de descanso: o fio para de crescer, se desconecta da base do folículo e se solta do couro cabeludo.

 

O que o eflúvio telógeno faz é aumentar a proporção de fios que se encontram na fase telógena, a última delas, quando o fio está pronto para cair (sozinho, puxado pelo pente, grudado no travesseiro ou empurrado pelo fio novo que começa a nascer abaixo dele). Normalmente cerca de 10 a 15% dos cabelos está nessa fase, mas no eflúvio telógeno a 

média pode girar em torno dos 30%.

 

Essa mudança costuma acontecer quando o nosso organismo passa por um choque muito grande. Algumas causas frequentes de eflúvio telógeno são:

 

  • Alterações hormonais (período pós parto, mudanças no uso de pílulas anticoncepcionais ou reposição hormonal, problemas da tireoide);
  • Doenças severas ou traumas físicos (febre muito alta, infecção séria, uma grande cirurgia) e psicológicos (stress severo, choque emocional intenso);
  • Alterações nutricionais (bulimia, anorexia, dietas radicais, deficiências nutricionais, anemia, excesso de suplementação de ferro ou vitamina A);
  • Alguns medicamentos (beta-bloqueadores, anticoagulantes, retinoides, algumas vacinas);
  • Doenças crônicas (lúpus, problemas renais ou hepáticos);

 

O que acontece é que, provavelmente diante desses casos de grande stress físico ou psicológico, o corpo concentre todo o esforço possível na sua recuperação e poupe recursos em algumas das atividades menos importantes (fazer o cabelo crescer, por exemplo!). 

 

A perda acentuada dos fios costuma ser notada de um a seis meses após a ocorrência da causa, portanto se o seu cabelo começou a cair demais, tente se lembrar se nos últimos meses aconteceu alguma situação parecida.

 

Atenção: mães que sofrem com a queda de cabelo pós parto, pelo fato de perceberem o problema durante o período em que estiverem amamentando, e acreditam que essa possa ser a causa, saibam que amamentar não faz o cabelo cair. O que acontece é que, como existe esse período de alguns meses entre a ocorrência da causa e a queda dos fios, muita gente acaba não associando uma coisa com a outra. 

 

O que causa a queda de cabelo pós parto é a flutuação hormonal comum do final da gravidez, ou seja, amamente sem medo! Ainda assim, não se esqueça que durante esse período a sua alimentação deve ser rica e nutritiva, pois o seu corpo, além de se recuperar da gravidez, está produzindo leite para o bebê (e deficiências nutricionais podem sim interferir no eflúvio telógeno).

O quadro surge acompanhando o ritmo do gatilho que o causou: problemas que aconteceram durante pouco tempo (um episódio de febre alta ou um remédio tomado por alguns dias, por exemplo) podem gerar uma queda aguda dos fios, enquanto as causas mais persistentes (como problemas nutricionais ou doenças crônicas) podem fazer o cabelo cair de forma mais lenta e duradoura, gerando em alguns casos quadros de eflúvio telógeno considerado crônico.

 

Como funciona o tratamento?

O eflúvio telógeno pode chegar a provocar quadros severos de queda dos cabelos, mas felizmente ele é tão reversível quanto à sua causa. Quando os hormônios se estabilizam após o parto, o desequilíbrio hormonal é tratado, os problemas nutricionais são resolvidos, o corpo se recupera totalmente da cirurgia ou o stress psicológico é aliviado, os cabelos também param de cair. E mesmo nos casos de doença crônica, apesar de o quadro não se resolver tão rapidamente quanto nos quadros agudos é bom saber que ele não vai progredir para uma calvície definitiva.

 

Mesmo assim o impacto estético pode ser notável, afinal os fios que caíram juntos podem levar muitos meses até se recuperarem totalmente, dependendo de vários fatores, é claro!

Então, para acelerar a recuperação dos folículos atingidos, alguns médicos recomendam o uso de suplementos alimentares compostos por vitaminas que favorecem o crescimento e a saúde dos cabelos, como Pantogar e o uso de minoxidil também nas áreas afetadas. 

 

Não existe comprovação científica de que minoxidil seja eficiente para estimular o crescimento dos fios atingidos por eflúvio telógeno, mas diversos usuários relatam resultados positivos.

 

É importante dizer que as fases iniciais de alguns outros tipos de alopecia (como a alopecia androgenética clássica e a alopecia areata difusa) podem se parecer com episódios de eflúvio telógeno. Por isso mesmo, é importante observar atentamente a progressão do seu quadro para ter certeza do diagnóstico e tratamento corretos. Suspeite de outras causas principalmente se a queda dos cabelos não for interrompida em até seis a oito meses.

