Tudo sobre Gota: Causas, sintomas e tratamento

05/12/2019 0 Por Alana Dizioli

O que é Gota? A gota, também conhecida como Doença dos Reis, é uma condição inflamatória que acomete as articulações e ocorre quando a taxa de ácido úrico no sangue está em níveis acima do normal. Os sinais de gota podem ocorrer de repente, principalmente à noite.

É possível observar que a apresentação clínica da gota tem bastante variações, pois são possíveis diferentes combinações destas manifestações, ou seja, um paciente pode apresentar somente crises agudas de artrite, outro, além destas, depósitos dos cristais e/ ou alterações de função renal ou cálculos renais.

 

A função do ácido úrico na gota?

Como já vimos em um artigo aqui mesmo no blog, o ácido úrico é uma substância naturalmente presente no nosso organismo que surge da degradação de um tipo de aminoácido, chamado purina, encontrado em vários alimentos. Depois de ser degradam, as purinas são transformadas em ácido úrico, uma parte dele permanece no nosso organismo e o restante é excretado pelos rins.

 

Os homens têm mais ácido úrico que as mulheres, por este motivo é que a prevalência da gota em homens é maior. Além disso, é sabido que o estrógeno (hormônio feminino) tem efeito uricosúrico (aumenta a perda de ácido úrico pelos rins), sendo este um dos motivos da gota ser rara na mulher antes da menopausa.

 

Histórico de ácido úrico

Há registros dessa doença desde muitos séculos antes de Cristo, época em que era conhecida como “enfermidade dos patrícios”. Houve uma epidemia de gota na Roma Antiga e também na Inglaterra Vitoriana entre os séculos XVII e XIX, que durou aproximadamente 200 anos. 

 

Acredita-se que a intoxicação pelo chumbo, presente nos alimentos e no vinho, tenha sido a causa da epidemia de gota que se disseminou entre os habitantes. Isso se deve porque o excesso de chumbo interfere na excreção de ácido úrico pelos rins. Como na época a gota estava muito relacionada à alimentação farta e não havia medicamentos que reduzissem as quantidades de ácido úrico no organismo, há registros de gota em grandes nomes da História – como Alexandre, o Grande, Henrique VIII, Carlos Magno, Voltaire, Leonardo Da Vinci, Charles Darwin e Isaac Newton. Também por isso que a gota foi, durante muitos anos, associada ao pecado capital da gula.

 

Mesmo sendo bastante comum nos pés e joelhos, a gota também pode acometer outras regiões, como as mãos e cotovelos.

 

Tipos de gota

Podemos dividir a gota em dois tipos:

Gota primária

A gota primária é causada por um erro inato do metabolismo das purinas (um defeito enzimático específico), caracterizado pela superprodução de ácido úrico e/ ou por defeito na excreção renal de urato, sendo este último o tipo mais comum.

Gota secundária

A gota secundária é aquela que surge durante o desenvolvimento de outras doenças (ex: leucemia, linfoma, drepanocitose, outras anemias hemolíticas, psoríase, hiperparatireoidismo, insuficiência renal, estados de hiperinsulinemia ou resistência a insulina), ou com o uso de alguns medicamentos (ex: diuréticos, salicilatos em doses baixas, L-dopa, pirazinamida, etambutol, quimioterápicos, ciclosporina, tacrolimus) ou ainda, quando o indivíduo está exposto à dieta rica em purinas, em estado de inanição ou desidratação grave. 

 

Esses dois tipos de gota podem ser divididos também em três fases:

Gota aguda

A fase de artrite gotosa aguda (gota aguda) habitualmente manifesta-se na quarta década de vida com uma crise súbita de dor articular, geralmente com comprometimento de uma única articulação, associada a calor, rubor e edema locais. A articulação mais acometida é a primeira metatarsofalangeana do primeiro dedo do pé (“dedão”), mas pode acometer as outras articulações dos outros dedos do pé, do dorso do pé, tornozelos, joelhos, punhos, mãos ou cotovelos.

