Misoprostol

12/08/2020 0 Por Redação CliqueFarma

Hoje vamos falar do princípio ativo misoprostol. Apesar de bastante controverso, seu uso é permitido pela ANVISA, quando indicado para os casos de necessidade de interrupção da gravidez, mas seu uso é restrito ao ambiente hospitalar, não podendo ser vendido em farmácias. 

Vamos falar sobre ele neste artigo, a título de informação. Cliquefarma te conta tudo! 

Apresentação do Misoprostol

Comprimido vaginal 25 mcg

Embalagem contendo 5 blisters com 10 comprimidos, cada; ou embalagem contendo 10 blisters com 10 comprimidos, cada.

Comprimido vaginal 100 mcg

Embalagem contendo 5 blisters com 10 comprimidos, cada.

Comprimido vaginal 200 mcg

Embalagem contendo 5 blisters com 10 comprimidos, cada.

 

Uso via vaginal.

 

Uso adulto.

 

Uso restrito a hospitais.

Composição

Cada comprimido vaginal 25 mcg contém:

Misoprostol 25,0 mcg
Excipiente q.s.p. 1 comprimido

 

Excipientes: Dióxido de silício coloidal, Lactose spray dried, Estearato de magnésio, Croscarmelose sódica, Celulose MC.

Cada comprimido vaginal 100 mcg contém:

Misoprostol 100,0 mcg
Excipiente q.s.p. 1 comprimido

 

Excipientes: Dióxido de silício coloidal, Lactose spray dried, Estearato de magnésio, Croscarmelose sódica.

 

Cada comprimido vaginal 200 mcg contém:

Misoprostol 200,0 mcg
Excipiente q.s.p. 1 comprimido

 

Excipientes: Dióxido de silício coloidal, Lactose spray dried, Estearato de magnésio, Croscarmelose sódica.

Para que é indicado este medicamento?

Misoprostol está indicado nos casos em que seja necessária a interrupção da gravidez em gestações a termo (ou próximas ao termo) e na indução de parto com feto morto antes das 30 semanas, em caso de aborto legal.

O que podemos esperar do mecanismo de ação de Misoprostol?

Resultados de Eficácia

Comparado com o placebo, o misoprostol mostra-se superior a este na indução do trabalho de parto. Quando aplicado por via vaginal é mais efetivo do que a ocitocina ou amniotomia para promover a maturação do colo uterino e permitir a indução de parto com o colo não favorável (índice de Bishop menor que 6) (Gimenez IC et al, 2006). 

 

A grande biodisponibilidade do misoprostol vaginal é um dos fatores que pode explicar o porquê de a via vaginal ser a mais efetiva para o aborto medicamente recomendado (Tang Os et al, 2007). A via vaginal leva também a um menor número de efeitos colaterais. 

 

As pesquisas desenvolvidas por Feitosa et al, 2006, evidenciaram que 95% dos partos por via vaginal ocorreram dentro das primeiras 24 horas da indução, e a taxa de partos por via vaginal foi de 75%, sem efeitos deletérios para o binômio mãe-feto.

Características Farmacológicas

Farmacodinâmica

O misoprostol é um análogo sintético da prostaglandina E1. Diferencia-se estruturalmente desta, de ocorrência natural, devido à presença do metil-éster em C-1, do grupo metil em C-16, em vez de C- 15. O metil-éster em C-1 é responsável pelo aumento da potência antissecretória e duração de ação do misoprostol. 

 

O misoprostol, no fígado, sofre desesterificação, transformando-se no principal metabólito ativo – ácido misoprostol. Este exerce ação direta nos receptores das prostaglandinas e, atuando no colágeno cervical, provoca mudanças na sua estrutura físicoquímica, acarretando, como consequência, amolecimento, apagamento e maturação do colo uterino, favorecendo a sua dilatação, além de promover e estimular a contração miometrial.

Propriedades Farmacocinéticas

Estudos farmacocinéticos demonstram que a absorção e eliminação do misoprostol pelo organismo diferem quando a droga é administrada por via oral, sublingual ou vaginal. Por via oral os níveis séricos máximos são alcançados 20 a 30 minutos após a ingestão da droga, restando baixos níveis detectáveis 4 horas após. 

