Boca Amarga – O que pode ser?

29/10/2020 0 Por Redação CliqueFarma

O Cliquefarma traz hoje para você um artigo sobre a boca amarga. Todos nós provavelmente já passamos por isso em algum momento e ficamos em dúvida sobre o que pode ser. Então acompanhe o artigo completo até o final para não perder nada!  

Causas para Boca amarga

O gosto amargo na boca pode ter várias causas, que variam desde problemas mais simples, como má higiene bucal ou uso de alguns medicamentos, até problemas mais sérios, como infecção por fungos ou refluxo, por exemplo.

 

Além disso, o uso de cigarro também pode dar um sabor amargo na boca, que dura entre alguns minutos até algumas horas. Normalmente, este tipo de alteração no paladar melhora depois de comer outros alimentos, beber água ou escovar os dentes.

 

Porém, se o gosto amargo se mantiver por muito tempo ou se surgir muito frequentemente, é recomendado consultar um clínico geral ou um gastroenterologista para identificar se existe alguma doença que possa estar causando o sintoma e iniciar o tratamento adequado.

1. Má higiene bucal

Esta é a causa mais comum de gosto amargo na boca, especialmente ao acordar, e acontece devido ao acúmulo de saliva e bactérias na língua, nos dentes e gengivas, causando mau hálito. Como vimos, a má higienização da boca é a principal responsável pelo amargor na boca. 

 

Quando a escovação e o uso de fio dental não estão em dia, as bactérias ficam mais presentes e resistentes, se proliferando cada vez mais. São elas que deixam tanto um cheiro quanto um gosto mais intensos.

Gengivite

Por ser uma inflamação, a gengivite deixa a boca mais sensível e, ao escovar os dentes e usar fio dental, sangramentos podem ocorrer. É nesse momento que o gosto amargo pode ser sentido. Quanto mais o sangue permanecer no local, mais a sensação vai perdurar.

Saburra lingual

A saburra lingual é uma camada esbranquiçada que costuma aparecer na língua. Se não for eliminada diariamente com ajuda de um raspador ou escovação da região, o gosto poderá aparecer.

 

Boca seca

A secura da área, também chamada de xerostomia, se dá por dois motivos: ou por baixa ingestão de líquidos ou em consequência de algumas doenças e seus medicamentos, como as gastrintestinais. O gosto tende a aparecer quando a região permanece sem umidade por longos períodos.

 

O que fazer: basta escovar os dentes e manter uma rotina de, pelo menos, 2 escovagens por dia, uma após acordar e outra antes de ir dormir, por exemplo. Além disso, também é muito importante escovar bem a língua porque o acúmulo de células mortas bactérias, também conhecida como saburra lingual, como mencionado logo acima, é a principal causa de gosto amargo na boca.

2. Uso de antibióticos ou antidepressivos

Existem alguns remédios que, quando ingeridos, são absorvidos pelo organismo e liberados na saliva, levando a uma alteração do paladar, deixando a boca amarga. Alguns exemplos são os antibióticos, como as tetraciclinas, os remédios para gota, como alopurinol, o lítio ou os medicamentos usados no tratamento de algumas doenças cardíacas.

 

Além disso, pessoas que usam antidepressivos também podem apresentar mais frequentemente boca seca, o que altera o gosto, pois as papilas gustativas se encontram mais fechadas.

 

Também é verdade que há mais de 500 medicamentos que podem causar boca seca e amarga e, o uso de vários deles ao mesmo tempo, pode aumentar a gravidade do problema. Os tipos de medicamento que afetam as glândulas salivares são os seguintes:

 

Anti-histamínicos: Esta categoria de medicamento afeta a produção de saliva. Entre eles estão: Benadryl, Claritin, Zyrtec, etc. 

 

Antidepressivos: As pessoas que tomam antidepressivos também apresentam problemas de boca seca/amarga. Este tipo de medicamentos afeta a produção de saliva. Entre eles: Zoloft, Flexaryl e Elavil. 

