Erisipela – O que é?

09/09/2020 0 Por Redação CliqueFarma

Hoje vamos falar sobre uma doença de nome meio complicado, mas sua definição é até simples e de fácil entender. Acompanhe tudo que o Cliquefarma te explica direitinho o que é, qual a causa, os sintomas, como tratar e como prevenir a Erisipela

O que é Erisipela?

Erisipela é uma infecção causada pelas bactérias Estreptococo beta-hemolítico do grupo A e ocasionalmente Haemophilus influenzae tipo B, que penetram na pele por meio de ferimentos (como picada de inseto, frieira e micose).

 

De acordo com a dermatologista Kaliandra Cainelli, a erisipela corresponde a uma celulite infecciosa superficial, acometendo principalmente os membros inferiores (pernas) de pacientes idosos, embora possa aparecer no rosto também.

 

Em alguns casos a doença pode envolver outros tipos de bactérias, como Estafilococos e Klebsiella.

Celulite infecciosa e erisipela

A erisipela pode ser associada a uma celulite infecciosa superficial, mas não é cientificamente uma celulite infecciosa – por mais que os sintomas sejam parecidos.

 

Erisipela: infecção superficial, fácil diferenciar parte infectada e parte não infectada, acomete pernas e rosto.

 

Celulite Infecciosa: inflamação profunda da derme e do tecido subcutâneo, difícil diferenciar parte infectada e parte não infectada, acomete somente pernas normalmente.

 

A diferença entre elas é profundidade que a infecção atinge. A erisipela atinge as camadas mais superficiais da pele e a celulite atinge as camadas mais profundas e também, a camada de gordura que fica embaixo da pele. 

 

Tanto a erisipela quanto a celulite ocorrem quando bactérias penetram na pele. Estas bactérias, que são parte da flora bacteriana, vivem normalmente na pele saudável sem causar problemas. Se há um corte ou ferida, as bactérias podem penetrar na pele e causar infecção.  

Quais as causas da erisipela?

A erisipela é causada por bactérias que entram no organismo humano por algo que age como “porta de entrada” para a infecção, como úlcera venosa crônica, pé de atleta, picada de insetos, ferimento cutâneo traumático e manipulação inadequada das unhas.

Por meio desta porta de entrada, bactérias penetram na pele, atingindo as camadas cutâneas inferiores e se espalhando facilmente com muita velocidade.

 

Pessoas com problemas circulatórios nos membros inferiores e obesos diabéticos são as maiores vítimas da erisipela, embora pessoas de todas as idades estejam sujeitas a ela. A erisipela não é contagiosa, mas a bactéria que a causa, chamada Streptococcus pyogenes, também pode causar uma forma mais grave da doença, a erisipela bolhosa, que provoca feridas mais profundas na pele com bolhas.

Como se pega erisipela

  • Corte na pele
  • Problemas com drenagem através das veias ou sistema linfático
  • Feridas na pele (úlceras)

Fatores de risco

Ferimentos na pele

Os principais fatores de risco para a erisipela são aqueles que permitem uma porta de entrada na pele como:

 

  • Úlceras
  • Feridas operatórias
  • Furúnculos
  • Fissuras
  • Presença de alterações vasculares como a insuficiência venosa e o linfedema

Baixa imunidade

Pacientes com a imunidade comprometida também têm risco aumentado para erisipela, como:

 

  • Obesos
  • Portadores de diabetes
  • Pessoas com neoplasias
  • Pacientes em quimioterapia

Sintomas de Erisipela

  • Vermelhidão
  • Edema (inchaço)
  • Calor
  • Dor no local acometido
  • Febre
  • Calafrios
  • Mal-estar
  • Gânglios aumentados
  • Vômitos

Estágio inicial da erisipela

O quadro tem início súbito, com bordas bem demarcadas e elevadas que permitem diferenciar bem a infecção da área de pele sã.

Estágio avançado da erisipela

Em casos graves, pode ocorrer formação de bolhas e levar a uma evolução para um quadro de infecção generalizada, chamada sepse com risco de óbito.

Erisipela bolhosa

A erisipela bolhosa é um tipo de erisipela mais grave, que se caracteriza por uma ferida avermelhada e extensa, causada pela penetração de uma bactéria chamada Streptococcus Beta-hemolítico do grupo A através de pequenas fissuras na pele, que pode ser uma picada de mosquito ou uma micose nos pés, por exemplo.

 

Na erisipela comum, esta ferida é mais superficial e extensa, e no caso da erisipela bolhosa podem formar-se bolhas com líquido transparente ou amarelado. A ferida é mais profunda, podendo, em alguns casos, provocar complicações e afetar a camada gordurosa e até os músculos. 