 

Por via sublingual o misoprostol alcança mais rapidamente o pico, ocorrendo maior biodisponibilidade sistêmica, medida pela Área Sob a Curva (AUC). No entanto, a concentração plasmática cai rapidamente. Quando administrado por via vaginal, o pico máximo plasmático é alcançado em 40 a 60 minutos, devido à absorção mais retardada que, pelas vias oral e sublingual, mantendo-se estável até 2 horas após a aplicação, seguindo-se lenta redução dos níveis séricos, e encontrando-se 4 horas após a administração 60 a 70% do pico máximo (maior área sob-a-curva altamente significativa com P<0.001, representando a biodisponibilidade do misoprostol) e com 6 horas, níveis ainda detectáveis. 

 

A vida média do misoprostol é de aproximadamente 30 minutos em quaisquer das vias utilizadas: oral, sublingual ou vaginal. Deste modo, a diferença na ação sobre a contratilidade uterina representa, mais provavelmente, a diferença no índice de absorção e metabolismo. 

 

Pela via vaginal, o primeiro passo no metabolismo hepático pode ser evitado mantendo os níveis plasmáticos elevados por um período mais prolongado. Esta estimulação prolongada do miométrio, induzida pelo misoprostol, redunda no aparecimento e manutenção das contrações uterinas.

Quais as contraindicações e riscos de Misoprostol?

Este medicamento é contraindicado nas seguintes situações:

 

  • Cicatriz uterina;
  • Cesárea anterior;
  • Doença vascular cerebral;
  • Doença coronariana;
  • Ingestão prévia, num período de 4 horas, de anti-inflamatórios não esteroides;
  • Hipersensibilidade a qualquer um dos componentes da fórmula.

 

Este medicamento é contraindicado para uso por homens. Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica. Informe imediatamente seu médico em caso de suspeita de gravidez.

Quais as precauções e advertências a que devo me atentar antes de usá-lo?

Para indução do trabalho de parto, o intervalo entre a aplicação de uma dose de misoprostol e a seguinte, não deve ser menor que 6 (seis) horas. Dada à farmacocinética do misoprostol de administração vaginal, descrita acima, intervalos menores que 6 horas levam à somação do efeito e podem provocar hiperestimulação uterina, polissistolia e sofrimento fetal. 

 

Havendo contratilidade uterina (duas ou mais contrações em 10 minutos) o misoprostol não deve ser utilizado.

 

Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica. Informe imediatamente seu médico em caso de suspeita de gravidez (Categoria de risco D).

Interações medicamentosas de misoprostol

Segundo vários estudos clínicos, não há evidências de interações entre misoprostol e drogas que exerçam sua ação no coração, pulmão ou sistema nervoso central.

Instruções de armazenamento, data de fabricação, prazo de validade e aspecto físico de Misoprostol

Conservar misoprostol em temperatura ambiente, entre 15 e 30 ºC, protegido da da luz e umidade.

 

Este medicamento tem validade de 24 meses, a partir da data de fabricação.

 

Número de lote e datas de fabricação e validade: vide embalagem.

 

Não use medicamento com o prazo de validade vencido.

 

Para sua segurança, mantenha o medicamento na embalagem original.

Características do medicamento

Os comprimidos revestidos de misoprostol são de formato ovalado, sem sulco, coloração branca, com impressão sulcada indicando o peso em microgramas (mcg).

 

Antes de usar, observe o aspecto do medicamento. Caso ele esteja no prazo de validade e você observe alguma mudança no aspecto, consulte o farmacêutico para saber se poderá utilizá-lo.

 

Todo medicamento deve ser mantido fora do alcance das crianças.

Instruções de posologia, dosagem e modo de uso de misoprostol

Este medicamento é de uso restrito a hospitais.

 

A manipulação de misoprostol deve ser feita por especialista.

 

Administrar o comprimido no fundo de saco vaginal ou a critério médico.

Na indução do parto a termo ou próximo ao termo

Utilizar a dose de 1 (um) comprimido de misoprostol de 25 mcg de 6 em 6 horas.

 

Nos casos em que esteja indicado interromper a gestação em torno das 30 semanas

 

A dose de 1 (um) comprimido de misoprostol de 25 mcg pode não ser suficiente e haver necessidade de se utilizar 2 (dois) comprimidos (50 mcg) em uma só aplicação.