 

Anti-eméticos: São remédios prescritos para evitar vômito e náusea na quimioterapia e radioterapia e também usados para tratar de enjoos (por exemplo, Anzemet, Domperidona). 

 

Anti-hipertensivos: Os medicamentos anti-hipertensivos (por exemplo, Albuterol aerossol, Norvasc, Prinivil) são tomados para o controle da pressão arterial. 

 

Anti-parkinson: Os medicamentos desta categoria são prescritos para aliviar os sintomas da doença de Parkinson e outras formas de parkinsonismo (por exemplo, Levodopa, Artane). 

 

Antiespasmódicos: Estes medicamentos são utilizados para tratar e aliviar as cólicas e espasmos que ocorrem no estômago, intestinos delgado e grosso e bexiga (por exemplo, Diciclomina). 

 

Antipsicóticos: Medicamentos indicados para transtornos psiquiátricos, ansiedade e depressão.

 

Sedativos: São substâncias que reduzem a excitação, irritabilidade ou ansiedade (por exemplo, Amytal, Valium, Lunesta). 

 

Se estiver tomando algum destes medicamentos, consulte seu médico e dentista para saber como controlar a boca amarga. Há medicamentos, vendidos com ou sem receita, que podem aliviar a secura da boca e garganta. Seu médico ou dentista irá ajudá-lo a encontrar alívio para esse efeito colateral crônico.

 

O que fazer: normalmente o gosto amargo desaparece após alguns minutos de ingerir este tipo de medicamentos. No entanto, se for constante e desconfortável, pode-se consultar o médico para avaliar a possibilidade de utilizar outro remédio que não cause esse tipo de efeitos secundários.

3. Gravidez

A disgeusia, também conhecida como gosto metálico na boca, é um sintoma muito comum a várias mulheres durante o primeiro trimestre de gravidez. Isto acontece devido às alterações hormonais que acontecem no corpo, deixando o paladar mais apurado. 

 

Embora não aconteça com todas as gestantes, a disgeusia (alteração ou redução do paladar) é um problema que perturba algumas das futuras mamães. Profissionais acreditam que os possíveis culpados disso são os hormônios, substâncias bem famosas nessa época da vida da mulher. 

 

Alguns estudos também apontam como motivo um aumento das papilas gustativas durante esse período, o que causaria uma distorção do sabor dos alimentos e esse sabor mais metálico na boca”, diz Frederico Lins Gomes, cirurgião-dentista especializado em Periodontia e Alterações Salivares. 

 

Dessa forma, algumas grávidas podem relatar um gosto semelhante a ter uma moeda na boca ou ter bebido água de um copo feito de metal, por exemplo.

 

Alguns profissionais ainda “culpam” outros hábitos típicos dessa fase da mulher para justificar essas alterações no paladar como o uso de vitaminas pré-natais e pílulas hormonais, por exemplo. 

 

Exatamente por esses motivos, esse problema bucal é difícil de ser combatido. “Apesar de não acometer todas as gestantes, é um sintoma normal que é consequência das mudanças do corpo da mulher, mas que ainda não tem como ser evitado”, diz Eduardo Zlotnik, ginecologista e obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein.

Bebê a salvo!

Apesar de ser um sintoma passageiro e que não faz mal à saúde do bebê, esses sintomas podem ser bem chatos e atrapalhar essa fase tão bonita das mulheres. “Quando o problema vem acompanhado de mau hálito (por falta de saliva), salivação excessiva e dificuldade na alimentação, uma vez que a paciente não consegue sentir o gosto real das coisas, a situação pode se tornar algo maior”, diz Eduardo.  

Por isso, é fundamental que as gestantes procurem, além do ginecologista/obstetra, um dentista para que elas saibam como lidar com todos os obstáculos desse período, inclusive os bucais, que como vimos, podem ser mais chatinhos do que se imagina.  

 

O que fazer: uma ótima forma de eliminar o sabor amargo da boca consiste em beber limonada ou chupar um picolé de limão. Geralmente, esta alteração dura apenas alguns dias, desaparecendo naturalmente. Embora não possa ser evitado, a disgeusia pode ser amenizada.

