Tudo sobre Anastrozol

04/09/2019 1 Por cliquefarma

O medicamento Anastrozol é indicado para o tratamento do câncer de mama inicial em mulheres na pós-menopausa. Os benefícios do tratamento com este medicamento foram observados em pacientes com tumores receptor hormonal positivos. 

Serve também para a redução da incidência de câncer de mama contralateral em pacientes como tratamento adjuvante para câncer de mama inicial. E ainda indicado para o tratamento do câncer de mama avançado em mulheres na pós-menopausa. 

Hormonioterapia para o Câncer de mama

A terapia hormonal, ou hormonioterapia é uma forma sistêmica, o que significa que atinge células cancerosas em qualquer parte do corpo e não apenas na mama. Estes receptores são o receptor de estrogênio (RE) e de progesterona (RP), e sua presença qualitativa e quantitativa, determina-se pela avaliação do tumor através da técnica denominada imunohistoquímica.

 

Normalmente, a terapia hormonal é frequentemente utilizada após a cirurgia, como terapia adjuvante, para ajudar a reduzir o risco da recidiva da doença. Às vezes, ela é iniciada antes da cirurgia, como terapia neoadjuvante. Geralmente é administrada por 5 anos. A hormonioterapia também pode ser usada para tratar a recidiva da doença ou o câncer de mama avançado.

 

Cerca de 67% dos cânceres de mama são receptores hormonais positivos, ou seja, suas células têm receptores que se ligam aos hormônios estrogênio (RE+) e/ou progesterona (RP+). Para esses cânceres, altos níveis de estrogênio ajudam as células cancerosas a crescerem e se disseminarem por todo o corpo.

 

Existem diversos tipos de hormonioterapia, que usam maneiras diferentes de evitar que o estrogênio ajude o câncer a crescer. A maioria desses tipos de terapia hormonal para câncer de mama diminuem os níveis de estrogênio ou impedem-no de atuar sobre as células cancerígenas da mama. O Anastrozol entra na categoria a seguir:

 

Inibidores de Aromatase

 

De forma simples, os inibidores de aromatase são medicamentos que impedem a produção de estrogênio. Antes da menopausa, a maioria do estrogênio da mulher é produzida pelos ovários. Mas para àquelas cujos ovários não estão funcionando, seja devido à menopausa ou a determinados tratamentos, uma pequena quantidade de estrogênio ainda é produzida pela enzima aromatase no tecido adiposo. Os inibidores de aromatase agem bloqueando essa enzima. 

 

Esses medicamentos são mais úteis em mulheres que já passaram da menopausa, embora também possam ser usados em mulheres na pré-menopausa se combinados com a ablação do ovário.

 

Existem três inibidores de aromatase indicados para o tratamento do câncer de mama:

 

  • Letrozol.
  • Anastrozol.
  • Exemestano.

 

Essas drogas precisam ser administradas por via oral diariamente.

 

Os esquemas de tratamento conhecidos como úteis para esses medicamentos incluem:

 

  • Tamoxifeno, por 2 a 3 anos, seguido por um inibidor de aromatase até completar 5 anos de tratamento.
  • Tamoxifeno, por 5 anos, seguido de inibidor de aromatase por 5 anos.
  • Inibidor de aromatase, por 5 anos.

 

Possíveis Reações Adversas 

 

Os inibidores de aromatase tendem a ter menos efeitos colaterais importantes comparados com o tamoxifeno. Eles não provocam câncer de útero e raramente causam trombose. No entanto, vale salientar que os inibidores de aromatase provocam frequentemente dores articulares, que podem ser semelhantes aos sintomas de artrite em diferentes articulações simultaneamente. Este efeito colateral pode melhorar trocando o inibidor de aromatase. Se isso acontecer, a maioria dos médicos indica o uso de tamoxifeno para completar os 5 anos de hormonioterapia.