 

Durante a crise aguda de gota, podem ocorrer febre e calafrios, neste caso é importante uma cuidadosa avaliação para afastar infecção associada. A duração da crise aguda da gota varia de horas a poucos dias. Finalizada a crise aguda de gota, o paciente passa para a fase de período intercrítico, durante esta, ele se mantém assintomático.

Período intercrítico

O período intercrítico tem duração bastante variável. Um segundo ataque de crise de gota pode acontecer entre seis meses ou mesmo 10 anos, mas na maioria das vezes acontece entre seis e 24 meses após a primeira crise.

 

Crises agudas de gota não tratadas ou tratadas de forma inadequada tendem a favorecer ataques subsequentes mais graves e prolongados e a reduzir o período intercrítico, consequentemente os sintomas não se resolvem completamente, havendo o comprometimento de mais de uma articulação, passando-se para a fase de gota crônica.

Gota crônica

Na fase de gota crônica, os períodos livres de sintomas desaparecem, o paciente apresenta quadro de dor contínua em mais de uma articulação associada a outros sinais de inflamação, como edema e calor, que levam a deformidades, e surgem os tofos (nódulos resultantes do acúmulo de cristais de ácido úrico). Geralmente, os tofos são indolores, podem surgir em várias partes do corpo, limitar a mobilidade da articulação perto da qual se localizam ou ulcerar e drenar uma secreção que lembra pó de giz molhado.

Durante toda a evolução da gota, o aumento do ácido úrico no sangue (hiperuricemia) pode causar dano aos rins. A deposição crônica de urato nos rins pode levar a perda de função renal e formação de cálculos renais. Sabe-se que homens com gota têm duas vezes mais chance de ter cálculos renais do que homens sem gota. 

Causas da gota

Como já entendemos, a gota é causada pela presença de níveis mais altos do que o normal de ácido úrico na corrente sanguínea. Isso pode ocorrer se o corpo produzir ácido úrico em excesso ou se o tiver dificuldade de eliminar o que já foi produzido.

 

Quando essa substância se acumula no líquido ao redor das articulações (líquido sinovial), são formados cristais de ácido úrico. Esses cristais causam inchaço e inflamação nas articulações. A causa exata da gota, porém, é desconhecida.

 

Cerca de 40% dos pacientes com gota apresentam histórico familiar desta doença, o que nos permite afirmar que há uma influência genética significativa, porém outros fatores determinam a expressão da doença, são relevantes: 

 

  • Dieta
  • Consumo de álcool
  • Uso de algumas medicações
  • Presença de outras doenças.

 

Uma combinação de predisposição genética e dos fatores de risco já identificados é que influenciam os mecanismos moleculares de metabolização de urato e inflamação induzida por cristais de urato. Contudo, a causa exata da gota é desconhecida.

 

Normalmente, o ácido úrico, um subproduto da quebra de ácidos nucleicos (ácido ribonucleico [RNA] e ácido desoxirribonucleico [DNA]) nas células, está presente em pequenas quantidades no sangue, devido ao fato de o corpo destruir células e formar novas continuamente. Além disso, o corpo transforma prontamente substâncias presentes em alimentos chamadas purinas em ácido úrico. As purinas são os principais constituintes do RNA e DNA.

Níveis de ácido úrico anormalmente elevados no sangue resultam de

 

  • Eliminação diminuída de ácido úrico pelos rins (causa mais comum)
  • Consumo excessivo de alimentos ricos em purina e/ou álcool
  • Produção exacerbada de ácido úrico

 

Frequentemente, o nível de ácido úrico no sangue se torna anormalmente alto quando os rins não podem eliminar ácido úrico na urina suficientemente. Essa causa é geralmente determinada pelos genes da pessoa. Muito ácido úrico no sangue pode resultar em cristais de ácido úrico sendo formados e depositados nas articulações ou ao seu redor. Os quadros clínicos que podem comprometer a capacidade do rim eliminar o ácido úrico também incluem:

 

  • Alguns tipos de doenças renais
  • Certos medicamentos
  • Envenenamento por chumbo

 

Consumo excessivo de alimentos ricos em purina (como fígado, rim, anchovas, aspargos, arenques, caldos e molhos de carne, cogumelos, mexilhões, sardinhas e pães doces) podem aumentar os níveis de ácido úrico no sangue. No entanto, uma dieta estrita baixa em purina reduz os níveis de ácido úrico em apenas uma pequena quantidade. No passado, quando o consumo de carnes e peixes era escasso, a gota era considerada uma doença que acometia pessoas ricas.

 

Fatores de risco para a gota

  • Cerveja (incluindo cerveja não alcoólica) e licor
  • Histórico familiar, uma vez que a doença pode ser genética
  • Sexo: gota é mais comum em homens
  • Mulheres após a menopausa
  • Ingestão excessiva de álcool
  • Uso de determinados medicamentos diuréticos
  • Hipertensão
  • Diabetes
  • Colesterol alto
  • Altos níveis de gordura corporal
  • Arteriosclerose.
  • Alimentos e bebidas que contenham xarope de milho com alto teor de frutose
  • Alguns alimentos (como anchovas, aspargos, consomê, arenque, molhos e caldos de carnes, cogumelos, mariscos, todas as vísceras, sardinhas e molejas)
  • Baixa ingestão de laticínios
  • Alguns tipos de câncer e doenças sanguíneas (como linfoma, leucemia e anemia hemolítica)
  • Alguns medicamentos (como diuréticos tiazídicos, ciclosporina, pirazinamida, etambutol e ácido nicotínico)
  • Glândula tireoide com baixa atividade (hipotireoidismo)
  • Envenenamento por chumbo
  • Obesidade
  • Psoríase
  • Radioterapia
  • Quimioterapia de câncer
  • Doença renal crônica
  • Algumas anormalidades enzimáticas raras
  • Inanição

 

A combinação de uma dieta rica em purinas com álcool ou bebidas contendo xarope de milho rico em frutose pode piorar a situação, porque todas estas bebidas podem aumentar a produção de ácido úrico e interferir na sua eliminação pelos rins. Por motivos desconhecidos, nem todas as pessoas que possuem hiperuricemia desenvolvem gota.

 

Menos comumente, outro distúrbio faz com que o corpo produza ácido úrico em excesso. (Gota causada por outro distúrbio é chamada gota secundária). Esses distúrbios incluem:

 

  • Qualquer tipo de doença renal crônica.
  • Doenças que levam as células a se multiplicarem e/ou serem destruídas rapidamente, como leucemia, linfoma e anemia hemolítica
  • Medicamentos que levam as células a se multiplicarem e/ou se destruírem rapidamente, como certos medicamentos antineoplásicos e radioterapia

 

Geralmente, os níveis altos de ácido úrico no sangue levam a níveis altos de ácido úrico nas articulações. Esse processo pode resultar na formação de cristais de ácido úrico no tecido das articulações e no líquido ao redor das articulações (líquido sinovial).

 

A gota muito frequentemente afeta as articulações dos pés, especialmente a base do hálux (inchaço, dor e vermelhidão do hálux é chamado podagra). Porém, afeta com mais frequência outras áreas: tornozelos, dorso dos pés, joelhos, pulsos e cotovelos. 

 

A gota tende a afetar essas áreas mais frias, já que os cristais de ácido úrico se formam mais rapidamente em áreas frias do que em áreas quentes. A gota raramente afeta as articulações das partes mais quentes e centrais do corpo, como a coluna vertebral, quadris ou ombros.