 

 “Manter a higienização bucal frequente e eficiente é a melhor forma de minimizar o sintoma, nunca se esquecendo do uso do fio dental. E manter hábitos que incentivam a produção de saliva como mascar chiclete e chupar balas (sem açúcar), também ajuda na limpeza bucal e na eliminação do gosto ruim da boca”, diz Frederico. 

 

O especialista também indica gargarejos com soluções específicas indicadas pelo profissional, comer ou tomar sucos de frutas cítricas (que têm o gosto bastante ácido que neutraliza o sabor amargo da boca) e beber bastante água para deixar o ambiente hidratado e limpo. 

4. Uso de suplementos vitamínicos

Alguns suplementos vitamínicos que contêm elevadas quantidades de substâncias metálicas, como zinco, cobre, ferro ou cromo, podem levar ao surgimento de um sabor metálico e amargo na boca. Este efeito secundário é muito comum e, normalmente, aparece quando o suplemento é completamente absorvido pelo corpo.

 

Segundo Olinda Tarzia, diretora científica da CETH (Centro de Excelência no Tratamento da Halitose), os suplementos vitamínicos que possuem em sua composição as vitaminas do complexo B podem causar halitose. “Eventualmente esses suplementos podem causar mau hálito assim que a pessoa toma a substância, mas depois de um tempo, o cheiro desaparece”, diz a especialista.  

Suplementos termogênicos

O uso de suplementos termogênicos (que aumentam a temperatura corporal) também são fortes aliados do gosto amargo na boca e do mau hálito. Isso porque, para reequilibrar a temperatura alterada por essa substância, o organismo aumenta a produção de suor. O suor em excesso faz o atleta perder muitos sais minerais e água, podendo causar desidratação. Um dos sintomas da desidratação é a boca seca, que gera uma descamação das células da mucosa da boca. 

 

Quando depositadas sobre a língua, causam a saburra lingual (camada esbranquiçada que se fixa na superfície da língua) que causa o mau hálito. 

 

Segundo Olinda, a respiração errada (pela boca) durante os exercícios também pode ressecá-la e causar halitose. “Neste caso, o ideal é lubrificar a boca. Existem vários lubrificantes no mercado que têm os mesmos princípios ativos do dióxido de cloro (em gel ou enxaguante) que age contra a halitose”, diz a especialista. 

 

O que fazer: nestes casos deve-se esperar alguns minutos para permitir que o corpo absorva o suplemento. Se o sabor amargo for muito intenso ou surgir muito frequentemente, pode-se consultar o médico para avaliar a hipótese de reduzir a dose ou trocar de suplemento.

5. Refluxo gastroesofágico

O refluxo acontece quando o conteúdo do estômago consegue chegar até ao esôfago, depois de começar a digestão, transportando ácido para boca, o que deixa a boca com um gosto amargo e, até, com mau cheiro.

 

É comum haver um retorno do conteúdo ácido do estômago para dentro do esôfago. Ao chegar na cavidade oral, o gosto amargo poderá ser sentido.

 

O que fazer: deve-se evitar comer alimentos muito gordurosos ou de digestão difícil, pois aumentam a produção de ácido pelo estômago. Além disso, também é importante evitar refeições muito volumosas, pois dificultam o encerramento do estômago. Veja outras dicas sobre como cuidar do refluxo:

6. Hepatite, fígado gordo ou cirrose

Quando o fígado não está funcionando corretamente, o corpo começa a acumular elevadas quantidades de amônia, que é uma substância tóxica, que normalmente é transformada em ureia pelo fígado e eliminada na urina. Estes níveis aumentados de amônia provocam uma alteração do gosto, semelhante a peixe ou cebola.

 

O fígado é o responsável por transformar amônia — uma substância tóxica — em ureia, que será eliminada na urina. 