 

Alopecia cicatricial

 

A alopecia cicatricial é um tipo de calvície que se produz como resultado da má-formação, dano ou destruição dos folículos pilosos.

 

Existem alguns tipos de alopecia cicatricial:

 

  • Alopecia cicatricial primária – Este tipo de alopecia produz-se por alterações no desenvolvimento do folículo piloso, ou por alterações hereditárias.
  • Alopecia cicatricial primária adquirida – Existem determinadas dermatoses de origem autoimune ou de causa desconhecida que podem provocar a alopecia cicatricial.
  • Alopecia cicatricial secundária – Este tipo de alopecia aparece quando o folículo piloso se destrói secundariamente no decorrer de uma infeção, processo tumoral ou secundariamente em processos físicos como a radioterapia ou queimaduras. A comichão (dermatofitose) do couro cabeludo também pode dar lugar a uma alopecia cicatricial.

 

A alopecia cicatricial não é uma doença específica: o termo reúne uma série de problemas de saúde que geram queda de cabelos. O que eles têm em comum é que o dano causado aos folículos capilares pode ser permanente e irreversível, tornando-os incapazes de produzir fios.

 

A maioria das doenças elencadas nesta categoria não tem relação comprovada com herança genética, ou seja, o histórico familiar não é útil na previsão das ocorrências. Elas podem atingir homens e mulheres de todas as idades, apesar de serem mais raras em crianças.

 

São casos bem menos comuns do que as demais ocorrências de alopecia, mas como geram quadros de possível perda definitiva dos cabelos, é importante saber identificar e tratar o mais rápido possível.

Como ela pode surgir?

O surgimento e o desenvolvimento dos sintomas variam de acordo com a doença que causa a alopecia cicatricial. Elas são divididas em dois grupos: o primário envolve doenças nas quais o folículo capilar é alvo de uma reação inflamatória destrutiva, e o secundário reúne quadros que não atacam especificamente o folículo (como queimaduras, radiação ou tumores por exemplo).

 

Dentro do grupo primário, as doenças são subdivididas segundo o tipo de células do sistema imunológico que participa do processo inflamatório: há aquelas com predominância de linfócitos nas áreas afetadas (líquen plano pilar, alopecia frontal fibrosante, pseudopelada de Brocq, alopecia central centrífuga), outras com predominância de neutrófilos (foliculite decalvante, foliculite em tufos,  celulite dissecante do couro cabeludo) e ainda as classificadas como mistas, que envolvem os dois tipos de células (foliculite queloideana, dermatose pustular erosiva).

 

Vários destes quadros, além da queda de cabelo, podem causar sensibilidade, coceira, ardência, dor, vermelhidão ou formação de placas ou pústulas. Frequentemente a calvície começa em áreas pequenas, com contornos irregulares, que vão avançando gradualmente (várias áreas calvas podem se fundir à medida em que a doença segue seu curso). 

É comum que a textura da pele das áreas afetadas ganhe um aspecto “liso”, porque as aberturas dos folículos (óstios), por onde os fios saem, vão desaparecendo.

Como é feito o tratamento?

O diagnóstico e o tratamento precisam ser realizados o mais breve possível, para tentar evitar que se chegue ao estágio de dano avançado dos folículos. O padrão de surgimento das áreas calvas pode levar a um falso diagnóstico de alopecia areata, portanto é fundamental que a investigação do caso seja minuciosa. 

 

O paciente deve procurar um bom dermatologista para fazer as análises necessárias (testes, observação dos fios em microscópio, cultura do líquido das pústulas, se houver, ou mesmo uma biópsia do couro cabeludo enquanto a doença estiver ativa) e identificar o seu caso específico.

 

Os tratamentos costumam ser de longa duração, e são mantidos até que o avanço da queda do cabelo seja interrompido. O quadro pode se resolver de forma satisfatória, mas infelizmente nenhum dos tratamentos disponíveis atualmente é capaz de recuperar os folículos destruídos ou evitar que novos episódios aconteçam no futuro: depois de um período de estabilização, é possível que os sintomas voltem a aparecer e um novo tratamento precise ser iniciado.

 

Nos casos menos avançados pode ser possível realizar um implante capilar, ou mesmo eliminar cirurgicamente as áreas calvas com uma redução do couro cabeludo (as partes não-afetadas pela alopecia são reaproximadas e reconstituem o aspecto normal), mas a realização dos procedimentos só é recomendada quando a alopecia se encontra inativa (o ideal é que o quadro esteja estável por 2 ou 3 anos).