Na indução de parto com feto morto antes das 30 semanas

Já iniciar com 2 (dois) comprimidos de misoprostol 25 mcg (total 50 mcg); aguardar 6 horas e, caso não haja resposta, aumentar a dose para 4 (quatro) comprimidos de misoprostol 25 mcg (total 100 mcg) ou 1 (um) comprimido de misoprostol 100 mcg.

Nos casos de aborto legal

Administrar 1 (um) comprimido de misoprostol 200 mcg de 6 em 6 horas.

 

Alerta: Na indução do trabalho de parto, o intervalo entre uma dose de misoprostol e a seguinte, não deve ser menor que 6 horas. Nunca aplique uma nova dose de misoprostol quando já existe contratilidade uterina (duas ou mais contrações em 10 minutos).

O que devo fazer quando esquecer de usar este medicamento?

A utilização deste medicamento será em ambiente hospitalar,orientado e executado por profissionais especializados e não dependerá da conduta do paciente. Desta forma, é improvável o esquecimento de doses.

 

Em caso de dúvidas, procure orientação do farmacêutico ou de seu médico, ou cirurgião-dentista.

Quais as reações adversas de misoprostol?

Os efeitos secundários, descritos durante o uso do misoprostol e outras prostaglandinas, são:

 

Dor abdominal discreta na maioria dos pacientes, diarreia (dose-dependente), flatulência, náuseas, vômitos, fadiga, cefaleia, febre, calafrios, sangramento prolongado e abundante que depende da idade gestacional, sendo mais frequente na apresentação de 200 mcg.

 

Estes efeitos tendem a diminuir nas primeiras horas após a eliminação do feto, podendo se prolongar por 24 a 48 horas. Entretanto, a administração de dose tão baixa como a contida na apresentação (25 mcg), e aplicada por via vaginal, é muito bem tolerada e raras vezes provoca os efeitos descritos acima.

 

Informe ao seu médico, cirurgião-dentista ou farmacêutico o aparecimento de reações indesejáveis pelo uso do medicamento.Informe também à empresa através do seu serviço de atendimento.

 

Em casos de eventos adversos, notifique ao Sistema de Notificações em Vigilância Sanitária – NOTIVISA, disponível em http://www.anvisa.gov.br/hotsite/notivisa/index.htm, ou para a Vigilância Sanitária Estadual ou Municipal.

O que fazer em caso de superdosagem deste medicamento?

A dose tóxica de misoprostol em humanos não foi ainda determinada, quando utilizada a via vaginal. Entretanto, verificou-se que a administração de uma dose, por via oral, acima de 3.000 mcg, poderá causar hipóxia e rabdomiólise (lesão das fibras musculares).

 

Em caso de uso de grande quantidade deste medicamento, procure rapidamente socorro médico e leve a embalagem ou bula do medicamento, se possível. Ligue para 0800 722 6001, se você precisar de mais orientações.

 

Conclusão da OMS usando o misoprostol via oral para indução de parto

Em 2016, a OMS fez um estudo com o uso do misoprostol por via oral na indução do parto e registrou as seguintes conclusões:

Resumo RHL

Resultados principais

Esta revisão comparou misoprostol oral com outros agentes indutores, incluindo: ocitocina endovenosa, dinoprostona vaginal, misoprostol sublingual, prostaglandina intracervical e placebo ou ausência de tratamento. Os principais resultados são:

 

  • Mulheres que receberam misoprostol oral tiveram maiores taxas de parto dentro de 24 horas em comparação com placebo ou ausência de tratamento, sem alteração de desfechos perinatais.
  • Em comparação com ausência de tratamento, misoprostol oral foi associado com taxas menores de administração de ocitocina e admissão do recém-nascido em unidade de cuidado/tratamento intensivos.
  • Misoprostol oral foi associado com menores taxas de cesárea em comparação com ocitocina endovenosa, dinoprostona vaginal e placebo ou ausência de tratamento.
  • Misoprostol oral foi associado com maiores taxas de hiperestimulação uterina em comparação com prostaglandina intracervical.
  • Misoprostol oral foi associado a maiores taxas de presença de mecônio no líquido amniótico, em comparação com ocitocina.
  • Não houve diferença significativa entre misoprostol oral e sublingual, no entanto, na comparação com a administração vaginal,os resultados dependeram da dosagem do misoprostol. Quanto maior a dose do misoprostol oral, maior a taxa de hiperestimulação uterina.