 

O que fazer: normalmente os problemas no fígado são acompanhados de outros sintomas como enjoo ou cansaço excessivo. Por isso, se existir suspeita de doenças hepáticas deve-se consultar um hepatologista para fazer exames de sangue e confirmar o diagnóstico, iniciando o tratamento se necessário. 

7. Resfriado, sinusite e outras infecções

As infecções do trato respiratório superior, como resfriados, rinite, sinusite ou amigdalite, por exemplo, podem causar o surgimento de gosto amargo na boca, devido às substâncias produzidas pelas bactérias desse tipo de infecções.

 

Sinusites, rinites e outras infecções do sistema respiratório superior podem deixar o paladar amargo. Isso se deve graças à ação das bactérias presentes nas secreções expelidas durante o processo infeccioso dessas doenças.

 

O que fazer: nestes casos é importante beber, pelo menos, 2 litros de água por dia, pois ajuda a aliviar o gosto amargo e facilita a recuperação. No entanto, é importante consultar um clínico geral para identificar a causa específica e iniciar o tratamento adequado. 

8. Cetoacidose diabética

A cetoacidose é uma consequência da diabetes, em que devido à grande quantidade de glicose no sangue e pouco dentro das células, acontece maior produção de corpos cetônicos na tentativa de fornecer energia suficiente para o bom funcionamento do organismo.

 

Devido à maior quantidade de corpos cetônicos circulantes no sangue, acontece diminuição do pH sanguíneo, o que pode ser percebido por meio do surgimento de alguns sinais e sintomas como boca amarga, sede intensa, mau hálito, boca seca e confusão mental.

 

A cetoacidose diabética é uma complicação aguda grave, potencialmente mortal, uma vez que a doença gera condições desfavoráveis para a realização de processos químicos pelo organismo.

 

O que fazer: é importante que a glicemia da pessoa diabética seja medida regularmente e, caso seja verificado que a quantidade de glicose é 3 vezes superior ao normal, é de extrema importância ir imediatamente ao pronto-socorro ou hospital, pois é indicativo de cetoacidose. 

 

No hospital, a pessoa é monitorada e é administrada insulina e soro diretamente na veia para manter a hidratação da pessoa e diminuir a quantidade de glicose no sangue.

 

Segundo o Ministério da Saúde,  é importante a higiene oral por escovação + fio dental ao menos duas vezes ao dia particularmente e mais prolongada à noite, assim como acompanhamento constante para que não haja perda dental e hemorragias gengivais.

Como evitar ter boca amarga?

Se você tem a sensação de boca amarga com frequência, precisa fazer uma visita ao dentista para que ele verifique se as causas do problema estão relacionadas à sua saúde bucal.

 

Se a boca amarga tiver relação com problemas gástricos ou hepáticos, o dentista vai recomendar um check-up médico.

 

Algumas medidas simples de mudanças de hábitos podem evitar ou amenizar o problema na maioria das vezes. Veja quais são elas:

 

  • faça corretamente a higiene bucal, lembrando sempre de escovar os dentes e a língua ao menos duas vezes ao dia;
  • use um raspador de língua, sempre que necessário;
  • evite comidas pesadas e gordurosas, especialmente pouco antes de se deitar, para evitar o refluxo gástrico;
  • avalie com seu médico a possibilidade de substituir ou adequar a dose de medicamentos e suplementos vitamínicos que deixam a boca amarga;
  • beba ao menos dois litros de água por dia, para manter a boa salivação;
  • aumente a hidratação em casos de resfriados e outras doenças respiratórias para ajudar a eliminar as secreções dessas infecções;
  • beba limonada ou chupe um picolé de limão se estiver grávida e com a boca amarga — o sintoma tende a desaparecer em alguns dias, sem complicações.

 

Como dissemos, na maior parte dos casos, a boca amarga é causada pelo acúmulo de bactérias. 

Se você ainda tem alguma dúvida sobre a boca amarga ou gostaria de compartilhar alguma dica legal conosco, deixe no box de comentários que teremos o maior prazer em interagir com você!