 

Como os inibidores de aromatase removem todo o estrogênio após a menopausa, podem provocar osteoporose e até mesmo fraturas. Se você está tomando um inibidor de aromatase, seu médico poderá prescrever medicamentos para fortalecer os ossos, como bisfosfonatos ou denosumabe.

 

Anastrozol e Tamoxifeno

A incidência de câncer de mama contralateral foi estatisticamente reduzida para Anastrozol comparado com Tamoxifeno. Observou-se deveras que, o benefício da sobrevida global do Tamoxifeno foi mantido com Anastrozol. Uma análise adicional do tempo até o óbito após a recorrência mostrou uma tendência numérica em favor deste medicamento comparada com Tamoxifeno. 

 

Há de se observar que em um estudo de fase III (ABCSG 8), conduzido em 2579 mulheres na pós-menopausa com câncer de mama inicial com receptor hormonal positivo, as pacientes que estavam em tratamento adjuvante com Tamoxifeno tiveram uma sobrevida livre de doença superior quando substituíram o tratamento para Anastrozol comparado com as que permaneceram com Tamoxifeno. 

 

Foi concluído que o tempo para qualquer recorrência, o tempo para recorrência local ou a recorrência a distância e o tempo até a recorrência a distância, confirmaram uma vantagem estatística para o Anastrozol, consistente com os resultados de sobrevida livre de doença. A incidência de câncer de mama contralateral foi muito baixa nos dois braços de tratamento, com uma vantagem numérica para Anastrozol. A sobrevida global foi similar para os dois grupos de tratamento. 

 

Outros dois estudos similares (GABG/ARNO95 e ITA) com Anastrozol, assim como uma análise combinada do ABCSG 8 e GABG/ARNO 95, suportaram estes resultados. O perfil de segurança do medicamento nestes três estudos foi consistente com o perfil de segurança conhecido estabelecido em mulheres na pós-menopausa com câncer de mama inicial com receptor hormonal positivo. 

Eficácia do Anastrozol comprovada em estudos

Foi realizado um estudo com 4 mil mulheres na Inglaterra pela Universidade Queen Mary, onde foi descoberto que o Anastrozol pode reduzir em mais da metade a incidência de câncer de mama em pacientes de alto risco. Esses resultados foram publicados pela revista Lancet. 

 

Outra vantagem que o Anastrozol revelou foi uma menor ocorrência de efeitos colaterais quando comparado a outros medicamentos, além da sua alta eficácia em relação à própria doença. 

 

A realização do estudo foi feita com mulheres divididas em 2 grupos, ambos com pacientes de alto risco (histórico de câncer na família). A diferença entre as que não receberam Anastrozol para as que foram medicadas com ele, foi de 85 para 40, sem dúvidas, uma taxa bastante expressiva!

 

Vale ressaltar que a efetividade do Anastrozol só alcança mulheres que já passaram da menopausa, pois ele não é capaz de bloquear a produção de estrogênio pelos ovários, sendo assim, o medicamento indicado para mulheres mais jovens continua sendo o tamoxifeno e o raloxifeno, mesmo aumentando o risco de câncer no útero e trombose venosa profunda.

Como este medicamento funciona e Características

O Anastrozol é utilizado como um inibidor da aromatase, isso faz com que ele seja um medicamento eficiente no tratamento do câncer de mama para mulheres que já passaram da menopausa, como também no tratamento de ginecomastia para homens.

 

Uma das funções do Anastrozol é impedir que através de um processo de aromatização o corpo converta a testosterona em estrogênio, o que é benéfico para os homens que utilizam esteróides na musculação, já que seu uso pode proporcionar essa conversão hormonal. Além disso, por prevenir a formação de estradiol, previne também o envelhecimento ósseo precoce. Por isso ele também pode ser utilizado em homens de baixa estatura.