Evidências incluídas nesta revisão

76 ensaios com 14.412 mulheres foram incluídos nesta revisão. A comparação mais comum foi em relação ao misoprostol vaginal (37 ensaios). Outros ensaios compararam misoprostol oral com dinoprostona vaginal, prostaglandina intracervical e ocitocina endovenosa.

Avaliação de qualidade

Havia uma considerável heterogeneidade entre os ensaios clínicos, no entanto, devido ao grande número de estudos incluídos, foi possível realizar a análise dos desfechos. A maior parte dos estudos foram avaliados como tendo risco de viés baixo ou incerto.

Implicações clínicas

Apesar da preocupante hiperestimulação uterina, o misoprostol oral parece ter eficácia comparável à ocitocina. Os achados sugerem apoio ao uso de baixas doses de misoprostol (20-25 mcg em solução) para indução do trabalho de parto. O histórico e a situação clínica de cada mulher devem ser cuidadosamente considerados antes do uso da medicação.

Pesquisas futuras

Ensaios futuros poderiam ser desenhados com objetivo de explorar as baixas dosagens de misoprostol, variando entre 20-25 mcg. Além disso, estudos qualitativos poderiam ajudar a esclarecer a percepção das mulheres quanto à aceleração do trabalho de parto em contraste aos riscos associados a este tipo de intervenção.

O perigo do uso ilegal do misoprostol para abortos clandestinos no Brasil

O aborto está entre as cinco principais causas de mortalidade materna no Brasil. Estima-se que uma em cada cinco mulheres aos 40 anos já realizou ao menos um aborto.

 

Infelizmente, ainda é muito difundido o uso do misoprostol em abortos clandestinos no contexto de ilegalidade brasileiro e essa questão deve ser vista como um problema de saúde pública.

 

Estudos demonstram que o misoprostol tem sido o método mais utilizado para a interrupção voluntária da gravidez nas últimas duas décadas e o aumento do uso desse medicamento para indução do aborto tem contribuído para a queda do número de complicações. 

 

A restrição do aborto pela lei não reduz a realização do mesmo, no entanto, faz com que ele seja realizado em condições precárias e inadequadas, o que coloca a vida das mulheres em risco, principalmente das mulheres negras e pobres, que encontram-se em situação de maior vulnerabilidade social. 

 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) (2008), mundialmente são realizados cerca de 21 milhões de abortos inseguros, sendo que 97% deles ocorre nos países em desenvolvimento, os mesmos países que possuem leis mais restritivas em relação ao procedimento. No Brasil, de acordo com o Código Penal, o aborto é considerado crime, exceto em casos de estupro ou risco à vida da mulher grávida, sendo também permitido nos casos de anencefalia. Porém, sabe-se que mesmo nos casos em que o aborto induzido é legal, existem restrições no acesso ao procedimento (Vieira, 2012).

 

A Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), mostrou que 15% das mulheres entre 18 e 39 anos já realizaram aborto e 48% delas usaram medicamento, sendo que 55% necessitaram de internação hospitalar por complicações (Diniz e Medeiros, 2010). Estima-se que uma em cada cinco mulheres aos 40 anos já realizou ao menos um aborto no Brasil (Diniz e Medeiros, 2010). 

 

Os números no país são estimados entre 900 mil e 1,4 milhões anualmente (Domingos e Merighi, 2010; Melo et al, 2014) e ressalta-se que a mensuração correta desses números é difícil devido à subnotificação e à situação de clandestinidade em que os abortos ocorrem (Diniz, 2008).

 

Entre os métodos utilizados para provocar o aborto, estudos demonstram que o misoprostol tem sido o mais recorrente para a interrupção voluntária da gravidez nas últimas décadas. Mas os riscos de complicações e até morte da mãe e feto são imensos se os procedimentos forem realizados sem acompanhamento médico, por isso, tome muito cuidado e sempre procure um especialista para tirar suas dúvidas e lhe aconselhar!

Se você tem alguma dúvida sobre misoprostol, fale conosco no box abaixo que teremos o maior prazer em lhe ajudar também!