 

Exacerbações (crises) graves repentinas de gota (chamadas artrite gotosa aguda) podem ocorrer. E podem ser desencadeadas por:

 

  • Uma lesão
  • Doença (como pneumonia ou outra infecção)
  • Cirurgia
  • Uso de diuréticos tiazídicos
  • Início de tratamento com determinados medicamentos (como alopurinol, febuxostate, probenecida e nitroglicerina, especialmente nitroglicerina administrada por via intravenosa que contenha álcool) que podem repentinamente alterar os níveis de ácido úrico no sangue
  • Consumo de grandes quantidades de álcool ou alimentos ricos em purina

Quais os principais sintomas?

Os sinais de gota são quase sempre agudos, podendo ocorrer de repente, principalmente à noite, e sem nenhum aviso. Entre eles estão:

 

  • Dor intensa nas articulações dos pés, tornozelos, joelhos, mãos e pulsos. Essa dor é geralmente mais forte nas primeiras 12 a 24 horas;
  • Após o pico de dor, deve restar um certo desconforto nas articulações, que pode durar alguns dias e, em alguns casos, até mesmo algumas semanas;
  • Inflamações e vermelhidão na região das articulações afetadas, com presença de suor.

 

Depois da primeira crise de gota, as pessoas não apresentam sintomas. Metade dos pacientes sofre outro ataque.

 

Algumas pessoas podem desenvolver gota crônica. Aqueles que sofrem de artrite crônica desenvolvem lesões e perda de movimento das articulações. Nesses casos, o paciente apresenta dor nas articulações e outros sintomas a maior parte do tempo.

 

Outro sintoma de gota são os tofos, caroços sob a pele ao redor das articulações ou em outros lugares. Eles podem drenar material calcário. Geralmente, os tofos se desenvolvem em pacientes que convivem por muitos anos com a doença.

 

Quando procurar ajuda médica?

A qualquer sinal dos seguintes sintomas, é chegada a hora de você procurar um especialista:

 

  • Sentir dor repentina nas articulações;
  • Apresentar febre;
  • Sentir queimação na região de articulações.

 

Especialistas que podem diagnosticar e tratar a gota são:

 

  • Clínico geral
  • Reumatologista

 

Não se esqueça de estar preparado para a consulta para facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar ao médico com algumas informações:

 

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que tenha e medicamentos ou suplementos que tome com regularidade.

 

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

 

  • Em quais partes do corpo você está sentindo dor?
  • Quando os sintomas começaram?
  • Os sintomas são recorrentes ou contínuos?
  • Você tem algum parente com histórico de gota?
  • Você consome bebidas alcóolicas? Com que frequência e em quais quantidades?
  • Como é sua alimentação durante o dia?

 

Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar. Algumas perguntas básicas incluem:

 

  • O que está causando os sintomas?
  • Quais testes eu preciso fazer?
  • A minha condição é temporária ou crônica?
  • Qual o tratamento que você recomenda?

 

Não hesite em fazer outras perguntas, caso elas ocorram no momento da consulta.

Diagnóstico de Gota

O médico realizará um exame físico para analisar as articulações em que há dor e, depois, fará perguntas sobre o histórico médico do paciente e de sua família, a fim de encontrar vestígios de gota.

 

Exames

O médico poderá te pedir alguns exames, como:

 

  • Análise de líquido sinovial (exame que revelará cristais de ácido úrico)
  • Exames para medir a quantidade de ácido úrico no sangue e na urina
  • Raio X da articulação
  • Biópsia sinovial

 

Atenção: nem todas as pessoas com altos níveis de ácido úrico no sangue têm gota.

 

Tratando a Gota

Caso você entre em uma crise de gota súbita, os medicamentos devem ser tomados o mais rápido possível.