 

Os pacientes que não querem ou não podem fazer estes procedimentos, o uso de próteses capilares pode ser uma boa solução. Atualmente é possível encontrar peças confeccionadas com materiais modernos e confortáveis, que podem ser aderidas à pele com adesivos resistentes e permitem que o usuário realize todas as suas atividades normais sem precisar removê-las (se exercitar, nadar e lavar a cabeça, por exemplo). 

 

Como a alopecia afeta a parte emocional?

Sabemos que lidar com um quadro de queda de cabelos que costuma ser difícil de diagnosticar (devido à raridade das doenças), pode ter progressão rápida, envolver inflamação e dor consideráveis, e com prognóstico de perda definitiva dos cabelos não é fácil, e pode afetar também a saúde emocional dos pacientes.

 

Além do apoio dos amigos e familiares ser fundamental para passar por essa fase difícil, a ajuda profissional também é importante. O atendimento psicológico pode ser uma ferramenta de apoio para que o paciente tenha força e perseverança para encarar o tratamento e consiga conviver com a doença da maneira mais tranquila possível.

 

Outro recurso interessante é conversar com outras pessoas que tenham o mesmo problema. Saber que não se está sozinho e trocar histórias, desabafos e impressões sobre tratamentos com quem está lutando a mesma batalha pode ser uma ajuda valiosa. Se não existirem grupos na sua cidade, procure as comunidades online, que reúnem pessoas com todos os tipos de alopecia.

 

Existem ainda outras alopecias

Às vezes, a ingestão de determinados medicamentos, tratamentos farmacológicos, ou mudanças da nossa rotina diária, têm como consequência a perda do cabelo. Apesar de algumas delas se englobarem nos tipos já referidos, existem outras alopecias que não se enquadram nos padrões concretos de nenhuma delas.

 

Entre as mais conhecidas, encontra-se a alopecia traumática, causada por traumatismos físicos. Podem acontecer quando se submete o cabelo a forças de atrito de forma repetida ou penteados com muita tensão como tranças ou coques, entre outros. Podem originar-se por várias causas, como a pressão, que faz com que os bebés após o contato continuado do couro cabeludo com a almofada, percam cabelo.

 

Também existe a foliculite decalvante, conhecida como foliculite em mechas, que trata-se de uma inflamação destrutiva e supurativa causando o aparecimento de surtos de pústulas que se estendem progressivamente de um cabelo para outro ao longo do couro cabeludo. 

 

Os surtos dessas pústulas destroem os folículos afetados, o que provoca esta doença como também outras alopecias. Ainda que não se conheça a sua causa, confirmou-se a influência da bactéria Staphylococcus aureus e a sua produção de superantígenos em pessoas que apresentam geneticamente a sua predisposição. No seu tratamento, são utilizados antibióticos, anti-inflamatórios e moduladores da imunidade como os glucocorticoides.

 

Ainda por fim, podemos citar a foliculite dissecante. Um processo supurativo crônico do couro cabeludo com causas desconhecidas, que se manifesta por nódulos profundos inflamatórios que se localizam na zona occipital ou da nuca. Costuma ser frequente em homens afroamericanos entre os 18 aos 40 anos. 

 

Os homens de raça branca também podem ser afetados. Apesar do tratamento ser complicado, responde com lentidão à isotretinoína, os antibióticos e os glucocorticoides. As cicatrizes podem ser eliminadas mediante cirurgia.

Convivendo com a alopecia

Não é fácil aceitar, mas a pessoa precisa entender que é necessário adaptar o tratamento de alopecia no dia a dia porque se trata de uma doença sem cura e que o tratamento não tem fim.  Além da rotina de cuidados regrada, é necessário paciência, afinal a maioria dos tratamentos chegam a demorar meses para começar a apresentar resultados satisfatórios.

 

Uma das principais dificuldades ao lidar com a doença, para as mulheres, é encontrar motivação para reverter o quadro que afeta diretamente a autoestima, mas elas não podem desistir e devem sim procurar uma saída a fim de que recuperem até mesmo a qualidade de vida de antes do problema aparecer. Devem colocar isso como uma prioridade e permanecer firme com o tratamento, independente do tempo que leve.

 

Por isso, é tão importante identificar casos de alopecia logo no começo. Se você percebe que o seu cabelo está caindo muito ou que os seus fios estão ficando mais finos, é essencial que você vá à um dermatologista o quanto antes para fazer uma análise do caso e começar o tratamento mais adequado para o seu quadro.

 

Conhece alguém que sofre de alopecia? Compartilhe este artigo e nos conte sua experiência com a doença nos comentários. Será um imenso prazer para nós interagirmos com você!