 

Apesar de poder surgir em qualquer pessoa, a erisipela bolhosa é mais comum em pessoas com o sistema imune enfraquecidos, com câncer avançado, HIV-positivos ou diabéticos descompensados. Como já mencionamos, além da erisipela, um tipo de infecção de pele que também pode surgir é a Celulite infecciosa, que costuma afetar partes mais profundas da pele. 

 

Vale salientar que a erisipela bolhosa não é contagiosa, isto é, não passa de pessoa para pessoa.

Principais sintomas da erisipela bolhosa

Os sintomas da erisipela bolhosa são:

 

  • Ferida na pele vermelha, inchada, dolorida, de aproximadamente 10 cm de comprimento, que apresenta bolhas que apresentam líquido transparente, amarelo ou amarronzado;
  • Surgimento de “íngua” na virilha, quando a ferida acomete as pernas ou os pés;
  • Dor, vermelhidão, inchaço e aumento da temperatura local;
  • Nos casos mais graves, pode haver febre.

 

Quando a infecção piora, especialmente quando o tratamento não é feito da forma correta, é possível atingir camadas mais profundas da pele, como tecido subcutâneo e podendo, até, causar destruição dos músculos, como acontece na fasceíte necrotizante.

 

A confirmação do diagnóstico de erisipela bolhosa é feita pela avaliação do médico clínico geral ou dermatologista, que identifica as características da lesão e os sintomas apresentados pela pessoa. 

 

Podem ser solicitados exames como hemograma para acompanhar a gravidade da infecção, e exames de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância magnética podem ser solicitados em caso de lesões que atingem camadas muito profundas, músculos ou ossos.

O que causa a erisipela bolhosa?

Como já mencionado, a erisipela bolhosa não é contagiosa, pois surge quando bactérias que já vivem na pele e no ambiente conseguem penetrar na pele através de uma ferida, uma picada de inseto ou frieiras nos pés, por exemplo. A principal bactéria causadora é a Streptococcus pyogenes, apesar de outras bactérias também poderem causar, menos frequentemente.

 

Pessoas com a imunidade enfraquecida, como as portadoras de doenças autoimunes, diabetes descontrolada, HIV, assim como obesos e pessoas com má circulação, pois nestes casos as bactérias conseguem se proliferar mais facilmente.

Como é feito o tratamento?

O tratamento para erisipela bolhosa é feito com antibióticos receitados pelo médico. Geralmente, a primeira escolha é a Penicilina Benzatina. Além disso, é importante a redução do inchaço, fazendo repouso absoluto com as pernas elevadas, e pode ser necessário enfaixar a perna para diminuir o inchaço mais rapidamente.

 

A cura da erisipela bolhosa pode ser alcançada em aproximadamente 20 dias após o início da antibioticoterapia. Em caso de erisipela de repetição, é aconselhado o tratamento com Penicilina G benzatina a cada 21 dias, como forma de prevenção de novos quadros da doença. 

 

Além disso, durante o tratamento da erisipela é recomendada a realização de curativos, pelo enfermeiro, com correta limpeza da lesão, remoção de secreções e tecidos mortos, além do uso de pomadas que ajudam no processo de cicatrização, como hidrocoloide, hidrogel, papaína ou colagenase, a depender das características da lesão de cada pessoa.

Quando devo buscar ajuda médica?

Ao apresentar os primeiros sinais de erisipela é essencial procurar ajuda médica, para que o tratamento adequado seja iniciado o quanto antes. Consulte o médico se:

  • Está sentindo dor na área afetada
  • Houver febre
  • Você suspeita de estar sofrendo uma infecção
  • Você já tentou medidas de autocuidado e não obteve sucesso.

Aproveite a consulta e tire todas as dúvidas que você tiver. Lembre-se também de fazer uma descrição completa de seus sintomas. Isso ajudará o médico a fazer o diagnóstico da erisipela.

O que devo esperar da consulta médica?

Especialistas que podem diagnosticar a erisipela são:

 

  • Clínico geral
  • Dermatologista

 

Anote previamente todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram, assim como um histórico médico, com outras condições que você tenha tido durante a vida e remédios que toma com frequência.

Perguntas sobre erisipela que o médico pode fazer

  • Quando você notou seus sintomas pela primeira vez? Você poderia descrevê-los para mim?
  • Quão severos são seus sintomas?
  • Você já esteve com alguém com uma infecção por Streptococcus?
  • Você tem algum problema médico em curso, incluindo um sistema imunológico debilitado?
  • Você esteve recentemente no hospital?
  • Você sofreu algum corte na pele recentemente?

 

Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar. Para erisipela, algumas perguntas básicas incluem:

Perguntas sobre erisipela para fazer ao médico

  • Qual é a causa mais provável dos meus sintomas?
  • Que tipo de testes eu preciso fazer para confirmar o diagnóstico?
  • Qual é o melhor tratamento para infecção?
  • Eu sou contagioso?
  • Como posso saber se minha infecção está melhorando ou piorando?
  • Eu tenho outras condições de saúde. Como posso gerenciar melhor essas condições juntos?