 

  • Use anti-inflamatórios assim que aparecerem os sintomas. Consulte o seu médico sobre a dose correta. Você talvez precisará de doses mais fortes por alguns dias.
  • O médico poderá prescrever analgésicos fortes para as dores.
  • Também poderão ser prescritos alguns medicamentos que ajudem a reduzir a dor, o inchaço e a inflamação.
  • Os corticoides podem ser muito eficazes. O médico pode injetar esteroides na articulação inflamada para aliviar a dor.
  • Em geral, a dor diminui dentro de 12 horas após o início do tratamento e desaparece completamente em 48 horas.
  • O uso diário de alguns remédios também diminui os níveis de ácido úrico no sangue. O médico poderá prescrever esses medicamentos se o paciente tiver vários ataques durante o mesmo ano ou se os seus ataques forem muito graves, e ainda, se o paciente tiver lesões nas articulações, tofos e cálculos renais de ácido úrico.

Tratamento caseiro que pode funcionar

O uso de compressas de gelo nas crises de gota e a mudança de hábitos alimentares, evitando-se aqueles ricos em proteína animal e aumentando o consumo de vegetais, verduras e frutas, leite e derivados auxiliam no tratamento da gota.

 

Faz parte da cultura popular o uso de chás e infusões com cúrcuma, cavalinha, abacaxi, cereja, gengibre e pepino para controle da crise aguda e prevenções. 

Cereja pode ser útil no tratamento da Gota

Cerejas não são apenas um delicioso complemento para sobremesas. A fruta está associada a um menor risco de sofrer crises de gota, aponta um estudo publicado no periódico Arthritis & Rheumatism. A ingestão do alimento era uma recomendação comum entre vítimas da doença, mas só agora ganhou embasamento científico, graças a especialistas da Boston University, nos Estados Unidos.

 

Para chegar à essa conclusão, foram acompanhadas 633 pessoas com gota que haviam sofrido uma crise nos últimos 12 meses. Todas tiveram o diagnóstico da doença feito nos Estados Unidos e tinham mais de 18 anos. Seus registros médicos também foram disponibilizados para a pesquisa. Durante cerca de um ano, os pacientes preencheram formulários sobre os episódios de crise, os sintomas, as drogas usadas no tratamento e a sua dieta.

 

Do total, 224 relataram ter consumido cerejas, 15 disseram ter feito uso de extrato de cereja e 33 alegaram ter feito uso de ambos. Somando os resultados, foram registrados 1.247 ataques de gota. Analisando os dados fornecidos, entretanto, os pesquisadores descobriram que o consumo regular da fruta estava associada a um risco 35% menor de sofrer crises da doença. Os que consumiam cerejas e ainda tomavam medicamentos, então, apresentaram um risco 75% menor de sofrer uma crise.

 

É preciso tratá-la para se ter uma melhor qualidade de vida

De acordo com o reumatologista Sérgio Lanzotti, diretor do Instituto de Reumatologia e Doenças Osteoarticulares (Iredo), a gota é tão característica que o diagnóstico dispensa muitos exames. O problema costuma despertar a vítima no meio da noite com muita dor no dedão do pé ou nas articulações. Não é possível suportar nem mesmo o peso das cobertas.

 

Após a queixa, o médico irá solicitar um exame de sangue para verificar os níveis de ácido úrico no organismo. Com o resultado, somado ao histórico e familiar clínico do paciente, é possível chegar ao diagnóstico.

 

O tratamento da gota é feito caso a caso, já que há dois tipos de pacientes com o problema: o hiperprodutor e o hipoexcretor de ácido úrico. O primeiro produz a substância em excesso, não sendo capaz de eliminá-la. O segundo até tem uma produção normal de ácido úrico, mas apresenta falhas na eliminação. O primeiro grupo representa 10% dos diagnósticos e o segundo, 90%.

 

Identificado o grupo em que o paciente se encaixa, são prescritos medicamentos que inibem a produção de ácido úrico ou aumentam sua excreção. Se as crises se repetirem duas ou mais vezes ao ano, há a necessidade do uso contínuo dos medicamentos. Não aderir ao tratamento pode gerar a chamada poliartrite, inflamação que atinge várias articulações ao mesmo tempo até que sejam completamente destruídas.