 

É importante mencionar que nas mulheres na pós-menopausa, Anastrozol em dose diária de 1 mg, produziu supressão do estradiol superior a 80%, usando-se um método altamente sensível. Este medicamento também não possui atividade progestagênica, androgênica ou estrogênica. Doses diárias de até 10 mg não possuem nenhum efeito na secreção de cortisol ou de aldosterona, medida antes ou depois do teste de estímulo com ACTH (hormônio adrenocorticotrófico) padronizado. Por isso, não é necessário que se administre suplementos corticoides. 

 

A diminuição da produção de estradiol / estrogênio se traduz em uma vantagem para os homens, já que quantidades mais elevadas são prejudiciais, podendo causar não somente a ginecomastia, mas também retenção de líquidos e aumento de gordura. Porém, ter estradiol em baixas quantidades também pode ser prejudicial, podendo causar uma diminuição da libido e gerar problemas nas articulações, portanto, cuidado e acompanhamento médico regular são fundamentais para o sucesso do tratamento.

Toxicidade de Anastrozol

Falando um pouco sobre os estudos realizados a respeito da toxicidade do Anastrozol, foram realizados testes em roedores e cães. Nos roedores, dosagens acima de 100mg/kg diárias foram suficientes para causar a morte dos roedores. Em cães, quantidades acima de 45mg/kg diárias foram letais.

 

Os testes não estabeleceram níveis de dosagem sem efeitos tóxicos, tanto para cães quanto para os ratos. Porém, foram observados efeitos com baixas dosagens, sendo que para os cães a dosagem foi de 3 mg/kg por dia e para os ratos de 5mg/kg por dia. Os efeitos observados são relacionados às substâncias que compõe o Anastrozol. Os mesmos estudos indicaram que não há perigos para o material genético. As doses de Anastrozol não são mutagênicas e nem clastogênicas (quando ocorre a quebra das cadeias de DNA).

 

Ainda outro estudo realizado em roedores sobre a oncogenicidade mostrou que doses mais elevadas do Anastrozol foram responsáveis por aumentar a incidência de pólipos uterinos em fêmeas e adenomas na tireóide de machos. A dose em questão ultrapassava os 25 mg/kg por dia. Essa dose utilizada em ratos representava algo em torno de 100 vezes a dose utilizada para fins terapêuticos em humanos, não representando perigo para os mesmos.

 

As alterações ditas acima, além de indução de formação de tumores no ovário decorrem da inibição da aromatase em camundongos.

 

Interferência direta na Densidade Mineral Óssea (DMI)

Relatou-se no estudo SABRE de fase III / IV, 234 mulheres na pós-menopausa com câncer de mama inicial com receptor hormonal positivo, tratadas com Anastrozol foram separadas em grupos de risco baixo, moderado e alto de fratura. Todas as pacientes receberam tratamento com vitamina D e cálcio. As pacientes do grupo de baixo risco receberam somente Anastrozol, as pacientes do grupo de risco moderado foram randomizadas para receber Anastrozol mais bifosfonato ou Anastrozol mais placebo e as pacientes do grupo de alto risco receberam Anastrozol mais bifosfonato. 

 

A análise principal de 12 meses demonstrou que as pacientes que já possuíam risco moderado a alto de fratura tiveram sua saúde óssea (avaliada pela DMO e marcadores de formação e de reabsorção óssea) controlada com sucesso usando este medicamento em combinação com um bifosfonato. Além disso, não foram observadas alterações na DMO no grupo de baixo risco tratado somente com Anastrozol e vitamina D e cálcio. Estes resultados foram espelhados na mudança da variável de eficácia secundária a partir dos parâmetros iniciais da DMO total do quadril em 12 meses. 

 

Este estudo forneceu evidências de que mulheres na pós-menopausa com câncer de mama inicial com programação de tratamento com Anastrozol devem ter sua condição óssea controlada de acordo com as diretrizes de tratamento disponíveis para mulheres na pós-menopausa em risco semelhante de fratura.  