 

Não hesite em fazer outras perguntas, caso elas ocorram no momento da consulta.

Como se dá o diagnóstico de Erisipela?

O diagnóstico da erisipela é clínico e feito com base nos sintomas. A aparência da pele, essencialmente, somada à cultura do material da pele também fazem o diagnóstico, porém geralmente são desnecessárias.

 

A cultura consegue detectar a bactéria envolvida e permite determinar para qual antibiótico ela é sensível. Exames complementares podem ser usados, como hemograma, tomografia e ressonância magnética para diagnosticar a erisipela.

Tratamento de Erisipela

Antibióticos

O tratamento principal é feito com antibióticos da família das penicilinas, utilizado por 10 a 14 dias, por via oral nos casos mais simples. Nos casos mais graves pode ser necessário o uso antibióticos intravenosos, além de haver necessidade de internação do paciente. O antibiótico mais usado é a penicilina procaína ou cristalina.

 

O tipo exato de antibiótico dependerá de vários fatores, como o tipo de bactéria que os médicos acham que você tem. Para verificar o progresso do tratamento, a área afetada da pele é delineada com uma caneta especial. Isso permite ver se os antibióticos estão tendo efeito e se a infecção e a vermelhidão estão desaparecendo.

Resfriamento

Também é recomendável que você resfrie o inchaço e aplique envoltórios anti-sépticos úmidos. Os analgésicos anti-inflamatórios, como o ibuprofeno, podem ser usados para aliviar a dor e a febre. Além disso, é recomendado o uso tópico de cremes antibióticos, elevação do membro afetado e repouso no leito.

Cirurgia para erisipela

A cirurgia só será indicada em casos de complicações como a ocorrência de necrose, abscessos ou gangrena, na qual há tecido desvitalizado que precisa ser retirado.

Tratamentos caseiros para erisipela

Segundo a dermatologista Kaliandra Cainelli, a erisipela é uma infecção do tecido subcutâneo e pode complicar com infecção generalizada caso não haja pronto-atendimento médico. Por isso o uso de tratamentos caseiros não está indicado.

 

O que pode ser feito em domicílio são medidas para evitar a piora do quadro como:

 

  • Elevação do local afetado
  • Ingestão de bastante água
  • Controle da febre
  • Hidratação da área hidratada
  • Compressa gelada ou gelo no local para resfriamento da área afetada

Principais medicamentos para Erisipela

Os medicamentos mais usados para o tratamento de erisipela são:

 

  • Claritromicina
  • Hirudoid
  • Klaricid
  • Levofloxacino
  • Penicilina

 

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique.

 

Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

Erisipela tem cura?

A erisipela é uma infecção bacteriana, portanto quando diagnosticada rapidamente e tratada com o antibiótico adequado é curada sem complicações.

Possíveis complicações da erisipela

A erisipela, em determinados pacientes, pode se repetir por várias vezes, causando alterações na circulação e predispondo ao desenvolvimento de inchaço crônico no membro afetado.

 

Em casos mais graves, como em pacientes debilitados, pode se tornar uma infecção generalizada e levar a óbito.

 

Se houver complicações, apenas o tratamento rápido pode evitar maiores danos. Sinais de uma infecção mais grave incluem o seguinte:

 

  • Dor forte
  • Febre, suores frios, pele pálida
  • Náusea
  • Taxa de respiração mais rápida ou um coração acelerado
  • Sonolência, confusão ou outros problemas com consciência ou consciência

 

Se você notar algum destes sintomas, é importante ligar imediatamente para os serviços de emergência.

Qual o prognóstico da doença?

Pacientes com quadros de repetição da erisipela, muitas vezes tem que conviver com a doença e por isso precisam seguir algumas regras, como:

 

  • Utilizar antibioticoterapia profilático a cada 21 dias com penicilina benzatina
  • Usar meias de compressão diariamente hidratar a pele
  • Fazer exercícios físicos
  • Elevar o membro ao dormir
  • Adotar uma dieta saudável e sem álcool para manter o peso controlado

Prevenção

Algumas formas de prevenir a erisipela são:

 

  • Investir em medidas de limpeza local
  • Evitar as “portas de entrada”, como traumas, picadas de insetos, dermatoses cutâneas tipo pé de atleta
  • Ter atitudes que reduzam a insuficiência linfática e venosa
  • Ter um melhor controle de diabetes

 

Em pacientes contaminados, deve-se descolonizar a pele. Aplicar penicilina benzatina intramuscular a cada 21 dias, nos casos de erisipela de repetição.

Se você ainda tiver qualquer dúvida sobre o assunto, deixe seu comentário no box abaixo que tentaremos lhe ajudar da melhor maneira possível!