Dieta para Gota

Inclusive o Ministério da Saúde salienta a importância de uma boa alimentação no tratamento. Não é segredo para ninguém que o cuidado na alimentação das pessoas com hiperuricemia deve ser uma prioridade, já que vários alimentos são fontes de purinas que entram na formação do ácido úrico.

 

Por isso mesmo, que você sofre com gota não deve consumir:

 

  • Bebidas alcoólicas: principalmente cerveja
  • Vísceras: coração de galinha, rim, fígado, moelas, miolo
  • Peixes
  • Frutos do mar
  • Enlatados e conservas
  • Defumados
  • Carnes vermelhas e gordas

 

E existem alimentos e nutrientes que oferecem uma certa proteção contra o desencadeamento da gota e deveriam fazer parte da estratégia alimentar dos pacientes com maior risco:

  • Vegetais
  • Leite e derivados desnatados
  • Café
  • Cerejas
  • Alimentos fontes de vitamina C, como as frutas cítricas.

 

Refrigerante aumenta chance de gota

Mulheres que consomem bebidas ricas em frutose, como refrigerantes e sucos de laranja, apresentam um risco elevado de desenvolver gota, de acordo com outro estudo, feito pela University of British Columbia, durante a Reunião Científica Anual do Colégio Americano de Reumatologia, nos Estados Unidos.

 

As participantes do estudo que consumiram um refrigerante com açúcar por dia foram comparadas com aquelas que consumiam a bebida apenas uma vez por mês. No primeiro grupo, foi encontrado um risco 1,7% maior de desenvolver gota. Aquelas que consumiam duas ou mais latas de refrigerante por dia apresentavam um risco 2,4% maior.

 

Em relação ao consumo de suco de laranja, as participantes que consumiram um copo de suco de laranja por dia apresentavam um risco 1,4% maior de desenvolver gota e aquelas que consumiam dois ou mais copos do suco, por dia, tinham um risco 2,4% maior.

 

E se eu não fizer o tratamento?

Sem tratamento as crises leves geralmente desaparecem depois de um ou dois dias, enquanto as crises mais graves evoluem rapidamente para uma dor crescente em algumas horas e podem permanecer nesse nível durante uma semana ou mais. 

 

O desaparecimento completo dos sintomas pode levar várias semanas. Após a primeira crise em geral o paciente volta a levar uma vida normal, o que geralmente faz com que ele não procure ajuda médica imediata. 

 

Uma nova crise pode surgir em meses ou anos e a mesma ou outras articulações. Sem tratamento, o intervalo entre as crises tende a diminuir e a intensidade a aumentar. O paciente que não se trata pode ter suas articulações deformadas e ainda apresentar depósitos de cristais de monourato de sódio em cartilagens, tendões, articulações e bursas.

Medicamentos para Gota

Os medicamentos mais usados para o tratamento de gota são:

 

  • Alopurinol
  • Androcortil
  • Beserol
  • Betametasona
  • Butazona Cálcica
  • Bi Profenid
  • Cataflam
  • Celestone
  • Cetoprofeno
  • Colchis
  • Dexalgen
  • Diclofenaco Colestiramina
  • Diclofenaco sódico
  • Feldene
  • Fenaflan D
  • Flancox
  • Flotac
  • Ibupril 300mg
  • Ibupril 600mg
  • Infralax
  • Mioflex A
  • Naproxeno
  • Nimesulida
  • Prednisolona
  • Prednisona
  • Profenid
  • Tandrilax
  • Torsilax.

 

Sempre bom relembrar: Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. 

 

Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

 

Existem cirurgias para Gota?

Quando o paciente com gota apresenta dificuldade para andar devido à compressão do nervo peroneal, uma cirurgia simples pode ser indicada. O objetivo do procedimento é melhorar a capacidade da pessoa de caminhar e realizar outras atividades. 