Posologia (Como usar) 

A apresentação do Anastrozol é de 1mg e as embalagens podem conter de 28 a 280 comprimidos. O uso é via oral e o comprimido não deve ser mastigado e sim engolido direto, sendo ingerido com água.

Recomenda-se que o paciente ingira todos os dias o comprimido no mesmo horário. 

 

Caso a dose do dia seja esquecida, nunca deve-se tomá-la em dobro com o objetivo de compensar o esquecimento, pois isso poderá afetar o ciclo e causar efeitos colaterais. Apenas continue tomando normalmente no dia seguinte no mesmo horário.

 

É importante salientar que em caso de superdosagem, deve-se procurar imediatamente um médico, pois isso poderá causar intoxicações e efeitos colaterais.

Contraindicações e efeitos colaterais

O Anastrozol não é indicado para pessoas que possuam sensibilidade a qualquer uma das substâncias de sua composição. Crianças e idosos também não devem fazer uso do medicamento porque a segurança e a eficácia não foram estabelecidas nesses grupos de pacientes. Mulheres que estão na pré-menopausa também devem evitar o uso, já que ele é recomendado para quem está na pós-menopausa. Também não é recomendado o uso para quem vai dirigir ou operar máquinas, já que um dos efeitos colaterais é a sonolência. 

 

A bula indica informar seu médico se estiver sofrendo de alguma doença que afete o fígado ou os rins. Anastrozol não foi investigado em pacientes com insuficiência renal ou hepática grave. O risco/benefício potencial para tais pacientes deve ser cuidadosamente avaliado antes da administração do medicamento. 

 

Como o Anastrozol não tem uma forte ligação com proteínas, a diálise pode ser uma boa solução. No entanto, em casos mais graves, o paciente deverá permanecer em observação, e seus sinais vitais devem ser monitorados por um médico nas horas seguintes.

 

Os maiores efeitos colaterais apresentados podem ser:

 

  • Ondas de calor;
  • Artrite;
  • Dores de cabeça;
  • Dores nas articulações;
  • Lesões na pele com vermelhidão;
  • Reações alérgicas;
  • Sangramentos vaginais;
  • Hipercolesterolemia;
  • Enfraquecimento dos cabelos e consequente queda;
  • Secura de mucosas, como boca e vagina;
  • Anorexia;
  • Perda de apetite;
  • Enjoo;
  • Diarreia;
  • Fraqueza;
  • Fadiga muscular;
  • Sonolência.

 

Caso você sinta qualquer um dos sintomas citados acima, informe o seu médico para saber qual a melhor solução a ser tomada. Em alguns casos, a pessoa precisará suspender o uso de Anastrozol e mudar de medicamento. 

 

É importante que enquanto você estiver tomando o Anastrozol não faça uso de nenhum outro tipo de medicação sem antes informar o seu médico, porque ele pode interagir com outros medicamentos e cortar o efeito de ambos. Por isso tenha certeza antes de usar outro remédio, independente de usar ele antes, durante ou mesmo após o uso de Anastrozol.

Cuidados de armazenamento

A fim de preservar suas propriedades, este medicamento deve ser conservado em temperatura ambiente (entre 15 e 30°C). Se por qualquer motivo, seu médico interromper o tratamento, os comprimidos devem ser descartados de modo apropriado.  

Laboratórios que disponibilizam o Anastrozol

Atualmente, os principais laboratórios que fabricam o Anastrozol são, a Eurofarma, como medicamento genérico, Libbs farmacêutica, com o nome comercial de Anastrolibbs, o Sun Farmacêutica do Brasil, que produzem o Anya e o AstraZeneca que o comercializa mediante o nome Arimidex. Você pode comparar os preços e condições de entregas de cada um deles no Cliquefarma e decidir qual irá adquirir agora mesmo! Qualquer dúvida ou sugestão, comente abaixo que teremos prazer em lhe responder!