A importância do calçado ideal para alívio das dores

Por mais que sandálias possam parecer confortáveis, elas também podem piorar as dores de quem sofre com gota, diz um estudo feito pela University of Auckland, na Nova Zelândia. Segundo os autores da pesquisa, pessoas com gota normalmente usam tipos errados de calçados, o que piora a dor, o desconforto e o desequilíbrio.

 

Como vimos anteriormente, a gota é uma forma de artrite causada pelo excesso de ácido úrico no sangue e provoca fortes dores nas extremidades do corpo, principalmente nos dedos do pé e nos joelhos. É mais comum em homens, a partir dos 50 anos de idade. Fatores como o fumo e a ingestão de álcool também aumentam as chances da doença.

 

O estudo foi feito com 500 pacientes que tinham cadastros em clínicas de reumatologia. Os voluntários responderam um questionário sobre os tipos de calçado que usavam e a intensidade das dores causadas por gota que sentiam durante o dia. 

 

A partir desses dados, os cientistas notaram que 42% dos participantes usavam calçados que pioram as dores de gota, como sandálias, chinelos e mocassins. Eles não são indicados para quem tem a doença já que não dão suporte, estabilidade e controle.

 

De acordo com os especialistas, tênis próprios para caminhada e para a prática de exercícios físicos são os mais indicados para quem tem essa forma de artrite, porque são os que dão mais estabilidade e maior absorção de impacto.

Além disso, o estudo também mostrou que metade dos calçados usados pelas pessoas analisadas tinham mais de um ano de uso, outro fator que pode aumentar as dores de quem sofre com gota.

 

Gota tem cura?

O tratamento adequado dos ataques agudos de gota permite que as pessoas tenham uma vida normal. Todavia, a forma aguda da doença pode progredir para gota crônica.

 

Nos casos de elevação do ácido úrico, sem sintomas articulares (hiperuricemia assintomática), apenas raramente é prescrito o alopurinol (medicamento que diminui os níveis de ácido úrico), mas, uma vez prescrito, deve ser utilizado por longo período. 

 

Na maioria dos casos, é recomendado apenas perda de peso, diminuição da ingesta de álcool, de proteínas e de outros alimentos ricos em purina. Também é recomendado o controle da pressão alta e problemas de colesterol.

 

Quando houver a crise aguda (artrite gotosa), são utilizadas medicações para diminuir a dor e o inchaço. O tratamento é feito com colchicina, anti-inflamatórios ou corticóides, ou mesmo uma associação destes.

 

Para prevenir a recorrência de crises agudas, é utilizada a colchicina. Para diminuir os níveis de ácido úrico sanguíneo, é recomendado o alopurinol ou probenecida.

O diagnóstico, seguimento e tratamento deve ser feito por médico reumatologista.

 

Complicações possíveis

Gota não tratada pode evoluir para complicações mais sérias, como:

  • Artrite gotosa crônica
  • Recorrência da doença
  • Cálculos renais
  • Depósitos nos rins, levando à insuficiência renal crônica

Convivendo/ Prognóstico

Algumas dietas e mudanças no estilo de vida ajudam a evitar crises de gota e facilitam a eficácia do tratamento. Siga algumas dicas e tenha um bom prognóstico:

 

  • Evite álcool
  • Reduza a quantidade de alimentos ricos em purina
  • Limite a quantidade de carne ingerida em cada refeição
  • Evite comidas gordurosas, como molhos para saladas, sorvete e frituras
  • Coma uma quantidade suficiente de carboidratos
  • Se estiver de dieta, emagreça lentamente. A perda rápida de peso pode provocar a formação de cálculos renais de ácido úrico.

Formas de prevenção

Essa condição em si pode não ser prevenida, mas você pode evitar itens que desencadeiem os sintomas. Limite o consumo de álcool e de alimentos gordurosos, assim como de carnes e peixes, e beba muita água.

 

E você? Sofre ou conhece alguém que passa pelo terrível incômodo da gota? Conte pra gente nos comentários…